Por José Albuquerque
O Desporto ensinou-me a nunca subestimar os
adversários e a vida ensinou-me a não subestimar os inimigos.
Há umas semanas, eu endossei, aqui no GUACHOS, o que
o BE pudesse escrever sobre temas económicos e financeiros da vida do Nosso Clube
e fi-lo em nome de um passado em que o conheci como um Companheiro competente e
rigoroso, sempre empenhado na defesa do Glorioso.
Mesmo sem pretender inquinar este texto com
especulações sobre o que pode ter mudado no BE e/ou nos motivos, e/ou objectivos,
com que ele regressou ao debate virtual sobre o Benfica, vejo-me obrigado a
declarar que eu já tenho, sobre esses motivos e objectivos, uma opinião concreta
e que vou guardar para mim, recomendando aos Leitores que façam exactamente o
mesmo, ou seja: (1) que o não subestimem ao ponto de imaginar que estes seus
textos são “um acaso”, mas (2) não caiam no erro de atacar os motivos e
objectivos que julguem poder imputar-lhe, preferindo rejeitar a forma e o
conteúdo da sua mensagem.
Pelo meu lado e pelos meus princípios, não mais lhe
atribuo o qualificativo de Companheiro, não porque eu o não considere
Benfiquista (não o reconheço como tal, mas creio que ele até é Nosso Consócio), mas
porque ele deixou de se comportar como tal.
Da forma.
Pelo último texto que li, o BE afirma ter algumas
interrogações que considera carecerem de respostas completamente claras e
urgentes por parte do Nosso Presidente. Citando-o, essas perguntas seriam:
“-
Perante o momento “delicado” do grupo empresarial Promovalor, que foi colocado
na "lista de supervisão" do Banco de Portugal desde 2013, e
a posterior queda do BES e do GES, será que Luís Filipe Vieira
perdeu margem de manobra no sistema financeiro?
- Como é que a Benfica SAD com mais de 400M€ de Activos e 400M€ Passivos, e
facturação anual de 170M€, aparentemente está a ter dificuldades em
renovar empréstimos de curto prazo de 150M€ (num total de 290M€) e o Sporting
Consolidado com 180M€ de Activos e 450M€ de Passivos, e facturação anual de
70M€ consegue manter e renovar empréstimos de 300M€ junto do Sistema
Financeiro?
- A redução da margem negocial do Benfica junto da Banca está
relacionada com alguma situação desconhecida sobre o clube, ou a situação do
Grupo Promovalor de Luis Filipe Vieira está a afectar negativamente o Benfica?
- O que explica a aparente necessidade de o Benfica deixar sair
jogadores, este verão, num valor que pode chegar aos 200M€?”
4 perguntas nas quais eu sublinhei o suficiente para que ninguém possa
duvidar (ou colocar em causa, em Juízo) da inocência do seu autor, mesmo que a
maior parte se sinta obrigado a inferir que elas pressupõem acusações
gravíssimas ao Presidente do Clube e do CA da Nossa SAD.
4 perguntas colocadas em público, sobre temas altamente sensíveis (que vão
ao ponto de questionar a existência de “… alguma situação desconhecida sobre o
clube …”), por alguém que tem de saber que tem outras formas de as colocar,
muito mais eficientes, caso pretendesse obter respostas.
4 perguntas que, com esta ou outra redação, poderiam ter sido colocadas a
um qualquer (ou a todos, simultaneamente)
membro dos Nossos Corpos Sociais, isto para não ir mais longe e sugerir
que tivesse sido equacionada a hipótese de solicitar uma audiência com o
Presidente.
Esse teria sido um responsável comportamento Benfiquista, mas não
permitiria a publicação de “exclusivos”, a insistência cobarde em especulações
demagógicas, ou o “orgulho de ser viral”, especialmente entre osgalhada e
andruptos.
Que se levante a voz de um qualquer Companheiro que, independentemente das
suas opiniões, tenha solicitado uma audiência ao Presidente, ou simples
esclarecimentos sobre temas importantes, sem obter uma resposta favorável e
compreensiva.
