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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O futuro Campeonato Europeu de Clubes.

Por José Albuquerque

Ao longo dos últimos dois anos e meio, este blogue divulgou uma quantidade de ideias e sugestões que bem poderiam (e deveriam, digo eu) servir de inspiração para qualquer Companheiro que entenda (re)candidatar-se aos Nossos Corpos Sociais e há, nessas páginas, propostas de todos os tipos e para todos os gostos.
Aliás e com a permissão do Guachos, do Mathayus e de todos os Leitores, aqui vou deixar o convite a alguém que tenha tempo disponível, para que promova uma recolha de toda essa vasta informação (vai dar trabalho, mas nós somos novos, ahahah) e, depois, uma ou duas vezes por ano, repetir a publicação de toda essa criatividade, como forma de a ir seleccionando, enquanto se estimula o salutar hábito de “Benficar”, no sentido de pensar o Nosso Clube.

Pelo meu lado e humildemente, eu continuo a sentir que o Glorioso, enquanto comunidade intergeracional, multicultural e plurinacional de Valores fundamentais e fundacionais, persiste ainda muito aquém dos seus limites de crescimento, razão pela qual considero que continuaremos longe de cumprir o Nosso Benfiquismo enquanto não investirmos o suficiente em projectos (cuidadosamente estudados e seleccionados) que apontem para que possamos, de facto, testar esses limites, quer desenvolvendo a participação dos Sócios e Adeptos, quer promovendo a divulgação de cada vez mais modalidades de prática desportiva, quer ampliando o âmbito espacial do Nosso Parque Desportivo.
Desde o exemplo mais unânime da Benfica FM, a uma Secção de Ciclismo (de estrada, pista e BMX) que viabilizasse, a prazo, a criação de Equipas de alta competição no Clube, à realização de eventos (eu adoro o conceito dos Nossos Campeonatos de “Sueca”) do tipo de “Congressos”, a criação de espaços para os chamados XGames, a formação de Árbitros (em todas as modalidades), a formalização de uma política de discriminação positiva ao desporto praticado pelas Nossas Companheiras, etc., etc., etc.

De cada vez que eu me lembro de reflectir sobre estes assuntos, a minha maior dificuldade é parar de identificar projectos e/ou conceitos que, associados à Nossa Marca, certamente revelariam potencial de sustentabilidade a longo prazo, condição necessária e suficiente para merecerem um estudo rigoroso e, eventualmente, algum investimento inicial do Benfica.
É claro que o futebol em geral e as suas (duas, por agora) Equipas profissionais vão continuar a constituir o Nosso “core business”, o que me parece implicar uma progressiva maior ambição na sua Gestão: não só estamos a falar da modalidade mais popular do Clube, como aquela em que maiores investimentos foram (e serão) realizados, aquela em que o Benfica parece deter um know-how mais desenvolvido no sentido da respetiva sustentabilidade (tantas palavras para dizer ... “Fábrica”) e, finalmente, aquela que pode libertar os recursos financeiros que hão de financiar todos os outros investimentos.

Ora bem ... depois desta longa, mas necessária, introdução, creio que ficou bem demonstrada a importância determinante de equacionar e repensar o futuro a longo prazo do Nosso futebol profissional.

Coerência, a pedra de toque da Gestão.

Qual é, para Nós, a maior restrição ao desenvolvimento do Nosso futebol?
Eu diria que é a pequenez (quantitativa) do mercado e (qualitativa) das competições internas e espero que quem não estiver de acordo me corrija na caixa de comentários.
Há mais clubes nacionais aos quais essa restrição também afecta, embora numa menor dimensão?
Sim! Todos os que ambicionarem ter orçamentos que contem com as receitas das provas da UEFA e/ou que pretendam realizar , rotineiramente, proveitos (ROPA) com a venda de passes de atletas.
E, em outros países europeus, há outros clubes aos quais se colocam o mesmo tipo de problemas, especialmente quanto à menor dimensão dos seus mercados internos e quando têm de competir com os clubes de Itália, França, Alemanha, Espanha e, sobretudo, da Premier League?
É evidente que sim! Todos os melhores clubes da Bélgica, Holanda, Dinamarca, Escócia, Grécia, Suíça, Sérvia e Áustria, pelo menos (países como a Turquia, a Polónia, a Hungria, as repúblicas Checa e Eslovaca, a Bulgária, a Ucrânia, outros países dos Balcãs e do Báltico, além da própria Irlanda), vivem num bloqueio de competitividade quando comparados com as maiores “potências” europeias.

Se pensarmos bem e em resultado do soberbo desempenho da Premier League, cujo sucesso à escala mundial e em termos de direitos televisivos, ameaça até a própria liga italiana a como que “descer um degrau”, nenhum clube daquela longa lista de países pode aspirar a ser competitivo com os clubes mais ricos dos 4 maiores campeonatos, especialmente os da Premier League.
Os Leitores mais assíduos do GUACHOS sabem que é por isto que eu venho defendendo que a UEFA, querendo impedir o “quase monopólio” da BPL e garantir que o futebol seja sustentável à escala continental, só tem uma solução viável: criar um verdadeiro Campeonato Europeu de Clubes (preferivelmente 2, com uma “2ª divisão”), a duas voltas e “todos contra todos”, esperando que a partilha desse mercado global, especialmente no tocante aos direitos de TV, viabilize um salto positivo na competitividade para fora dos tais 4/5 “campeonatos ricos”.

É óbvio que eu não espero que este projecto possa vir a ser apoiado pelos clubes da Premier League, além de que também os clubes espanhóis (a menos que a Catalunha se torne independente), alemães, franceses e italianos, só se motivariam a participar no caso de verificarem que a experiência já tinha sucesso, razão pela qual eu acredito que a iniciativa, embora não ignorando esses países, terá de partir dos outros.

