Por José Albuquerque
Na sequência de outros escritos e, sobretudo, to
texto precedente, venho abordar alguns exemplos da “Gestão de Atletas” da Nossa
SAD, escolhendo os que me parecem mais típicos e eloquentes, para que os
possamos debater e com eles aprender. Faço-o mantendo sempre presentes os
princípios já enunciados e, naturalmente, o bom senso de que sou capaz …
Os “Oblak” desta vida.
Uma das dificuldades que eu teria, seguramente, para
“Gerir Atletas” decorre do facto de não conseguir compreender, confesso, a
razão/motivação de alguns jovens milionários (há dezenas de exemplos, além dos
Messi e Ronaldo) para continuarem a privar-se de muita coisa da qual eu abusei
na idade deles, a continuar a treinar “como animais”, suportando a dor física,
as lesões e, tantas vezes, a perda total da privacidade.
Eu gosto muito da liberdade que resulta de ter
dinheiro, sempre gostei, ahahah, mas esses casos …
Quando sou confrontado com um exemplo como o do
Oblak, não consigo deixar de me embasbacar com o exemplo de um garoto que,
tendo os talentos suficientes para cumprir aos 35 anos o sonho que eu consegui
cumprir aos 53 (depois de muito, muito, muitíssimo trabalho), aceita correr o
risco de “mandar tudo pró ar” e sem razão aparente.
Falamos de um jovem que o Benfica contratou aos 17 anos
(ainda não tínhamos Equipa B, recordo) e para o qual desenhou um excelente
programa de formação, colocando-o em clubes onde teve oportunidade de começar a
actuar, na primeira divisão, num campeonato reconhecido por ter um bom nível
técnico e tácito.
Como previsto, este jovem Atleta (sim, ainda é do
Benfica) correspondeu ao potencial que se lhe adivinhava e cresceu ao ponto de
ser uma quase unanimidade a certeza de que vai ser um dos melhores do mundo
naquela difícil posição do campo.
Então, um ‘bacano’ destes, permite-se um “chelique”
que lhe pode inviabilizar uma carreira decente?
E já não seria o primeiro, poderão dizer-me alguns!
Muito bem … mas esqueçamos o ponto de vista do
Atleta e coloquemo-nos na pele do “Gestor”. Ora porra, que só há uma forma de
nos protegermos destes “Oblak”: é ter dois, pelo menos, esperando que um deles
não seja abstruso!
Os “Carlos Martins” desta vida.
Sempre tive uma enorme admiração por este Atleta,
mesmo antes dele o ser: pela “garra”, pela valia técnica e tácita, pela visível
ambição e algumas outras características. Por isso, gostei que o “Maestro” o
fosse buscar a Espanha, tal como gostei do papel que desempenhou no titulo de
há 4 anos.
Sabendo das dificuldades que poderiam surgir em
resultado da sua infeliz tendência para as lesões musculares, nunca considerei
o CM um “titular indiscutível”, mas, confesso, sempre considerei que, com a
maturidade dos anos, ele fosse um elemento muito importante na Equipa. Na época
passada, por exemplo, escrevi dezenas de vezes que o seu contributo, a par do
de D10S, iria ser determinante a partir de fevereiro e assim que ele
recuperasse daquela insistente lesão.
Ver um Atleta maduro e conhecedor das preferências
dos BOIS apintadores nacionais, num desafio de importância capital e depois de
levar um primeiro amarelo, fazer o que o CM fez … fosse eu o Técnico e não o
queria ver mais na minha frente: tratou-se de uma irresponsabilidade sem
tamanho nem perdão!
Ah, mas a SAD tinha-lhe renovado o contrato uns
meses antes … e, pergunto eu?
E pergunto porque, antes daquele erro crasso e
tremendamente oneroso, eu teria feito o mesmo, que isto de acertar nos números
do Euro milhões depois de terminado o sorteio …
Depois disso, que fique a treinar com a Equipa B
(desde que se comporte como deve), ou que vá, emprestado ou oferecido, para
onde lhe paguem o ordenado e … assunto encerrado!
Os “Djaló e Jardel” desta vida.
Sem nada por onde comparar os dois Atletas, eu
considero-os exemplos de um mesmo tipo: oportunidades de negócio, talvez capazes
de suprir uma insuficiência na Equipa (e o Jardel foi muito útil), mas
condenados a ser ultrapassados perante um desejável acréscimo de exigência.