Por mero exemplo, eu tenho em meu poder um correio eletrónico do fundador
do blogue em que aquilo foi publicado, em que ele me dá conta de ter sido
recebido por um Director do Benfica, na sequência de um seu pedido para
apresentar algumas ideias e sugestões que lhe pareciam importantes.
Seguramente, o BE sabe que qualquer Sócio que entenda ter assuntos válidos para
colocar ao Clube, obtém resposta rápida e positiva. Tal como foi sobejamente
divulgado o facto de o Presidente ter convidado para um encontro um Companheiro
que fez uma intervenção muito critica numa AG ordinária: tratava-se do autor de
um blogue que o “fechou” por se fartar das ofensas recebidas dos anti
Vieiristas, que nunca lhe perdoaram por ele não divulgar os termos da conversa
que teve com o Presidente.
O que devemos concluir da forma escolhida pelo BE para colocar aquelas
perguntas (ou exigências)?
Que não pretende obter nenhuma resposta!
Pouco me preocupa o que ele pretende, mas respostas não são com toda a
certeza.
Mas ele devia, a menos que não acredite nas especulações e deduções que ele
próprio retira daquilo que designa por “provas” e “factos” …
Eu, como já não atribuo nenhuma credibilidade ao conteúdo dos seus textos,
não sinto nenhuma necessidade de ver respondidas aquelas questões, mas ele
deveria …
Face ao carácter gravíssimo das suas convicções, para mais assumidas perante
tão vasta audiência, o BE não se pode permitir ficar sem respostas, sob pena de
ficar conhecido como um “frouxo”, um Sócio que “sabe” que o Clube está a ser
fortemente penalizado pelo Presidente e não faz nada para construir uma
alternativa, caso não consiga provar em juízo as suas especulações.
Muito bem, deixemos os aspectos formais e passemos ao conteúdo …
Dos antecedentes.
Este último texto do BE não pode ser lido isoladamente de todos os que o
precederam. Ele é o próprio a afirmar que o escreveu como “prova” da verdade
que proclamava nos anteriores (os famigerados textos que o BE dizia serem
apenas especulações), mas, hoje, eu considero que ele foi só mais um na sequência
iniciada logo no primeiro texto publicado depois do seu longo afastamento dos
blogues.
Vou repetir para que não restem reticências: percebo na série de diferentes
textos por ele publicados, uma “linha de raciocínio” perfeitamente clara,
premeditada e intencional.
Um primeiro texto em que afirmou várias coisas fundamentais e com as quais
concordo plenamente:
. que os Nossos “R&C” (Clube e SAD) reflectem com verdade a situação e
evolução económica e financeira do Grupo, especialmente porque o método de
consolidação tem a maior transparência possível;
. que o Grupo se encontra bastante sólido, mesmo num quadro de
insuficiência contabilística dos Capitais Próprios e porque a relação entre o Activo, o Passivo e os Proveitos Operacionais (totais) assim o comprovam,
crescentemente, há vários exercícios;
. que a Nossa SAD não tem nada a temer em sede de Fair Play Financeiro,
bastando-lhe manter os actuais equilíbrios económicos para garantir a sua
candidatura sustentada para as provas da UEFA para as quais se qualifique
desportivamente; e
. que todos os sinais recentes sugerem que a situação está a melhorar, quer
pelo impacto da “nova” BTV, quer pelo reforço dos proveitos com Sponsors,
antigos e novos.
Se eu deixar de lado alguns pequenos detalhes e/ou “arredondamentos”, o BE
deu-me todos os motivos para aplaudir o seu regresso aos blogues e os Leitores
do GUACHOS sabem isso bem demais.
Perfeito, então?
