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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vamos a “contas” (R&C 2015/16) ?

Por José Albuquerque

Este é um fantástico R&C!
Sinceramente, Companheiros: trata-se de mais uma demonstração de como, no Glorioso, se mantém a motivação para melhorar tudo, mesmo o que já estava bem.
Por isso, começo com um incentivo a todos os Leitores do GUACHOS, para que não tenham receio de uma eventual falta de domínio sobre este tipo de temas e leiam o documento, pelo menos até à página 47: trata-se de uma leitura acessível, sobre um tema fundamental para o Nosso futuro colectivo.
Tal como vos incentivo a lerem o que o Benfica Eagla (NGB) vier a publicar sobre este assunto e, já agora, a manterem-se atentos ao BENFIQUISTAEMCASA, uma vez que o seu Autor (o JV, que se anunciou como um fiscalista) prometeu escrever sobre ele.

Este R&C está tão bom, tão melhor que os anteriores, que eu sinto ser melhor começar pelas duas únicas críticas sérias que lhe quero fazer: a primeira (i), mesmo sendo formal, tem a ver com este quase vício de fazer publicar o documento no último dia do prazo e (ii), depois, por ter passado mais um exercício sem que o Clube e a SAD tenham tido a coragem e a visão de Gestão para solucionar o tremendo equívoco constituído pelo ACT negociado pela Liga, no tocante ao esquema complementar de pensões de reforma.

O esgotamento do prazo limite de publicação ... entristece-me. Mais que isso, insulta a minha inteligência e quase 20 anos como profissional que convenceu muitos dos seus Clientes das vantagens de “bater recordes” com uma publicação rápida dos seus R&C: vantagens em termos de imagem (credibilidade, profissionalismo, competência e demonstração da capacidade dos Gestores em controlar todo o sistema de informação interno).
Dá tanto trabalho fazer publicar um R&C em 60 dias, como dá se demorar 120 dias, pelo que eu não consigo entender esta demora absurda, que quase sugere uma intencionalidade surrealista.

Quanto ao sistema complementar de pensões de reforma, só ignorantes, ou mal intencionados, podem ter-se permitido, pela LPFP e responsabilizando os clubes, assinar um tal compromisso.
Eu sei do que estou a falar (sou Atuário e concebi, do ponto de vista técnico, o primeiro Fundo Privado de Pensões no Portugal pós Abril), pelo que posso garantir a todos os funcionários jovens da esmagadora maioria dos clubes nacionais que não se deixem iludir: se estiverem a contar com essa regalia que está no vosso ACT, vão condenar-se a uma reforma de miséria, porque os clubes não vos vão poder pagar o que vos foi prometido!
Considerando que o Nosso Clube tem a responsabilidade de liderar o Futebol nacional, cumpre-Nos, na minha humilde opinião, também, liderar o processo que erradicará essa mentira abjeta e no mais curto prazo possível.

Espero que, daqui a um ano, eu possa aplaudir o Nosso desempenho nestes dois pontos que qualifico de negativos.

Vamos, agora, ao Nosso R&C e, naturalmente, começando pela “Mensagem do Presidente” ...

Grande, Enorme, Enormérrimo Presidente!
Quanto mais não fosse, pelo simples facto de não ter escrito, em toda a sua mensagem, nem uma só vez a palavra ... Passivo!
Arre nabo, que estava difícil!
Já só falta que outros (DSO, Nuno Gaioso, etc.), aprendam a responder à letra aos pés-de-microfone e junta-letras que lhes façam perguntas sobre o Passivo: talvez dizendo-lhes que ... ele vai bem, obrigado.

