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sábado, 6 de setembro de 2014

Os “Fundos” e o “Fair Play Financeiro” III.

Nas duas anteriores partes deste texto, tratamos dos detalhes das componentes económicas e contabilísticas das operações com passes de Atletas e do seu impacto sobre o “equilíbrio das contas” que o FPF recomenda e, depois, discutimos as vantagens evidentes do BSF, especialmente quando comparado com outros fundos existentes, chegando a uma conclusão muito clara: não há nada que a UEFA possa alegar contra um eventual fundo, do tipo do Nosso BSF, que fosse criado com capitais “de dentro do futebol e visando o exclusivo beneficio do futebol”.

Avaliação, Valorização e pagamento pela Formação de jovens Atletas – a Nossa “Fábrica”.

Todos os números demonstram que o Glorioso tem investido muitos recursos no desenvolvimento, crescimento e aperfeiçoamento da Nossa “Fábrica”, investimento esse que já produz, sustentadamente, excelentes resultados desportivos e, mais recentemente, resultados económicos bastante interessantes.  
Mas persistem dúvidas e criticas sobre o real interesse e viabilidade económica desse enorme conjunto de investimentos e compromissos, uma vez que ainda não temos nem um só jovem produto do Seixal como titular indiscutível da Nossa Equipa de Honra, além de nos colocarmos naturais perguntas sempre que vemos os Nossos jovens ídolos a ser “emprestados” a outros clubes, enquanto a SAD adquire alguns jovens Atletas, por mais promissores que eles sejam e por vários milhões de euros.

Este texto não pretende discutir a questão dos critérios de técnica futebolística que levam a SAD a este tipo de Gestão, tema que prefiro deixar para núpcias posteriores, pelo que solicito aos Leitores que tomemos como axioma que a SAD tem aplicado o melhor possível (melhores práticas) os melhores critérios possíveis.
Mas, mesmo nesse quadro, eu pergunto-me se não há nada que os Sócios possam fazer para participar de uma forma activa neste extraordinário projecto que é a Nossa “Fábrica”, convencido que estou que sim, que muitos de Nós acreditamos profundamente nela e que, humildemente, estamos disponíveis para com ela colaborar.

Proveitos económicos da “Fábrica”.

Deixemos de lado os resultados desportivos que ambicionamos ver construídos com a ajuda dos Nossos jovens ídolos e concentremo-Nos nos Proveitos económicos que já resultam dos talentos “produzidos” no Seixal …

Em caso de “venda” de um passe de um jovem Atleta formado pelo Clube (12 aos 23 anos), ao longo de toda a sua carreira de futebolista profissional, a SAD beneficiará sempre da sua quota parte no chamado “Mecanismo de Solidariedade” (Artigo 21 do Regulamento de Transferências), que distribui 5% (dos 12 aos 15 anos, 0,25% por cada ano; dos 16 aos 23 anos, 0,5% por ano) do valor dessa transferência pelo(s) clube(s) Formador(es).

Quando da assinatura do primeiro contrato como profissional, caso o futebolista o assine com um clube diferente daquele em que está  a ser formado, e/ou qualquer outro contrato profissional que envolva uma transferência internacional antes do fim da temporada do 23º aniversário, há lugar ao pagamento de uma “Training Compensation” (Artigo 22 do RT) ao clube onde o jovem estava inscrito antes da profissionalização.

Reparem que sempre que um jovem Atleta recusou a proposta da Nossa SAD e “partiu” para outros clubes, como nos casos do Danilo Pereira e do “Ronny” Lopes, os clubes de destino pagaram essa compensação e ela não pode ser confundida com o resultado de qualquer negociação acertada com a SAD, uma vez que se tratou, isso sim, da mera aplicação dos regulamentos. Concretamente e considerando que a Nossa SAD se encontra na chamada “Classe 1” (solicitei confirmação na FPF, ainda sem resposta), esse valor é de 900 mil euros, que resulta dos 90 mil definidos pela UEFA, multiplicados pelo chamado “factor jogador” que foi definido em “10” pela FPF, nos termos do que vem escrito no respectivo regulamento de transferências especifico.

Notem que o RT da FIFA explicitamente obriga a FIFA a publicar anualmente a lista dos valores base (para cada uma das 4 “classes” de clubes formadores e para cada uma das “confederações associadas”), mas eu não consegui encontrar essa publicação a não ser numa nota de pé de página do próprio RT e, por isso, também lhes escrevi a pedir esclarecimento, ainda sem resposta.
Todos estes potenciais proveitos juntam-se aos que decorrem da venda concreta dos “passes” por parte da própria SAD, que, mesmo quando se não tratam de grandes “estrelas”, podem chegar a valores significativos, como foi o exemplo do Yartey (2ME) e das vendas parciais realizadas ao BSF (Roderick e Nelson Oliveira), isto já para não referir o exemplo mais recente do André Gomes.

Conclusão.

