Por José Albuquerque
Ao longo dos últimos dois anos e meio, este blogue
divulgou uma quantidade de ideias e sugestões que bem poderiam (e deveriam,
digo eu) servir de inspiração para qualquer Companheiro que entenda
(re)candidatar-se aos Nossos Corpos Sociais e há, nessas páginas, propostas de
todos os tipos e para todos os gostos.
Aliás e com a permissão do Guachos, do Mathayus e de
todos os Leitores, aqui vou deixar o convite a alguém que tenha tempo
disponível, para que promova uma recolha de toda essa vasta informação (vai dar
trabalho, mas nós somos novos, ahahah) e, depois, uma ou duas vezes por ano,
repetir a publicação de toda essa criatividade, como forma de a ir
seleccionando, enquanto se estimula o salutar hábito de “Benficar”, no sentido
de pensar o Nosso Clube.
Pelo meu lado e humildemente, eu continuo a sentir
que o Glorioso, enquanto comunidade intergeracional, multicultural e
plurinacional de Valores fundamentais e fundacionais, persiste ainda muito
aquém dos seus limites de crescimento, razão pela qual considero que
continuaremos longe de cumprir o Nosso Benfiquismo enquanto não investirmos o
suficiente em projectos (cuidadosamente estudados e seleccionados) que apontem
para que possamos, de facto, testar esses limites, quer desenvolvendo a
participação dos Sócios e Adeptos, quer promovendo a divulgação de cada vez
mais modalidades de prática desportiva, quer ampliando o âmbito espacial do
Nosso Parque Desportivo.
Desde o exemplo mais unânime da Benfica FM, a uma
Secção de Ciclismo (de estrada, pista e BMX) que viabilizasse, a prazo, a
criação de Equipas de alta competição no Clube, à realização de eventos (eu
adoro o conceito dos Nossos Campeonatos de “Sueca”) do tipo de “Congressos”, a
criação de espaços para os chamados XGames, a formação de Árbitros (em todas as
modalidades), a formalização de uma política de discriminação positiva ao
desporto praticado pelas Nossas Companheiras, etc., etc., etc.
De cada vez que eu me lembro de reflectir sobre estes
assuntos, a minha maior dificuldade é parar de identificar projectos e/ou
conceitos que, associados à Nossa Marca, certamente revelariam potencial de
sustentabilidade a longo prazo, condição necessária e suficiente para merecerem
um estudo rigoroso e, eventualmente, algum investimento inicial do Benfica.
É claro que o futebol em geral e as suas (duas, por
agora) Equipas profissionais vão continuar a constituir o Nosso “core business”,
o que me parece implicar uma progressiva maior ambição na sua Gestão: não só
estamos a falar da modalidade mais popular do Clube, como aquela em que maiores
investimentos foram (e serão) realizados, aquela em que o Benfica parece deter
um know-how mais desenvolvido no sentido da respetiva sustentabilidade (tantas
palavras para dizer ... “Fábrica”) e, finalmente, aquela que pode libertar os
recursos financeiros que hão de financiar todos os outros investimentos.
Ora bem ... depois desta longa, mas necessária,
introdução, creio que ficou bem demonstrada a importância determinante de equacionar
e repensar o futuro a longo prazo do Nosso futebol profissional.
Coerência, a pedra de toque da Gestão.
Qual é, para Nós, a maior restrição ao
desenvolvimento do Nosso futebol?
Eu diria que é a pequenez (quantitativa) do
mercado e (qualitativa) das competições internas e espero que quem não
estiver de acordo me corrija na caixa de comentários.
Há mais clubes nacionais aos quais essa restrição
também afecta, embora numa menor dimensão?
Sim! Todos os que ambicionarem ter orçamentos que
contem com as receitas das provas da UEFA e/ou que pretendam realizar ,
rotineiramente, proveitos (ROPA) com a venda de passes de atletas.
E, em outros países europeus, há outros clubes aos
quais se colocam o mesmo tipo de problemas, especialmente quanto à menor
dimensão dos seus mercados internos e quando têm de competir com os clubes de
Itália, França, Alemanha, Espanha e, sobretudo, da Premier League?
É evidente que sim! Todos os melhores clubes da
Bélgica, Holanda, Dinamarca, Escócia, Grécia, Suíça, Sérvia e Áustria, pelo
menos (países como a Turquia, a Polónia, a Hungria, as repúblicas Checa e
Eslovaca, a Bulgária, a Ucrânia, outros países dos Balcãs e do Báltico, além da
própria Irlanda), vivem num bloqueio de competitividade quando comparados com
as maiores “potências” europeias.
