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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Benfica SAD – “Contas” do 3º trimestre

Por José Albuquerque

Se eu tinha alertado os Benfiquistas, há cerca de 3 meses e comentando o “R&C” em 31 de Dezembro, para o facto de o Benfica ter tido de aceitar como que “um novo sócio”, representado pelo custo adicional decorrente do aumento do IVA de 6 para 23% a incidir sobre boa parte dos Nossos Proveitos, infelizmente, comento agora os resultados em 31 de Março sintetizando que, agora sim, as ‘Contas’ da Nossa SAD começam a reflectir, por inteiro, o agudizar da crise económica que o pais atravessa.

Demonstrações de Resultados - Não são, portanto, boas as noticias que transparecem deste comunicado á CMVM, mesmo que o Resultado de Exploração destes 3 trimestres (de 1 de Julho de 2012 a 31 de Março de 2013) ainda se apresente positivo em 7,5 milhões de euro, neste que será o derradeiro exercício económico em que o ‘mamão chupista’ nos esbulha de uma remuneração justa pela exploração dos Nossos direitos televisivos. .

Resultados Operacionais - A explicar esta realidade, uma quebra generalizada em todas as rubricas dos Proveitos (com a única excepção do merchandizing), com particular relevo para os prémios da UEFA (menos 27%), as quotizações (menos 20%), a bilheteira (menos 39%) e os cativos (menos 22,5%), para um acumulado em que os Proveitos diminuíram 11,3 milhões de euro … muito dinheiro!
Pelo lado dos Custos Operacionais, a Administração conseguiu executar uma politica de grande rigor, conseguindo poupar 1,4 milhão de euro, mais de metade dos quais na rubrica de custos com pessoal (menos 0,8ME), apesar de ter mantido a habitual politica de renovações contratuais (e aumento de cláusulas de rescisão) com os Atletas mais valiosos. Este sucesso relativo permitiu que os Resultados Operacionais totais, sem operações com “passes’ de Atletas, se mantivessem ligeiramente positivos por 0,8ME.

Resultados com Atletas - A somar a este resultado, as operações com “passes” de Atletas, particularmente marcadas pelas vendas muito lucrativas do Javi e, sobretudo, do Witsel, geraram proveitos de 47,1ME, suficientes para cobrir a soma dos inerentes custos (9,2ME) com as amortizações contabilísticas (18,8ME) e garantir um resultado positivo de 19,1ME.

Com estes valores, concluímos que estes 9 meses de exploração, mesmo com o fisco a comer-Nos e sem esquecer um ambiente económico dramaticamente depressivo, ainda assim permitiram que o ‘negócio’ da Nossa SAD tenha gerado um resultado de quase 20ME, um valor absolutamente notável!

Resultados Financeiros – Entretanto e como a Administração gere este negócio com um recurso exaustivo a Capitais Alheios, nomeadamente empréstimos remunerados, mais de metade daquele ‘lucro aparente’ esgota-se no pagamento dos custos financeiros (16,5ME), insuficientemente compensados pelos proveitos financeiros (4,1ME) que a SAD obtém pelo financiamento do resto do Grupo Benfica.

No Quadro 1, apresento-vos as Demonstrações de Resultados individualizadas para cada um dos 3 trimestres em causa e, na coluna da direita, a Demonstração de Resultados total para o conjunto dos 3 trimestres. Deste modo, podem ver, claramente, todo o ‘filme’ da exploração ao longo do período em causa.      

Evolução do Balanço da SAD ao longo do período.

Considerando que um Balanço se comporta como ‘uma fotografia’ da SAD na data do seu “fecho”, o Quadro 2 permite observar uma sucessão destas ‘fotografias’, iniciando no “fecho” do exercício económico precedente (30 de Junho de 2012) e progredindo, a cada trimestre, ate 31 de Março último.

Olhando para o Passivo como a ‘Origem dos Fundos” investidos nos componentes do Activo, verificamos que iniciamos este exercício numa situação de Capitais Próprios negativos (Passivo maior que o Activo), recuperamos dessa situação ‘anormal’ com as vendas efectuadas em Agosto, que permitiram um trimestre ‘lucrativo’ (em que o Activo cresceu e o Passivo decresceu), passando a partir desse momento a acumular uma exploração deficitária, com o Passivo a crescer mais que o Activo, numa sequência que se repete há 3 exercícios.

Como se desenha o futuro a curto prazo.

Antes de mais, importa tornar claro que, com o agravar do enquadramento económico, ou a SAD consegue realizar mais algumas “mais valias” com vendas de “passes” de Atletas, ou o exercício corrente vai terminar com um resultado negativo (embora ligeiro), agravando a já crónica situação de insuficiência de Capitais Próprios e limitando a capacidade da SAD para prosseguir na sua estratégia de investimentos. 