Claro que a melhor parte deste R&C é o seu conteúdo, no final de um triénio de enorme sucesso desportivo, com Resultados acumulados positivos da ordem dos 45M€ (quase 50M€, se olharmos só para a SAD).
E o primeiro ponto que aqui quero destacar tem a ver com esta palavra: triénio.
É que, pela primeira vez, a Nossa SAD entendeu o recado do Fair Play Financeiro (da UEFA, portanto), passando a incluir no R&C já não só os números deste exercício e do anterior, acrescentando aquele que permite um horizonte de 3 exercícios económicos.
Pode parecer-vos uma ínfima alteração, mas olhem que eu lhe atribuo uma importância determinante e ainda mais aplaudirei, se, como faço votos, daqui a um ano verificarmos que esse horizonte voltou a crescer (para 4 exercícios) e, daqui a dois, passe a estabilizar em 5 exercícios económicos. Afinal, não são 5 “Balanços” que qualquer instituição financeira pede quando tem de estudar uma proposta de financiamento?
Não querendo demorar-me sobre este aspecto específico (para não alongar ainda mais este texto), ainda assim não posso deixar de recordar a todos que o Nosso Clube já está firmemente determinado em prosseguir uma estratégia de internacionalização (com alvo prioritário a oriente), no quadro da qual seria pecado omitir um “namoro” aos capitais “ociosos” (aqueles que não estão aplicados em investimento produtivo), cujo peso, já esmagador hoje, continuará a crescer a longo prazo, mesmo que se mantenha esta maré de baixas taxas de juro.
Neste cenário, os Nossos R&C vão ter um papel de crescente relevo, como Nosso “cartão de visita”, pelo que me parece inadiável prosseguir neste caminho que acabei de sugerir.

Passemos aos números e começando pelos maiores ...

O Activo e o Passivo cresceram, respectivamente, 46,2M€ e 25,8M€.
O que é que isto demonstra?
Considerando que o Activo mostra em que é que está aplicado o dinheiro envolvido no negócio, enquanto o Passivo descreve as “origens” desse dinheiro, aqueles crescimentos significam que, do aumento de 46,2M€ (aumentou o volume de dinheiro envolvido) aplicados, apenas 25,8M€ são Capitais Alheios, tendo a diferença (20,4M€) sido executada por Capitais Próprios!

E, muita atenção, isto acontece quando o Activo (porque falamos de valores líquidos de amortizações) “deveria” ter diminuído em cerca de 50M€, que é o valor global da Nossas Amortizações anuais.
É que se falássemos do Valor Bruto do Activo, então teríamos de olhar muito para além dos 600M€ e a “preços de aquisição”, ou seja, sem considerar a valorização de, por exemplo, passes de Atletas.
Por isso, vamos lá ver se acabam com brincadeiras como a do “artigo 35”, ou, muito pior, tipo “falência técnica”.

Há uns dias, o GUACHOS recebeu a visita de um autodenominado “taliban” que cá veio verter a sua “preocupação pelo crescimento do Passivo” e, embora o Companheiro Manuel Afonso lhe tenda dado o merecido corretivo, talvez ele fique contentinho ao saber que o total dos Nossos empréstimos bancários caíu 48,7M€.
E apesar do já referido correctivo que ele de cá levou, eu, inspirado pelos rabiscos do “somos porco”, vou repetir um exemplo muito simples para ilustrar o uso, em negócios, de capitais próprios e alheios ...

Eu e o “taliban” temos, ambos, os mesmos 100 para investir no mesmo tipo de negócio. Ele investe esses 100, gere bem e, um ano depois, obteve, imaginemos, 20 de lucro (esqueçamos o tema impostos, que é irrelevante neste exemplo muito simples). Ora sucede que eu, além dos meus 100, obtenho um empréstimo de outro tanto (outros 100) e invisto isso tudo, ou seja, 200.
Admitindo que se trate de negócios tão pequenos que não há benefícios de escala, se eu fizer uma gestão do mesmo nível, vou conseguir, passado um ano, o dobro do lucro dele, ou seja: 40.
Ora como sucede que tenho de, justamente, “dividir esse meu lucro” com quem me financiou metade do investimento, admitamos que tenho um custo financeiro, que o “taliban” não teve, de 10% do empréstimo.
Ó “taliban”, já percebeste que, pelo simples facto de eu ter acreditado no negócio e, por isso, ter recorrido a um empréstimo, acabei ganhando mais 10 do que tu (mesmo depois de pagar 10% de juros)?