Independentemente do prestigio internacional que a Nossa “Fábrica” começa a conseguir com os brilhantes resultados desportivos alcançados, o Benfica deve ter como objectivo aumentar a competitividade da formação de futebolistas profissionais e, também, ter uma estratégia clara para transformar essa acrescida competitividade em proveitos económicos.

Para isso e considerando o importante impulso dado pela criação da UEFA Youth League (da qual já temos a responsabilidade de sermos vice campeões), que veio completar com uma vertente internacional a formação dos Nossos sub19, o Glorioso deve apostar seriamente neste projecto da Internacional Premier League, destinada a equipas sub21, o que pode implicar um reforço do Nosso Plantel B, uma vez que o campeonato nacional que a Equipa B disputa já tem demasiadas jornadas.

Sinceramente, parece-me que estou muito longe de “descobrir a pólvora” porque tenho estado atento a uma evidente proliferação de torneios internacionais de sub19 e sub21, promovidos pelos clubes mais representativos e mais empenhados na formação de futebolistas, nos quais as Nossas Equipas jovens participam frequentemente. Aquilo que pretendo sublinhar, é que o Glorioso deve investir seriamente nesta vertente, especialmente ao nível sub21, talvez e por exemplo, tentando juntar-se a outros clubes que partilhem esta estratégia e criando uma série de grandes torneios, rotativamente organizados pelos clubes participantes.

Paralelamente e sem pretender que a SAD baixe o nível de exigência pelo qual se tem pautado quando oferece contratos profissionais aos seus jovens mais promissores, creio que o Benfica deve consultar a UEFA/FIFA sobre uma alternativa de financiamento deste esforço adicional de investimento, que passe pela criação de … um fundo de investimento nos passes dos seus jovens profissionais de futebol!

Já sabemos que todos os custos relacionados com a formação de jovens Atletas são “dedutíveis” em sede de Fair Play Financeiro, mas parece-me que essa garantia pode e deve ser alargada “pelo lado” dos proveitos, como forma da FIFA/UEFA demonstrarem o seu continuado apoio aos clubes que investem na formação. E eu não vejo nenhuma forma mais eficaz do que atribuir um “coeficiente de majoração” aos proveitos resultantes dos ROPA obtidos com Atletas formados no próprio Clube.
Finalmente e se o que a UEFA/FIFA pretendem é “manter no futebol o dinheiro gerado pelo futebol”, então não podem recusar a um Clube como o Glorioso que, com o apoio dos seus Sócios, crie um Fundo de Investimento que permita a Nossa SAD antecipar uma parte, mesmo pequena, dos seus proveitos espectáveis a titulo de “Training Compensation”.

O Benfica Young Stars Fundo.

Há cerca de um ano e meio tive a informação de que mais de 30 mil Companheiros pagavam regularmente a chamada “quota modalidades” e já se faziam sentir pesadamente os efeitos desta tremenda crise, que levaram muitos Sócios a dificuldades extremas para manterem as suas quotas em dia. Não sei quantos seremos que estaremos disponíveis e interessados a participar num tal investimento, mas já estou habituado a confirmar que os Benfiquistas dizem sempre presente, quando se trata de engrandecer o Glorioso Clube que Amam. Mas de pouco adianta discutir a ideia sem a testar junto dos Sócios e, por isso, é esse o meu apelo: que se formule o projecto e se garanta que ele seria bem acolhido pela UEFA.

Quando essas “barreiras” estiverem ultrapassadas, lance-se a ideia da “quota formação”, se possível com um valor mínimo e opções para os que tiverem maior disponibilidade, tudo pago pela mesma transferência bancária habitual, transformável em “unidades de participação” do BYSF e com capacidade de conferir aos seus titulares incentivos e/ou benefícios similares aos dos títulos “Fundador”, por exemplo.

Invistam-se esses fundos na “aquisição”, pelo Sport Lisboa e Benfica, de percentagens minoritárias (até 10%) dos passes dos Nossos jovens ídolos (exclusivo para futuros contratados), como forma de antecipar uma parte dos proveitos que a SAD projecta vir a obter desses “Activos” e, quando o BYSF tiver “lucros” para distribuir pelos seus participantes, que eles apareçam sob a forma de “vouchers” para compras na Nossa loja, ou de bilhetes para a Catedral e Pavilhões, ou Red Pass.

Há “milhentas” alternativas possíveis para o regulamento e detalhes de gestão de um tal fundo, mas nem me vou preocupar a discorrer sobre eles, uma vez que estou certo que os Leitores já entenderam a ideia perfeitamente: um fundo de Benfiquistas, representados pelo seu Clube e gerido por ele e pela Nossa SAD, destinado a valorizar os Nossos jovens Atletas. Assim de simples, rápido, curto e rasteiro.

Os anglófonos usam uma expressão da qual eu gosto bastante: “put your wallet where your mouth is”!
É mais que tempo de deixarmos de apenas falar sobre a Nossa “Fábrica” e de passarmos em frente, como sempre, fazendo á Benfica.                                  

Viva o Benfica!