quarta-feira, 26 de março de 2014

Fair Play Financeiro e Gestão de Riscos (parte II)

No seguimento do “post” anterior, (aqui) solicito a leitura muito cuidadosa do início da página 71 deste mais recente “R&C”, que passo a reproduzir, na íntegra e com sublinhado.

Risco regulatório – Fair Play Financeiro.

A UEFA aprovou um sistema de licenciamento para a admissão dos clubes de futebol a participar nas competições por si organizadas. Com base neste sistema, apenas os clubes que comprovem que satisfazem os critérios desportivos, de infraestruturas, de pessoal e administrativos, jurídicos e financeiros requeridos pela UEFA estão em condições de ter acesso ás competições europeias, obtendo para tal a denominada “licença”. O Manual de Licenciamento de Clube pela UEFA também incorpora os Regulamentos do Fair Play Financeiro.

O Fair Play Financeiro é baseado no principio do break-even, segundo o qual os clubes podem participar nas competições europeias apenas se demonstrarem um equilíbrio entre as receitas geradas e os encargos incorridos.

Os principais critérios promovidos pela UEFA no Fair Play Financeiro são:

. A inexistência de dívidas vencidas e não pagas (i) a outros clubes ou sociedades desportivas no âmbito de transferências de direitos desportivos de jogadores, (ii) aos seus trabalhadores, incluindo aos jogadores, (iii) ás autoridades tributárias e á Segurança Social;

. Que os eventuais défices entre despesas e receitas relevantes para a UEFA (que pressupõe a dedução dos investimentos na Formação, infraestruturas e apoios á comunidade, entre outros), designados por break-even, não poderão exceder um valor acumulado de 5 milhões de euros (considerando a época atual e as duas épocas anteriores) e apenas serão admissíveis se supridos mediante recurso aos accionistas ou a entidades relacionadas.

As sanções previstas para o não incumprimento destas regras podem incluir (i) avisos, (ii) multas, (iii) retenção dos prémios pagos e, no limite, (iv) a proibição de participar nas competições organizadas pela UEFA.

Actualmente, a Benfica SAD encontra-se licenciada para participar nas competições europeias da época 2013/2014 e cumpre os principais critérios do Fair Play Financeiro.” (fim de citação)

Surpreendente, não vos parece?
Quer isto dizer … andámos todos (mérdia incluída) a falar duma alegada limitação do volume de salários pagos ao Plantel em percentagem dos Proveitos e … nada, nestes, nicles, pelo menos em termos de referência explícita e directa!
Andaram os andruptos a inventar uma empresa que lhes absorvesse parte dos trabalhadores (trocando “Custos com Pessoal” por “Fornecimentos e Serviços de Terceiros, com o inerente agravamento em IVA), afinal … sem necessidade?

Claro que tudo depende das “despesas e receitas relevantes para a UEFA”, que eu continuo sem saber quais são, efectivamente e com todo o rigor: sabemos “que pressupõe a dedução dos investimentos na Formação, infraestruturas e apoios á comunidade, entre outros”, mas continuamos a estar numa penumbra que me não agrada, tal como me não agrada nada a redacção final daquela parte do “R&C” (“e cumpre os principais critérios do Fair Play Financeiro”), uma vez que eu considero imprescindível que a SAD cumpra TODOS os critérios do FPF.

Seja como for e sobre este intrincado dossier do FPF, eu continuo a pensar o mesmo que pensei da primeira vez que ouvi o Sr. Platini a lançar o conceito:
. Em primeiro lugar, vai ser uma carga de trabalhos e demorar anos até que a UEFA consiga elaborar um regulamento que resista a todas as milhentas alternativas de contabilidade criativa e, simultaneamente, uniformize a situação de clubes que vivem em quadros legais e fiscais muito diferentes;
. Em segundo lugar, espero que todo este projecto seja o grande sintoma e a precondição sine qua non para a criação do (por mim) desejado Campeonato Europeu de Clubes, todos contra todos e a duas voltas, tal como pretendem todos os grandes sponsors, todos os grandes clubes e, creio, a esmagadora maioria dos Benfiquistas (facto que corresponderia a uma despromoção imediata do POLVO para a … segunda divisão).