Este exemplo de chacha serve para que se perceba que cada negócio, em cada momento e em cada mercado específico, tem um nível “óptimo” de utilização de capitais alheios e que não existe um único caso de negócio (legal e não especulativo) no qual só sejam aplicados capitais próprios.
Há, mesmo, alguns sectores que não existiriam sem o recurso a enormes participações de capitais alheios (financiamentos bancários, essencialmente), como, por exemplo, a construção naval de grande porte, ou as grandes obras de engenharia civil, exemplos em que nem o Cliente se pode permitir um enorme investimento, parado durante muito tempo (vários anos, em alguns casos), nem o industrial produtor se pode permitir financiar com capitais próprios, todo o longo período de acumulação dos custos de produção, até à conclusão das empreitadas.
É por isso que a Nossa SAD, neste triénio e conseguindo cerca de 102M€ de Resultados Operacionais positivos (inclui ROPA), teve de os “dividir” com quem Nos financiou boa parte dos investimentos: daqueles 102M€, o Benfica “ficou” com quase 50M€ (o aumento dos Capitais Próprios) e pagou a diferença em custos financeiros.

Em termos qualitativos, quero sublinhar duas partes do R&C: a primeira quando ele demonstra sem remissão a importância fundamental dos proveitos com as competições da UEFA, sobretudo da Champions e, depois, quando lá se explicita a MISSÃO do Nosso Grupo – “O Benfica será a organização desportiva de maior sucesso em Portugal, tanto no Futebol, como nas Modalidades e tanto na perspectiva competitiva, como na vertente económica”.
Há uns anos que eu me exercito a escrevinhar sobre as Nossas batalhas: a desportiva, a económica e a da comunicação.

Regressando aos números, chamo a vossa atenção para estes que seguem, cuja importância me parece gritante: o EBITDA acumulado no triénio atingiu os impressionantes 240M€!
É uma brutalidade!
74M€, seguidos de 73M€ (no ano do desastre na UEFA) e, finalmente, 93M€: 240M€ de cash flow de exploração, ou seja, mais de 40% da faturação total do triénio!
240M€ são o quádruplo dos custos financeiros, no mesmo período!
E ainda há quem “se preocupe muito” com o Nosso Passivo oneroso?
Só podem estar a brincar!

Esta realidade, que define uma exploração de altíssima rentabilidade (desafio-vos a darem exemplos semelhantes noutros sectores de actividade), realça a importância do actual processo de recuperação dos Nossos Capitais Próprios, uma vez que foi essa relativa insuficiência que permitiu, há uns anos, que os Bancos com os quais temos trabalhado preferencialmente (NES/Novo Banco, Millennium e CGD) Nos tratassem tão mal.
Mais que isso, ainda lhes permite continuarem a tratar-Nos muito mal!
Depois destes números, imagino que ninguém duvide quando eu afirmo (há 2 anos) que o Grupo Benfica encontra alternativas de financiamento bancário, quando quiser e num piscar de olhos.

Falemos, agora, dos Proveitos Operacionais sem ROPA ...
Cresceram de 102 para 126M€ (quando “desapareceram” as quotizações).
Os proveitos UEFA, cresceram dos 14,5 (do desastre) para 35M€. A BTV a decrescer de 34,6 para 33,4M€ (proveitos que, já o sabemos, vão crescer no exercício em curso). A bilheteira a crescer de 5,2 para 7,8M€ (2,2M€ só pela Champions). O crescimento de 2,9M€ em “cachets” (aquela pré-época).
Finalmente, a surpresa positiva que não se confirmou, uma vez que a entrada da Emirates só significou mais 1M€ do que o anterior patrocínio (embora a Emirates só tenha uma bancada).

Impressionante. Verdadeiramente impressionante, este crescimento dos Proveitos Operacionais.

