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terça-feira, 27 de maio de 2014

Barbaridades.

Por José Albuquerque

Depois de ter lido um impressionante chorrilho de barbaridades que me foi enviado por mão amiga, numa selecção recolhida em alguns blogues e no “livro das caras” de talibans, sinto ser obrigação do GUACHOS (e minha) esclarecer e tranquilizar os nossos Leitores habituais.

A primeira e, talvez, a maior das barbaridades que vejo repetida “ad nauseam”, inclui um uso absurdo da expressão “encaixe” por autores que, em matéria económica … pode ser que saibam alguma coisa de logística.

Os nossos Leitores regulares já sabem muito bem que “operações (vendas) com passes de Atletas” não implicam entradas imediatas na tesouraria, tal como sabem que a Nossa SAD não tem nenhuma necessidade de receitas extraordinárias imediatas para cobrir despesas operacionais (custos correntes). Repito, sublinhando, que se a Benfica SAD tiver, pontualmente, alguma necessidade de tesouraria, cobre-a tal qual o faz outra qualquer Empresa, ou seja: recorre a um empréstimo de tesouraria (curtíssimo prazo).

O Passivo bancário da Nossa SAD está relacionado com os investimentos realizados (ou em curso) por todo o Grupo Benfica (uma vez que passam pela SAD todos esses financiamentos) e a “necessidade de realizar mais valias (proveitos) com a venda de passes de Atletas” relaciona-se, apenas e só, com a politica de investimentos da SAD e de todo o Grupo.
Se até o Companheiro Mathayus (ele que se declarava um “totó” em economia) já compreendeu o que significa ter um “cash flow” (EBITDA) positivo, sinto que só a má  fé explica que os taliban insistam em não perceber.

Uma vez mais e sublinhando, o Benfica já é o (único) Clube, em Portugal, que pode não fazer “encaixes” (seja lá o que isso for) e continuar a honrar todos os seus compromissos, embora ficasse com a sua capacidade de investimento comprometida (parcial ou totalmente) e a menos que os proveitos da BTV venham a superar as expectativas.
A isto acresce que, neste exercício que vai terminar em 30 de junho, a Nossa SAD não necessita de realizar mais nenhuma “venda” importante, por já ter garantido um resultado anual equilibrado (talvez, mesmo, um pequeno “lucro”).

Em resumo e se os Leitores quiserem confiar na minha opinião, sempre que lerem, ou ouvirem, alguém a referir a palavra “encaixe”, ficam a saber que só continuam a ler/ouvir se gostarem de bacoradas.

Depois, há um segundo grupo de barbaridades que passam pela indicação (muitas vezes alegando a existência de “fontes fidedignas”, ahahah) das “vendas” de alguns Atletas que, do ponto de vista económico, a SAD não tem nenhum interesse em vender e que, na minha humilde opinião, só saem do Plantel se “pedirem” para ser “libertados”, por terem recebido propostas salariais “das arábias”.
Estão neste caso Atletas como o Girafa, o Tacuara, o Lima, ou o Supermaxi, por se tratarem de Atletas cujo “potencial desportivo imediato” (lido como o seu “custo de substituição” por um outro Atleta de igual valia desportiva imediata) é muito superior ao eventual proveito económico de uma eventual venda, por melhor que ela fosse.

Finalmente, a maior barbaridade de todas as que acabei de ler: uma alegação segundo a qual a Nossa SAD estava “obrigada” a conseguir uma redução para metade (ou 60%) dos seus custos (com Pessoal) salariais.
Trata-se de um absurdo que ultrapassa a fronteira reunida da ignorância e da maior má fé: R I D I C U L O !!!

Quem segue os meus textos sobre as matérias económicas e financeiras do Grupo Benfica, sabe bem que esta é uma “luta prioritária” - o controle desta rubrica dos custos (os salariais), tal como sabe que tudo indica que eles vão ter de continuar a subir, não só pelo natural crescimento da qualidade e competitividade do Plantel, como pelos recentes “desenvolvimentos” legislativos (quer o novo Regulamento de Transferências, quer o tal Acórdão Dahmane) e, também, pelo natural crescimento do Nosso Grupo.
Esta realidade apenas poderia vir a ser parcialmente condicionada no longo prazo e na medida em que se verifique um significativo sucesso na “promoção” de Atletas “made in Benfica” para os dois planteis profissionais e especialmente para a Equipa principal.
Mas mesmo esse processo tem limites, a menos que se pretenda que a SAD passe a tentar manter os Nossos jovens Atletas mais promissores com salários absurdamente baixos (face ao Mercado, naturalmente), como parece ser o exemplo da osgalhada e com os “brilhantes” resultados que se anunciam (aquilo vai ser uma debandada, ahahah).

