Por José Albuquerque
Esta “janela” de janeiro, a venda do Matic, o boato sobre o AG e as discussões que aqui tivemos, levaram-me a prometer a um Companheiro escrever alguma coisa que permita aos Benfiquistas ter uma ideia mais rigorosa sobre os equilíbrios económicos e financeiros do Nosso Grupo Empresarial. É o que pretendo com este texto e da forma mais simples que conseguir, mas, já’ vou avisando, preparem-se para um texto longo. É o preço que temos de pagar para podermos calcular … “quanto temos de vender”?
Esta “janela” de janeiro, a venda do Matic, o boato sobre o AG e as discussões que aqui tivemos, levaram-me a prometer a um Companheiro escrever alguma coisa que permita aos Benfiquistas ter uma ideia mais rigorosa sobre os equilíbrios económicos e financeiros do Nosso Grupo Empresarial. É o que pretendo com este texto e da forma mais simples que conseguir, mas, já’ vou avisando, preparem-se para um texto longo. É o preço que temos de pagar para podermos calcular … “quanto temos de vender”?
Sabem todos que eu tenho confessado a minha
expectativa face aos próximos exercícios económicos, fruto da acção combinada
daquilo que, cheio de Mística, anunciei poder ser um novo paradigma para as
Nossas “Contas”, determinado por 3 “factores novos”: (1) o sucesso da BTV, (2) a
recuperação económica nacional e (3) a concretização de resultados práticos da
Nossa “Fábrica”, medida pelo número de novos Atletas profissionais dela saídos
para alimentar as Equipas A e B. Estes 3 factores podem já determinar algum
impacto nas “Contas” do actual exercício (2013/14), mas, sobretudo, eu espero
que eles venham a ter um impacto crescente no horizonte de médio prazo (3 a 5
anos).
As Nossas
“Contas” simplificadas.
Uma vez que, neste caso, não me vou prender em
rigores de detalhe e para maior facilidade de compreensão do Leitor menos
entrosado com estes assuntos, vou admitir que os Resultados consolidados de
cada exercício se subdividem por 3 grandes grupos, a saber:
1 Os Resultados Operacionais (ou Correntes), como
somatório dos Proveitos habituais e deduzidos os Custos rotineiros;
2 Os Resultados das Operações com Passes de Atletas,
que incluem as famigeradas vendas para as quais muito gostaríamos de determinar
uma espécie de “Valor Óptimo”, ou “Valor Necessário”; e
3 Os Resultados Financeiros, que sabemos serem o
reflexo da Nossa principal debilidade empresarial.
Se conseguirmos estabelecer algumas hipóteses
sólidas e aderentes sobre estes 3 grupos de resultados, teremos “absoluto
controle” sobre os Resultados finais de cada exercício futuro.
Comecemos, então, pela parte mais fácil …
Os Resultados
Financeiros.
Nos 3 últimos exercícios os valores consolidados
destes resultados, sempre negativos, foram: (14,6ME) em 2010/11 (16,9ME)
em 2011/12 e (17,5ME) em 2012/13. Uma “fatura” tremenda!
A menos que o CA da SAD e os Corpos Sociais do Clube
aprovem uma qualquer das alternativas que viabilizem uma reestruturação
financeira do Grupo (eu garanto-vos que há alternativas, mas eximo-me de
abordá-las antes do momento certo), não há nada a fazer para estancar esta
espécie de “sangria” de recursos. Ela pode ser contrariada e, acumulando
resultados globais positivos, pode ser concretizada uma tendência sustentada de
descida destes montantes a prazo, mas não pode ser interrompida de um dia para
o outro.
Se me perguntarem quais foram as “origens” deste
fenómeno, eu não tenho a menor dúvida em recordar que ele resulta de uma
politica “agressiva” de investimentos desportivos e infraestruturais,
implementada sem o desejável suporte de Capitais Próprios, agravado pela alta
das taxas de juro (seja das básicas, seja dos “spreads” bancários) decorrente
da crise financeira.
