Por José Albuquerque
Vários Companheiros (como é o exemplo do Enormérrimo
Carlos Alberto, do BENFILIADO) caracterizam o actual momento do Glorioso com este
titulo – “Guerra civil”, mas eu não estou de acordo: para haver uma tal
situação teria de existir um confronto declarado entre duas facões
alternativas, ora nem existe confronto, nem existe alternativa.
Aquilo a que assistimos, melhor caberia na definição
de “terrorismo”, ou mesmo de “banditismo”, uma vez que constatamos a
confirmação de uma superactividade pontual de uma parte dos Benfiquistas, uma
minoria dentro da minoria, sem programa nem objectivos válidos e/ou
consequentes. Numa pré época, fomentar ou aplaudir acções como as que se
revelaram na Catedral durante a “Eusébio Cup” e que não passaram de uma ridícula
pseudo tentativa de subversão a uma ordem democrática e Estatutária, sem a
menor preocupação pelos danos eventualmente emergentes para o Nosso Clube, não
configura os requisitos para mais do que “banditismo” ou “terrorismo”.
Já todos sabíamos que existe uma minoria entre Nós,
constituída por garotelhos assumidamente marginais que entendem o Clube como uma
entidade que tem de estar ao seu serviço (“o Benfica é nosso e há de ser”),
para justificar algumas farras excursionistas ao longo do ano, durante as quais
possam praticar a sua cobardia em “matilha” e cujas vitórias possam transformar
em arma de agressão face aos adeptos de outros clubes, suprindo-lhes a mais
justificada ausência de autoestima.
Esses, que os há em todos os clubes e constituem um
problema simultâneo de saúde e ordem públicas, contribuem com a marginalidade
da sua tendência para o banditismo, facilmente manipulados pelos verdadeiros
terroristas que, incompetentes até para se organizarem como alternativa, se
masturbam intelectualmente com a excitação do ruído obtido quando se esfregam
em grupo. Confundir estes acontecimentos como se de “episódios da luta de
classes” se tratassem, seria tão inconcebível como confundir essa minoria com
um “proletariado”, quando eles nem categoria demonstram para ser “lúmpen
proletariado”. Chamar a este absurdo fenómeno “guerra civil” (nem sequer
manifestação de “oposição”), quando caído directamente no mais roto dos sacos,
seria um abuso de abstracção, também ele absolutamente infértil.
Neste momento como em quase todos os outros, o que
os Benfiquistas deveriam fazer era apoiar o seu Clube e, inteligentemente,
discuti-lo e criticá-lo, como forma de o viverem mais intensamente. Eu bem sei
que dá mais trabalho do que idealizar e atirar petardos, mas seria, com toda a
certeza, sintoma de um Benfiquismo bem mais evoluído.
E o Benfiquismo bem necessita de uma verdadeira
Oposição!
Da emergência de verdadeiros programas e projectos
alternativos aos que estão a ser implementados pelos Corpos Sociais eleitos há
um ano, o Clube e o Benfiquismo só podem beneficiar. E não, a inexistência
aparente de uma liderança para esses eventuais programas não deve, nem pode,
legitimar o terrorismo dos que por eles anseiam coerentemente.
Se repararem bem, os estertores do paspalho das
“abstrusidades” não passam de mais um reflexo dessa pobreza franciscana que
persiste em grassar entre as Nossas minorias minoritárias (porque minoria,
dentro da minoria) e, no dia em que surgissem verdadeiros programas
alternativos, ele seria imediatamente substituído por melhores candidatos,
bastando, então, seleccionar entre os muitos “meia nau” (como eu chamo aos que
se satisfazem por ter “proa”) alguém que estivesse preparado para o desafio,
com verdadeiro Benfiquismo.
Dá trabalho?
Dá, dá muito trabalho. Mas também dá muitíssimo
prazer (eu sei, porque já o fiz) e constitui a única forma credível de se ser
verdadeiramente Benfiquista, quando se discorda do rumo dado ao Nosso Clube.
Enquanto os Benfiquistas “do contra” não tiverem a
competência suficiente para começar a construir eventuais alternativas, aos
Nossos Corpos Sociais cumpre-lhes continuar a engrandecer o Clube (e o Nosso
Grupo) o melhor que podem (e podem muito) e sabem (e sabem bem), defendendo os
Nossos Valores e honrando a Nossa História, com a responsabilidade acrescida de
quem reconhece ainda não ter alternativa consequente.
O Benfica que somos Nós (mas que Nos não pertence),
embora ainda não tenha conseguido merecer uma “Oposição”, tem sabido merecer o
máximo e o melhor dos dirigentes aos quais conferiu uma imensa legitimidade.
Viva o Benfica!