Companheiros,

Escrevo este texto antes da entrevista que o Companheiro LFV vai dar ao menos mau dos jornaleiros da rtporcos (secção “des portiva”) e também não tenho nenhuma “inside information” para partilhar com os Leitores (e, se a tivesse, nunca a publicaria), mas quero antecipar que não vamos ouvir nenhuma novidade “desastrosa”: os tempos económicos permanecem de rigor, mesmo que os resultados da BTV Nos surpreendam pela positiva, mas o caminho do Glorioso foi traçado sob essas condicionantes, pelo que não vai ser alterado.
Ou seja, tudo o que eu espero ouvir são dados sobre a “afinação” da estratégia, sobre o sucesso da BTV e sobre a ambição da Direcção e do CA da SAD para o futuro, quer a curto, quer a longo prazos.

Viva o Benfica!           

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Vamos a “Contas” … hipotéticas ?

Por José Albuquerque

Esta “janela” de janeiro, a venda do Matic, o boato sobre o AG e as discussões que aqui tivemos, levaram-me a prometer a um Companheiro escrever alguma coisa que permita aos Benfiquistas ter uma ideia mais rigorosa sobre os equilíbrios económicos e financeiros do Nosso Grupo Empresarial. É o que pretendo com este texto e da forma mais simples que conseguir, mas, já’ vou avisando, preparem-se para um texto longo. É o preço que temos de pagar para podermos calcular … “quanto temos de vender”?  

Sabem todos que eu tenho confessado a minha expectativa face aos próximos exercícios económicos, fruto da acção combinada daquilo que, cheio de Mística, anunciei poder ser um novo paradigma para as Nossas “Contas”, determinado por 3 “factores novos”: (1) o sucesso da BTV, (2) a recuperação económica nacional e (3) a concretização de resultados práticos da Nossa “Fábrica”, medida pelo número de novos Atletas profissionais dela saídos para alimentar as Equipas A e B. Estes 3 factores podem já determinar algum impacto nas “Contas” do actual exercício (2013/14), mas, sobretudo, eu espero que eles venham a ter um impacto crescente no horizonte de médio prazo (3 a 5 anos).

As Nossas “Contas” simplificadas.

Uma vez que, neste caso, não me vou prender em rigores de detalhe e para maior facilidade de compreensão do Leitor menos entrosado com estes assuntos, vou admitir que os Resultados consolidados de cada exercício se subdividem por 3 grandes grupos, a saber:

1 Os Resultados Operacionais (ou Correntes), como somatório dos Proveitos habituais e deduzidos os Custos rotineiros;
2 Os Resultados das Operações com Passes de Atletas, que incluem as famigeradas vendas para as quais muito gostaríamos de determinar uma espécie de “Valor Óptimo”, ou “Valor Necessário”; e
3 Os Resultados Financeiros, que sabemos serem o reflexo da Nossa principal debilidade empresarial.

Se conseguirmos estabelecer algumas hipóteses sólidas e aderentes sobre estes 3 grupos de resultados, teremos “absoluto controle” sobre os Resultados finais de cada exercício futuro.

Comecemos, então, pela parte mais fácil …

Os Resultados Financeiros.

Nos 3 últimos exercícios os valores consolidados destes resultados, sempre negativos, foram: (14,6ME) em 2010/11 (16,9ME) em 2011/12 e (17,5ME) em 2012/13. Uma “fatura” tremenda!

A menos que o CA da SAD e os Corpos Sociais do Clube aprovem uma qualquer das alternativas que viabilizem uma reestruturação financeira do Grupo (eu garanto-vos que há alternativas, mas eximo-me de abordá-las antes do momento certo), não há nada a fazer para estancar esta espécie de “sangria” de recursos. Ela pode ser contrariada e, acumulando resultados globais positivos, pode ser concretizada uma tendência sustentada de descida destes montantes a prazo, mas não pode ser interrompida de um dia para o outro.

