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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Os mitos de 2014 (II)

Por José Albuquerque

O mito do “all in”.

Não se discutindo que os andruptos fizeram uma aposta num novo modelo de gestão desportiva, eu não concordo com este mito que os coloca numa situação de quase “haraquíri”, a menos que vençam a Champions e todas as provas internas onde ainda estão em situação competitiva: na minha humilde opinião, os andruptos só estão a fazer o que tinham de fazer para tentar impedir a consolidação da Nossa hegemonia no futebol e atendendo a que deixaram de contar com o seu “velho e confiável” (tradução bacoca do Old Reliable) braço apintador, marco fundamental na actual fase de senilidade do POLVO, já claramente insuficiente para lhes garantir os sucessos de ainda há tão poucos anos.
Longe de mim embandeirar em arco e pretender anunciar a erradicação do mostrengo que garroteou a Verdade Desportiva em tantas modalidades e resultou naquilo que eu designei por “des porto” nacional, tal como, pela mesma honestidade intelectual, não creio ser possível escamotear que, com raras excepções (duas modalidades e, talvez, pelos resquícios regulamentares), o velho “xistrema” já não tem a capacidade para, por si só, definir todos os resultados.

Quanto a uma segunda faceta deste mito do “all in” – a que lhes anuncia o abismo económico e financeiro, eu sugiro a todos os Companheiros que não cometam o mesmo erro que andruptos e osgalhada cometeram ao sonhar com a morte definitiva do Benfica antes do tempo, como sequência das sucessivas e desastrosas equipas de gestão que elegemos na derradeira década do século passado. Convençam-se de que a Nossa Vitória não vai resultar da derrota dos andruptos e ainda menos do seu fenecimento: a Nossa Vitória vai ter de ser conquistada (nas 3 diferentes frentes de batalha que estão identificadas há muitos anos) e merecida.
Os andruptos continuam a manter múltiplos recursos patrimoniais e, sobretudo, desde que a turba anti Benfica continue a achar, como continua, que tudo vale desde que seja contra o Nosso Clube, subsistem muitas formas de ajuda externa com recursos e determinação suficiente para lhes oferecer balões de oxigénio, mesmo antes de pensarmos num qualquer outro bilhardário, seja ele de que origem for.

Concluindo e em síntese:
. a realidade tinha comprovado que os andruptos tinham de mudar de modelo de Gestão;
. e eles mudaram-no, embora ainda não sejam claros (humildemente e para mim) quais os contornos essenciais desse novo modelo; e, finalmente,
. o clube andrupto não está a fazer nenhuma aposta no curto prazo, nem vai desaparecer (ou falir) se não conquistar nenhum titulo nesta época desportiva.     

O mito da “reestruturação financeira”.

Finalmente consumou-se a parte de leão da benesse de 80ME, por 12 anos e sem juros (excepto se a osgasad tivesse lucros, ahahah), que constitui, na minha humilde opinião, a mais grave medida de discriminação positiva concedida a um dos participantes nas competições nacionais do “fute luso” e que eu não entendo como pode ser tolerada por todos os restantes clubes e/ou sad com equipas profissionais de futebol.
Particularmente, eu estou-me marimbando para o que vai acontecer na osgasad ao longo destes 12 anos, ou para quem serão os seus accionistas no final desse prazo: esses são problemas que dizem respeito a toda a osgalhada e eu desejo-lhes muita sorte nesse esforço hercúleo que lhes vai ser necessário se quiserem arrancar o antigo Sporting do abismo em que o enterraram, enquanto eu nunca escondi que prefiro que o Glorioso compita com equipas da osgalhada do que com outras de outros clubes nacionais quaisquer que eles sejam.
Mas esses meus votos de boa sorte não podem ser confundidos com uma disponibilidade para tapar este sol de vergonha com uma peneira, deixando que esta tremenda deturpação da Verdade Desportiva possa passar despercebida. Mais ainda e porque receio que, no médio prazo, talvez também os andruptos sejam candidatos a este tipo de ajudas, eu creio muito sinceramente, que o Nosso Clube (e os Nossos Corpos Sociais) não pode(m) permitir que a incompetência indigente de todas as instituições que regem o fenómeno desportivo, sejam as nacionais, sejam as continentais, deixem de registar esta absurda anormalidade.
Para justificar esta minha humilde opinião, vou recorrer ao único caso similar que conheço e recordar o exemplo mediante o qual o clube A.S.Mónaco foi obrigado a pagar uma indemnização compensatória que minimizasse as suas evidentes vantagens fiscais, para poder participar nas competições disputadas com os clubes franceses.

Ou seja, não estando em causa a liberdade negocial (no âmbito do direito privado) entre a osgalhada e os dois Bancos que houveram por bem conceder-lhe aquelas benesses, eu considero que o Nosso Clube deve bater-se institucionalmente contra esta evidente distorção das condições competitivas, quer para que seja encontrada uma justa compensação, quer para que fique estabelecida jurisprudência no quadro da justiça desportiva a observar em todos os eventuais futuros casos similares.

Já ao nível da UEFA e das disposições especificas do Fair Play Financeiro, os regulamentos parecem-me suficientemente claros (embora eu deles discorde), nomeadamente ao preverem a eventual correcção a todos os valores, de Custos e Proveitos, comprovadamente fora dos valores de mercado, ou seja: se a UEFA já considerou inflacionados os valores indicados para alguns sponsors e para alguns clubes (o PSG e o M. City), eu não vejo como poderiam não ser igualmente corrigidos os valores relativos aos Custos Financeiros (vergonhosamente subavaliados) expressos nas contas da osgasad.
Para mais e pretendendo a UEFA alinhar num combate ao papel dos fundos de investimento nas operações dos clubes e sad, permitir contratos de empréstimo (que é isso que são as famigeradas VMOC’s) com remunerações em função de certos resultados, vai abrir (mais) uma verdadeira autoestrada para a formalização e legalização das operações de financiamento que os fundos sempre fizeram recentemente, ficando a alegada revolução limitada ao detalhe formal do impedimento de partilha dos direitos económicos sobre os atletas, facto que, por mero exemplo, não impediu a transferência do Ramires do Nosso Clube para o Chelsea.

Concluindo, a osgalhada não procedeu a nenhuma “reestruturação financeira”, tendo, apenas, sido objecto de um tremendo perdão de juros (cuja total extensão ainda não se conhece) que constitui uma vantagem competitiva indecente e completamente injustificada, uma vez que foi concedida exactamente ao clubeco campeão dos incumprimentos bancários em Portugal.    
  
Viva o Benfica!