Fui à Assembleia Geral do SL Benfica. Começou com uma intervenção genérica do vice-presidente Nuno Gaioso, alguns sócios foram ao palanque expor as suas questões...o discurso de Vieira...mais intervenções dos sócios, umas bocas aqui e outras ali, e tudo terminou com o Presidente em modo 'estou com os meus e até posso mandar umas caralhadas mais ou menos emocionadas' a prometer uma reunião com os contestatários para tentar resolver os problemas apresentados ou para lhes explicar que, às vezes, há questões inultrapassáveis! Eu gostei. Ali, no sitio certo, ouvi algumas questões pertinentes, outras que não lembra ao diabo, mas vi muita malta nova de espírito interventivo e rebelde, o que se saúda. Curiosamente, e apesar de pelo menos dois dos oradores insinuarem que o Presidente não escreve os seus, ninguém se atreveu (pimenta no cu do outro é refresco) a falar de improviso e todos levavam o seu discurso preparado.
Tudo gente muito chateada porque podiam estar a festejar o Hexa e um ódio de estimação a Rui Vitória que ainda não lhes passou. Fiquei deliciado com a preocupação de todos com o tamanho dos tomates do Presidente (se eu fosse de intrigas diria que os discursos foram todos escritos pelo mesmo apreciador) e deu para perceber de perto o incómodo pela "sorte" que não larga o Presidente do Benfica. Pena ninguém lhes explicar que para haver um Penta antes do Hexa é preciso alguém ganhar (antes) um Tetra. A camisola alternativa pode ser motivo de chacota, mas, se hoje não vemos o João Félix vestido com uma camisola do tipo barraca de praia às riscas, como aconteceu com Figo, Simão Sabrosa, Quaresma e Ronaldo...é porque alguém criou as condições necessárias para isso. Se Bruno Lage foi a quinta alternativa, depois de Mourinho e Jesus - confesso ter adorado estas contas - quem terá sido o "sortudo" que o mandou regressar de Inglaterra? Ok. Rui Vitória não sabe o que é uma bola. Mas ganhou dois campeonatos seguidos, um Tetra inédito na história do Benfica e mais meia dúzia de taças e troféus. Com mesma sorte do Vieira, claro, que no campeão nacional nunca ninguém ganha nada por mérito.
Gostei muito de um moço de queixada gigante e olhos trocados. Discurso inflamado, queixo a roçar a tomatada, um olho na mesa presidencial e o outro a controlar a plateia do lado contrário. Saiu do palanque aplaudido pelo grupo mais inchado que um peru armado. Ia tão convencido que quase tropeçava no queixo. E adorei um mancebo que se foi queixar que não ter ar quente nas casas de banho do estádio para secar as manitas. Foi de macho, carago! Na segunda intervenção, regressou ao lugar convencido que, à parte todas as taças e troféus, os cinco campeonatos conquistados em seis épocas foram obra de uma musica, da Marisa e do Carlão! Carrega Benfica, então.
A merda de comunicação desportiva que temos conseguiu praticamente ignorar a condenação do foculporto, no caso dos e-mails. O pasquim da fruta, o onojo, escolheu um "alvo" do foculporto para preencher o melão. O rascord pediu ao novo Garrincha que dissesse que nunca trocaria os sapos pelo Benfica. A bolha do Serpa escolheu o director geral do campeão nacional para demonstrar o arrojo. Canojo!
Com o ribombar dos bombos e o estalar dos foguetes, Jorge lagarto saiu em direcção ao Falamengo. Paulo Fonseca, depois de ganhar tudo na Ucrânia, viajou para Roma para treinar a equipa da capital italiana. Futebol do primeiro mundo. Saiu e chegou incógnito para a merda de imprensa desportiva que temos. Um bocadinho como o Bernardo Silva que, ganhando o triplete (todas as competições internas) no maior e mais competitivo campeonato da Europa, teve menos impacto em Portugal que o bater das asas da melhor Dolores do Mundo.