Quem segue habitualmente os meus escritos sobre estes temas, sabe que eu defendo que a Nossa SAD implemente uma das soluções alternativas possíveis para provocar ‘um impulso’ aos Capitais Próprios, além de procurar atingir, neste e nos próximos 3 exercícios, um acumulado de resultados positivos da ordem dos 40ME. Se a Administração quiser seguir uma estratégia deste tipo, então devera conseguir concretizar 3 grupos de operações:
1 Vendas de Atletas – pelo menos uma operação valiosa ainda em Junho, seguida de outra até Agosto, além de algumas vendas de menor monta, de Atletas sem grande potencial e que não competem por lugares no Plantel principal;
2 Proveitos com direitos de TV – muito da rentabilidade do próximo exercício (2013 – 14) vai passar pelo sucesso da Nossa BTV e pela rentabilização dos diversos conteúdos que ela vai explorar; se os resultados combinados desta exploração ultrapassarem os 20ME (eventualmente reforçados com novos patrocínios), então esse sucesso ficará confirmado; e
3 Manter o mais rigoroso controle sobre os custos operacionais, garantindo que eles só cresçam no caso dos proveitos com competições da UEFA ultrapassarem os 20ME (presença nas meias finais da Champions, no mínimo).

Tudo o que venha a ficar aquém destas metas, implicaria urgência ao já referido ‘impulso’ dado aos Capitais Próprios, operação essa que não deveria efectivar-se antes que fiquem claros os contornos da propalada “reestruturação financeira” da sad da osgalhada.

Conclusão

Num exercício económico em que a sad do crac já ultrapassou os 120ME em vendas (!), para tentar assegurar um resultado final positivo e fazer face ao cenário económico e fiscal depressivo e em que a sad da osgalhada se afundou, definitiva e irremediavelmente num abismo para o qual eu não vejo nenhuma saída, o Grupo Benfica não conseguiu passar incólume e sentiu o impacto da conjuntura.
Para poder manter os históricos níveis de investimento (seja em infraestruturas, em Atletas, na BTV, ou em realizações como o Museu, uma cadeia de rádios locais ou outros), o Benfica ainda deverá concretizar um Proveito adicional em operações com Atletas da ordem dos 15ME no exercício corrente, seguido do dobro no próximo exercício, sem descurar nem o controlo dos custos operacionais, nem os resultados desportivos.
Um caminho ‘estreito’ e difícil, sem dúvida, mas um caminho possível e pelo qual vale a pena mobilizar o Clube que Nós Somos.

Viva o Benfica!

P.S: dentro de algumas horas, publicaremos um breve texto com dados comparativos com as sad da osgalhada e do crac;

P.P.S: além de ficar ao vosso dispor para esclarecimentos na caixa de comentários, proponho-me publicar nos próximos dias, os necessários textos didácticos sobre os rudimentos de contabilidade que facilitem a análise deste tipo de textos.



domingo, 2 de junho de 2013

Benfica SAD – “Contas” do 3º trimestre

Por José Albuquerque

Se eu tinha alertado os Benfiquistas, há cerca de 3 meses e comentando o “R&C” em 31 de Dezembro, para o facto de o Benfica ter tido de aceitar como que “um novo sócio”, representado pelo custo adicional decorrente do aumento do IVA de 6 para 23% a incidir sobre boa parte dos Nossos Proveitos, infelizmente, comento agora os resultados em 31 de Março sintetizando que, agora sim, as ‘Contas’ da Nossa SAD começam a reflectir, por inteiro, o agudizar da crise económica que o pais atravessa.

Demonstrações de Resultados - Não são, portanto, boas as noticias que transparecem deste comunicado á CMVM, mesmo que o Resultado de Exploração destes 3 trimestres (de 1 de Julho de 2012 a 31 de Março de 2013) ainda se apresente positivo em 7,5 milhões de euro, neste que será o derradeiro exercício económico em que o ‘mamão chupista’ nos esbulha de uma remuneração justa pela exploração dos Nossos direitos televisivos. .

Resultados Operacionais - A explicar esta realidade, uma quebra generalizada em todas as rubricas dos Proveitos (com a única excepção do merchandizing), com particular relevo para os prémios da UEFA (menos 27%), as quotizações (menos 20%), a bilheteira (menos 39%) e os cativos (menos 22,5%), para um acumulado em que os Proveitos diminuíram 11,3 milhões de euro … muito dinheiro!
Pelo lado dos Custos Operacionais, a Administração conseguiu executar uma politica de grande rigor, conseguindo poupar 1,4 milhão de euro, mais de metade dos quais na rubrica de custos com pessoal (menos 0,8ME), apesar de ter mantido a habitual politica de renovações contratuais (e aumento de cláusulas de rescisão) com os Atletas mais valiosos. Este sucesso relativo permitiu que os Resultados Operacionais totais, sem operações com “passes’ de Atletas, se mantivessem ligeiramente positivos por 0,8ME.

Resultados com Atletas - A somar a este resultado, as operações com “passes” de Atletas, particularmente marcadas pelas vendas muito lucrativas do Javi e, sobretudo, do Witsel, geraram proveitos de 47,1ME, suficientes para cobrir a soma dos inerentes custos (9,2ME) com as amortizações contabilísticas (18,8ME) e garantir um resultado positivo de 19,1ME.