Vejamos, então, o grupo dos Custos Operacionais ...
Cresceram 11%, de 106,5 para 118,2M€ (inclui algumas imparidades e os prémios pagos à Equipa pelo sucesso na UEFA).
Os FST’s cresceram de 32,2 para 34,8M€. Os custos salariais cresceram de 59,6 para 61,5M€. As Amortizações (sem Atletas, recordem-se), cresceram de 13,4 para 14,6M€ (principalmente por causa dos direitos de Tv relativos a UFC e às ligas italiana e francesa).

Sinceramente e apesar de permanecer a necessidade imperiosa de controlar a evolução dos Custos Operacionais, trata-se de mais um resultado excelente (sem, sequer, fazer comparações).

Fala-se tanto dos Resultados com Operações sobre Passes de Atletas (ROPA), que é bom dar-lhes uma olhada ...
O resultado final decresceu (4,8M€) de 34,9 para 30,1M€.
Os Proveitos cresceram (3,9M€) de 78,8 para 81,9M€. Os Custos também cresceram (1,5M€) de 13,5 para 15M€. Finalmente, as Amortizações contabilísticas do Plantel cresceram (6,4M€) de 30,4 para 36,8M€.

E ainda há quem insista em considerar os ROPA como receitas ... “extraordinárias”. Brincalhões!

Para concluir a Demonstração de Resultados, já só falta referir a evolução dos Resultados Financeiros, que quase não se alteraram em valor global, embora tenhamos pago cerca de 2M€ a menos em juros, compensados pela redução daqueles que cobrávamos à Nossa SGPS (que pagou tudo o que devia à SAD, desde a reestruturação financeira).

Em síntese, mais um exercício com resultados brilhantes, que só não se devem qualificar de “exageradamente bons”, porque o negócio da venda do Renato foi desenhado de uma forma que reporta para os próximos anos uma boa parte desses proveitos.
Ainda assim, 20,4M€ de “Lucro” líquido: uma enormidade!
E concluo esta parte do texto (já iremos ao Balanço), recordando-vos que, a manter-se este ritmo de recuperação dos Nossos Capitais Próprios, ao 7º ano vamos ter de considerar uma nova “fatura” nos Custos: a factura fiscal, em sede de IRC!
É que sete anos é ... amanhã.

Olhemos, agora, para a “fotografia final” deste exercício (se a Demostração de Resultados é “o filme” do ano, o Balanço é a sua “fotografia final”).
Por José Albuquerque 

Quanto ao Activo (líquido) total, houve um crescimento de 430 para 476M€.
A parte “não corrente”, cresceu de 340 para 360M€ e a parte “corrente”, aumentou de 90 para 116M€.
Na parte Tangível (Activo “não corrente”), registou-se um ligeiro acréscimo (3M€), fruto das obras de manutenção, alargamento da “Fábrica” e, especialmente, dos novos Data Center.
Mas foi na parte Intangível que se verificaram profundas alterações (um salto de 105 para 169M€), quer pelo aumento do valor contabilístico do Plantel, quer pelo alargamento do contrato da SAD com o Clube para a exploração da Nossa Marca.
Essa operação veio a permitir um outro impacto relevante: com o “pagamento” da SGPS à SAD de toda a sua “dívida”.
Quanto ao Ativo “corrente”, o impacto mais significativo acabou por ser a enormidade do crescimento da rubrica de “Caixa e Equivalentes de caixa” (de 7 para 30M€), em resultado da operação com o passe do “Bulo”.

Querem saber das principais alterações ao Passivo? Ora façam o favor de me seguir ...

O Passivo total (consolidado), cresceu de 430 para 455M€ (de 360 para 385M€, se só olharmos para a SAD).
A parte “não corrente” quase duplicou (de 109 para 192M€), enquanto a parte “corrente” desabou de 321 para 264M€: é a este tipo de processos que nos referimos quando falamos em “consolidação de passivos”.
De resto, quer nas rubricas de Fornecedores, quer nas de Outros Credores, não me parecem ter-se registado alterações relevantes que possam significar mudanças nos prazos médios de pagamento.

