Na véspera de iniciar o campeonato do Mundo o Real Madrid foi roubar Lopetegui à selecção espanhola, que caiu nos oitavos de final já com Fernando Hierro, mas como se viu recentemente na Liga das Nações, onde foi afastada da final four, Luis Enrique também não trouxe nada de novo ao futebol dos espanhóis. Lopetegui durou 10 jornadas até que a pressão dos resultados obrigou Florentino Pérez a despedir o treinador. Diziam os especialistas que qualquer um servia desde que não fosse o antigo mentor da torre do Olival que tanto encantou a imprensa desportiva portuguesa. Os três secos aplicados pelo Eibar, na ultima jornada, comprovam o acerto da medida.
Arsène Wenger saiu (finalmente) do Arsenal de Londres. Foi uma festa em Portugal na imprensa da especialidade. Os especialistas portugueses exultaram (vá lá saber-se porquê) com o novo ciclo vitorioso que aí vinha. Perceber que há pelo menos quatro ou cinco equipas mais bem apetrechadas para conquistar o titulo inglês que se lixe. Na época passada o Arsenal terminou a época em sexto lugar. Esta, com apenas 13 jornadas disputadas, segue num honroso quinto lugar a oito pontos do líder Manchester City. E já se começa a perceber a medida acertada.
Leonardo Jardim foi despedido do Mónaco apesar do bom trabalho que desenvolveu durante os últimos anos. Entrou Thierry Henry sem qualquer experiência de treinador. Decisão acertada. Vai no bom caminho se o objectivo for deixar o clube do principado no ultimo posto da tabela. Já só falta descer um lugar.
Depois de Guardiola, que aborrecia os especialistas portugueses com a posse de bola - e aqui cabe dizer que mais uma vez a imprensa portuguesa truncou parte de uma entrevista de Hans Peter Briegel onde transformaram palavras elogiosas do antigo jogador em criticas cerradas ao treinador espanhol - chegou Carlo Ancelotti que, com o seu futebol aborrecido, também não conseguiu mais do que dois campeonatos de enfiada. Dizia-se em Portugal que com aqueles jogadores do Bayern até os especialistas do teclado ganhavam o titulo alemão. Foram-se embora Guardiola e Ancelotti, levaram o futebol aborrecido com eles e também os primeiros lugares do campeonato...
Todos se lembram de Claudio Ranieiri e do Leicester, inusitado campeão Inglês em 2016! Considerado o melhor treinador da Premier League, o italiano seria despedido antes da época seguinte acabar! Apesar das contratações dos galácticos do alvalixo, como Andrien Silva e Slimani, o Leicester continua a lutar por um lugar a meio da tabela de onde só saiu por um milagre dos que acontecem um a cada milénio! E a mim ninguém me tira da ideia que os (i)responsáveis do Leicester deram um saltinho a Portugal para beber da sapiência dos especialistas dos lenços brancos...
O Manchester United viu-se livre, como o Arsenal, do seu treinador residente em 2013. Tida pelos nossos especialistas como uma equipa que também não precisava de treinador para ganhar, na época seguinte, já com David Moyes, acabou em sétimo lugar no campeonato. Louis van Gaal, que para os especialistas portugueses nunca passou de um "professor de ginástica" apesar de ter conquistado diversos campeonatos (e muitos outros títulos) em países com a Alemanha, Holanda, Espanha e Inglaterra (ainda tem no currículo uma taça UEFA e uma liga dos campeões) foi o senhor que lhe seguiu. Com uma Taça de Inglaterra no bornal, em duas épocas, saiu de Manchester sem glória para dar lugar a José Mourinho. Agora é que era. Pois, mas não era, não foi e continua a não ser. Duas épocas consecutivas sem cheirar o campeonato e, pela amostra, em sétimo lugar a 14 pontos do líder à 13ª jornada, também não me parece que vá melhorar.
Se olharmos para o vizinho da segunda circular e para os muitos anos que leva de seca desde que Laszlo Boloni e os 17 penaltis de Jardel ganharam o campeonato para os sapos em 2002 e olharmos para Fernando Santos, José Peseiro, Paulo Bento (quatro anos), Leonel Pontes, Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio, José Couceiro, Domingos Paciência, Sá Pinto, Oceano, Frank Vercauteren, Jesualdo Ferreira, Leonardo Jardim, Marco Silva, Jorge Lagarto (três anos), outra vez José Peseiro,Tiago Fernandes e Marcel Keizer, verificamos que os melhores anos dos sapos - onde mais luta deram na disputa pelo campeonato - foi precisamente nos quatro anos do 'risco ao meio' e nos três do mestre das areias do deserto. Ninguém mais aqueceu o lugar sequer por dois anos! E se olharmos para os anos anteriores a Laszlo Boloni e aos penaltis de Jardel a coisa torna-se ainda mais penosa!
Não tenho registos de memória que em Portugal tenha saído um campeão nacional após uma mudança de treinador logo nas primeiras jornadas. Há esse milagre do augusto suinácio, nos sapos em 1999/2000, mas no Benfica, onde até Jupp Heynckes acabou escorraçado pelos especialistas do assobio, substituído por Mourinho primeiro e Toni depois, que também não satisfizeram os insatisfeitos de sempre. Um sexto lugar na tabela atrás do União de Leiria foi a consequência e o duro castigo das pressas. Seguiram-se Jesualdo e Camacho, com os resultados que se conhecem, até Fernando Santos despedido por Luís Filipe Vieira logo na segunda jornada da Liga. E porquê? Porque o Benfica apenas tinha vencido (2-1) na Luz à tangente o FC Copenhaga, com dois golos de Rui Costa, e no arranque da Liga portuguesa tinha empatado a uma bola com o Leixões, no estádio do Bessa. Seguiram-se Camacho e Fernando Chalana com o Benfica a acabar em quarto lugar, atrás do Guimarães, ainda levamos com o Quique Flores na época seguinte até à estabilidade que o Presidente Viera entendeu dar a Jesus, enfrentando todos os especialistas que o queriam escorraçar à força ao fim da segunda época.
Acabo relembrando que não foi apenas Jupp Heynckes - já tinha ganho a supertaça de Espanha e e liga dos campeões pelo Real Madrid e ainda foi a tempo de vencer duas vezes o campeonato alemão, a super-taça alemã e mais uma liga dos campeões - a ser enxovalhado pelo gangue do assobio e pelos especialistas do lenço branco. Giovanni Trapattoni também foi escorraçado por não ter fio-de-jogo, só apresentar pontapé para a frente e futebol aos trambolhões. E Ronald Koeman, actual seleccionador holandês, também passou pelo Benfica como chacota dos especialistas da bola. Eu já fico satisfeito se alguém conseguir ler metade deste testamento com atenção.