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quarta-feira, 21 de maio de 2014

O senhor dos (m)Anéis.

Por José Albuquerque

Nunca fui pessoa de individualizar os resultados que são (quase sempre) colectivos, sejam esses resultados melhores ou menos bons, mas creio que todos compreenderão que, neste caso da Nossa Equipa, eu sinta a oportunidade para escrever, especificamente, sobre o Nosso Técnico: um Homem ao qual se aplica, na perfeição, o titulo deste texto.

Parece-me perfeitamente normal que, num qualquer clube de futebol, seja a figura do Presidente aquela que concentra a maior qualidade e quantidade de criticas e polémicas. No Nosso caso e apesar dos Estatutos não configurarem nenhuma espécie de “presidencialismo”, também me parece normal que, sendo o Nosso “core business” o Futebol e sendo este gerido pela SAD, ela sim completamente “presidencialista”, acabe por ser na figura do Presidente que todos concentremos as Nossas criticas, elogios e sugestões: é assim que tem sido e vai continuar a ser, ainda que eu deseje que já tenhamos ultrapassado os inconcebíveis exageros da minoritária minoria anti Vieirista, que ultrapassaram todas as mais elementares regras que deveriam reger os relacionamentos entre seres humanos.

Uma vez que o Presidente tem feito saber, insistentemente, que Jorge Jesus é o “seu” Técnico, não me parece descabido que uma parte das criticas, opiniões e sugestões dos Benfiquistas se tenha como que desviado de LFV para o Nosso Técnico. Desprezível mas logicamente, boa parte daqueles que vivem as suas vidas miseráveis com o principal objectivo de atacar o Glorioso e/ou de substituir o Presidente … trataram e continuarão a tratar de alvejar o JJ, seja como for e custe o que (e a quem) custar, até ao dia em que ele saia do Benfica.

E continua a ser miserável o vergonhoso espectáculo a que temos vindo a assistir nesta cruzada anti Jesus!
Uma tremenda tempestade em que o intervalo nos cúmulo-nimbo, em vez de ter raios de sol, acaba preenchido pelos que, agora, lhe preveem uma saída “em grande e para um clube ainda melhor”, num pináculo de hipocrisia que revela uma pressão atmosférica ainda mais baixa.

Por tudo isto e neste cenário exageradamente escabroso, vocês vão compreender e desculpar-me por eu considerar que é absolutamente necessário escrever algumas coisas individualizadamente sobre o Nosso Técnico
Tanto mais que me sinto particularmente bem colocado para o fazer, quer pelo meu facciosismo Benfiquista (sim, se ainda não sabiam ficam a saber que eu sou completamente apaixonado e obcecado pelo Clube), quer por ter desconfiado da entrada de Jorge Jesus no Glorioso, quer por, desde essa véspera, sempre o ter defendido e tentado demonstrar que ele é o técnico “perfeito” para o Benfica a longo prazo e, no mínimo, enquanto mantiver intactas as suas enormes qualidades.

E olhem que não é nada fácil escrever sobre um refinado fora de série, que é isso mesmo que o Jorge Jesus é!

Apesar de alguns cumentadeiros e especialistas da mérdia, de bancada ou do teclado, uma espécie já quase em extinção, ainda terem tentado colocar em causa a sua eximia competência técnica, hoje por hoje já nem o mais anti (Benfiquista, Vieirista e) Jesus se atreve a repetir esse tipo de graçolas e, apesar de todas as correntes adversas sobre as quais assenta a relativa escassez de “títulos”, é já quase uma unanimidade que estamos a falar de um dos melhores técnicos deste milénio.
Pouca coisa?
De modo nenhum, porque o Nosso Técnico conquistou este reconhecimento nas mais difíceis condições possíveis: contra ventos e marés, entre abismos pelos lados e todo o tipo de obstáculos (até internos) pela frente, numa epopeia que só foi possível a um ser humano porque lhe foi permitido vacilar (pelo Presidente), cerrar punhos e dentes e prosseguir com cada dia mais determinação.

Os factos são indesmentíveis e, em apenas cinco anos, Jorge Jesus arrancou a Equipa de uma discreta mediania (discreta, mas muito atacada pela BOIADA a nível interno) e liderou-a até um soberbo quinto lugar no ranking da UEFA, ultrapassando equipas formadas por futebolistas astronomicamente pagos e seleccionados e lideradas por treinadores famosos, todos muito mais bem pagos (especialmente em termos líquidos de impostos) do que ele próprio. Nesta altura só verdadeiros jumentos ainda se permitem subestimar a Nossa Equipa e, quando aparecem … phodem-se!

Tecnicamente dos mais competentes do mundo e, também por isso, bastante “mal pago” pelo Benfica, o Jorge Jesus ainda revelou um largo conjunto de outras qualidades que o tornam quase único.

Não, não me vou referir ao mérito revelado a transformar jovens Atletas com potencial em alguns dos melhores futebolistas desta geração, nem ao mérito de os substituir por outros “num piscar de olhos” e nem sequer ao brilhantismo com que, numa Equipa assolada por lesões traumáticas, inventa “manéis” em série … não, essas fabulosas qualidades são parte da excelência técnica do Jorge Jesus.

O que eu quero sublinhar é ainda mais importante que esses raríssimos méritos e vai fazer-me esgotar o vocabulário de adjectivos … porque o Jorge Jesus é um Líder excepcional e, sobretudo, senhor de uma capacidade de resistência absolutamente invulgar.

Vou confessar-vos que, há cerca de um ano e apesar de acreditar que o Técnico tinha a competência mais que necessária e suficiente para fazer ainda mais e melhor, eu compreendi alguns Companheiros que se assustavam perante a imensa “montanha” que a Equipa ia ter de escalar para ter o sucesso que lhe pedíamos: pensando com a maior objectividade e rigor, todos temos de reconhecer que se tratou de uma tarefa quase hercúlea.
Mas, felizmente, alguns de Nós (Obrigado Luís Filipe Vieira) sentimos que ele era perfeitamente capaz de conseguir esse “impossível” e, principalmente, ele próprio, o Nosso Técnico, sabia que seria capaz, que teria as condições para o conseguir e … teve a Coragem de enfrentar esse desafio.

999 em cada mil seres humanos não teriam tido a Coragem necessária nem para tentar e, dos que a tivessem, 999 em cada mil teriam soçobrado face a uma qualquer, mesmo pequena, dificuldade adicional.

O que Jorge Jesus fez, é o supra sumo do Desportivismo: sofrer (“hurt the pain”, diz-se em Inglês), resistir, autocriticar, melhorar e persistir com determinação e convicção crescentes. Parece simples, mas só os verdadeiros Vencedores o conseguem.

Jorge Jesus já se libertou da “lei da morte”!
Ele vai ficar na história não só como o melhor dos Nossos Técnicos, nem só como um dos melhores treinadores de futebol de sempre: Jorge Jesus vai lá ficar como um exemplo de Coragem e Desportivismo.

Jorge Jesus não será “Nosso Senhor”, mas já é o Nosso Senhor dos (m)Anéis.

Viva o Benfica!