Se me perguntarem quais foram as “origens” deste fenómeno, eu não tenho a menor dúvida em recordar que ele resulta de uma politica “agressiva” de investimentos desportivos e infraestruturais, implementada sem o desejável suporte de Capitais Próprios, agravado pela alta das taxas de juro (seja das básicas, seja dos “spreads” bancários) decorrente da crise financeira.
Se me perguntarem se eu apoio essa “agressividade”, ou voluntarismo, na Gestão do Grupo, eu declaro-me incondicionalmente a favor, quer pelo seu passado (que viabilizou o Nosso Parque Desportivo, tantos outros investimentos estruturantes e o reforço da competitividade desportiva em todas as modalidades), quer por preconizar o seu aprofundamento no futuro, como forma de apoiar um crescimento que desejo sustentado e continuo para o Nosso Clube, sem nunca esquecer a indispensável “pressão contra o POLVO”

Ainda que existam rumores segundo os quais estão a ser estudadas e preparadas algumas alternativas para uma eventual reestruturação financeira do Grupo, eu sugiro que admitamos como hipótese de trabalho que os próximos exercícios económicos vão confirmar este mesmo nível de Resultados Financeiros, ou seja: contemos com cerca de 18ME anuais de “factura bancária”.

Os Resultados Operacionais (ou “Correntes”).

Falamos, agora, dos saldos entre os Proveitos “correntes” (bilhética, quotização, TV, prémios UEFA, etc.) e os Custos “correntes” (salários, fornecimentos e serviços, etc.) e atentemos nos valores conseguidos nos últimos 3 anos (valores entre parêntesis quando negativos): (4,3ME) em 2012/13, 7,5ME em 2011/12 e (0,6ME) em 2010/11.

Para perceber melhor este grupo dos resultados, recordem que eles resultam da soma algébrica simples dos Proveitos (positivos) e dos Custos (negativos), pela série seguinte (tudo em milhões de euro)

                        2012/13            2011/12            2010/11
(+) Proveitos     88,3                 91,1                 82,8
(-) Custos         92,6                 83,6                 83,4                 
(=) Saldo          (4,3)                 7,5                   (0,6)

NOTA 1: apesar de serem “operações com passes de Atletas” os empréstimos temporários originam Proveitos (quando emprestamos os Nossos) e Custos (quando tomamos algum de outro clube) que entram neste grupo.

Para tentarmos ter uma ideia sobre como pode evoluir, no futuro, este grupo de resultados, vamos dar uma olhada aos principais componentes dos Proveitos e dos Custos

Proveitos                                 2012/13            2011/12            2010/11
Bilheteira + Quotas                   21,4                 24,4                 24,1
Sponsors + MKT + Outros         37,0                 35,8                 36,3
Prémios UEFA                           21,7                 22,4                 14,0
Direitos de TV                          8,2                   8,5                   8,4
TOTAL                                     88,3                 91,1                 82,8           

Custos                                     2012/13            2011/12            2010/11
Forn. e Serv. Terc.                    26,6                 23,7                 22,9
Pessoal (Salários e Prémios)       50,4                 48,1                 42,3
Amortizações                           8,9                   8,9                   9,2
Outros                                     6,7                   2,9                   9,0
TOTAL                                     92,6                 83,6                 83,4

Antes que alguns Leitores se “assustem ou enjoem com tantos números”, eu prometo que não vamos continuar a detalhar estes valores … hahaha.

Olhemos, então, para as parcelas dos Proveitos:
1 Quotas e Bilheteira, uma parcela que levou um “roubo fiscal” (com o aumento de 17% do IVA) e que vai levar outro “rombo” com a inversão da distribuição das quotas entre a SAD e o Clube (passa a 25% para a SAD e 75% para o Clube); imaginemos que conseguimos prosseguir um objectivo de 20ME;
2 Sponsors, Marketing e “Outros”, um grupo sobre o qual todos aguardamos noticias importantes há’ já algum tempo, mas que, talvez por causa da “crise”, não parece permitir muita ambição; admitindo algum optimismo (e a ajuda das receitas com empréstimos de Atletas), imaginemos um objectivo de 40ME;
3 Prémios UEFA, um grupo para o qual, nesta fase, eu insisto em que temos de ter um objectivo anual de 20ME, que, em caso de insucesso, deve implicar imediatamente um impacto directo sobre o objectivo para as “Operações com passes de Atletas” (vulgo … VENDAS); e, finalmente
4 TV, a rubrica em que todos depositamos imensas expectativas e que mais vai poder contribuir para o crescimento dos Proveitos nestes próximos anos; admitamos que, neste “primeiro ano da Nova BTV”, conseguiremos atingir os 25ME.

