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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Roberto Jimenéz

Por José Albuquerque

Tenho consciência de ter escrito, há uns dias e aqui no GUACHOS, um comentário muito contundente a propósito do processo que envolveu a saída deste Nosso antigo atleta do Plantel, mas sinto que só fiz o que me exige, sempre, o meu Benfiquismo.
Quem me conhece, quem tem lido o que escrevo sobre a Gestão e as “Contas” do Clube e de todo o Nosso Grupo, quem está habituado ao modo como entendo defender o Glorioso, não pode ter-se surpreendido pela forma como eu reagi ao surpreendente caminho dado ao dossier Roberto.

Há cerca de uma semana, profundamente incomodado com o conteúdo dos comunicados remetidos pala Nossa SAD para a CMVM, afirmei-me determinado a informar-me sobre todos os detalhes pertinentes deste “negócio” e, caso não conseguisse esclarecer-me definitivamente num horizonte de 10 dias, comprometi-me em reclamar formalmente junto do Presidente da AG do Benfica (o meu Bom Amigo Luís Nazaré), publicando, aqui no GUACHOS e de forma aberta, o conteúdo dessa eventual reclamação.  
Naquele momento, plenamente consciente de que o meu esclarecimento poderia vir a litigar com o interesse em manter no âmbito privado algumas facetas do assunto, já admitia a possibilidade de me (e Nos) ver esclarecido(s) e tranquilizado(s) por interpostas pessoas, nomeadamente através de um dos Presidentes das AG’s de Sócios e de Accionistas. Fosse como fosse, havia aspectos que não prescindia e não prescindi, de ver clarificados.
Como podem imaginar, foi com imensa alegria que recebi todas as informações e garantias sem as quais nem me permitia discutir as ocorrências, por não saber como as qualificar e/ou justificar. Assim sendo, eis o que se me oferece partilhar sobre este tema, incluindo as conclusões a que cheguei.

As três fases de um grosso problema.
Não me parece inoportuno recordar o processo infame de quase ‘homicídio’ perpetrado pela mérdia nacional contra o Roberto, com a conivência desavergonhada de boa parte dos próprios Benfiquistas, processo agravado por alguns maus desempenhos do atleta e que, no seu conjunto, conduziram a SAD a uma decisão de o afastar do Plantel.

A primeira fase.
Reconhecendo a forte desvalorização do Roberto e a decorrente ‘inoportunidade’ da sua venda, a SAD recebeu de braços abertos uma proposta (formal, escrita e comprovável) de compra para uma época depois daquela em que se estava, ou seja, uma espécie de “promessa de compra” do passe do Roberto
Na minha humilde opinião, a SAD (o Presidente) cometeu um erro ao aceitar formalizar esse ‘projecto de venda’ sob outra forma que não fosse um empréstimo dos direitos desportivos do atleta e, caso tivessem de vingar as preferências do “promitente comprador”, a SAD (o Presidente) deveria ter tratado de dar ao negócio o mesmíssimo tratamento que lhe merecem todos os outros, nomeadamente pela exigência das normais garantias de pagamento, tanto mais que, confirmando-se a boa fé de todas as partes, essas garantias poderiam, perfeitamente, não ser accionadas directamente em caso de eventual posterior alteração do negócio acordado.

A segunda fase.
Confrontada com a vontade de alterar, profundamente, o acordo estabelecido há cerca de 2 anos, a SAD preferiu não chegar a novo acordo e, muito naturalmente, exigiu a devolução dos direitos económicos e desportivos (o “passe”) sobre o Roberto.
Com a humildade de sempre, considero um erro (do Presidente e do CFO) da SAD o facto de não ter informado a CMVM da anulação do negócio na sua forma inicial e nem me interessa saber como é que o regulador do mercado de capitais vai avaliar esse pormenor (ou ‘por maior’): estando em causa um atleta que a SAD voltava a deter no seu Plantel, em pouco tempo os factos teriam de ser revelados e nada melhor do que revelá-los de “motu” próprio.

A terceira fase.
Recolocado o Roberto “no mercado” e como é absolutamente normal, a SAD começou por avaliar as ‘ofertas’ que lhe haviam sido feitas por ele, bem como o perfil de outros atletas que sabia estarem em situação idêntica; desse processo resultou uma negociação com o Atlético de Madrid envolvendo o “Pizzi”.
Muito correctamente e apesar do negócio desenhado (100% do passe de Roberto, por 50% do de Pizzi) não envolver pagamentos, a SAD (o Presidente e o CFO) fizeram questão de baixar o valor atribuído pelos “colchoneros” aos passes objecto de transacção  por entenderem (e bem) que o valor proposto era exagerado, por excesso.
Finalmente e não existindo ‘vaga’ imediata na Equipa A para a nova aquisição, a SAD negociou o seu empréstimo ao Espanhol de Barcelona (com quem estava a negociar o mesmo tipo de acordo para o Sidnei).

Conclusão.

Estou absolutamente convicto que a SAD defendeu, em todo o processo, os seus interesses económicos, tal como nunca tentou qualquer manipulação das suas “Contas”, mesmo que a ocasião parecesse particularmente tentadora.
Também estou convencido que, face a uma dramática desvalorização de um seu activo (o Roberto), a SAD acabou por realizar um negócio bastante razoável, ao adquirir um interessante internacional português, bastante promissor e com um contrato de duração suficientemente longa (6 épocas) para permitir uma boa utilização desportiva.

Em contrapartida, espero que a SAD (o Presidente, sobretudo) tenha aprendido com esta má experiência, a ponto de não mais a repetir, pelo prejuízo de imagem que dele resultou e mesmo que a SAD tenha, ao longo de todo o processo, tido oportunidade de reafirmar a sua credibilidade absoluta junto de todas as contrapartes.
Ainda mais que os erros, os prejuízos não se devem nem adiar, nem minimizar, muito menos … disfarçar!
Ao longo de uma carreira de quase 30 em funções de Gestão, eu aprendi que os erros se assumem, com humildade e coragem, tal como me habituei a ‘antecipar’ os prejuízos (as imparidades) e a ‘arredondá-los para cima’, até por optimização fiscal.

Também espero que todas as entidades a quem compete escrutinar as acções do CA da Nossa SAD não hesitem em proceder a toda a avaliação que entenderem pertinente sobre este (e qualquer outro) assunto, tal como estou seguro de que o Grupo Benfica continua a garantir-lhes todo o apoio e transparência sempre que essas entidades a solicitam.

Como sempre, nas minhas qualidades de Sócio, accionista (pequeno) e (ainda menor) investidor, continuarei a avaliar a forma como o Presidente consegue defender os interesses do Benfica, mantendo-me, humilde e continuadamente, disponível para contribuir o melhor que posso e sei e, finalmente, concretizando os resultados daquela avaliação nos meus votos (como Sócio e accionista  e nos meus comportamentos (como investidor).

Viva o Benfica!