Agora que já começamos a fortalecer o desbarato - a quem todos os anos vendemos por menos de 'tuta e meia' dois ou três dos melhores jogadores - é tempo de, com tranquilidade, analisarmos o que foi a época desportiva que findou no Jamor...
A pré-época, como todas - e a próxima não será em nada diferente - foi desastrosa com os sapos do alvalixo a golearem em todas as frentes. Na quantidade de contratações e, sobretudo, na qualidade das mesmas, segundo os especialistas da bola nacional. Ao Benfica, como de costume, restava-lhe não se deixar ultrapassar pelo fantástico Braga do pedreiro Salvador, que aparecia aos olhos dos expert como um perigo para os legítimos anseios do Tricampeão almejar o terceiro lugar. O foculporto, que partira um pouco envergonhado, acabaria por aparecer pujante aos olhos da critica assim que trucidou os italianos da Roma.
Primeiro momento alto da época; estávamos a 21 de Agosto quando o Setúbal foi à Luz empatar, com um golo obtido 3 metros em fora-de-jogo. Grandes encómios à arbitragem, que, livre das nomeações do escorraçado Vítor Pereira estava então no caminho certo.
Primeiro momento (na verdade já era o segundo depois da chacina da AS Roma) de grande exaltação patriótica que elevou o nível de orgulho do país a níveis inimagináveis; essa gloriosa derrota dos sapos no Santiago Bernabéu, que acabaria por diluir-se aos pés do Rio Ave, onde os 3-1 aplicados na bazófia de jorge lagarto, poucos dias depois, os tiraram definitivamente do primeiro lugar.
Sétima jornada; a arbitragem já era, afinal, toda ela vermelha, como comprovam os sucessivos empates dos lagartos com o Guimarães (depois de desperdiçarem uma vantagem de três golos) Tondela e Nacional da Madeira.
Décima jornada; o golo de Lisandro López, najantas, já no final da partida, foi o primeiro momento - a sério - onde se começou a perceber que o Tetra era bem mais do que uma mera possibilidade.
O sporting-Arouca foi o segundo momento mais alto dos sapos. A cuspidela de brunalgas no rosto do arruaceiro de Arouca correu o mundo, mostrando uma das melhores faceta do sapo. Não descurando outras, muito conhecidas internacionalmente, como o habito de não pagar dividas, o Belenenses-sporting e a volta olímpica do brunalgas festejando a sua vitória com os batráquios em delírio a invadirem o Restelo, logo após o golo de Bas Dost - aos 93 minutos de jogo - encerravam aí as façanhas dos sapos.
Janeiro...
Ressabiado com a derrota em Setúbal, onde a média de idades foi decisiva para a eliminação dos batráquios, brunalgas retira Ryan Gauld e Geraldes do V. Setúbal dando ao Benfica a possibilidade de pôr João carvalho a rodar nos sadinos, preparando-o para a próxima época. Seria, na minha opinião e como mais à frente se verá, um dos acontecimentos que mais marcaram - a sério - a época desportiva. Fica já aqui o meu agradecimento ao brunalgas e à sua reconhecida sagacidade bélica.
Boavista (3-3) Moreirense (1-3) na Taça da Liga e Setúbal (0-1) trouxeram emoção ao campeonato e a certeza que a visita do macaco madureira ao centro de estagio tinha resultado em pleno. De um passeio que parecia fácil para o Benfica entravamos no meio de um terreno minado onde o menor descuido podia resultar em catástrofe...
Dado curioso...
Depois do «Passaporte Biológico do Atleta» vários jogadores como que desapareceram das parangonas dos jornais. Alguns apenas baixando drasticamente as exibições do inicio da época, como Gelson Martins, W. Carvalho, André Silva e Danilo, e outros, como André André e R. Semedo, saindo totalmente de cena até bem perto do fim. A Tiquinho Soares que entrou a matar, vindo de Guimarães onde o 'Passaporte' não terá chegado, acontecer-lhe-ia estranhamente o mesmo...mais tarde.
26ª jornada; depois do empate do Benfica em Paços de Ferreira, com a imprensa desportiva a bater pivias de contentamento, o foculporto recebe em delírio o Setúbal, em casa, num jogo em que golear os sadinos parecia um mero pró-forma. João Carvalho disse que não e aos 56 minutos de jogo mandou toda a critica fechar a braguilha, engolir as expectativas e empacotar a bazófia. «Obrigado brunalgas», foi um grito que ainda hoje mantenho como um dos mais saborosos da época.
Seguiu-se a confirmação de que maxi pereira não passa de um pulha, o empate na Luz do clube da fruta e a minha firme convicção que o Tetra já não escapava. A deles, é que os sapos do alvalixo fariam por eles o que eles provaram não ter capacidade de fazer...
E foi então que o spray ''apareceu'' para atazanar a vida dos sapos. Umas vezes aparece para desaparecer logo a seguir, com o vento. Desta vez nem chegou a aparecer - por esquecimento do Soares Dias...e com ele (o spray) e com o livre de Victor Lindelöf, esvaíram-se por completo os anseios da imprensa - que por esta altura já nem disfarçava para que lado caía - e as esperanças dos compadres da fruta e do cuspe...Ficará para sempre memória do Tetra e merecia destaque lado a lado com a lambreta. Ainda houve tempo para se conquistar a 26ª Taça de Portugal...
E o resto é história, melão com fartura, SAD´s em ruptura e o V de (Rui) Vitória!

