Por José Albuquerque
Tal como o Guachos e ao contrário de 99% dos Companheiros que escrevem em blogues, eu sempre recordo os Leitores que não percebo quase nada de futebol: rompi muito sapato na escola e no liceu, mais tarde ainda joguei alguns sábados de manhã num campo pelado de futebol de 11, com amigos e colegas da Faculdade e, finalmente, como a maioria, assisto, nos estádios ou pelas TVs, a muitos desafios. Isso e uma meia dúzia de livros lidos não são nada que me habilite a ter mais do que opiniões muito humildes.
Tal como o Guachos e ao contrário de 99% dos Companheiros que escrevem em blogues, eu sempre recordo os Leitores que não percebo quase nada de futebol: rompi muito sapato na escola e no liceu, mais tarde ainda joguei alguns sábados de manhã num campo pelado de futebol de 11, com amigos e colegas da Faculdade e, finalmente, como a maioria, assisto, nos estádios ou pelas TVs, a muitos desafios. Isso e uma meia dúzia de livros lidos não são nada que me habilite a ter mais do que opiniões muito humildes.
Uma dessas, talvez aquela em que mais insisto, é a
defesa da estabilidade técnica, organizacional e dos próprios planteis, sempre
vistos como realidade(s) dinâmica(s) que há que tentar melhorar, sem perder o
que de melhor já existe.
Este tipo de atitude é o resultado da minha
experiência de vida, quer profissional quer não, que me ensinou o valor de
alguma sabedoria popular do tipo de “o óptimo é inimigo do bom”, “mais vale tarde
que nunca”, “primeiro a obrigação, depois a devoção”, “não há rosas sem
espinhos” e outros tantos que nos deveriam sugerir muito mais reflexão que
sorrisos.
Quando eu (ainda, ahahah) tinha trinta anos e mal
cabia em mim com o tamanho de alguns sucessos profissionais, embora mantivesse
muitas costelas revolucionárias, já pensava como hoje e sempre me recusei a
substituir o passado por um futuro novo, sem, antes, certificar-me que não iria
desperdiçar o que de bom já estava feito, mesmo quando sentia que até essas
partes poderiam ser melhoradas. Devo a essa atitude uma boa parte do que
consegui na vida.
Assim sendo, Companheiros, claro que a minha
primeira preocupação perante a necessidade de ver a Nossa Equipa ter um novo
comando técnico foi dizer ... oxalá consigam preservar tudo o que de bom foi
conseguido nestes seis anos mais recentes.
Estabilidade deve ter sido o primeiro conceito em
que eu pensei. Num quadro de alguma inevitável instabilidade, mais forte e
profunda a minha convicção de que a necessária mudança será tanto mais
inteligente quanto melhor for capaz de preservar o melhor da situação que vai
ter de ser alterada.
Nada surpreendentemente, muitos dos Companheiros com
quem tenho falado desde a surpresa do início deste mês, incluindo o meu Filho
mais novo, encontram-se nos antípodas da minha preferência e apresentam-me
argumentos poderosos, essencialmente sustentados em três vertentes da realidade
actual do Glorioso e da Nossa Equipa de Honra: (1) a urgência em confirmar um
“corte com o passado”, (2) a necessidade de executar um rejuvenescimento do
Plantel e, finalmente, a vantagem em conseguir, imediatamente, (3) arrancar os
Adeptos do torpor pessimista em que caíram na sequência da surpreendente saída
do antigo técnico.
É um facto incontestável que, no horizonte do
contrato assinado com o Nosso Técnico, há seis titulares da Equipa que terão de
ser substituídos, mesmo que nenhum deles o quisesse e mesmo que nenhuma
proposta das arábias os viesse atormentar: Júlio César, 3 defesas (safa-se o
Jardel) e os 2 avançados, não serão titulares daqui por 3 épocas!
Este é o mais forte daqueles três argumentos, pelo
menos até que alguém me prove a “urgência de cortar com o passado”, ou me
ensine o que raio podemos fazer contra o “torpor pessimista” de alguns
Companheiros que não implique gerir o Clube de fora para dentro.
Por outro lado e por mais fervoroso adepto que o
Presidente fosse da estabilização do Plantel, todos sabemos que nada nem
ninguém pode garantir que alguns Atletas vão ficar na Equipa, seja por terem o
chamado “muito mercado”, seja por estarem a terminar contrato, seja porque,
mesmo tendo contrato, há ofertas (salariais e compensatórias) que são
irrecusáveis. De facto, não é em vão que a maioria dos treinadores (como, por
exemplo, aquele que as osgas contrataram) diz que só pode começar a detalhar os
seus planos já bem no final de agosto.
Complicado?
Confusos?
Eu acho que sim e, por isso, muitas vezes me sinto
um pouco confuso quando tento escrevinhar numa folha de papel o que poderia ser
um simulacro de ‘Plano de Trabalho para a pré época’.
E olhem que grande parte da minha experiência
profissional foi adquirida em sectores e mercados altamente inovadores,
concorrenciais e abertos. Ainda assim, nada que se possa comparar ao desafio
que o CA da Nossa SAD enfrenta todos os anos, especialmente nas duas “janelas
de transferências”.
