Por José Albuquerque
Aproveitando estas curtas férias do Guachos, esperei
algum tempo após a espuma dos dias da equipa da FPF, a ver se aparecia um
jornalista, um só que fosse, a investigar e questionar as “contas” daquilo a que
eles chamam “as SAD’s dos três grandes”: ainda bem que esperei bem refastelado
e aviado de comes e bebes, ahahah.
Nada, Companheiros! Nem “unzinho” só e para amostra.
Não há cão (especialista), nem gato (opinador), que
não encha a boca, e/ou os textos, com frases que sugerem já terem percebido
como o factor económico é determinante para o sucesso desportivo a longo prazo
dos clubes de futebol: eles são os “3 grandes”, os “tubarões”, os “clubes
vendedores” por oposição aos “clubes compradores”, as complicações com a
negociação da “massa salarial”, as comparações entre “orçamentos” dos clubes, as
referências ao Fair Play Financeiro, enfim, uma miríade de chavões esgrimidos
com uma assombrosa falta de vergonha, por pessoas que deveriam sentir a
obrigação de ultrapassar a ignorância mais militante em relação a tudo o que
tenha a ver com a análise económica e financeira da realidade dos clubes.
É impressionante a desfaçatez com que lemos, ouvimos
ou vemos pessoas a falar, tantas vezes a especular, sobre a situação económica
dos clubes, percebendo que essas pessoas continuam a olhar para um “R&C”
como um burro para um palácio e sem lhes pressentirmos nem o menor esforço para
compreenderem os temas que abordam. E é tanto mais impressionante, porque não
estamos a falar de assuntos da engenharia aeroespacial, da neurocirurgia ou da
investigação bioquímica de ponta. Bem ao contrário, estão em causa tópicos tão
corriqueiros que eles os referem todos os dias, várias vezes ao dia e, para
cúmulo, sobre os quais tiveram de fazer cadeiras universitárias.
E se os jornalistas generalistas já não têm desculpa
para essa ignorância militante, o que dizer daqueles que, com diversos graus
académicos em ciências económicas e anos sem fim de jornalismo especializado,
continuam a permitir que aldrabões compulsivos como o Al Calotes afirmem que
“estamos financeiramente estáveis” sem serem desmascarados ou, no mínimo,
imediatamente contestados.
Todos sabemos, bem demais, porque é que “isto”
sucede: porque, não os havendo suficientemente independentes, em Portugal são
muito raros os Jornalistas, se é que ainda sobrevive algum.
E não nos podemos espantar, porque vivemos no país
em que o Jornalista que alertou para a desbunda no BPN (10 anos antes da
bronca), viu a sua carreira posta em causa de tal forma que quase se viu
forçado a emigrar, tal como, bem recentemente, vimos o poder político
democraticamente eleito atirar-se como gato a bofe, ao Director da TV que
alertou para a iminente resolução do Banif.
Não, Companheiros, já não é só de um certo
mercantilismo jornaleiro que se trata: é de uma mérdi@ quase completamente
condicionada e capturada por complexas redes de interesses e favores, ainda por
cima servida por gente sem nenhuma vocação para a profissão, forçosamente
obcecados pela mais elementar sobrevivência económica.
Ora é neste cenário que os dirigentes andruptos e da
osgalhada coçam as barrigas de satisfeitos, quando sabem que as “Contas” finais
deste último exercício só as vão ter de comunicar em finais de outubro próximo,
já sob a camuflagem dos discursos demagógicos sobre as bolas que bateram na
trave e, claro, sobre as apintagens, evitando, desse modo, uma natural
contestação de muitos dos seus adeptos, caso os mérdi@ publicassem uma visão
crítica correta sobre a situação económica desses clubecos, nomeadamente se a
acompanhassem por previsões sérias sobre os valores que, inapelavelmente, vão
ser publicados em finais de outubro.
Em vez disso, continuam as tiradas sobre “recusei
uma oferta de 80 milhões”, a resistência andrade à saída do “topo gígio”, isto
para já não falar muito sobre a insistente mentira “o Presidente do Benfica
quer fazer 200 milhões em vendas”.
Será que o Companheiro Benfica Eagle, que, num
passado recente, publicou insistentes especulações sobre as alegadas dificuldades financeiras do Nosso Clube,
supostamente um efeito de uma também alegada insolvência do Grupo Promovalor e
da consequente perda de credibilidade do Nosso Presidente junto dos Gestores do
Novo Banco, já se terá arrependido de todas essas especulações e,
principalmente, por as ter concluído num boato segundo o qual o Presidente se
preparava para “vender Atletas até conseguir 200M€”?
Acham que ele já se arrependeu?
Acham que ele já se deveria ter arrependido e,
humildemente, desculpado?
Achem vocês o que acharem, eu sinto-me na obrigação
de tentar demonstrar aquilo que espero que a Nossa SAD venha a publicar em
termos dos resultados finais deste exercício que findou em 30 de junho e, já
agora, fazer o mesmo para a osgasad e a andruptosad.
Com isso, desejo que o GUACHOS não só cumpra o seu
papel de alertar os Leitores e os defender contra a demagogia de tofos os anti,
Taliban incluídos, como, melhor ainda, demonstrar que não são necessários
nenhuns recursos/modelos elaborados de ciência económica, para anteciparmos os
números que vão chegar em outubro e, com eles, melhor perceber o que se vai
passar até final de agosto, no que ao mercado de transferências respeitar.