Importante, mesmo muito importante, é referir que o Capital Próprio consolidado cresceu para os 20,9M€ positivos (é que nem vale a pena comparar com clubecos), sendo de registar que a SAD, individualmente, já quase atingiu os 26M€ de Capitais Próprios.

Podemos estar confiantes na soberba qualidade da Gestão do Nosso Grupo?
Podemos, obviamente!
Este último triénio demonstrou a correcção da estratégia prosseguida e, mais do que isso, a capacidade do Nosso Grupo para reconstruir o seu Capital Social, paulatinamente, sem recurso a truques contabilísticos e sem comprometer os objectivos desportivos, que são a Nossa razão de existir.

Factos ocorridos após o fim do exercício.

É importante ter presente que as aquisições do Rafa, dos segundos 50% do passe do RJ, dos segundos 50% do passe do Jardel, do Zivko e do Óscar Benitez, só aconteceram após 30 de junho, data do encerramento do exercício aqui reportado.
Identicamente, os negócios (quase 20M€) do Nelson Oliveira, Carcela, Bébé, Sidnei (opção de compra exercida pelo Deportivo) e a “prenda de natal” decorrente da ida do André Gomes para Barcelona, também já foram posteriores a 30 de junho, pelo que serão contabilizados no exercício em curso.

Curiosidades.

Embora eu seja absolutamente contra esta corrente “voyeurista” que está a levar a Nossa SAD a alguns detalhes de informação que me parecem descabidos e sem nenhum paralelo noutras Sociedades cotadas, recolhi e passo a transmitir-vos algumas curiosidades que podem confirmar neste R&C ...


Os Custos com Pessoal, ventilados entre remunerações fixas e variáveis, demonstram o que já podíamos suspeitar: enquanto a parte fixa se reduziu (de 40,1 para 39,6M€), a parte variável cresceu de 9,1 para 12,3M€.

O valor (líquido) de Balanço do Plantel ficou em 115.192m€ e o da Nossa Marca em 53.200m€.

Aqui fica uma lista dos valores de aquisição de alguns Activos (incluindo todas as alcavalas):
Raul Jiménez (primeiros 50%) à 9.836m€
Mitroglou (100%) à 7.475m€
Pizzi (segundos 50%, depois dos primeiros cujo preço foi ... o Roberto) à 7.260m€
Carrillo (100%) à 6.612m€
Luca Jovic (100%) à 6.583m€
Franco Cervi (90%) à 5.742m€
Jonas Pistolas (Renovação + 40% das mais valias futuras) à 4.513m€
Toto Sálvio (Renovação) à 2.649m€
Celis (100%) à 2.286m€
Jardel (Renovação) à 2.121m€
Grimaldo (100%, embora o Barça tenha direito a prémio numa futura venda) à 2.121m€

E, já agora, alguns valores de aquisição referentes ao exercício que terminou em 30 de junho de 2015:
Cristante (100%) à 5.230m€
Talisca (100%) à 4.750m€
Carcela (100%) à 3.411m€
Derley (100%) à 3.021m€
Taarabt (100%) à 2.925m€ (boa, Mike!)
Jonathan (40% + empréstimo de 2 épocas) à 2.675m€

Este texto já vai ao ponto de constituir um enorme abuso à vossa atenção, mas eu não resisto a deixar mais uma pequenina prenda a todos os anti, Taliban incluídos, que passam as suas tristes vidas a esgravatar estes números, na vã procura de encontrarem algo que desmereça o Clube que Nós Amamos.

Para esses, com toda a minha ternura, aqui fica este “ferro de palmo”, ahahah 

Como sempre, fico atento às perguntas que queiram colocar-me na caixa de comentários.
  
Viva o Benfica! 

domingo, 5 de junho de 2016

Vamos a “contas”? R&C 2015/16, 3º Trimestre.

Por José Albuquerque

A Nossa SAD acaba de comunicar à CMVM o “R&C” para o terceiro trimestre do exercício corrente (julho a março) e, embora esta informação intercalar não forneça o detalhe habitual nos relatórios semestrais e anuais (estes últimos auditados), o actual momento do Grupo Benfica sugere uma análise mais cuidada do que o habitual, por forma a podermos confirmar todas as teses que podem vir a determinar a evolução futura dos resultados económicos.