Quase …
Nos seus textos subsequentes, verifiquei que o BE nunca deu destaque ao
facto de o CA da SAD ter divulgado que colocara de lado qualquer hipótese de
proceder a uma reestruturação financeira, preferindo optar por uma estratégia
de recuperação sustentada dos seus Capitais Próprios. Notem que esta afirmação
corresponde a um compromisso muito sério, perante Accionistas (com o Clube em
primeiro lugar), instituições de regulação e Mercado, que “obriga” o CA a
prosseguir uma estratégia já além do equilíbrio económico: A Nossa SAD
comprometeu-se a gerar lucros de forma sustentada, única forma de recuperar os
Capitais Próprios sem proceder a uma reestruturação financeira (com aumento
imediato do Capital Social)
E o BE sabe muito bem que assim é, tanto que já publicou as suas previsões
para os exercícios de 2013/14 e 2014/15 em que admite um primeiro exercício
equilibrado e um segundo com um Resultado positivo de 20ME (como estão
recordados, eu indiquei que o objectivo deveria ser colocado em resultados
anuais positivos da ordem dos 10ME).
Ora bem …
O BE também escreveu que a Nossa SAD necessita, para atingir o equilíbrio,
de cerca de 50ME anuais de Resultados com Operações sobre Passes de Atletas
(ROPA) e que, em média, tal desiderato deve exigir cerca de 80ME de “vendas
brutas anuais”.
Os Leitores do GUACHOS sabem que eu não estou inteiramente de acordo com
estes números por ele apresentados, mas deixemos essas pequenas diferenças,
para comodidade no debate.
Notem bem: se o BE considera que, para termos exercícios equilibrados,
serão normais “vendas brutas anuais” da ordem dos 80ME, quanto imaginam que ele
vai considerar necessário obtermos, sempre em “vendas brutas anuais” para conseguirmos
um resultado positivo médio de 10ME?
Digo-vos eu que, utilizando os critérios do BE (os proveitos líquidos em
sede de ROPA são 60% das “vendas brutas”), necessitaremos de mais 16,7ME,
totalizando (80+16,7=) 96,7ME.
96,7ME de “vendas anuais brutas” para garantir que é cumprido o compromisso
assumido pelo CA da Nossa SAD, ou, em cada 2 exercícios … pois, afinal o
próprio BE sabe responder a, pelo menos, uma das perguntas (a quarta e última)
que o andam a perturbar.
Recordem que essa pergunta era: “…- O que explica a aparente
necessidade de o Benfica deixar sair jogadores, este verão, num
valor que pode chegar aos 200M€?”.
Que tal se a explicação forem as próprias contas que ele faz, ahahah?
É que o BE considera que as “vendas brutas” de janeiro fazem parte deste
verão, ahahah.
É o que podemos chamar de 2 em 1: “esquecemos” que conhecemos os
compromissos existentes, que no exercício passado só foram feitas vendas significativas
a partir de janeiro e acumulamos as necessidades, evidentes e normais, segundo
os seus próprios critérios, de dois exercícios num só “verão”.
A isto eu costumo chamar de “parafuso sem fim”, que, como sabem, é um
parafuso que “perdeu a cabeça” e se resume a uma grande rosca.
Voltando aos antecedentes da actual “tese” do BE:
. textos a afirmar e demonstrar que a situação económica e financeira do
Grupo Benfica está bem (mas esquecendo o compromisso resultante da recusa em
proceder a uma reestruturação financeira e os compromissos decorrentes);
. textos a demonstrar que a Nossa situação é bem melhor que a dos andruptos
e muito melhor que a da osgalhada; e
. textos autoproclamados como “especulativos” sobre uma espécie de suicídio
do Presidente, num processo em que ele vai “queimar” intencionalmente o Nosso
Técnico e condenar qualquer hipótese de reeleição.
Pediram-lhe provas e o BE respondeu: ai querem provas, então peguem lá …
Do conteúdo, ou da “tese” do BE neste texto mais recente.
Em síntese, a tese e as perguntas do BE resumem-se a pouco: se o Benfica
está bem em termos económicos, nomeadamente bem melhor que andruptos e osgas, e
está “obrigado” a vender 200ME num só verão … só pode estar a ser prejudicado
pelos negócios pessoais do Presidente.