Se me perguntarem se eu apoio essa “agressividade”,
ou voluntarismo, na Gestão do Grupo, eu declaro-me incondicionalmente a favor,
quer pelo seu passado (que viabilizou o Nosso Parque Desportivo, tantos outros
investimentos estruturantes e o reforço da competitividade desportiva em todas
as modalidades), quer por preconizar o seu aprofundamento no futuro, como forma
de apoiar um crescimento que desejo sustentado e continuo para o Nosso Clube,
sem nunca esquecer a indispensável “pressão contra o POLVO”
Ainda que existam rumores segundo os quais estão a
ser estudadas e preparadas algumas alternativas para uma eventual
reestruturação financeira do Grupo, eu sugiro que admitamos como hipótese de
trabalho que os próximos exercícios económicos vão confirmar este mesmo nível
de Resultados Financeiros, ou seja: contemos com cerca de 18ME anuais de
“factura bancária”.
Os Resultados
Operacionais (ou “Correntes”).
Falamos, agora, dos saldos entre os Proveitos
“correntes” (bilhética, quotização, TV, prémios UEFA, etc.) e os Custos
“correntes” (salários, fornecimentos e serviços, etc.) e atentemos nos valores
conseguidos nos últimos 3 anos (valores entre parêntesis quando negativos):
(4,3ME) em 2012/13, 7,5ME em 2011/12 e (0,6ME) em 2010/11.
Para perceber melhor este grupo dos resultados,
recordem que eles resultam da soma algébrica simples dos Proveitos (positivos)
e dos Custos (negativos), pela série seguinte (tudo em milhões de euro)
2012/13 2011/12 2010/11
(+) Proveitos 88,3 91,1 82,8
(-) Custos 92,6 83,6 83,4
(=) Saldo (4,3) 7,5 (0,6)
NOTA 1: apesar de serem “operações com passes de
Atletas” os empréstimos temporários originam Proveitos (quando emprestamos os
Nossos) e Custos (quando tomamos algum de outro clube) que entram neste grupo.
Para tentarmos ter uma ideia sobre como pode
evoluir, no futuro, este grupo de resultados, vamos dar uma olhada aos
principais componentes dos Proveitos e dos Custos
Proveitos 2012/13 2011/12 2010/11
Bilheteira + Quotas 21,4 24,4 24,1
Sponsors + MKT + Outros 37,0 35,8 36,3
Prémios UEFA 21,7 22,4 14,0
Direitos de TV 8,2 8,5 8,4
TOTAL 88,3 91,1 82,8
Custos 2012/13 2011/12 2010/11
Forn. e Serv. Terc. 26,6 23,7 22,9
Pessoal (Salários e Prémios) 50,4 48,1 42,3
Amortizações 8,9 8,9 9,2
Outros 6,7 2,9 9,0
TOTAL 92,6 83,6 83,4
Antes que alguns Leitores se “assustem ou enjoem com
tantos números”, eu prometo que não vamos continuar a detalhar estes valores …
hahaha.
Olhemos, então, para as parcelas dos Proveitos:
1 Quotas e Bilheteira, uma parcela que levou um
“roubo fiscal” (com o aumento de 17% do IVA) e que vai levar outro “rombo” com
a inversão da distribuição das quotas entre a SAD e o Clube (passa a 25% para a
SAD e 75% para o Clube); imaginemos que conseguimos prosseguir um objectivo de 20ME;
2 Sponsors, Marketing e “Outros”, um grupo sobre o
qual todos aguardamos noticias importantes há’ já algum tempo, mas que, talvez
por causa da “crise”, não parece permitir muita ambição; admitindo algum optimismo
(e a ajuda das receitas com empréstimos de Atletas), imaginemos um objectivo de 40ME;
3 Prémios UEFA, um grupo para o qual, nesta fase, eu
insisto em que temos de ter um objectivo anual de 20ME, que, em caso de
insucesso, deve implicar imediatamente um impacto directo sobre o objectivo para
as “Operações com passes de Atletas” (vulgo … VENDAS); e, finalmente
4 TV, a rubrica em que todos depositamos imensas
expectativas e que mais vai poder contribuir para o crescimento dos Proveitos
nestes próximos anos; admitamos que, neste “primeiro ano da Nova BTV”, conseguiremos
atingir os 25ME.
Notem que estes 25ME que eu sugiro como receitas de
TV não comparam diretamente com os valores anteriores desta rubrica, uma vez
que me estou a referir aos “proveitos brutos” da BTV (automaticamente
englobados pela consolidação integral das contas), enquanto os custos gerais da
BTV já’ estarão incluídos nas outras rubricas dos custos operacionais que
veremos a seguir.
Em síntese (20 + 40 + 20 + 25), estou a admitir
que o total dos Proveitos “correntes” do Grupo possam atingir os 105ME,
valor esse que deveria evoluir nos anos consecutivos até aos 120ME, pela ação
simultânea do “alivio da crise” (com um eventual alivio em sede de IVA) e do
crescimento da BTV.
