Por José Albuquerque
Há períodos em que eu sinto que não havia dinheiro
que chegasse para me pagarem para eu ter de tomar as decisões que estão
reservadas ao Nosso Presidente. E logo eu, que nunca aceitaria nem um cêntimo
do Clube.
Andei alguns anos a insistir que a SAD deveria
estudar alternativas para uma reestruturação financeira que permitisse dar um
impulso aos Nossos Capitais Próprios, para superar essa debilidade crónica e,
depois …
Depois veio a bestial oferta daqueles dois bancos,
beneficiando a osgalhada quase tanto quanto já tinham beneficiado o mamão
chupista, oferecendo-lhes um balão de oxigénio talvez para mais uma dúzia de
anos e eu admiti que o CA da Nossa SAD poderia aproveitar o momento e os
precedentes, para obter uma vantagem negocial que lhe facilitasse um processo
de reestruturação, mesmo sem “favores”.
Eu pensava e admitia que, cumulativamente com algum
sucesso da Nossa TV e a maturação da “Fábrica” , teríamos os fundamentos para o
que chamei de “novo paradigma de Gestão”: ainda não um verdadeiro novo modelo
de Gestão “independente” dos proveitos extraordinários dos ROPA (Resultados com
Operações sobre “Passes” de Atletas), porque isso eu já demonstrei só ser
possível quando mais que duplicarmos os Nossos Proveitos Operacionais (algo que
resultaria da criação de um verdadeiro campeonato europeu de clubes, “todos
contra todos”), mas um patamar intermédio, caracterizado por uma progressiva
libertação da tremenda “factura bancária” que tanto Nos tem limitado, balanceada
com um progressivo aumento da competitividade salarial.
Humildemente, discordei da decisão anunciada há
cerca de 6 meses, quando se soube que o CA tinha abandonado esse projeto de
reestruturação, optando por uma estratégia de “continuada e gradual recuperação
dos Capitais Próprios”. Discordei humildemente porque sabia que desconhecia as
previsões que a SAD podia ter, quer para os resultados da BTV, quer para novos
sponsors e quer … para eventuais vendas a curto prazo.
Ainda bem que fui suficientemente humilde para não
desatar a “descascar” nessa opção do Presidente e da Nossa SAD, uma vez que as
realidades parecem comprovar que:
1 Quer o patrocínio da ADIDAS, quer o acordo com a
Huawei e, agora, o sponsor negociado com a Emirates, vieram como que rasgar os
horizontes qualitativos e quantitativos deste “corredor” para o valor que
acrescentamos com a Nossa Marca, outrora algo limitado aos grupos nacionais e a
uma constante comparação dos valores por eles pagos ao que alguns insistem em
chamar “3 grandes”, quando a verdade dos números garante que o Benfica é
incomparável com qualquer outro clube em Portugal;
2 A Nossa TV, logo desde o seu primeiro exercício
como TV Premium, estourou, positivamente, as previsões mais optimistas e já
definiu um novo padrão para o valor dos Nossos direitos de TV; foram alguns
anos com meio mundo a chamar-Nos doidos quando alegávamos que 40ME não seria um
valor exagerado para abandonarmos os Nossos projectos para a BTV e por cada um
desses anos, todos os anti vão, agora, ter de engolir em seco, apreciando o próximo
futuro crescimento do Nosso canal de televisão, um crescimento que ainda só
está no inicio;
3 A Nossa “Fábrica” continua a acumular sucessos,
adicionando a Final da UEFA Youth League ao crescente domínio alcançado quer
nas competições internas, quer nas convocatórias para as selecções nacionais, a
ponto de ser uma questão de (pouco) tempo até vermos os melhores desses
“produtos” a brilhar na Equipa de Honra e, depois, a partirem, aliciados por
mega salários; finalmente
4 A estrutura profissional que suporta as Equipas de
futebol mantem-se eficiente na identificação, recrutamento e gestão de bons
futebolistas, capazes de substituir algumas das “estrelas” que, por
incapacidade de concorrermos salarialmente, todos os anos vemos partir para
alguns dos clubes mais endinheirados da Europa; e se é verdade que ainda não
conseguimos “acertar” em todos os “alvos” predefinidos (falhamos 2, ate’
agora), tudo indica que os dados fundamentais do futuro (inclusive a próxima
reforma do IRS) vão melhorar a Nossa competitividade externa também neste
aspecto especifico.
Depois de termos conseguido, sem ajudas externas (a
não ser as “ajudas” contrárias do POLVO imundo e grosso e a proporcionada pela
ilimitada inveja dos anti), recuperar o Clube do abismo para o qual tínhamos
permitido que ele fosse (des)conduzido, de termos visto o Clube em 26º lugar no
ranking Delloitte Money League e em 5º no da UEFA, temos de permanecer
Orgulhosamente Ambiciosos, porque … estamos a construir uma verdadeira “vida
nova”.
Ao criar as condições para poder entrar no grupo dos
20 clubes mais “ricos” do mundo (mas que Gestão mais desastrosa, ahahah),
também desenvolvemos os argumentos para permanecer definitivamente no “Pote 1”
dos clubes europeus, num processo sustentável que Nos vai libertar da tremenda
fatura bancária que tivemos de suportar para que o lastro representado pelo
mamão chupista Nos não impedisse de fazer todos os investimentos necessários.
O Nosso Clube cresceu e desenvolveu-se imenso nesta
última década, no futebol e em todas as outras modalidades e aspectos, razoes
para sentir Orgulho (no mínimo dos mínimos) todos os dias e, também, para
sermos ainda mais ambiciosos: nós, os Mais Velhos, temos o dever de tentar
descobrir os limites desta herança que recebemos, ainda antes de a depositar
nas mãos dos Mais Novos.
Vai ser fácil?
Não! Vai ser muito difícil, tal como foi em todos
estes últimos mais de 30 anos: a nossa geração (os que estamos nos 50 e 60 anos
de idade) teve o privilégio de receber um Clube bicampeão europeu e sem rival
em Portugal, mas … impreparado para o profissionalismo, para a nova geografia
nacional e para a generalizada corrupção da Verdade Desportiva, para a qual
acordamos demasiado tarde.
Vamos cometer ainda mais alguns erros?
Cometer alguns erros, tal como a morte e os
impostos, são algumas das certezas com as quais os competentes, determinados e
bem sucedidos lidam e devem respeitar: sim, vamos cometer mais alguns erros,
mas vamos continuar a aprender com eles e a guardá-los em arquivo, para memória
dos Mais Novos.
A nova época assusta-me?
Nada disso: desafia-me!
Desafia-me ao ponto de, no próximo texto, perder
completamente o bom senso e cometer o erro de fazer uma “avaliação” (ahahah,
isto não vai poder ser para levar a sério, ahahah) desta primeira metade da pré
época e de todas as aquisições e reforços, ou seja: vamos ter paródia aqui no
GUACHOS.
Viva o Benfica!