Funcionando como um verdadeiro parafuso sem fim, esbardalha-se no erro
epistemológico de tentar generalizar a célebre máxima salazarista (“em
politica, o que parece … é!”): parece que me convém que a culpa é dos negócios
do Presidente, pelo que me basta provar que parece que ele “ … perdeu margem de
manobra no sistema financeiro?”
Uma vez mais, … quase perfeito, ahahah.
Será que, ao menos, conseguiu provar que “parece” alguma coisa de jeito?
Não, nem isso!
Não conseguiu provar que o Grupo PROMOVALOR esteja em dificuldades de
qualquer ordem que fosse: a única coisa que provou e já todos sabíamos, foi que
o Grupo PROMOVALOR é um grande Cliente de crédito bancário, razão pela qual o
Banco de Portugal determinou a execução de auditorias para verificar a
qualidade do risco desses empréstimos e, eventualmente, verificar que estão a
ser cumpridas as suas normas regulamentares pelos Bancos credores.
“O Grupo Promovalor em 2010 tinha
activos de 465M€,
financiados em grande parte pela Banca, e desde então já obteve mais 250M€ para
investimentos no Algarve, 120M€
para investimentos no Brasil, 30M€
para investimentos em Moçambique, sem considerar os investimentos realizados
noutras regiões do globo.”
E, um pouco mais adiante …
“O financiamento total obtido pela Promovalor é enorme, e alguns
analistas acreditam que esse valor pode superar os 1.000M€ na
soma de todos os investimentos pessoais realizados por Luís Filipe
Vieira, tendo sido o BES e o GES fundamentais para o financiamento
da Promovalor.”
Caramba! Mas como este Nosso Presidente está “num momento delicado”, ahahah
400ME de créditos obtidos no BES/GES e que “alguns analistas” acreditam
poder chegar a Mil Milhões de euro?
Um desgraçado, certamente que completamente falho de credibilidade junto da
Banca !!!!!!!
Porra, Companheiros, olhem como a inveja os consome: consome-os a ponto de
perderem a cabeça e se resumirem a roscas.
Vocês não me digam que não acham que se as Empresas do Presidente
conseguiram financiamentos de quase 1.000ME, isso quer dizer, claramente, que
ele perdeu muita credibilidade enquanto Gestor.
Não acham?
Eu também não!
O BE conseguiu provar a existência, sequer, de rumores de incumprimentos?
Não?
Não mesmo? Nem um pequeno atraso?
Não! Nada! Nicles! Zero !
E, agora pergunto eu, e se existissem problemas bancários nas Empresas do
presidente, isso implicaria que o Grupo Benfica seria prejudicado?
Obviamente que não!
Não há nenhum argumento que permita nem sequer provar que “pareceria” que
sim, que as duas realidades se pudessem confundir.
O Grupo Benfica é uma realidade Empresarial comandada a partir de uma SAD
que tem 4 Administradores cooptados, um Conselho Fiscal e uma Mesa de
Assembleia Geral, enquanto o Clube tem Corpos Sociais constituídos por Sócios
cujo Benfiquismo não pode ser colocado em causa levianamente.
A discussão desta tese absurda, infundada e desmentida pelo próprio autor,
ademais no inicio de uma nova temporada que se adivinha particularmente difícil
e importante, é um duplo absurdo.
Eu não quero continuar a contribuir para este peditório, nem responder na
base da ofensa pessoal, nem dar mais “trunfos” aos andruptos e osgas que
rejubilam com estas teses roscas.
Por isso vos digo que eu sou Filho do meu Querido Pai, não porque me pareça
com ele (por acaso pareço-me, ahahah), ou porque tenhamos feito testes de ADN,
que não fizemos.
Eu sei que sou Filho do meu Querido Pai e nem sequer o sei pelo simples
facto de mo ter dito a minha Querida Mãe.
Eu sou Filho do meu Querido Pai porque Amo a sua memória, ainda mais do que
há já mais de 20 anos, no dia em que o perdi.
Viva
o Benfica!

