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terça-feira, 30 de julho de 2013

Agosto, mês de “vendas”?

Por José Albuquerque

Chegado o final de julho sem “más noticias” de saídas de alguns dos melhores Atletas do Plantel (desculpem-me por não estar destroçado com a saída do Rosa), prevejo que as próximas semanas venham a ser marcadas por uma generalizada apoplexia entre aqueles Nossos Companheiros que se não cansam de protestar com o “exageradíssimo” número de futebolistas sob contrato, mas que, chegada a hora da “eliminação dos excedentários” acham sempre que … “esse Atleta ainda podia ser útil”.  
E isto, já para não falar das ‘carradas’ de Companheiros que, com boas ou más intenções, estão verdadeiramente convencidos de que a SAD “necessita de fazer encaixes financeiros”, só variando nos números em que definem essa “necessidade”, entre os 50 milhões de euro e o “vendam mazé o Djaló, o Martins, o Roderick, o Jara e o …”.

Vocês não imaginam a minha frustração, depois de tantos anos a tentar explicar as Nossas “Contas”, ao aperceber-me que são raros os que dão crédito ao que continuo a escrever. Mas, Benfiquista não sabe desistir e aqui me têm, mais uma vez, para me repetir, a ver se é hoje que encontro a ‘fórmula mágica’ com a qual vou conseguir convencer nem que seja apenas mais um dos que ainda leem o que eu escrevo.

Ora vamos lá a isto … do ponto de vista económico e financeiro

O Benfica NÃO necessita de fazer “encaixes” nenhuns !

O que o Grupo Benfica necessita é de continuar a controlar os seus custos operacionais, como vem fazendo e bem, de recuperar (pelo menos) uma parte do escandaloso aumento do IVA (+ 17%) e de registar que os Sócios e Adeptos recuperem a sua capacidade aquisitiva (entre estas duas ‘variáveis’, perdemos cerca de 10ME neste exercício). O que o Benfica necessita é que a Equipa principal de futebol confirme sistemáticos bons desempenhos na Champions e, acima de tudo, que a Benfica TV seja um sucesso esmagador. Disso sim, o Grupo Benfica necessita absolutamente.

Mas, então, a SAD não carece de “dinheiro fresco”?
Se os que isto afirmam se dessem ao trabalho de verificar quais são os prazos médios em que a SAD receberia, efetivamente, o dinheiro das grandes “vendas” (se o não antecipasse através de operações de “factoring”), escusavam de cair no logro.

Meus Senhores, o CA da SAD foi autorizado pelos accionistas a emitir ate 80ME de obrigações e ainda só fez uma emissão de 45ME (para a qual teve uma procura mais que tripla da oferta, embora pague menos cerca de 1% de juros do que, por exemplo, paga a sad andrupta nas suas emissões), isto quando teve de pagar 40ME das anteriores obrigações.
Meus Senhores, a Benfica SAD vem pagando, anualmente, cerca de 20ME em juros a todas as entidades que a financiaram: quem dera aos Bancos que a SAD nunca deixe de necessitar de financiamentos, sob pena de ‘perderem um excelente Cliente’.
A Nossa SAD, em qualquer momento em que necessitasse de recursos financeiros adicionais, só teria de escolher entre várias alternativas de financiamento, sem nenhuma necessidade de vender Activos.   

Mas, então, a SAD não tem, obrigatoriamente, de vender o Matic e/ou o Sálvio?
Não! Não tem!

Na minha humilde opinião, a SAD deveria vender, esses e/ou quaisquer outros Atletas pelos quais recebesse ‘ofertas irrecusáveis’ (como foram as recebidas pelo Di, pelo Fábio, pelo Luiz e pelo Witsel), mesmo suportando riscos desportivos, ou mesmo que elas surjam em janeiro, mas esse é um assunto que discutirei no próximo texto (com o ‘imponente’ titulo – Valorizar Atletas, parte do modelo de crescimento). Por hoje, já ficarei satisfeito se os Companheiros que lerem este texto deixarem de falar e escrever sobre os Atletas que a SAD “tem de vender”, para garantir os “encaixes financeiros” de que necessita para “equilibrar a tesouraria”, uma séria série de disparates.

Antes de terminar, quero comentar uma citação que me enviaram alusiva ao equilíbrio entre o Activo e o Passivo Consolidados do Grupo Benfica. Sem absoluto rigor nas palavras, a bacorada reza assim: “O Benfica está falido … e não me falem em equilíbrio entre Activo e Passivo, porque o Benfica vai ter de pagar todo o Passivo e não pode vender o Activo” (paspalho dixit).  

E quero comentar para repetir que uma tal ‘paspalhice’ já seria grave na boca de um qualquer ignorante, mas, na boca (ou na escrita) de um ‘paspalho’ que se apresenta como “Gestor” e “ex-bancário”, comprova a má fé e a falta de vergonha na cara do seu autor, um aldrabão, demagogo e incompetente famigerado.

Muito resumidamente (que o ‘paspalho’ não merece o meu tempo), eis o que se me oferece sobre aquela bacorada:
1 Boa parte do Nosso Passivo não é “exigível” (não tem de “ser pago”) e menos de metade vence juros;
2 Mantendo o seu actual modelo de crescimento, o Grupo Benfica vai pagar todo o seu Passivo exigível sem nunca ter de vender nenhum dos seus Activos fixos;
3 O Grupo Benfica não está falido, muito longe disso;
4 Não existe nenhuma Empresa no mundo, que financie todo o seu Activo com Capitais Próprios e, se o ‘paspalho’ vier a fazer a primeira, só estará a demonstrar a sua absoluta incompetência como “Gestor”. 

Para cada Empresa (de acordo com o seu negócio e os mercados em que actua) existe um nível (uma “fourchette”) óptimo de Capitais Próprios (e/ou de “Endividamento”): na minha humilde opinião, o Grupo Benfica necessita de reforçar os seus Capitais Próprios (e diminuir o peso do seu endividamento bancário), mas essa realidade, mesmo exigindo um particular rigor na sua Gestão, não coloca em causa, de maneira nenhuma, a sua viabilidade e/ou sustentabilidade de longo prazo.

Viva o Benfica!