Olhemos, agora, para as parcelas dos Custos:
5 Os FST’s, ou “gastos gerais”, que ainda não
reflectiram o pleno impacto da BTV, pelo que os vou estimar em 30ME;
6 Os Custos com o Pessoal (idem, idem, aspas,
aspas), que vou estimar em 55ME:
7 As Amortizações (calma, Companheiros, que
explicarei mais adiante), que vou estimar em 10ME, admitindo algum
impacto decorrente do alargamento do Seixal e de mais alguns investimentos
estruturais, nomeadamente na BTV; e
8 O conjunto de todas as restantes e menores
rubricas dos custos, que vou estimar em 10ME.
Ou seja (30 + 55 + 10 + 10), estou a admitir que
o total dos Custos “correntes” do Grupo possam seguir um valor semelhante ao
dos Proveitos (105ME), determinando um saldo equilibrado para os Resultados
“correntes” e, a prazo, admitindo que o CA da SAD deve apontar para saldos
positivos na medida em que conseguir controlar o crescimento dos custos abaixo
daquele que obtiver com o sucesso da BTV.
Se assim o conseguirmos e querendo ter um resultado final equilibrado em junho próximo, já sabemos que temos de obter um resultado positivo capaz de anular a tal “factura bancária” (18ME) de que falávamos no inicio destes raciocínios.
E para as próximas épocas (a partir de 2014/15, inclusive), o CA da SAD terá de “navegar” entre as duas margens seguintes:
1 Ou se permite aumentar os custos correntes (nomeadamente subindo o teto salarial) a par do crescente sucesso da BTV e deixa de poder contar com estes resultados correntes para “contrabalançar a fatura bancária”;
2 Ou mantém um controle apertado sobre os custos e, então, já vai poder caminhar no sentido de poder afirmar que … “não precisamos de vender”; ou, finalmente,
3 Prossegue uma gestão simultaneamente cautelosa e agressiva, seleccionando (num caminho intermédio) as rubricas dos custos cujo crescimento pode vir a proporcionar melhores resultados desportivos.
Depois de todos estes raciocínios, eis-nos chegados ao nosso grande objectivo, ou seja: afinal, quantos Atletas temos de vender para não deixar aumentar o Nosso endividamento e a consequente “factura bancária”?
Se assim o conseguirmos e querendo ter um resultado final equilibrado em junho próximo, já sabemos que temos de obter um resultado positivo capaz de anular a tal “factura bancária” (18ME) de que falávamos no inicio destes raciocínios.
E para as próximas épocas (a partir de 2014/15, inclusive), o CA da SAD terá de “navegar” entre as duas margens seguintes:
1 Ou se permite aumentar os custos correntes (nomeadamente subindo o teto salarial) a par do crescente sucesso da BTV e deixa de poder contar com estes resultados correntes para “contrabalançar a fatura bancária”;
2 Ou mantém um controle apertado sobre os custos e, então, já vai poder caminhar no sentido de poder afirmar que … “não precisamos de vender”; ou, finalmente,
3 Prossegue uma gestão simultaneamente cautelosa e agressiva, seleccionando (num caminho intermédio) as rubricas dos custos cujo crescimento pode vir a proporcionar melhores resultados desportivos.
Depois de todos estes raciocínios, eis-nos chegados ao nosso grande objectivo, ou seja: afinal, quantos Atletas temos de vender para não deixar aumentar o Nosso endividamento e a consequente “factura bancária”?
Vamos dar uma olhadela para o que foram os valores
dos “Resultados com Operações sobre Passes de Atletas” (ROPA) nos 3 exercícios
mais recentes: 11,4ME em 2012/13, (2,4ME) em 2011/12 e 7,5ME em 2010/11 …
“Ora porra”, dirão alguns dos Leitores, “então
andamos a vender alguns dos Nossos melhores Atletas para só ternos esses
resultados (“trocos”, hahaha), ou, até , chegarmos a agravar os prejuízos?”.
Pois, Companheiros, acontece que as “Vendas” são
apenas a parte principal dos Proveitos, mas também há Custos neste grupo dos
ROPA. Ora vejam a evolução das duas parcelas:
ROPA 2012/13 2011/12 2010/11
(+) Prov. Líquidos(“Vendas”) 41,4 28,9 35,0
(-) Amortizações 30,0 31,3 27,5
ROPA 11,4 (2,4) 7,5
“Ai que essas cabras das amortizações só podem ser
andruptas” … hahaha!