Ora eu acredito que os principais clubes nacionais são, entre todos (talvez na companhia do Olimpiacos), aqueles a quem um tal projecto deveria mobilizar, arrastando a LPFP, a própria FPF e, até os clubes sem ambição de acederem às provas da UEFA, uma vez que poderiam ver mantidos os chamados “grandes” no campeonato nacional (através das suas equipas B), transformado numa competição também ela muito mais competitiva.

O “embrião” do futuro Campeonato Europeu de Clubes.

Com uma designação do tipo Copa de Clubes Europeus, parece-me completamente possível montar e organizar uma dupla competição (1ª e 2ª divisões) entre os principais clubes de Portugal, Grécia, Escócia, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suíça, Áustria e Sérvia, com impacto mediático claramente compensador (porque os custos também serão maiores) quando comparado com as respectivas aturais competições internas e com a vantagem desses clubes nem sequer terem de as abandonar, podendo nelas participar com as suas equipas B.

Se as “Ligas” e Federações nacionais destes países aproveitarem uma tal oportunidade para, profissionalmente, desenvolverem um “produto” verdadeiramente competitivo (estamos a falar de um mercado “interno” de uma centena de milhão de consumidores, com importante potencial de “exportação”), não só os seus melhores clubes se vão poder aproximar do poder económico dos chamados “tubarões”, como, acima de tudo, demonstrar a viabilidade do único conteúdo futebolístico capaz de poder competir com a BPL à escala planetária.

Pensem neste conceito, Companheiros. Sintam-se à vontade para o melhorar e detalhar, dando respostas pertinentes aos primeiros obstáculos (como a qualificação para a Champions e a Euroliga actuais). Assumam, pelo menos um de vós, o papel de advogado do diabo e contribuam com todos os contrargumentos possíveis e imaginários. Falem deste conceito ao desgraçado do “cabeça d’unto” a quem o chão vai fugindo debaixo das patas (eu garanto que prescindo de quaisquer direitos de “autor”, ahahah).

Sinceramente e enquanto Benfiquista, eu não tenho a menor dúvida de que este degrau intermédio pode ser a solução para chegarmos, a longo prazo, ao desejado Campeonato Europeu de Clubes e foi por isso que tenho insistido junto do Presidente para que ponha alguém a trabalhar o conceito.
Somos um Clube que é maior que Portugal e que tem uma imensa audiência potencial na Europa central (em todo o planeta também) e que já comprovou a necessidade de prosseguir uma estratégia de internacionalização da Nossa Gloriosa Marca.
E ... temos um comprovado e inovador know-how consolidado na Nossa própria televisão (a BTV tem de ser omnipresente em tudo o que pensamos e fazemos), que pode ser determinante no germinar deste projecto.

Reparem e pensem no que é que levou a própria BPL a implementar (e financiar) a chamada “international Premier League”, para equipas sub23 e na qual temos participado, brilhantemente, diga-se, com um misto das Nossas Equipas B e sub19.

Vai ser por este caminho que vamos garantir a sustentabilidade, a longo prazo, do processo que Nos há de fazer regressar ao pináculo dos clubes europeus.

Votos de um Natal à Benfica, para todos os Leitores do GUACHOS VERMELHOS.

Viva o Benfica! 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Na defesa atacando o futuro...

A propósito dos ataques que o Benfica tem sofrido e da forma como se defende...
Há quem jure que a melhor defesa é o ataque. Eu olho para a vida e vejo que as coisas nem sempre são assim. Há demasiadas alturas em que o ataque desenfreado apenas revela fragilidades psicológicas evidentes, e, sobretudo, uma enorme incapacidade de sabermos ocupar o nosso lugar. E o que é pior - com resultados absolutamente catastróficos. 

O que eu vos digo é que, hoje, consigo olhar para isso tudo de uma forma menos inflamada (embora por vezes ainda me apeteça dar uns pontapés no sofá) do que uns anos atrás. O José Albuquerque (e outros amigos menos rápidos a puxar do gatilho) com os seus conhecimentos e ponderação a isso me "obrigaram". Há já algum tempo que comecei a perceber que o caminho não podia ser outro. Se o Benfica entrar em guerrilhas com o brunalgas (como no passado com o velho crápula de Contumil) otavios machados e comp. vai ser trucidado. Esses são daqueles que rebentam com eles e com tudo o que os rodeia. E eu nunca me meto em guerras perdidas à partida. Prefiro ver o Benfica lutar no seu território e com as suas armas. E com alguns aliados que de outra forma nunca teria...

Do Rui Vitória os habituais leitores do GV sabem muito bem o que eu penso/pensava dele. Mas também sabem que lutarei com tudo (enquanto acreditar que esse é o caminho) para o defender. E não sinto que possa fazer outra coisa. Era só o que me faltava começar a disparar contra o nosso treinador com meia dúzia de jogos feitos. Nas épocas anteriores a Champions é que era importante, agora só o campeonato é que conta! Nunca entenderei esse tipo e comportamentos.

O jorge lagarto precisava de ser defendido, não por não saber comunicar, mas porque era atacado miseravelmente, (por estar no Benfica) na mesma proporção com que agora (por estar nos lagartos) lhe lambem o rabo. 
O Rui Vitória não precisa disso. Tem forte personalidade intelectual e sabe muito bem defender-se. Até agora tem estado sempre bem, em sintonia perfeita com a SAD. Ninguém quer mais do que eu que o Benfica ganhe o campeonato. Mas não será por causa dele que eu pedirei à direcção que mande para a sanita toda a estratégia actual, e, principalmente - o futuro do Benfica. É isso que está em causa.