Por José Albuquerque
Como me dizem que persistem, entre muitos
Companheiros, sérias dúvidas sobre o tema em título, para mais agravados pela
eleição do “cabeça d’unto” para a LPFP (não tem nada a ver, porque o seu único
objectivo está na FPF e chama-se vitinho “de cócoras” pereira), aqui me têm a
cumprir o dever de recordar tudo o que é pertinente sobre o assunto e,
finalmente, a dar a minha humilde opinião sobre o que devemos esperar no futuro
ainda distante, já que, pelo menos, o quadro actual se vai manter por duas
épocas mais.
O passado remoto.
Talvez os mais novos não saibam e alguns dos mais
velhos já tenham esquecido, mas eu não: a LPFP nasceu, sob a capa de
“associação patronal” dos clubes, exactamente para permitir ao “mamão chupista” e
ao JEM, então patrão da RTP, a edificação de um sistema que assegurasse o
monopólio do primeiro e a vantagem da segunda no controlo sobre as transmissões
televisivas do “futeluso”: o mamão, esperto e ancorado pela fortuna do mano e o
JEM, determinado em inviabilizar o crescimento dos (então) novos canais abertos
(a sic e a tvi), arrebanharam o grupelho de marginais que controlava o
“futeluso” (o “bando dos 4 pintos” mais o major) com este projecto básico que
antecipava o verdadeiro maná que, em todo o mundo desenvolvido, caracterizava o
futuro do futebol – um espectáculo televisivo por excelência.
Executados os planos na perfeição (especialmente
porque os Nossos Dirigentes ou estavam cegos, ou pior que isso), a RTP esmagava
os seus concorrentes (o programa Domingo Desportivo era disso o símbolo
perfeito) e o mamão construiu a fortuna que lhe permitiu criar um
impressionante grupo de média e, sobretudo, por via da trela económica sobre
todos os clubes e instituições do “futeluso”, financiar a edificação do POLVO
imundo e grosso com o qual o D. Cor(no)leone garroteou a Verdade Desportiva a
seu bel prazer e quase conseguiu destruir o Nosso Clube.
Cerca de uma década depois, os Benfiquistas elegeram
(e eu também) um tipo que, perfeitamente consciente daquela realidade, teve
todas as condições para alterar essa realidade, caso não se viesse a confundir
com um marginal, demagogo e medíocre gestor como, infelizmente, veio a
acontecer.
Ainda assim e na minha humilde opinião, há que
reconhecer que esse tenebroso período da Nossa Vida Colectiva teve o mérito,
infelizmente sem proveito, de colocar a nu muitos dos absurdos legais sobre os
quais nasceu e floresceu o império do mamão, diagnosticando-lhe os pés de barro
que sempre teve (é impressionante, mas esta é a verdade: o mamão, mesmo
trilhardário, sempre teve o seu império assente numa vergonhosa marginalidade
jurídico-legal), os meandros corruptos que o favoreciam e explicavam a pujança
do POLVO que, entretanto, generalizara o garrote sobre a Verdade Desportiva a
muitas outras “Federações” e “Modalidades”.
O regabofe foi de tal ordem que os capos do
“xistrema” cometeram um erro irremediável e ... subestimaram-Nos!
Vai fazer sete anos (como voa, este pássaro chamado
tempo) que o Benfica transmitiu, em direto e em emissão experimental, o Benfica
vs. Nápoles ... na Nossa Catedral.
O passado recente.
Depois de uma batalha jurídica titânica, o Glorioso
conseguiu obter as necessárias licenças e ... nasceu a BTV.
Na sequência dessa batalha jurídica, duas Altas
Autoridades, a para a Concorrência e a para a Comunicação Social, muito
devagarinho, lá foram demonstrando a irregularidade jurídico-formal dos
fundamentos da olivedosporcos e da própria sporcostv, tornando inviável a
manutenção do tipo de contratos com base nos quais se mantinha o controlo
económico absoluto sobre os clubes e os seus direitos de televisão.
Finalmente, há pouco mais de 2 anos, o CA da Nossa
SAD emitiu um comunicado de informação ao mercado confirmando a rejeição de uma
proposta (já ilegal, uma vez que pretendia cobrir 5 épocas desportivas) do
mamão no valor de 111M€ e, com isso, decretou o fim do monopólio que subsistia
há mais de duas décadas, ainda desde antes do aparecimento da própria
sporcostv.