Tal como o refere explicitamente neste “R&C” o Nosso CA (e em diferentes partes do documento), o Benfica já’ consolidou uma presença sistemática na Champions e tem de estender essa frequência ao nível dos quartos de final da prova, correspondendo ao facto de já ter estatuto de cabeça de série (vulgo “pote 1”). E não é despiciendo o facto de termos uma presença muito competitiva na Youth League.

Com o sucesso da Nossa BTV e esse estatuto privilegiado na maior competição da UEFA, o Glorioso pode assegurar o lugar de representante nacional na “superliga europeia” e, claro, como cereja no topo do bolo, teremos a BTV como titular dos direitos dessa liga para todo o mundo lusófono.

Era este o Benfica que eu queria que deixássemos para os mais novos!

Viva o Benfica!                 

8 comentários:

  1. Caríssimo e estimado amigo José Albuquerque,

    Boa continuação do excelente texto anterior... e uma constatação...

    Efectivamente, existe alguma falta de definição e clareza nos regulamentos do Fair Play Financeiro que concorre para ser quase utópico o seu cumprimento integral, sem ser alvo de como referes... alguma contabilidade criativa e assim de muitas injustiças ao nível do licenciamento de clubes e das equipas que estes podem apresentar.

    De resto, falas na possibilidade de um campeonato europeu de clubes...

    O conceito é interessante, atractivo e a UEFA até já concebe para já, a hipótese de uma liga de nações...

    Confesso todavia, que antevejo tremendas dificuldades para levar a cabo semelhante empreitada.
    As dificuldades para colocar um projecto dessa magnitude em funcionamento seriam enormes, a logística, a conjugação de calendários, etc.

    Sendo que... curiosamente, para o mesmo, ter concorrentes em « igualdade » de circunstâncias... é absolutamente necessário, que as regras do Fair Play Financeiro sejam aperfeiçoadas até ao ponto de ficarem imunes a Manchesters Citys, PSGs, Mónacos,etc!

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    1. Enormerrimo Mathayus, Amigo e Companheiro,

      Um verdadeiro campeonato (ou dois, com primeira e segunda divisao) nao teria dificuldade especial de calendario, uma vez que as equipas que nele participarem nao participam em nenhum campeonato nacional, exceto a chamada "Taca" (uma por cada pais).

      Contabilidade "criativa", diferencas de legislacao (nomeadamente fiscal) serao obstaculos tremendos, mas podem ser superados (repara no caso do Monaco, enquadrado na Ligue1). Ja' impedir que "bilhardarios" loucos percam milhares de milhoes com um clube de futebol, isso vai ser impossivel, nem sequer eu considero essa a parte mais grave (repara que as maiores equipas europeias continuam "livres" desse carma).

      Ja' a partilha da soberba "mina" que seriam os direitos televisivos de uma tal prova, se feita com alguma justica, essa sim, permitiria a clubes de paises mais pequenos e menos ricos um imenso "salto" de competitividade.

      Viva o Benfica!
      (Jose' Albuquerque)

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    2. Caríssimo e estimado amigo, José Albuquerque,

      Não tinha imaginado... essa circunstância do abandono total do campeonato nacional para participar exclusivamente num campeonato europeu de clubes.

      E vejo muitas vantagens, nomeadamente: poder jogar num campeonato impoluto, dar um salto financeiro de dimensões colossais e poder competir com os melhores!

      Ainda assim... também custa um pouco... considerar o abandono do campeonato nacional, deixar os suínos soltos em Portugal ( apesar da possível asfixia económica ) e jogar num campeonato em que pelo menos uns 10 competidores têm equipas e orçamentos fabulosos...o que numa prova de regularidade faz« mossa ».

      Isto sem contar com... qual o critério utilizado?

      Se seriamos de certeza nós os escolhidos e se a entrada na competição seria « ad aeternum » ou sujeita a mudanças em poucos anos!

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  2. Tem alguma informação mais concreta sobre o Campeonato Europeu de Clubes?

