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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Os mitos de 2014 (III)

Por José Albuquerque

Numa breve introdução e agora que entramos nos mitos que implicam a forma como vemos o Nosso futebol, cumpre-me, de novo, implorar aos Leitores do GUACHOS que me não levem muito a sério, porque eu continuo a perceber pouquíssimo disto, embora nunca vá deixar de tentar compreender o fenómeno.

O  mito dos “4 milhões”.

Se há defeito que eu não tenho, felizmente, é ser invejoso: nunca fui, não sou e já não vou a tempo de vir a ser.
Se há qualidade humana que eu valorizo, é a capacidade de trabalho e quando ela vem associada a outras como a fidelidade, a honestidade, a coragem e, se possível, ao talento, creio que estão criadas as condições para termos uma “superpessoa”, qualquer que seja o seu sexo ou profissão.
Enquanto trabalhei por conta de outros, nunca perdi nem um segundo a pensar nos salários dos Colegas e, depois de optar por uma vida empresarial, sempre deixei claro aos meus Colaboradores que, com a excepção da responsável pela Gestão das competências (assim se chama, agora, aos antigos DRH), seria péssimo preocuparem-se com os rendimentos dos outros.
Desgraçadamente, o Benfica deste milénio sofre os horrores da inveja em relação a, primeiro, um Homem – o Presidente, e, depois, a dois, desde que se soube que o Nosso Técnico é dos mais bem pagos do mundo. Ainda por cima, tratando-se de dois Homens de origens extremamente humildes e que devem a si próprios tudo o que ganham.

Quem me conhece, ou acompanha o que escrevo, sabe que eu não teria escolhido nem um, nem outro e isto apesar de ter reconhecido os imensos méritos do Companheiro Vieira ainda na fase de preparação da candidatura do Manuel Vilarinho. Por isso, ainda mais confortável me sinto para lhes reconhecer todos os imensos méritos que patenteiam e colocam ao serviço do Glorioso. Todos sabemos que “de insubstituíveis estão os cemitérios cheios”, mas … faço votos para que não tenhamos de substituir nenhum dos dois pelo mais longo prazo possível.

O Nosso Técnico tem defeitos? Comete erros? Podia ser ainda melhor? Podia produzir o mesmo sem tantos incentivos financeiros?
Talvez sejam afirmativas todas as respostas a estas perguntas, mas, ainda assim, nada disso justifica a miserável inveja dos seus detractores e, acima de tudo, nada disso justificaria o risco de uma substituição, com a consequente quebra da estabilidade técnica conseguida e a negação de uma fórmula comprovadamente ganhadora.

Humildemente, reafirmando o pouco que percebo de futebol, eu considero o JJ um dos melhores Técnicos da actualidade e só não vou mais longe porque somos todos contemporâneos daquele que julgo que vai ficar na História do Futebol como o melhor Técnico de todos os tempo – o Senhor Josep Guardiola.
Comparar o trabalho de cinco anos e meio do Nosso Técnico com o de outros em Portugal, parece-me razão bastante para a perda total de toda a credibilidade da parte de quem o pretende fazer: com as (muitíssimas) competências que, inegavelmente, ele tem e a (certamente soberba) colaboração de toda a sua Equipa, o Senhor Jorge Jesus tem conseguido formar Equipas capazes de atingir graus de verdadeira excelência em todos os aspectos (ou momentos, se preferirem) do jogo, conjuntos que potenciam os pontos mais fortes dos seus componentes e quase fazem desaparecer algumas das suas insuficiências. Em frases curtas e para que elas possam tornar-se em axiomas, o Benfica de JJ:

- tem defendido, quer com poucos (em transição), quer com muitos (em organização) e, mesmo, em situações de inferioridade numérica, contra equipas fortíssimas muitas vezes, com uma perfeição que eu não me recordo de ter visto antes;
- tem atacado, quer em transições, quer em organização posicional, a um nível tal que só tem paralelo nas minhas (poucas) melhores memórias das décadas de 60, 70 e 80 do século passado; enquanto pode contar com um grande finalizador, atingiu níveis muito raros de concretização; e
- tem construído, contra os pareceres de todos os “especialistas”, alguns dos melhores Atletas da atualidade, algumas das melhores “duplas” de todos os tempos (Luisão e Garay, Saviola e Tacuara e, sobretudo, Enzo e Matic), oferecendo ao futebol mundial alguns Atletas que, mais ou menos promissores ‘ab initio’, atingiram inesperados níveis de eficácia e eficiência.

A tudo isto acresce que as circunstâncias económicas e financeiras envolventes ao seu trabalho, ainda que com algumas condições de excelência, obrigaram a que o Técnico tivesse de reconstruir as suas Equipas a cada nova época desportiva, uma vez que, entre outros motivos naturais, o brilhantismo antes atingido atraiu os apetites dos clubes financeiramente mais poderosos do mundo, resultando em saídas sucessivas e sempre, sempre, de Atletas considerados “insubstituíveis”.

Depois e em cima de tudo isto, pretender discutir (no sentido de regatear) o salário deste Profissional, só caracteriza e eloquentemente, a pobreza de espírito de quem não tem nada importante para fazer.
Eu tenho escrito repetidamente que considero ‘perfeito’ este casamento entre o Benfica e JJ e exorto o Presidente a considerar como absolutamente prioritária a manutenção desta Equipa Técnica e o seu provimento com as melhores condições possíveis para que ela possa maximizar a sua capacidade produtiva, mesmo que tenha de “pisar o risco” das Nossas capacidades financeiras.
Paralelamente, espero que a Nossa Equipa Técnica não ambicione um certo ‘aburguesamento’ e mantenha, ou ainda aumente, a ambição que a pode levar a conduzir o Clube ao pináculo do futebol mundial.

Difícil?
Não! Dificílimo e, por isso mesmo, um desafio ao Nosso nível!         

O mito da “alergia Chamada Champions”.

Este não é um mito: é pura má fé!
A Champions é uma prova na qual o apuramento na fase de grupos depende de dois factores fundamentais: um sorteio feliz e um bom pico de forma desde setembro!
A segunda condição é incompatível com o Nosso actual modelo de valorização e venda dos melhores Atletas e a primeira (não me refiro ao sorteio dos nomes dos adversários, outrossim das suas equipas de futebol), bem sabemos que Nos tem sido completamente madrasta.
Ainda assim e mesmo com esta “alergia”, o que é incontestável é que o Nosso Clube reconquistou um prestigio internacional que tinha perdido há mais de duas décadas.

De qualquer modo e para que não fiquem dúvidas sobre a minha posição pessoal, o objectivo anual de passagem aos quartos de final da Champions tem de permanecer como um dos principais objectivos mínimos a serem prosseguidos pela Nossa Equipa de Honra de futebol.

Para não abusar da vossa paciência, vou deixar o mito “made in Benfica” para o próximo texto.

Bom Ano Novo Benfiquista!

Viva o Benfica!