Considerando que o Companheiro B Cool está impossibilitado (vamos admitir que ele está “fora de jogo”), vou eu tratar de vos dar a minha visão sobre o andamento da Nossa “Batalha Económica”, da sua superestrutura desportiva e, para tanto, vou começar por recordar o essencial dos objectivos traçados no início deste exercício, mesmo para além das “contas e números”.
Assim, nada melhor que citar o que aqui escrevi, há cerca de seis meses ... (algures no início de dezembro)

“Síntese dos “Aspectos Relevantes da Actividade” (páginas 4 e 5 do Relatório Intercalar de 30 de setembro).

O CA reafirma, explicitamente, tudo o que é importante:
1 - os objectivos desportivos conhecidos (TRI, Taças e troféus nacionais e “o mais longe possível na CL”);
2 - oportunidades para os jovens talentos na Equipa de Honra, enquadrados por Atletas com experiência internacional;
3 - continuação da prospecção e investimento em jovens estrangeiros de alto potencial;
4 - o novo Técnico tem por objectivo conciliar Vitórias com o envolvimento na e da Fábrica;
5 - sublinha a importância da participação na International Champions Cup e sugere que ela se vai repetir;
6 - relata que as vendas do Lima e do Ivan ultrapassaram os 22M€;
7 - informa que foram investidos 15,3M€ em 50% do Raúl e 90% do Cervi;
8 - confirma que o Mitro está emprestado e que a SAD tem uma opção de compra;
9 - idem para a renovação do Jonas, com aumento da cláusula para 20M€ e do Ola até junho de 2018;
10 - idem para as renovações do Nélson Semedo, Nuno Santos (até 2021) e Lindelof (2020) do Plantel principal;
11 - idem para o Hildeberto, João Nunes e Ricardo Carvalho, do Plantel B; e
12 - confirma que os 45M€ do EO se destinaram a “consolidação de passivos” (=substituição de empréstimos vencidos);
Ou seja, nenhuma verdadeira surpresa (talvez a ambição?) e podemos concluir que as renovações do Gaitan e do Imperador vão aparecer no 2º trimestre.” (fim de citação)

Impressionante, concordam?

Não recordo e pouco importa, quando é que foi acertada a renovação com o Gaitan. Quanto ao Imperador, todos conhecemos a “manobra” construída sobre o chamado “caso da Montblanc”, mais um exemplo da mestria com que a Nossa Comunicação toureou a mérdi@ e os anti. Questões acessórias para Taliban distrair.
O que importa recordar é que, há um ano atrás, até eu me deixei embalar pelos cânticos do “downsizing” (lembram-se dos textos que escrevi a demonstrar o descabida que uma tal estratégia seria?) e só parei quando, na AG de accionistas da SAD, tive as garantias de que não era de tal que se tratava. Bem ao contrário, a SAD clarificou que a passagem aos “oitavos” da Champions era um objectivo prioritário e eu pude sentir que tudo o que defendera e escrevera estava em perfeita sintonia com a Administração da Nossa SAD.
E no único ponto em que não foi assim (vocês sabem que também eu receei pela troca do Técnico), uma vez mais o Presidente me demonstrou a confiança que me merece, ou melhor, que Nos merece, ao conseguir algo que tem um valor e uma importância quase incomensuráveis: provar que o Glorioso pode vencer, mesmo mudando de Técnico e assumindo na plenitude a valorização da “Fábrica”.