Com estes valores, concluímos que estes 9 meses de exploração, mesmo com o fisco a comer-Nos e sem esquecer um ambiente económico dramaticamente depressivo, ainda assim permitiram que o ‘negócio’ da Nossa SAD tenha gerado um resultado de quase 20ME, um valor absolutamente notável!

Resultados Financeiros – Entretanto e como a Administração gere este negócio com um recurso exaustivo a Capitais Alheios, nomeadamente empréstimos remunerados, mais de metade daquele ‘lucro aparente’ esgota-se no pagamento dos custos financeiros (16,5ME), insuficientemente compensados pelos proveitos financeiros (4,1ME) que a SAD obtém pelo financiamento do resto do Grupo Benfica.

No Quadro 1, apresento-vos as Demonstrações de Resultados individualizadas para cada um dos 3 trimestres em causa e, na coluna da direita, a Demonstração de Resultados total para o conjunto dos 3 trimestres. Deste modo, podem ver, claramente, todo o ‘filme’ da exploração ao longo do período em causa.      

Evolução do Balanço da SAD ao longo do período.

Considerando que um Balanço se comporta como ‘uma fotografia’ da SAD na data do seu “fecho”, o Quadro 2 permite observar uma sucessão destas ‘fotografias’, iniciando no “fecho” do exercício económico precedente (30 de Junho de 2012) e progredindo, a cada trimestre, ate 31 de Março último.

Olhando para o Passivo como a ‘Origem dos Fundos” investidos nos componentes do Activo, verificamos que iniciamos este exercício numa situação de Capitais Próprios negativos (Passivo maior que o Activo), recuperamos dessa situação ‘anormal’ com as vendas efectuadas em Agosto, que permitiram um trimestre ‘lucrativo’ (em que o Activo cresceu e o Passivo decresceu), passando a partir desse momento a acumular uma exploração deficitária, com o Passivo a crescer mais que o Activo, numa sequência que se repete há 3 exercícios.

Como se desenha o futuro a curto prazo.

Antes de mais, importa tornar claro que, com o agravar do enquadramento económico, ou a SAD consegue realizar mais algumas “mais valias” com vendas de “passes” de Atletas, ou o exercício corrente vai terminar com um resultado negativo (embora ligeiro), agravando a já crónica situação de insuficiência de Capitais Próprios e limitando a capacidade da SAD para prosseguir na sua estratégia de investimentos. 

Quem segue habitualmente os meus escritos sobre estes temas, sabe que eu defendo que a Nossa SAD implemente uma das soluções alternativas possíveis para provocar ‘um impulso’ aos Capitais Próprios, além de procurar atingir, neste e nos próximos 3 exercícios, um acumulado de resultados positivos da ordem dos 40ME. Se a Administração quiser seguir uma estratégia deste tipo, então devera conseguir concretizar 3 grupos de operações:
1 Vendas de Atletas – pelo menos uma operação valiosa ainda em Junho, seguida de outra até Agosto, além de algumas vendas de menor monta, de Atletas sem grande potencial e que não competem por lugares no Plantel principal;
2 Proveitos com direitos de TV – muito da rentabilidade do próximo exercício (2013 – 14) vai passar pelo sucesso da Nossa BTV e pela rentabilização dos diversos conteúdos que ela vai explorar; se os resultados combinados desta exploração ultrapassarem os 20ME (eventualmente reforçados com novos patrocínios), então esse sucesso ficará confirmado; e
3 Manter o mais rigoroso controle sobre os custos operacionais, garantindo que eles só cresçam no caso dos proveitos com competições da UEFA ultrapassarem os 20ME (presença nas meias finais da Champions, no mínimo).

Tudo o que venha a ficar aquém destas metas, implicaria urgência ao já referido ‘impulso’ dado aos Capitais Próprios, operação essa que não deveria efectivar-se antes que fiquem claros os contornos da propalada “reestruturação financeira” da sad da osgalhada.

Conclusão

Num exercício económico em que a sad do crac já ultrapassou os 120ME em vendas (!), para tentar assegurar um resultado final positivo e fazer face ao cenário económico e fiscal depressivo e em que a sad da osgalhada se afundou, definitiva e irremediavelmente num abismo para o qual eu não vejo nenhuma saída, o Grupo Benfica não conseguiu passar incólume e sentiu o impacto da conjuntura.
Para poder manter os históricos níveis de investimento (seja em infraestruturas, em Atletas, na BTV, ou em realizações como o Museu, uma cadeia de rádios locais ou outros), o Benfica ainda deverá concretizar um Proveito adicional em operações com Atletas da ordem dos 15ME no exercício corrente, seguido do dobro no próximo exercício, sem descurar nem o controlo dos custos operacionais, nem os resultados desportivos.
Um caminho ‘estreito’ e difícil, sem dúvida, mas um caminho possível e pelo qual vale a pena mobilizar o Clube que Nós Somos.

Viva o Benfica!

P.S: dentro de algumas horas, publicaremos um breve texto com dados comparativos com as sad da osgalhada e do crac;

P.P.S: além de ficar ao vosso dispor para esclarecimentos na caixa de comentários, proponho-me publicar nos próximos dias, os necessários textos didácticos sobre os rudimentos de contabilidade que facilitem a análise deste tipo de textos.