O futebol português é isto; os expert da bola que juraram que, pelas novas regras (as que foram criadas para foder o Benfica) o terceiro golo do Boavista na Luz foi legal, asseguram-nos hoje que aquele que seria o primeiro golo do Benfica foi muito bem anulado porque Jonas estava em posição irregular, mesmo não tocando na bola. Ambos, Jonas e o avançado do Bessa, estavam adiantados. Ambos se fizeram à bola e ambos não lhe conseguiram tocar. Na sequência...golo. No mesmo relvado, lances iguais sentenciados de maneira oposta. O denominador comum? Ambos a prejudicar o Benfica. Ambos muito bem decididos - segundo os especialistas da bola.
A pensar nisto, e nos quatro pontos de avanço, tive uma noite agitada. A pressão não me deixou dormir descansado...
Sonhando que o Manuel Mota expulsara o Júlio César desta vez acordei assarapantado julgando ouvir um apito estridente! Sosseguei assim que percebi que todos os especialistas concluiriam que o moço do talho até esteve excelente. E dei comigo a pensar que o Ederson se chamava Layun e que ainda regressaria ao jogo para receber a medalha do bom comportamento. Depois...despertei; se for o justiceiro Meirim a decidir a pena de Ederson - o guarda-redes do Benfica tem garantidos pelo menos três meses de castigo! A avaliar pela pressa com que atacou Rui Vitória ainda hoje ficamos a conhecer a sentença.
O Sábado amanheceu tranquilo e sem stress. Com uns tranquilizadores quatro pontos de atraso joga hoje um tranquilo foculporto...
Pinto da costa acordou muito cedo. Faltava um quatro para as quatro. Esticou as pernas largando um traque que lhe pareceu um apito. Lembrou-se do mota, lembrou-se do xistra e nem quis saber que era dia de pito. Soltou outra bufa (já ia em quatro) salutar, sacudiu a companhia para longe, saiu do quarto e foi para a rua acalmar. Os 3-0 da Luz e os quatro de atraso não seriam fáceis de olvidar. Para se distrair pôs-se a pensar no Imbula - que o Lopetegui lhe impingiu por vinte milhões de chaputa - e perguntou a si próprio quem foi o morcão que lhe impingiu o Óliver, por 20 sacos de fruta.
O padre Nuno também acordou cedo por causa de um apito. Foi uma chaleira vermelha que ele deixara de véspera a aquecer. Quando chegou aos quatro a pressão começou a apertar e não mais o deixou adormecer. Pôs-se a olhar em redor apreciando os múltiplos desenhos espalhados pelas quatro paredes do quarto. Ao quarto quadro não aguentou mais. Levantou-se pouco depois das quatro. Eram - mais ou menos - quatro e um quarto.
André Silva acordou bem disposto. Sonhou que tinha uma piscina só para si e tinha-se tornado uma celebridade em jumping pool. Levantou-se ainda trôpego, tropeçou nas pernas e reclamou penalti para o porto. No percurso até à casa de banho, caiu mais quatro vezes, e em todas ficou com a sensação de que quatro tipos do Guimarães o tinham derrubado. É assim que continua focado.
O Soares demorou quatro horas até conseguir adormecer. Ficou assim quando soube (uma inconfidência do jornal onojo) que o seleccionador brasileiro tinha vindo de propósito a Guimarães só para o ver actuar. E não chegou sozinho! Trouxe também os quatro adjuntos.