Mas regressemos àquela lista de 12 pontos que eu retirei daquele início de época, para constatarmos o alto grau de controle que caracteriza a Gestão do Clube:

1 – Excelentes resultados desportivos, em que eu troco com agrado a presença nos “quartos” da CL pelo insucesso na Taça de Portugal (e todos sabemos como esse Nos foi imposto por um bandalho de um BOI);
2 – Soberba inclusão de jovens Atletas na Equipa de Honra, apesar da grave lesão do Nuno Santos;
3 – Cervi, os dois sérvios e uma prenda do “babalu”, fazem 4 jovens de altíssimo potencial;
4 – Impressionantes as notícias que me chegam sobre o envolvimento quase constante do Técnico com todas, mas mesmo todas, as Equipas dos escalões jovens e até aos sub14;
5 – Faço votos que aqueles problemas a que o Técnico se referiu recentemente (Honra e Glória por nunca se ter “queixado” antes), porque evitáveis por uma estrutura como a Nossa, não impeçam, nunca, que a Nossa Equipa (ou melhor, os Nossos melhores Atletas) participe activamente no imperioso processo de internacionalização da Marca Benfica; seja participando naquele mesmo torneio, seja organizando verdadeiras “tournée” de pré-época, eu espero que a Equipa faça, todos os anos, algumas semanas em viagem pelas regiões do planeta com maior potencial de penetração;
6 – Lima e Ivan, duas operações valiosas e de quase nulo impacto desportivo;
7 – Raúl, Cervi e todos os que se seguiram (Mitrogolos incluído), ou o meu suspiro de alívio ao constatar que a SAD não iria proceder a nenhuma forma de “downsizing”; a recuperação dos Nossos Capitais Próprios não deve ser conseguida à custa de diminuições do Activo;
8 – E o Mitro já cá canta, ahahah;
9 – Idem, idem, ... aspas, aspas;
10 e 11 – E a lista de jovens “promessas” com contratos renovados já é quase tão longa como a lista das Nossas pérolas que brilham nas seleções jovens de Portugal e que nelas têm tido desempenhos assinaláveis (babo-me todo, carago);
12 – E o processo de consolidação de passivos continua, agora com nova EO com menor taxa de juro (4,5%), levando a uma poupança de um pouco mais de 1M€ na “fatura bancária” deste exercício (como diz o outro, grain à grain, enche la galinhe le pape, ahahah).

Em síntese, Companheiros, nem parece que falamos de um “negócio” tão marcado pelas (im)probabilidades como é o futebol (ainda mais quando se trata do “futeluso”) e já vamos num terceiro exercício económico de resultados amplamente positivos (a saída do Bulo já o garante), concomitantes com resultados desportivos excelentes.

Bem ... imaginando que já estejam com saudades de ver alguns números ...

Síntese da “Análise Económica e Financeira”.

As “Contas” em 31 de março estão marcadas por alguns aspectos fundamentais:
- o prosseguimento da normal e natural política de investimentos (em Activo Corpóreo e Intangível), de controlo dos custos (nomeadamente os salariais), de crescimento sustentado dos proveitos “comerciais e de Match Day”;
- interrupção no crescimento (maturação?) dos proveitos da BTV;
- quase completa substituição das receitas de quotização, integralmente cedidas ao Clube;
- inexistência de “vendas” de Atletas na janela de janeiro; e, principalmente
- do sucesso da Equipa na CL, atingindo os 30M€ em “prémios UEFA” nos “oitavos”.

Ou seja e vale a pena recordar, nem os proveitos decorrentes dos “quartos” com o Bayern (quer na bilhética, quer nos prémios UEFA e respectivo market pool), nem a brutal mais valia realizada com a saída do Renato (menos ainda com a do Gaitan, que nem confirmada está), têm ainda impacto nestas “Contas”.

Tal como podem ver no QUADRO 1, a BTV foi a única linha de proveitos que não cresceu, admitindo-se que o seu valor anual fique pelos 32/33M€.
Não se esqueçam que, no tocante aos valores de “Publicidade e Patrocínios”, é quase certo que os seus valores finais anuais venham a reflectir os excelentes resultados desportivos, pelo que devemos esperar alguma “boa notícia” nas contas de 30 de junho.

E tomem nota de que a melhoria nos Resultados Financeiros (linha 16) não foi (1M€) tão grande como parece, uma vez que o valor de há um ano ainda estava negativamente influenciado pela resolução do Benfica Stars Fundo.