Comecemos pela Nossa casa: no quadro seguinte podem
encontrar os elementos com base nos quais podem fazer a vossa própria previsão
para a Demonstração de Resultados deste exercício, ou seguir os raciocínios
elementares com base nos quais eu construí a minha própria estimativa.
Comecem por não se assustar com a dimensão do que
vos mostro, porque é muito mais simples do que parece. Eu explico ...
Do lado esquerdo, têm uma síntese da “Conta de
Exploração” que permite demonstrar o “Res. Total”, ou seja, o “lucro” (se
positivo), ou “prejuízo” do período em causa.
Um primeiro grupo de linhas que abarcam as
principais componentes dos Proveitos Operacionais (1 Prov. Op): TV, prémios da
UEFA, “Match Day” e Outros, que incluem, por exemplo, o merchandising, a
publicidade e os patrocínios.
Um segundo grupo com as três principais componentes
dos Custos Operacionais (2 Custos Op.): Pessoal (salários), Fornecimentos e
Serviços (Externos) de Terceiros – FST’s e Outros (amortizações, etc.).
Um terceiro grupo que descreve as operações com
passes de Atletas (3 ROPA), onde há Proveitos (os valores das vendas e
empréstimos), o custo com as amortizações contabilísticas dos passes de Atletas
e os outros custos (comissões, mecanismo de solidariedade, o custo do
empréstimo do Mitro, etc.) decorrentes desse tipo de operações. Ou seja: o
“Subtotal (3)” obtém-se subtraindo aos Proveitos as Amortizações e os Outros
Custos.
Finalmente, uma linha com os (4 Res. Financ.) que
sintetiza o saldo entre Proveitos e Custos financeiros (juros e outros), além
de incluir os impostos a pagar em sede de IRC.
Assim, em cada coluna, o Resultado Total (última
linha do quadro) obtém-se subtraindo aos Proveitos Operacionais (subtotal 1),
os Custos Operacionais (subtotal 2), os Custos Financeiros (4) e somando
algebricamente (adicionando se positivos, subtraindo se negativos) os valores
de ROPA (subtotal 3).
Se olharem, agora, para as diversas colunas, reparem
que as duas últimas correspondem à minha “previsão”, respectivamente, dos
valores relativos ao 4º trimestre (PREV. T4 – abril, maio e junho) e dos
valores finais anuais (PREV. ANO).
As primeira, terceira e sexta colunas (a negrito)
apresentam os valores reais (arredondados a milhares de €) para os 1º, 2º e 3º
trimestres do exercício, retirados dos Nossos “R&C”.
As colunas tituladas “Xm T1”, “Xm T2” e “Xm T3”
apresentam os valores de média mensal em cada um desses três primeiros
trimestres. Ou seja, cada valor na coluna “Xm T1” (por exemplo. UEFA – 3113)
resulta do valor trimestral (9340) dividido por 3. A comparação, trimestre a
trimestre, destas médias mensais, permite-vos não só “explicar” o que conhecem
da realidade económica passada, como, ainda, apreciar a existência de
tendências.
A coluna “Xm S1” corresponde à média mensal
verificada durante os 6 meses do exercício (a soma dos 2 primeiros trimestres
dividida por 6).
Finalmente, a coluna “Xm M9” apresenta as médias
mensais, sobre os 3 trimestres, para cada linha (a soma dos 3 primeiros
trimestres dividida por 9).
As minhas “previsões” para o 4º trimestre e o
consequente resultado final anual.
Creio que este texto já vai demasiado longo para
explicar, em detalhe, os raciocínios que me levam a apontar para os números que
podem ler na penúltima coluna do quadro, que definem um “lucro” trimestral de
36,5M€ e, assim, estimam um “lucro” final anual acima dos 27M€.
Sinceramente, prefiro que cada um dos Leitores
analise os números dos três primeiros trimestres e, com base nas informações
que leu (viu e ouviu), faça as sua próprias “estimativas” e, se possível,
reporte na caixa de comentários a conclusão a que chegou.
Desse modo, posso dar por concluído este texto,
ficando ao vosso dispor para, na caixa de comentários, debatermos os vossos
contributos e ficando com tempo para ir preparar os dois próximos textos, nos
quais repetirei este exercício agora orientado para a osgasad e a andruptosad.
Como estou a receber telefonemas e SMS de
Companheiros que me pedem que comente (ou esclareça) as notícias segundo as
quais os chineses que compraram o Inter de Milão estariam a tentar rodear as
limitações do Fair Play Financeiro, nomeadamente comprando passes de atletas
(falam-me da osga careca) através do seu clube na China e, posteriormente,
utilizá-los em Itália a título de empréstimo, deixem que vos diga o seguinte
...
O Comité de Verificação do FPF da UEFA, no caso dos
2 clubes detidos por grupos árabes (Man. City e PSG), não se deixaram enganar
por contratos de Sponsor de valor altíssimo e, considerando-os como “fora dos
valores de mercado”, procederam à respectiva “correcção”, resultando na aplicação
de multas e limitação nas inscrições aos clubes prevaricadores.
Por isso, vai cair-me o queixo até aos joelhos se,
agora e confrontados com esta chinesice, eles não fizessem o mesmo,
“corrigindo” o custo desses eventuais empréstimos de tal forma que seja
anulados os efeitos da chinesice.
Aliás e como sabem, eu já aqui defendi que a UEFA deveria
proceder de igual modo quanto à benesse bancária com a qual a osgalhada está a
distorcer a Verdade Desportiva desde há três anos.
Viva o Benfica!