Por José Albuquerque
O mito do “all in”.
O mito do “all in”.
Não se discutindo que os andruptos fizeram uma
aposta num novo modelo de gestão desportiva, eu não concordo com este mito que
os coloca numa situação de quase “haraquíri”, a menos que vençam a Champions e
todas as provas internas onde ainda estão em situação competitiva: na minha
humilde opinião, os andruptos só estão a fazer o que tinham de fazer para
tentar impedir a consolidação da Nossa hegemonia no futebol e atendendo a que
deixaram de contar com o seu “velho e confiável” (tradução bacoca do Old
Reliable) braço apintador, marco fundamental na actual fase de senilidade do
POLVO, já claramente insuficiente para lhes garantir os sucessos de ainda há
tão poucos anos.
Longe de mim embandeirar em arco e pretender anunciar
a erradicação do mostrengo que garroteou a Verdade Desportiva em tantas
modalidades e resultou naquilo que eu designei por “des porto” nacional, tal
como, pela mesma honestidade intelectual, não creio ser possível escamotear
que, com raras excepções (duas modalidades e, talvez, pelos resquícios
regulamentares), o velho “xistrema” já não tem a capacidade para, por si só,
definir todos os resultados.
Quanto a uma segunda faceta deste mito do “all in” –
a que lhes anuncia o abismo económico e financeiro, eu sugiro a todos os
Companheiros que não cometam o mesmo erro que andruptos e osgalhada cometeram
ao sonhar com a morte definitiva do Benfica antes do tempo, como sequência das
sucessivas e desastrosas equipas de gestão que elegemos na derradeira década do
século passado. Convençam-se de que a Nossa Vitória não vai resultar da derrota
dos andruptos e ainda menos do seu fenecimento: a Nossa Vitória vai ter de ser
conquistada (nas 3 diferentes frentes de batalha que estão identificadas há
muitos anos) e merecida.
Os andruptos continuam a manter múltiplos recursos
patrimoniais e, sobretudo, desde que a turba anti Benfica continue a achar,
como continua, que tudo vale desde que seja contra o Nosso Clube, subsistem
muitas formas de ajuda externa com recursos e determinação suficiente para lhes
oferecer balões de oxigénio, mesmo antes de pensarmos num qualquer outro
bilhardário, seja ele de que origem for.
Concluindo e em síntese:
. a realidade tinha comprovado que os andruptos
tinham de mudar de modelo de Gestão;
. e eles mudaram-no, embora ainda não sejam claros
(humildemente e para mim) quais os contornos essenciais desse novo modelo; e,
finalmente,
. o clube andrupto não está a fazer nenhuma aposta
no curto prazo, nem vai desaparecer (ou falir) se não conquistar nenhum titulo
nesta época desportiva.
O mito da “reestruturação financeira”.
Finalmente consumou-se a parte de leão da benesse de
80ME, por 12 anos e sem juros (excepto se a osgasad tivesse lucros, ahahah), que
constitui, na minha humilde opinião, a mais grave medida de discriminação
positiva concedida a um dos participantes nas competições nacionais do “fute
luso” e que eu não entendo como pode ser tolerada por todos os restantes clubes
e/ou sad com equipas profissionais de futebol.
Particularmente, eu estou-me marimbando para o que
vai acontecer na osgasad ao longo destes 12 anos, ou para quem serão os seus
accionistas no final desse prazo: esses são problemas que dizem respeito a toda
a osgalhada e eu desejo-lhes muita sorte nesse esforço hercúleo que lhes vai
ser necessário se quiserem arrancar o antigo Sporting do abismo em que o
enterraram, enquanto eu nunca escondi que prefiro que o Glorioso compita com
equipas da osgalhada do que com outras de outros clubes nacionais quaisquer que
eles sejam.
Mas esses meus votos de boa sorte não podem ser
confundidos com uma disponibilidade para tapar este sol de vergonha com uma
peneira, deixando que esta tremenda deturpação da Verdade Desportiva possa
passar despercebida. Mais ainda e porque receio que, no médio prazo, talvez
também os andruptos sejam candidatos a este tipo de ajudas, eu creio muito
sinceramente, que o Nosso Clube (e os Nossos Corpos Sociais) não pode(m) permitir
que a incompetência indigente de todas as instituições que regem o fenómeno desportivo,
sejam as nacionais, sejam as continentais, deixem de registar esta absurda
anormalidade.
Para justificar esta minha humilde opinião, vou
recorrer ao único caso similar que conheço e recordar o exemplo mediante o qual
o clube A.S.Mónaco foi obrigado a pagar uma indemnização compensatória que
minimizasse as suas evidentes vantagens fiscais, para poder participar nas
competições disputadas com os clubes franceses.
Ou seja, não estando em causa a liberdade negocial
(no âmbito do direito privado) entre a osgalhada e os dois Bancos que houveram
por bem conceder-lhe aquelas benesses, eu considero que o Nosso Clube deve
bater-se institucionalmente contra esta evidente distorção das condições
competitivas, quer para que seja encontrada uma justa compensação, quer para
que fique estabelecida jurisprudência no quadro da justiça desportiva a
observar em todos os eventuais futuros casos similares.
Já ao nível da UEFA e das disposições especificas do
Fair Play Financeiro, os regulamentos parecem-me suficientemente claros (embora
eu deles discorde), nomeadamente ao preverem a eventual correcção a todos os
valores, de Custos e Proveitos, comprovadamente fora dos valores de mercado, ou
seja: se a UEFA já considerou inflacionados os valores indicados para alguns sponsors
e para alguns clubes (o PSG e o M. City), eu não vejo como poderiam não ser
igualmente corrigidos os valores relativos aos Custos Financeiros
(vergonhosamente subavaliados) expressos nas contas da osgasad.
Para mais e pretendendo a UEFA alinhar num combate
ao papel dos fundos de investimento nas operações dos clubes e sad, permitir
contratos de empréstimo (que é isso que são as famigeradas VMOC’s) com
remunerações em função de certos resultados, vai abrir (mais) uma verdadeira
autoestrada para a formalização e legalização das operações de financiamento
que os fundos sempre fizeram recentemente, ficando a alegada revolução limitada
ao detalhe formal do impedimento de partilha dos direitos económicos sobre os
atletas, facto que, por mero exemplo, não impediu a transferência do Ramires do
Nosso Clube para o Chelsea.
Concluindo, a osgalhada não procedeu a nenhuma
“reestruturação financeira”, tendo, apenas, sido objecto de um tremendo perdão
de juros (cuja total extensão ainda não se conhece) que constitui uma vantagem
competitiva indecente e completamente injustificada, uma vez que foi concedida
exactamente ao clubeco campeão dos incumprimentos bancários em Portugal.
Viva o Benfica!