Pensem bem e ... admitam o pandemónio, ahahah.
Sobretudo entre cada junho e o agosto imediato.
E se é verdade que “quanto maior a nau, maior a
tormenta”, eu sempre prefiro pensar que “when the going gets tough, the tough have
to get going”, ou seja: se eu fosse invejoso, invejava os que aceitam o
desafio de enfrentar cada nova pré época com a ambição de preparar tudo com
acrescida ambição.
Por tudo isto e sem ponta de demagogia, há que
acreditar nos princípios que já deram resultados, atacar o mercado bem cedo
(desde janeiro) para adquirir os Atletas que representem o melhor compromisso
de qualidade potencial/preço, aliviar o Quadro de Atletas sob contrato do maior
número de casos em que nem sequer seja necessário o parecer do Técnico
principal.
Esta parte parece fácil, certo?
No mínimo não parece tão complicado como as “guerras
de julho e agosto” e, uma vez mais, parece-me ter sido bem conseguida, desde as
chegadas do Mukhtar e do Johnathan, até ao mais recente conjunto de jovens que
me parecem destinados a completarem a sua formação de águia ao peito (uns nos
Juniores, alguns emprestados e a maioria na Equipa B), passando pelo
longuíssimo namoro com o já Adepto Zivkovic (um daqueles que não há dinheiro
que pague) e terminando em dois Atletas com mais de 23 anos, formados na Europa
(de “marroquinos” só têm o nome) cuja integração, se conseguida, Nos fará muito
felizes.
Terminada (e bem, ou muito bem, no caso de se conseguir
o jovem prodígio sérvio em boas condições contratuais) esta fase, agora ... fia
mais fino!
Sabemos que a Nossa SAD já garantiu um fecho deste
exercício ao nível do anterior (resultados positivos desportivos e
contabilísticos), aliás a única razão para que não tenha sido formalizada a
conclusão do negócio do Cancelo, que a SAD deve preferir reportar para o
próximo exercício contabilístico, pelo que tudo o resto que já esteja negociado
só vai aparecer a partir de dia 1.
Para todos estes casos, o meu primeiro aplauso vai
para o excelente nível de confidencialidade que se conseguiu em todas essas
operações, mantendo os mérdi@ muito razoavelmente afastados dos Nossos “alvos”.
As batalhas de julho e agosto.
Vão ser duras, no mínimo!
Vai ser necessário substituir o Nosso lateral
direito (eu acredito que a proposta do Glorioso não deve ser retirada, apenas
para não aliviar a pressão sobre os que o querem contratar e para que o Atleta
nunca possa dizer que o Clube foi menos grato com o seu profissionalismo).
Vai ser difícil segurar o Gaitan e só não vai ser
impossível (como se houvesse impossíveis) fazer o mesmo com o Sálvio pela razão
que bem conhecemos.
E, depois, podem sempre aparecer umas daquelas
ofertas que não seguem nenhuma racionalidade desportiva (talvez eu devesse aqui
colocar o exemplo do ainda Nosso lateral direito) e que se prendem com a
necessidade que alguns mercados sentem (EUA, EAU, China) de efectuar
investimentos publicitários de divulgação de uma modalidade desportiva ainda
com relativa expressão local.
A tudo o resto eu espero que o Presidente se oponha
ferozmente, exigindo o valor das cláusulas estabelecidas com o exacto propósito
de punir quem não quiser respeitar a Nossa necessidade de preservar um mínimo
de estabilidade a uma Equipa Bicampeã que acaba de mudar de Técnico Principal.
E termino com umas palavras dirigidas ao Nosso
Técnico ...
Companheiro Rui Vitória, Mister do Enorme,
Antes de mais e concomitantemente com a repetição
das humildes boas vindas que já, Todos Um, aqui lhe demos, permito-me
sugerir-lhe um texto que o Guachos lhe dedicou logo que foi conhecido o seu
regresso a casa.
Depois de ler esse texto, vai saber que tudo o que
aqui lhe peço ... deve entrar-lhe por um ouvido e sair pelo outro.
Gostei muito de saber que alguma da sua ambição mais
imediata passa por enriquecer a Equipa com um maior “vocabulário táctico” que
não se resuma a um simples recolher das linhas (no 1x4x4x2 habitual), mas
peço-lhe duas coisas: (1) que aceite o desafio de manter os frutos essenciais
quer do sistema, quer da “ideia de jogo de tracção à frente” que os Atletas tão
bem têm desempenhado e (2) quando equacionar as situações em que a Equipa seja
forçada a jogar com apenas 10, estude os vídeos dos Nossos encontros mais
recentes nessa situação (imagino que o Pietra e o Shéu lhos possam apresentar e
comentar), porque me parece constituírem uma brilhante inovação com a
assinatura de uma excelente técnico que tivemos no Glorioso.
E prepare-se. Prepare-se para ser levado ao colinho.
Viva o Benfica!
