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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Boa sorte, Bernardo.

Por José Albuquerque

Pede-me o Guachos que eu contribua com a minha humilde opinião nesta oportunidade em que muitos Companheiros discutem a venda de um dos mais talentosos produtos da Nossa “Fábrica” – o Enorme Bernardo Silva, e se o Guachos acha que eu devo … eu pago, ahahah.
Mas antes e se me permitem, quero fazer o mesmo que fiz quando da saída de um outro Nosso Companheiro – o Miguel Vítor, até porque eu considero que há um traço comum a estes dois antigos atletas do Glorioso. Assim …

Ao Bernardo Silva, Futebolista e Benfiquista, desejo toda a felicidade do mundo, porque ele merece e porque ele me deu muitos momentos de felicidade a mim, em quase todos os desafios, quer pelos Juniores, quer na Nossa Equipa B, em que o vi com o Manto Sagrado.

Posto isto, que querem que eu vos diga?
Que não tinha esperança de ver o BS crescer para uma espécie de “Messi” e brilhar na Nossa Equipa de Honra?
Não posso! Eu tinha, mesmo, essa esperança!

Humildemente, eu considero o BS um dos mais excitantes jovens futebolistas portugueses da actualidade. Pelas suas criatividade e capacidade técnica, o BS foi conseguindo, ao longo destes 4 anos mais recentes (aqueles em que acompanhei o seu crescimento), superar o seu mau handicap atlético e pode vir a ser, tal como outros “minorcas” no passado, um daqueles executantes que justificam o preço dos bilhetes.
Mas, por agora, o BS é apenas isso e não seria titular na Nossa Equipa de Honra, nem que ela adoptasse um sistema com 3 médios interiores.
Mais ainda e na minha humilde opinião (recordem-se que eu percebo quase nada disto), mal estaríamos se o BS pudesse ser titular no Benfica, mesmo que jogasse o dobro do que eu o vi jogar nestes 3 últimos desafios da sua actual equipa.
Sim! Se eu fosse Técnico de futebol, só colocava a jogar “minorcas” se eles fossem do gabarito de um Maradona, ou daquele que, hoje por hoje, eu considero o melhor futebolista do planeta – o pequeno Lionel Messi.
Mas isto são opiniões, subjectivas por definição e discutíveis por principio, meio e fim.

E não é de opiniões pessoais que se deve fazer este debate, porque o Glorioso não se sintetiza em nenhum dos seus Atletas, nem que fosse o Nosso Rei.
Vou ter de me repetir, Companheiros e recordar que o Nosso Clube enfrenta um “mostrengo” com mais de 3 décadas, um POLVO imundo e grosso que chegou a controlar quase todo o fenómeno desportivo nacional, garroteando a Verdade Desportiva em muitíssimas modalidades e corrompendo de uma forma aviltante aquilo em que se transformou a mérdia “des portiva” nacional, aproveitando e abusando do período mais negro da Nossa Gloriosa História.
E se já percorremos muito caminho e já, se já fizemos recuar muito esse POLVO e já, se já conseguimos libertar a Verdade Desportiva em muitas modalidades e já, se já conseguimos contestar a hegemonia andrupta no “futeluso” e já, se já conseguimos reerguer o Nosso Clube mais alto do que o que tínhamos há 20 anos e já … tudo isso o pagámos com sangue suor e lágrimas, com a Coragem de assumir o Futuro e com o compromisso daqueles Companheiros que já ficaram pelo caminho.

Que ninguém se iluda, Companheiros: a Vitória que ambicionamos e exigimos, até por patriotismo, pode estar cada dia mais próxima, mas só se não Nos perdermos pelo caminho. E esse caminho continua a ter 3 “frentes”: a Desportiva, a Económica e a da Comunicação.
Que ninguém se iluda, nem se esqueça.

Nos estádios, nos pavilhões e por onde quer que passem os Mantos Sagrados, sim! Apoiamos com a Paixão, com a Mística, com a Chama Imensa e maior loucura Benfiquista de que formos capazes.
Mas aos que elegemos para dirigir o imenso “porta aviões” em que já transformámos o Nosso Clube (mais de 13 mil Atletas e quase mil e quatrocentos “assalariados”), a esses devemos exigir rigor, competência e coragem para manter o rumo que sabemos ser o correto, mesmo quando se cometerem erros pontuais.

Vocês que têm a pachorra de seguir os meus textos, sabem bem como eu vejo o Nosso futuro colectivo e, no caso especifico do futebol (uma modalidade que se profissionalizou desde os escalões mais jovens e que, hoje, tem todas as características de uma “indústria”), sabem que eu considero que o Nosso próximo patamar assenta na preservação da estabilidade técnica e de Gestão, na otimização dos Nossos direitos de TV e na rentabilização económica da Nossa “Fábrica”.
Com o actual Regulamento de Transferências (e ele só pode piorar) e enquanto o Benfica não puder pagar salários que garantam rendimentos líquidos de impostos competitivos com os dos 15/20 clubes mais ricos, o Nosso modelo de Gestão tem de contar com a realização de mais valias com a venda de passes de Atletas. Pode gostar-se mais, menos ou nada, desta realidade (incomparável com tudo o que vivemos antes do Acórdão Bosman), mas não se pode ignorá-la, nem que o Presidente, no seu muito criticável voluntarismo, diga frases que permitam outros sonhos.

Todos também sabem que, especialmente durante esta tremenda crise económica e financeira amargada pelo absurdo assalto fiscal, eu nunca me preocupei nem com o Passivo, nem com a insuficiência dos Nossos Capitais Próprios contabilísticos, tendo-me contentado com o controlo (no sentido de não agravamento) da situação que vem sendo garantido pela Nossa SAD e desde que se mantivesse, como se manteve, a capacidade de investimentos e sustentação do crescimento.
Mas, Companheiros, eu nunca omiti a “fatura bancária” que essa opção implicou e que, grosseiramente, representa cerca de 20ME anuais. Debaixo do jugo do mamão chupista e antes da maturação do Seixal, optar por uma estratégia de redução do Passivo só teria sido possível com recurso a outros accionistas, realidade que eu acredito que seria inaceitável para a esmagadora maioria dos Benfiquistas, mas, agora, com a BTV e uma aparente “corrente” de Proveitos originada por empréstimos e vendas dos Nossos mais promissores jovens futebolistas, acredito que vai ser possível assistirmos a uma década de sustentada redução do Passivo oneroso e de recuperação do Capital Social da Nossa SAD, mesmo quando, como nesta actual época, seja falhado o objectivo de 20ME de proveitos com as provas da UEFA e nunca comprometendo os necessários investimentos que o Nosso crescimento exige.

Neste quadro, negócios como os do André Gomes e do Bernardo Silva são, pelo conjunto, muito melhores que as melhores das outras vendas a que assistimos (Witsel, Fabio, Di, Luiz e Rodrigo) e por uma razão que qualquer burro percebe: as suas saídas não representam um prejuízo desportivo importante!                   

Viva o Benfica!