Já olhando para a evolução das principais rubricas do Balanço (vidé Quadro abaixo), verificamos que o ligeiro decréscimo do Activo se deu pelo lado dos créditos a Clientes, o que (é excelente e) significa que se venceram prazos de pagamento envolvidos em “vendas de passes de Atletas”, não compensados face à ausência de novas “vendas” (e já sabemos que o Renato saiu a p.p., na parte dos 35M€).
Tal como se demonstra o crescimento do Activo não corrente, quer pela via de novos investimentos tangíveis (edifícios, equipamentos, etc.), quer em intangíveis (valor do Plantel, Marca, direitos de TV, etc.). Não se esqueçam de que, em cada ano e por via das Amortizações contabilísticas, o Activo não Corrente deveria reduzir-se em cerca de 45M€ e o simples facto de vermos que o seu montante até cresce, é a prova mais clara contra a existência de qualquer forma de “downsizing”.

Do lado das origens de fundos (Passivo e Capitais Próprios), os dados mais importantes são: (i) a consolidação de passivos, que passam de curto prazo (correntes) para prazos mais longos (não correntes) e (ii) a recaída dos Capitais Próprios para um valor negativo, em resultado do “prejuízo” realizado nos primeiros 9 meses do exercício.

Alguma razão para preocupação?
“Falência Técnica”?

Não me façam rir e deixem o Al Calotes e todos os anti, Taliban incluídos, regozijarem-se com esse número: de duas uma, ou se trata de uma demagogia ridícula engalanada por uma má fé miserável, ou de uma “iliteratícia” radical.
BALANÇOS SINTÉTICOS
31-03-2016
30-06-2015

Em junho próximo, vamos concluir o terceiro ano consecutivo de recuperação significativa dos Nossos Capitais Próprios, para mal dos pecados dessa cáfila e o maior “risco” (caso seja contabilizada mais alguma venda importante, como seria o caso do Gaitan) é que essa recuperação pode ser, na minha humilde opinião, demasiado rápida.
Reparem que o simples registo da operação sobre o passe do Renato e dos proveitos decorrentes dos “quartos” da CL num 4º trimestre já habitual (sermos Campeões, vencermos a Taça da Liga e encher a Catedral em abril e maio, ... tem de ser considerado normal) já deve implicar um Resultado final deste exercício da ordem dos 10M€ (anulando este “negativo” de 8,1M€ e transformando-o num “positivo” de mais de 10M€), pelo que eu espero que qualquer outra operação deste género possa ser contabilizada já em julho, sob pena de fazermos em apenas 3 anos a reconstituição de capitais que eu desejava conseguir em 6!
Aliás e como já tive oportunidade de afirmar, também foi por esta razão (e para minimizar a pressão mediática sobre o rapaz) que a venda do Bulo foi registada por 35M€ (em vez dos 60 que estão garantidos), tal como a Nossa SAD vai adiar todas as outras eventuais saídas importantes para depois da Copa América (espero que não me peçam um desenho, ahahah)

E sobre o Futuro, em termos de “Batalha Económica”?

Mantenho tudo o que, há anos, sabem ser a minha humilde opinião, apenas com uma pequena (?) nuance que gira em torno da “Parceria” com a NOS, pelo que ela pode vir a revelar-se determinante no papel que a BTV deveria (tem de) assumir no processo de internacionalização da Nossa Marca.
Sobre este tema, já falta pouco para que eu tenha tempo para escrever profusamente.

De resto, tudo corre como previsto, num binómio dinâmico e autosustentado formado pelos resultados desportivos e a qualidade/quantidade dos “produtos” da Nossa Fábrica.

Como sempre, fico à vossa disposição para responder aos comentários com que quiserem contribuir.

Viva o Benfica!

P.S.: é conhecida a minha aversão a falar das “contas” dos Nossos inimigos, mas eu já confessei que lhes dou umas olhadelas e podem ficar tranquilos que, desta vez, vai ser com um especial prazer que vou escrever sobre esse assunto, ahahah; será já amanhã!