Notem que estes 25ME que eu sugiro como receitas de TV não comparam diretamente com os valores anteriores desta rubrica, uma vez que me estou a referir aos “proveitos brutos” da BTV (automaticamente englobados pela consolidação integral das contas), enquanto os custos gerais da BTV já’ estarão incluídos nas outras rubricas dos custos operacionais que veremos a seguir.

Em síntese (20 + 40 + 20 + 25), estou a admitir que o total dos Proveitos “correntes” do Grupo possam atingir os 105ME, valor esse que deveria evoluir nos anos consecutivos até aos 120ME, pela ação simultânea do “alivio da crise” (com um eventual alivio em sede de IVA) e do crescimento da BTV.

Olhemos, agora, para as parcelas dos Custos:
5 Os FST’s, ou “gastos gerais”, que ainda não reflectiram o pleno impacto da BTV, pelo que os vou estimar em 30ME;
6 Os Custos com o Pessoal (idem, idem, aspas, aspas), que vou estimar em 55ME:
7 As Amortizações (calma, Companheiros, que explicarei mais adiante), que vou estimar em 10ME, admitindo algum impacto decorrente do alargamento do Seixal e de mais alguns investimentos estruturais, nomeadamente na BTV; e
8 O conjunto de todas as restantes e menores rubricas dos custos, que vou estimar em 10ME.

Ou seja (30 + 55 + 10 + 10), estou a admitir que o total dos Custos “correntes” do Grupo possam seguir um valor semelhante ao dos Proveitos (105ME), determinando um saldo equilibrado para os Resultados “correntes” e, a prazo, admitindo que o CA da SAD deve apontar para saldos positivos na medida em que conseguir controlar o crescimento dos custos abaixo daquele que obtiver com o sucesso da BTV.  

Se assim o conseguirmos e querendo ter um resultado final equilibrado em junho próximo, já sabemos que temos de obter um resultado positivo capaz de anular a tal “factura bancária” (18ME) de que falávamos no inicio destes raciocínios.

E para as próximas épocas (a partir de 2014/15, inclusive), o CA da SAD terá de “navegar” entre as duas margens seguintes:
1 Ou se permite aumentar os custos correntes (nomeadamente subindo o teto salarial) a par do crescente sucesso da BTV e deixa de poder contar com estes resultados correntes para “contrabalançar a fatura bancária”;
2 Ou mantém um controle apertado sobre os custos e, então, já vai poder caminhar no sentido de poder afirmar que … “não precisamos de vender”; ou, finalmente,
3 Prossegue uma gestão simultaneamente cautelosa e agressiva, seleccionando (num caminho intermédio) as rubricas dos custos cujo crescimento pode vir a proporcionar melhores resultados desportivos.

Depois de todos estes raciocínios, eis-nos chegados ao nosso grande objectivo, ou seja: afinal, quantos Atletas temos de vender para não deixar aumentar o Nosso endividamento e a consequente “factura bancária”?    

Vamos dar uma olhadela para o que foram os valores dos “Resultados com Operações sobre Passes de Atletas” (ROPA) nos 3 exercícios mais recentes: 11,4ME em 2012/13, (2,4ME) em 2011/12 e 7,5ME em 2010/11 …

“Ora porra”, dirão alguns dos Leitores, “então andamos a vender alguns dos Nossos melhores Atletas para só ternos esses resultados (“trocos”, hahaha), ou, até , chegarmos a agravar os prejuízos?”.

Pois, Companheiros, acontece que as “Vendas” são apenas a parte principal dos Proveitos, mas também há Custos neste grupo dos ROPA. Ora vejam a evolução das duas parcelas:

ROPA                                      2012/13            2011/12            2010/11
(+) Prov. Líquidos(“Vendas”)      41,4                 28,9                 35,0
(-) Amortizações                       30,0                 31,3                 27,5
ROPA                                        11,4                 (2,4)                 7,5

“Ai que essas cabras das amortizações só podem ser andruptas” … hahaha!