Uma vez mais, chegou o momento de voltar a explicar
que “coisa” é esta …
Amortizações.
Quando o Grupo adquire um qualquer W (o Vermelhão,
por exemplo), um K (direitos de TV da Premier League), um X (uma piscina), um Y
(uma impressora) ou um Z (o “passe” de um Atleta) e independentemente desses
“preços” (W, K, X, Y ou Z) ou da forma como são pagos, não seria correto
considerar todo o “preço” como custo do exercício em que a aquisição se
concretiza:
1 O Vermelhão pode estar operacional por, pelo
menos, 6 anos, ou seja, é mais correto distribuir o seu custo (W) em 6
“prestações” anuais iguais a 1/6 de W;
2 A Premier League foi adquirida por 3 anos, ou
seja, é mais correto distribuir o seu custo (K) em 3 “prestações” anuais iguais
a 1/3 de K;
3 A piscina foi construída para durar 20 anos, ou
seja, é mais correto distribuir o seu custo (X) em 20 “prestações” anuais
iguais a 1/20 de X;
4 A impressora pode servir durante 3 anos, ou seja,
é mais correto distribuir o seu custo (Y) em 3 “prestações” anuais iguais a 1/3
de Y; e
5 O Atleta assinou por 5 anos, ou seja, é mais
correto distribuir o seu custo (Z) em 5 “prestações” anuais iguais a 1/5 de Z.
Em síntese, as amortizações contabilísticas são uma
técnica que visa imputar (fazendo corresponder) os custos aos exercícios em que
o “bem” vai ser usado na actividade da Empresa.
Assim e isto é muito importante, as amortizações,
sendo um custo, não correspondem a uma despesa!
Regressando aos Atletas dos quais estávamos a falar,
o “custo” anual de cada um é a soma entre o seu salário e a amortização do seu
passe, embora a SAD só lhe pague a primeira parcela.
Regressando aos ROPA de que falávamos, admitamos
que os custos anuais em amortizações do “preço” do Plantel se vão estabilizar
naqueles 30ME, mesmo que a SAD mantenha o atual nível de investimentos em
aquisições (talvez mais “caras” individualmente, mas em menor número, porque
“compensadas” por alguns jovens produtos da “Fábrica”).
Se assim for e se quisermos obter um Resultado do
Exercício (total e final) equilibrado, então temos de garantir que aqueles
“proveitos líquidos” que designei por “Vendas”, tenham de compensar esses 30ME
das amortizações mais os 18ME da chamada “factura bancária”, ou seja … 48ME!
Quer isto dizer que, sob todas estas hipóteses, se
conseguirmos somar ao negócio Matic já concretizado, um (ou mais) outro
(outros, em conjunto) que contribuam com outro tanto em “proveito liquido”
(mais valia) … sim, estaremos dentro desse objectivo.
Mas muita atenção!
Pensem que uma coisa seria vender o Garay por 20ME
(do qual temos 40% do passe), outra seria vender o AG (80%) por 15ME e outra,
ainda, seria vender o Rodrigo (76%) por 35ME, só para dar 3 exemplos
diferentes.
Em cada caso individual e além de termos de
“descontar” a quota parte que Nos não pertence, de “descontar” outros eventuais
custos das transacções (comissões, Fundo de Solidariedade, etc.), temos,
sobretudo, de subtrair o valor (liquido das amortizações já efectuadas) de
Balanço do respectivo passe.
Para melhor se perceber esta última variável,
imaginem que o valor do passe do Matic deveria ser muito baixo (o valor
remanescente de eventuais prémios de assinatura e renovação), enquanto os 50%
do passe do Lazar Markovic que temos devem estar no Balanço por quase 10ME.
Essa uma razão adicional para avaliar como excelente
uma eventual venda do AG por 15ME, uma vez que o seu passe deve ter um valor de
Balanço próximo de zero.
Conclusão.
Finalmente, o Nosso Companheiro “218.219” tem a
resposta que buscava:
1 Esta época, caso consigamos ter Resultados
“correntes” equilibrados (com o impacto da BTV) e considerando a venda do
Matic, devemos estar a cerca de 20ME em “mais valias” com outra venda (até
junho), para garantirmos um Resultado do Exercício igualmente equilibrado (ou
ligeiramente positivo)
2 Nas próximas épocas, a diferença (positiva) entre
o crescimento dos Proveitos (BTV, melhoria de poder de compra e eventual alivio
fiscal) e o desejável menor crescimento dos Custos “correntes”, vai reduzir a necessidade
de obter mais valias com “Vendas” de Atletas.
