Num curto espaço de dois dias vivemos duas situações similares, julgadas de formas idênticas, mas de consequências diametralmente opostas. O fruta-árbitro ou o audio-fruta, como quiserem, anulou um golo limpo ao Benfica, impedindo o bicampeão português de hóquei em patins de renovar o merecido titulo. Num ápice, os merecidos festejos deram lugar à frustração e ao desânimo. O video-árbitro anulou um golo à selecção do Ronaldo impedindo-a de, cedo, começar a ganhar. Nada aconteceu porque o jogo não contava para nada e, sobretudo, porque muito faltava ainda por jogar.
Ricardo Quaresma -"Se disser o que penso sobre o vídeo-árbitro tenho um castigo"
Quando desobrigados da cartilha dos clubes, ouço sempre com muita atenção as opiniões dos jogadores. Interessa-me muito perceber o sentimento dos artistas que nos fazem gostar de bola e nada quero saber dos cretinos que quase nos fazem odiá-la.
Quaresma sofreu na pele, pela primeira vez, os efeitos do video-árbitro. A selecção dos arautos da verdade desportiva, pioneiros das novas tecnologias apostados em mudar o mundo moderno, na mesma medida que esperam encher as depauperadas vitrinas de troféus, também. O jogo era (quase) a feijões e a imprensa desportiva, uma parte anda ocupada com os netos da Dolores e a inseminação da Georgina e a oura metade instalou-se à porta do fruta canal à espera que o xico jota descarregue os seus traques semanais. Não sobrou ninguém para debater as consequências do video-árbitro, mas...
Imaginem que tinha sido na final com a França e que o golo do Eder tinha sido invalidado dessa forma! Imaginem que já depois de roucos de tanto gritar vinha de lá um qualquer jorge coroado, sentado atrás de uns monitores, e dizia que não, que o golo tinha sido ilegal. Imaginem a cabeça dos jogadores e o animo para encarar o resto do jogo. Agora imaginem o cenário num Benfica-porto ou num sporting-Benfica, a uma jornada do fim, onde o campeão fosse decidido pela decisão do video-árbitro...Isto é amar o futebol? Sobre isto é que os inteligentes da bola devem reflectir e nada sobre o tamanho da pilinha do rui santos que existe em cada um deles...
Fernando Santos também fez umas breves declarações mostrando o incomodo que o assunto lhe provoca, sobretudo porque não pode ir contra a federação que se propôs alegremente ao papel de rato de laboratório. Não que a sua opinião conte demasiado para mim. De todo. Não sou capaz de valorizar a opinião de um profissional que prefere Marafona, mantendo dois guarda-redes no banco de suplentes, enviando Pizzi, o melhor futebolista da liga portuguesa, para as bancadas. Nunca me esquecerei dessa afronta.
