Por José Albuquerque
Pede-me o Guachos que eu contribua com a minha
humilde opinião nesta oportunidade em que muitos Companheiros discutem a venda
de um dos mais talentosos produtos da Nossa “Fábrica” – o Enorme Bernardo
Silva, e se o Guachos acha que eu devo … eu pago, ahahah.
Mas antes e se me permitem, quero fazer o mesmo que
fiz quando da saída de um outro Nosso Companheiro – o Miguel Vítor, até porque
eu considero que há um traço comum a estes dois antigos atletas do Glorioso.
Assim …
Ao Bernardo Silva, Futebolista e Benfiquista, desejo
toda a felicidade do mundo, porque ele merece e porque ele me deu muitos
momentos de felicidade a mim, em quase todos os desafios, quer pelos Juniores,
quer na Nossa Equipa B, em que o vi com o Manto Sagrado.
Posto isto, que querem que eu vos diga?
Que não tinha esperança de ver o BS crescer para uma
espécie de “Messi” e brilhar na Nossa Equipa de Honra?
Não posso! Eu tinha, mesmo, essa esperança!
Humildemente, eu considero o BS um dos mais
excitantes jovens futebolistas portugueses da actualidade. Pelas suas
criatividade e capacidade técnica, o BS foi conseguindo, ao longo destes 4 anos
mais recentes (aqueles em que acompanhei o seu crescimento), superar o seu mau
handicap atlético e pode vir a ser, tal como outros “minorcas” no passado, um
daqueles executantes que justificam o preço dos bilhetes.
Mas, por agora, o BS é apenas isso e não seria
titular na Nossa Equipa de Honra, nem que ela adoptasse um sistema com 3 médios
interiores.
Mais ainda e na minha humilde opinião (recordem-se
que eu percebo quase nada disto), mal estaríamos se o BS pudesse ser titular no
Benfica, mesmo que jogasse o dobro do que eu o vi jogar nestes 3 últimos
desafios da sua actual equipa.
Sim! Se eu fosse Técnico de futebol, só colocava a
jogar “minorcas” se eles fossem do gabarito de um Maradona, ou daquele que,
hoje por hoje, eu considero o melhor futebolista do planeta – o pequeno Lionel
Messi.
Mas isto são opiniões, subjectivas por definição e
discutíveis por principio, meio e fim.
E não é de opiniões pessoais que se deve fazer este
debate, porque o Glorioso não se sintetiza em nenhum dos seus Atletas, nem que
fosse o Nosso Rei.
Vou ter de me repetir, Companheiros e recordar que o
Nosso Clube enfrenta um “mostrengo” com mais de 3 décadas, um POLVO imundo e
grosso que chegou a controlar quase todo o fenómeno desportivo nacional,
garroteando a Verdade Desportiva em muitíssimas modalidades e corrompendo de
uma forma aviltante aquilo em que se transformou a mérdia “des portiva”
nacional, aproveitando e abusando do período mais negro da Nossa Gloriosa
História.
E se já percorremos muito caminho e já, se já
fizemos recuar muito esse POLVO e já, se já conseguimos libertar a Verdade
Desportiva em muitas modalidades e já, se já conseguimos contestar a hegemonia
andrupta no “futeluso” e já, se já conseguimos reerguer o Nosso Clube mais alto
do que o que tínhamos há 20 anos e já … tudo isso o pagámos com sangue suor e
lágrimas, com a Coragem de assumir o Futuro e com o compromisso daqueles
Companheiros que já ficaram pelo caminho.
Que ninguém se iluda, Companheiros: a Vitória que
ambicionamos e exigimos, até por patriotismo, pode estar cada dia mais próxima,
mas só se não Nos perdermos pelo caminho. E esse caminho continua a ter 3
“frentes”: a Desportiva, a Económica e a da Comunicação.
Que ninguém se iluda, nem se esqueça.
Nos estádios, nos pavilhões e por onde quer que
passem os Mantos Sagrados, sim! Apoiamos com a Paixão, com a Mística, com a
Chama Imensa e maior loucura Benfiquista de que formos capazes.
Mas aos que elegemos para dirigir o imenso “porta
aviões” em que já transformámos o Nosso Clube (mais de 13 mil Atletas e quase
mil e quatrocentos “assalariados”), a esses devemos exigir rigor, competência e
coragem para manter o rumo que sabemos ser o correto, mesmo quando se cometerem
erros pontuais.
Vocês que têm a pachorra de seguir os meus textos,
sabem bem como eu vejo o Nosso futuro colectivo e, no caso especifico do futebol
(uma modalidade que se profissionalizou desde os escalões mais jovens e que,
hoje, tem todas as características de uma “indústria”), sabem que eu considero
que o Nosso próximo patamar assenta na preservação da estabilidade técnica e de
Gestão, na otimização dos Nossos direitos de TV e na rentabilização económica
da Nossa “Fábrica”.
Com o actual Regulamento de Transferências (e ele só
pode piorar) e enquanto o Benfica não puder pagar salários que garantam
rendimentos líquidos de impostos competitivos com os dos 15/20 clubes mais
ricos, o Nosso modelo de Gestão tem de contar com a realização de mais
valias com a venda de passes de Atletas. Pode gostar-se mais, menos ou
nada, desta realidade (incomparável com tudo o que vivemos antes do Acórdão
Bosman), mas não se pode ignorá-la, nem que o Presidente, no seu muito
criticável voluntarismo, diga frases que permitam outros sonhos.
Todos também sabem que, especialmente durante esta
tremenda crise económica e financeira amargada pelo absurdo assalto fiscal, eu
nunca me preocupei nem com o Passivo, nem com a insuficiência dos Nossos
Capitais Próprios contabilísticos, tendo-me contentado com o controlo (no
sentido de não agravamento) da situação que vem sendo garantido pela Nossa SAD
e desde que se mantivesse, como se manteve, a capacidade de investimentos e
sustentação do crescimento.
Mas, Companheiros, eu nunca omiti a “fatura
bancária” que essa opção implicou e que, grosseiramente, representa cerca de
20ME anuais. Debaixo do jugo do mamão chupista e antes da maturação do Seixal,
optar por uma estratégia de redução do Passivo só teria sido possível com
recurso a outros accionistas, realidade que eu acredito que seria inaceitável
para a esmagadora maioria dos Benfiquistas, mas, agora, com a BTV e uma
aparente “corrente” de Proveitos originada por empréstimos e vendas dos Nossos
mais promissores jovens futebolistas, acredito que vai ser possível assistirmos
a uma década de sustentada redução do Passivo oneroso e de recuperação do
Capital Social da Nossa SAD, mesmo quando, como nesta actual época, seja falhado
o objectivo de 20ME de proveitos com as provas da UEFA e nunca comprometendo os
necessários investimentos que o Nosso crescimento exige.
Neste quadro, negócios como os do André Gomes e
do Bernardo Silva são, pelo conjunto, muito melhores que as melhores das outras
vendas a que assistimos (Witsel, Fabio, Di, Luiz e Rodrigo) e por uma razão que
qualquer burro percebe: as suas saídas não representam um prejuízo desportivo
importante!
Viva o Benfica!