Se pensarmos bem e em resultado do soberbo
desempenho da Premier League, cujo sucesso à escala mundial e em termos de
direitos televisivos, ameaça até a própria liga italiana a como que “descer um
degrau”, nenhum clube daquela longa lista de países pode aspirar a ser
competitivo com os clubes mais ricos dos 4 maiores campeonatos, especialmente
os da Premier League.
Os Leitores mais assíduos do GUACHOS sabem que é por
isto que eu venho defendendo que a UEFA, querendo impedir o “quase monopólio”
da BPL e garantir que o futebol seja sustentável à escala continental, só tem
uma solução viável: criar um verdadeiro Campeonato Europeu de Clubes
(preferivelmente 2, com uma “2ª divisão”), a duas voltas e “todos contra
todos”, esperando que a partilha desse mercado global, especialmente no tocante
aos direitos de TV, viabilize um salto positivo na competitividade para fora
dos tais 4/5 “campeonatos ricos”.
É óbvio que eu não espero que este projecto possa vir
a ser apoiado pelos clubes da Premier League, além de que também os clubes
espanhóis (a menos que a Catalunha se torne independente), alemães, franceses e
italianos, só se motivariam a participar no caso de verificarem que a
experiência já tinha sucesso, razão pela qual eu acredito que a iniciativa,
embora não ignorando esses países, terá de partir dos outros.
Ora eu acredito que os principais clubes nacionais
são, entre todos (talvez na companhia do Olimpiacos), aqueles a quem um tal
projecto deveria mobilizar, arrastando a LPFP, a própria FPF e, até os clubes
sem ambição de acederem às provas da UEFA, uma vez que poderiam ver mantidos os
chamados “grandes” no campeonato nacional (através das suas equipas B),
transformado numa competição também ela muito mais competitiva.
O “embrião” do futuro Campeonato Europeu de
Clubes.
Com uma designação do tipo Copa de Clubes Europeus,
parece-me completamente possível montar e organizar uma dupla competição (1ª e
2ª divisões) entre os principais clubes de Portugal, Grécia, Escócia, Bélgica,
Holanda, Dinamarca, Suíça, Áustria e Sérvia, com impacto mediático claramente
compensador (porque os custos também serão maiores) quando comparado com as
respectivas aturais competições internas e com a vantagem desses clubes nem
sequer terem de as abandonar, podendo nelas participar com as suas equipas B.
Se as “Ligas” e Federações nacionais destes países
aproveitarem uma tal oportunidade para, profissionalmente, desenvolverem um
“produto” verdadeiramente competitivo (estamos a falar de um mercado “interno”
de uma centena de milhão de consumidores, com importante potencial de
“exportação”), não só os seus melhores clubes se vão poder aproximar do poder
económico dos chamados “tubarões”, como, acima de tudo, demonstrar a
viabilidade do único conteúdo futebolístico capaz de poder competir com a BPL à
escala planetária.
Pensem neste conceito, Companheiros. Sintam-se à
vontade para o melhorar e detalhar, dando respostas pertinentes aos primeiros
obstáculos (como a qualificação para a Champions e a Euroliga actuais). Assumam,
pelo menos um de vós, o papel de advogado do diabo e contribuam com todos os
contrargumentos possíveis e imaginários. Falem deste conceito ao desgraçado do
“cabeça d’unto” a quem o chão vai fugindo debaixo das patas (eu garanto que
prescindo de quaisquer direitos de “autor”, ahahah).
Sinceramente e enquanto Benfiquista, eu não tenho a
menor dúvida de que este degrau intermédio pode ser a solução para chegarmos, a
longo prazo, ao desejado Campeonato Europeu de Clubes e foi por isso que tenho
insistido junto do Presidente para que ponha alguém a trabalhar o conceito.
Somos um Clube que é maior que Portugal e que tem
uma imensa audiência potencial na Europa central (em todo o planeta também) e
que já comprovou a necessidade de prosseguir uma estratégia de
internacionalização da Nossa Gloriosa Marca.
E ... temos um comprovado e inovador know-how
consolidado na Nossa própria televisão (a BTV tem de ser omnipresente em tudo o
que pensamos e fazemos), que pode ser determinante no germinar deste projecto.
Reparem e pensem no que é que levou a própria BPL a
implementar (e financiar) a chamada “international Premier League”, para
equipas sub23 e na qual temos participado, brilhantemente, diga-se, com um
misto das Nossas Equipas B e sub19.
Vai ser por este caminho que vamos garantir a
sustentabilidade, a longo prazo, do processo que Nos há de fazer regressar ao
pináculo dos clubes europeus.
Votos de um Natal à Benfica, para todos os Leitores
do GUACHOS VERMELHOS.
Viva o Benfica!