    Não me parece ser assim tão complicado e já devia ter sido iniciado há vários anos. Não se pode aceitar que equipas como o Real, Barcelona, Bayern, PSG, Chelsea, Manchester City ou Juventus, se andem a arrastar pelos campeonatos nacionais a golear equipas com orçamentos com menos 2 dígitos...

    Para o Benfica, todos os jogos são de alta competição - é mais fácil irmos ganhar ao Tottenham do que ao Estoril ou a Arouca... por isso, a estratégia de JJ, de utilizar a 2ª equipa na Liga Europa tem resultado tão bem...

    O Campeonato Europeu de Clubes permitiria a fuga deste futebol portuguezinho viciado, ter maiores receitas e estar ao lado dos seus pares europeus.

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    1. Enorme Francisco, Companheiro,

      Nao, nao tenho nenhuma informacao concreta a nao ser algumas notas na imprensa internacional e a certeza que tenho (atraves de um Cliente que e' um dos sponsors da UEFA) de que tem havido varias propostas apresentadas na UEFA nesse sentido, garantindo um financiamento absolutamente fabuloso.

      Estou inteiramente de acordo contigo: com uma tal prova, acabava-se o POLVO num so' dia.

      Viva o Benfica!
      (Jose' Albuquerque)

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  3. Já em 1999 Vale e Azevedo falava numa superliga europeia, disputada pelos clubes históricos do futebol europeu, onde se incluía o Sport Lisboa e Benfica, organizada de forma independente da UEFA. Esta ideia, que segundo pendo saber, Vale e Azevedo faria parte dos seus mentores, só não se concretizou porque a UEFA se impôs à sua realização, ameaçando clubes e jogadores com a proibição de voltarem a participar em competições da UEFA se otivessem participado na Superliga. Este ultimato acabou por deitar a ideia por terra.

    Agora ressurge sob a chancela da UEFA. Vamos ver.



    que só não andou para a frente porque a UEFA

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  4. Alguns comentários:
    - a Benfica SAD apresenta um resumo sobre a legislação não devendo as palavras publicdas serem consideradas como as únicas sobre o assunto (o regulamento tem muitos pontos e resumiram os que acharam essenciais)
    - relativamente aos valores de prejuízos acumulados, há um período transitório em que são admitidos prejuízos superiores
    - quanto ao rácio dos salários/proveitos, o valor de referência é 70%, há que ter em atenção que nem todos os proveitos contam
    - quanto às despesas e receitas relevantes, elas estão bem discriminadas e são do conhecimento da nossa SAD
    - conforme mencionei anteriormente, a Benfica Sad cumpre os requisitos para o licenciamento nas competições internacionais, desde que aderiu voluntariamente ao projecto - 2011/12 (salvo erro)

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    1. Enormerrimo B Cool, Companheiro,

      Em primeiro lugar (Obrigado, Guachos, por me teres avisado destes comentarios do Companheiro B Cool), deixa que saude, vivamente, este teu regresso aos comentarios, dos quais tenho sentido a falta (e creio nao estar so' nesse sentimento), fazendo votos que consigas superar, rapidamente e com sucesso, esses obstaculos que te "afastam" do debate sobre a realidade e o cenario economico do Nosso Clube.

      Em segundo lugar e como, certamente, percebeste, eu apenas quis sublinhar (literalmente, hahaha) esta "estreia" do "R&C" ao fazer mencao expressa ao tema.

      Posso garantir-te que tenho escrito 'a UEFA a colocar questoes sobre o FPF, tal como tenho tentado algumas outras pesquisas: tudo sem resultados incontestaveis e que me permitissem, por exemplo, escrever um post sobre o assunto.

      Por isso, Companheiro, vou fazer-te um pedido: se tens mais elementos (incontestaveis, ou de fonts fidedignas) sobre o FPF, faz-nos o favor de escrever um texto elucidativo e que responda 'as duvidas mais persistentes.
      Se nao tiveres tempo para tanto, remete, por favor, esses elementos para o "mail" do GUACHOS e eu prometo-te que tentarei escrever sobre o assunto, enviando-te esse esboco antes de ser publicado.

      Viva o Benfica!

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