Trata-se de dois excelentes Atletas, ambos bastante
“económicos”, aos quais vai acontecer o mesmo que a tantos dos mais jovens:
sendo “eliminados” no processo de selecção natural dos melhores, acabarão por
sair do Plantel, seja por empréstimos sucessivos ou por uma cedência da maioria
dos seus “direitos económicos”. Um deles (Jardel) deixou um contributo desportivo
interessante, o outro, talvez deixe um contributo económico interessante.
Os “Urreta” desta vida.
Eis outro caso de um Atleta que me parece comprovar
a extrema dificuldade em “garantir” que um jovem muito (muitíssimo) promissor
venha a cumprir essas promessas, consolidando-se como um futebolista de
eleição.
O Urretaviscaya (internacional A pelo seu pais), tal
como tantos jovens produtos da “Fábrica”, sonhava com voos quase
estratosféricos, mas já não parece ser competente para mais que aquilo que lhe
conhecemos: trata-se de outro excelente Atleta a ser ultrapassado pelo nível de
exigência na Equipa A e que, se houver “vaga”, poderá ter a sua derradeira
temporada de afirmação na Equipa B, finda a qual ou conseguiu afirmar-se um não
precoce, ou acabara por sair do Benfica, como tantos outros, preferencialmente,
com algum retorno económico.
Óscar “Tacuara” Cardozo.
Excelente Atleta, com uma atitude pouco inteligente
e um “empresário” incompetente e não confiável (mas cuja incompetência,
compensa largamente a infiabilidade, ahahah).
Excelente rendimento desportivo e muito provável
excelente rentabilidade económica: quem me dera que a SAD “descubra” outros com
igual rentabilidade potencial.
Enzo “Ferrari” Pérez.
Soberbo Atleta, que compensa largamente alguma
instabilidade psicológica: uma das melhores aquisições desta década!
O trabalho por ele realizado com o Técnico para se
adaptar a uma nova posição no terreno, vai ficar para a História.
Todos os dias sorrio, quando confirmo que parece que a SAD ainda não recebeu nenhuma proposta por ele, pelo menos por valores que
levem a mérdia a fazer eco da tentativa.
Ezequiel “El Negro” Garay.
O meu modelo (quase) ideal de “central” (falta-lhe
um pouco do “sal” irreverente do Luiz)!
Compreendo bem que ele ambicione um salário triplo
do que a SAD lhe pode pagar e, por isso, que não queira renovar o seu contrato,
com o inerente aumento da “cláusula”.
Espero que o Luiz não saia para Barcelona, ou não
estou a ver o “Mou” a perder esta verdadeira “pechincha” por 20ME!
Enquanto ele for ficando na Equipa, a cada novo dia,
aumenta o crédito do seu rendimento desportivo e, quando acabar por sair, o
rendimento económico que deixará, não sera suficiente para apagar as Nossas
saudades.
Eduardo “Toto” Sálvio.
Quando me falam mal do Presidente e mesmo quando o
fazem com alguma razão, não consigo deixar de me recordar dos tempos, ainda
recentes, em que a SAD “ia ao mercado com sacos de rebuçados” e, naturalmente,
só em sonhos podíamos imaginar um Atleta desta dimensão a jogar no Benfica (a
menos que fosse por empréstimo, claro).
Mesmo sendo ainda muito jovem e, por isso, manter um
potencial para um ainda maior crescimento, o Sálvio é o protótipo do Atleta que
desmente a minha fixação pelas exigências atléticas: trata-se de um “caga
tacos” capaz de fazer tudo o que fazem os de 1,90m e … ainda mais rápido.
Ainda bem que este rapaz não parece obcecado pela
perspectiva de ir para um tubarão.
Nemanja Matic.
Há pouco mais de um ano, depois daquele espectáculo
contra o Chelsea, o Presidente, brincando comigo, disse-me algo como isto: “não
sei se fiz um bom negócio ao aceitar este pinheiro por 5 “toneladas”” e eu,
armado em chico esperto, ainda lhe ia responder que estava disponível para
“dividir o risco do negócio com ele”, mas a meio já ele me estava a fazer um
belo manguito.
Humildemente, trata-se do melhor “6” desta década!
Para finalizar, tenho de confessar o meu espanto
quando ouço Companheiros a reclamarem pela incapacidade da SAD em já ter
disponibilizado “substitutos” para estes 4 últimos Atletas!
Mas, raios me partam, onde estarão esses
“verdadeiros substitutos”?
E quanto custariam?
E eles aceitariam ficar no banco?
Sinceramente, mesmo entre as equipas mais caras do
mundo, vejo muito poucas que tenham um conjunto de “4, 6, 8 e 7” deste enorme
gabarito. Um tal conjunto e “em dobro” … não conheço!
Viva o Benfica!