Uma vez mais, chegou o momento de voltar a explicar que “coisa” é esta …

Amortizações.  

Quando o Grupo adquire um qualquer W (o Vermelhão, por exemplo), um K (direitos de TV da Premier League), um X (uma piscina), um Y (uma impressora) ou um Z (o “passe” de um Atleta) e independentemente desses “preços” (W, K, X, Y ou Z) ou da forma como são pagos, não seria correto considerar todo o “preço” como custo do exercício em que a aquisição se concretiza:
1 O Vermelhão pode estar operacional por, pelo menos, 6 anos, ou seja, é mais correto distribuir o seu custo (W) em 6 “prestações” anuais iguais a 1/6 de W;
2 A Premier League foi adquirida por 3 anos, ou seja, é mais correto distribuir o seu custo (K) em 3 “prestações” anuais iguais a 1/3 de K;
3 A piscina foi construída para durar 20 anos, ou seja, é mais correto distribuir o seu custo (X) em 20 “prestações” anuais iguais a 1/20 de X;
4 A impressora pode servir durante 3 anos, ou seja, é mais correto distribuir o seu custo (Y) em 3 “prestações” anuais iguais a 1/3 de Y; e
5 O Atleta assinou por 5 anos, ou seja, é mais correto distribuir o seu custo (Z) em 5 “prestações” anuais iguais a 1/5 de Z.

Em síntese, as amortizações contabilísticas são uma técnica que visa imputar (fazendo corresponder) os custos aos exercícios em que o “bem” vai ser usado na actividade da Empresa.
Assim e isto é muito importante, as amortizações, sendo um custo, não correspondem a uma despesa!  

Regressando aos Atletas dos quais estávamos a falar, o “custo” anual de cada um é a soma entre o seu salário e a amortização do seu passe, embora a SAD só lhe pague a primeira parcela.
Regressando aos ROPA de que falávamos, admitamos que os custos anuais em amortizações do “preço” do Plantel se vão estabilizar naqueles 30ME, mesmo que a SAD mantenha o atual nível de investimentos em aquisições (talvez mais “caras” individualmente, mas em menor número, porque “compensadas” por alguns jovens produtos da “Fábrica”).
Se assim for e se quisermos obter um Resultado do Exercício (total e final) equilibrado, então temos de garantir que aqueles “proveitos líquidos” que designei por “Vendas”, tenham de compensar esses 30ME das amortizações mais os 18ME da chamada “factura bancária”, ou seja … 48ME!

Quer isto dizer que, sob todas estas hipóteses, se conseguirmos somar ao negócio Matic já concretizado, um (ou mais) outro (outros, em conjunto) que contribuam com outro tanto em “proveito liquido” (mais valia) … sim, estaremos dentro desse objectivo.

Mas muita atenção!
Pensem que uma coisa seria vender o Garay por 20ME (do qual temos 40% do passe), outra seria vender o AG (80%) por 15ME e outra, ainda, seria vender o Rodrigo (76%) por 35ME, só para dar 3 exemplos diferentes.
Em cada caso individual e além de termos de “descontar” a quota parte que Nos não pertence, de “descontar” outros eventuais custos das transacções (comissões, Fundo de Solidariedade, etc.), temos, sobretudo, de subtrair o valor (liquido das amortizações já efectuadas) de Balanço do respectivo passe.

Para melhor se perceber esta última variável, imaginem que o valor do passe do Matic deveria ser muito baixo (o valor remanescente de eventuais prémios de assinatura e renovação), enquanto os 50% do passe do Lazar Markovic que temos devem estar no Balanço por quase 10ME.
Essa uma razão adicional para avaliar como excelente uma eventual venda do AG por 15ME, uma vez que o seu passe deve ter um valor de Balanço próximo de zero.

Conclusão.

Finalmente, o Nosso Companheiro “218.219” tem a resposta que buscava:

1 Esta época, caso consigamos ter Resultados “correntes” equilibrados (com o impacto da BTV) e considerando a venda do Matic, devemos estar a cerca de 20ME em “mais valias” com outra venda (até junho), para garantirmos um Resultado do Exercício igualmente equilibrado (ou ligeiramente positivo)

2 Nas próximas épocas, a diferença (positiva) entre o crescimento dos Proveitos (BTV, melhoria de poder de compra e eventual alivio fiscal) e o desejável menor crescimento dos Custos “correntes”, vai reduzir a necessidade de obter mais valias com “Vendas” de Atletas.