Para finalizar, chamo a vossa atenção para a série
dos valores dos Resultados Líquidos (totais) dos 3 últimos anos: (10,4ME) em
2012/13, (11,8ME) em 2011/12 e (7,7ME) em 2010/11.
São estes valores negativos que provocam um aumento
do Passivo superior ao do Activo (contabilisticamente, recordem-se) e impedem
que seja reduzido o Nosso endividamento (a tal “factura bancária”), a menos que
o Grupo deixasse de investir.
“Investir?”, perguntarão alguns. “Mas como é que
podemos investir se acumulamos prejuízos anuais?”, perguntarão outros. “Mas
esses prejuízos não provam que a SAD tem dificuldades de tesouraria?”,
perguntarão ainda outros.
Apesar deste texto já’ ir muito longo, tenho de
aproveitar a oportunidade para desfazer estas vossas duvidas e, de caminho,
desmascarar aqueles “do contra” que, com conhecimentos de Gestão, se servem
destas vossas interrogações perfeitamente naturais para glosarem o que
jocosamente designam por “Milagre Financeiro”.
Repetidamente, em quase tudo o que escrevo, tento
demonstrar a perfídia e a má fé desses Companheiros e reafirmo que a SAD não
tem nenhuma dificuldade de tesouraria.
“Mas como, se as Nossas despesas são maiores que as
receitas?”.
Hei! Alto lá! Ninguém, aqui, esteve a falar de
“receitas” e “despesas”!
Os resultados que estivemos a analisar são a
diferença entre Proveitos e Custos e eu já expliquei que há um tipo de Custos –
as amortizações, que não correspondem a “despesas”.
Pouca coisa?
Cerca de 40ME (reparem que há duas parcelas de
amortizações)!
Ou seja, mesmo com 10ME de prejuízo final, as
“receitas de exploração” podem ter excedido as “despesas de exploração” em
cerca de 30ME!
Perceberam?
Perceberam o que é que leva os Bancos a “adorarem” a
Nossa SAD?
Os Bancos olham para as Nossas Contas e, mesmo
depois de lhes pagarmos um balúrdio em juros anuais (16/17ME), eles sabem que
Nos sobra “liquidez” para amortizar empréstimos e/ou investir ainda mais!
Aquilo a que, simplificadamente, eu tenho chamado
“cash flow” e que, mais rigorosamente, os “R&C” designam por EBITDA (“Earnings
before Investment, Taxes, Depreciations and Amortizations”), avalia a
capacidade do Nosso negócio de gerar e libertar riqueza, de acrescentar valor e
representa o que se pode chamar um “milagre económico”.
Um “milagre económico” que se chama Benfica e que
somos Nós! Nem mais nem menos!
Por isso me vão desculpar por não ser capaz de
terminar este texto sem “gritar”, bem alto, mais umas quantas coisas …
Aos “Vieiristas” (não sei quem são), aos “do contra”
e, sobretudo, aos que Amam este Nosso Clube, tenham, ou não, idade para ter
chorado o quase desaparecimento a que quase Nos condenaram, eu quero “gritar”
bem alto …
Que foi por isto, para isto e para o que vamos
conseguir no futuro que foi indispensável recuperarmos a credibilidade que
tínhamos perdido!
Que foi necessário suportar o “mamão chupista”,
enquanto não construímos a alternativa!
Que foi necessário “cortar a âncora” da falta de
Capitais Próprios e arriscar a reconstrução do Nosso Parque Desportivo, com o
qual reconquistamos a autoestima e a capacidade de competir!
Que foi correto pressionar o POLVO (enriquecido por
anos de domínio absoluto), assumindo os investimentos desportivos!
Tudo isto foi “facílimo” e, hoje, parece evidente,
mas os francófonos usam uma expressão idiomática que se lhe aplica na
perfeição: “il faut le faire”!
Degrau a degrau, com a ambição e a determinação de
sempre, continuaremos a construir o Futuro Glorioso do Glorioso!
Connosco, quem quiser. Contra Nós, quem puder!
Por Benfiquismo e com patriotismo, erradicaremos o
POLVO imundo do nosso Desporto!
Viva o Benfica!