Para finalizar, chamo a vossa atenção para a série dos valores dos Resultados Líquidos (totais) dos 3 últimos anos: (10,4ME) em 2012/13, (11,8ME) em 2011/12 e (7,7ME) em 2010/11.

São estes valores negativos que provocam um aumento do Passivo superior ao do Activo (contabilisticamente, recordem-se) e impedem que seja reduzido o Nosso endividamento (a tal “factura bancária”), a menos que o Grupo deixasse de investir.

“Investir?”, perguntarão alguns. “Mas como é que podemos investir se acumulamos prejuízos anuais?”, perguntarão outros. “Mas esses prejuízos não provam que a SAD tem dificuldades de tesouraria?”, perguntarão ainda outros.

Apesar deste texto já’ ir muito longo, tenho de aproveitar a oportunidade para desfazer estas vossas duvidas e, de caminho, desmascarar aqueles “do contra” que, com conhecimentos de Gestão, se servem destas vossas interrogações perfeitamente naturais para glosarem o que jocosamente designam por “Milagre Financeiro”.
Repetidamente, em quase tudo o que escrevo, tento demonstrar a perfídia e a má fé desses Companheiros e reafirmo que a SAD não tem nenhuma dificuldade de tesouraria.

“Mas como, se as Nossas despesas são maiores que as receitas?”.

Hei! Alto lá! Ninguém, aqui, esteve a falar de “receitas” e “despesas”!

Os resultados que estivemos a analisar são a diferença entre Proveitos e Custos e eu já expliquei que há um tipo de Custos – as amortizações, que não correspondem a “despesas”.

Pouca coisa?
Cerca de 40ME (reparem que há duas parcelas de amortizações)!
Ou seja, mesmo com 10ME de prejuízo final, as “receitas de exploração” podem ter excedido as “despesas de exploração” em cerca de 30ME!

Perceberam?
Perceberam o que é que leva os Bancos a “adorarem” a Nossa SAD?
Os Bancos olham para as Nossas Contas e, mesmo depois de lhes pagarmos um balúrdio em juros anuais (16/17ME), eles sabem que Nos sobra “liquidez” para amortizar empréstimos e/ou investir ainda mais!

Aquilo a que, simplificadamente, eu tenho chamado “cash flow” e que, mais rigorosamente, os “R&C” designam por EBITDA (“Earnings before Investment, Taxes, Depreciations and Amortizations”), avalia a capacidade do Nosso negócio de gerar e libertar riqueza, de acrescentar valor e representa o que se pode chamar um “milagre económico”.

Um “milagre económico” que se chama Benfica e que somos Nós! Nem mais nem menos!

Por isso me vão desculpar por não ser capaz de terminar este texto sem “gritar”, bem alto, mais umas quantas coisas …

Aos “Vieiristas” (não sei quem são), aos “do contra” e, sobretudo, aos que Amam este Nosso Clube, tenham, ou não, idade para ter chorado o quase desaparecimento a que quase Nos condenaram, eu quero “gritar” bem alto …

Que foi por isto, para isto e para o que vamos conseguir no futuro que foi indispensável recuperarmos a credibilidade que tínhamos perdido!
Que foi necessário suportar o “mamão chupista”, enquanto não construímos a alternativa!
Que foi necessário “cortar a âncora” da falta de Capitais Próprios e arriscar a reconstrução do Nosso Parque Desportivo, com o qual reconquistamos a autoestima e a capacidade de competir!
Que foi correto pressionar o POLVO (enriquecido por anos de domínio absoluto), assumindo os investimentos desportivos!

Tudo isto foi “facílimo” e, hoje, parece evidente, mas os francófonos usam uma expressão idiomática que se lhe aplica na perfeição: “il faut le faire”!

Degrau a degrau, com a ambição e a determinação de sempre, continuaremos a construir o Futuro Glorioso do Glorioso!

Connosco, quem quiser. Contra Nós, quem puder!
Por Benfiquismo e com patriotismo, erradicaremos o POLVO imundo do nosso Desporto!

Viva o Benfica!