O presente.
Com todos os defeitos que lhe queiram atribuir (mais
faltaria que os Benfiquistas limitassem a sua insuperável e histórica
“exigência” aos Atletas e Dirigentes), dois anos depois, a Nossa televisão é um
sucesso com tão pouca comparação como tudo o resto no Clube que Nós Amamos e
constitui a única oferta televisiva válida de conteúdos desportivos lusófonos,
em alternativa à sporcostv.
Além de se ter consolidado como um player
incontornável deste mercado, a Nossa BTV também já assegurou a prova absoluta
de como a última oferta do mamão (apesar de representar cerca do triplo daquilo
com que Nos roubava antes) continuava a ser uma subavaliação do verdadeiro
valor dos Nossos direitos de TV.
Tudo isto aconteceu no meio do pináculo da maior
crise económica que Portugal atravessou desde 1975.
Concomitantemente, privado de uma das Nossas duas
“tetas” (ainda lhe resta a dos Nossos desafios fora da Catedral, Equipa B
incluída), o mamão entrou em quase colapso, enveredou por um inadiável processo
de eliminação de gorduras no qual viu voar a EPL (English Premier League),
entre mais uns quantos conteúdos fundamentais.
Neste processo e em apenas dois anos, os tentáculos
do POLVO parecem baratas tontas, à míngua dos luxos a que estava habituado:
tratando-se de um exército de “migalhistas, comissionistas e tachistas”, sem o
comando (envelopes vazios com dinheiro lá dentro e conteúdos das arcas do
reinaldo ranhoso) do D. Cor(no)leone, até o canibalismo se tornou hábito.
Pouco a pouco, modalidade a modalidade, a Verdade
Desportiva liberta-se de um garrote de três décadas e ... as Nossa Vitórias desportivas
sucedem-se!
O futuro.
Não querendo dar ares de “adivinhador”, permitam-me
que vos tente ajudar, Caros Leitores, a antecipar este filme e, para isso,
comecemos por algumas perguntas e respostas ...
Como raios é que o mamão conseguiu manter o seu
monopólio durante tanto tempo (e continuar a resistir, porque ainda só lhe
escapou o Farense, depois do Benfica)?
Mantendo um mercado de oferta atomizada (cada
clubeco bem isolado), esfomeada (“f*dida e mal paga”) e agarrada por contratos
de muito longo prazo, sempre renovados quando a corda mais lhes apertava a
garganta e mediante algum dinheiro (pouco) e muitas “promessas desportivas”
(boas apintagens e alguns empréstimos dos clubecos do “xistrema”).
Obviamente, a centralização desta oferta (de
conteúdos) e a nova capacidade de venda de “pacotes” que possam interessar a
outros operadores (que antes, se confrontados com a hipótese de comprar todos
os jogos de determinado clubeco, não tinham nenhum interesse), adicionada à
calendarização do mercado (por períodos de 3 anos, com um leilão aberto a todos
os operadores) e à existência de, pelo menos, mais um operador capaz de
concorrer a todo o “leilão” (a Nossa BTV), asseguram todas as condições para a
quebra definitiva do antigo monopólio e, talvez ainda mais importante que isso,
para que seja possível garantir uma receita global muito superior à miséria com
que o mamão escravisava os clubes.
Quem não for capaz de perceber isto, só lá vai com
um desenho!
Quem admitir a hipótese que anuncia que os mesmos
que implodiram o monopólio do mamão, travando uma luta de quase 10 anos e da
qual só têm dois aninhos a saborear os benefícios, vão estar, agora, com o
mamão de joelhos e o POLVO à rasca, disponíveis para “deixar cair” a Nossa BTV
... já nem com desenhos lá vai, carago !!!!!
Que quiser deduzir que o Benfica, por estar a
liderar o processo de estudo da futura centralização da negociação dos direitos
televisivos dos clubes que participam nas competições profissionais organizadas
pela LPFP, está a “atraiçoar-se”, só pode estar movido da pior das má-fé.
Ao contrário de todos os clubecos nacionais, o Nosso
Clube tem uma (Senhora) TELEVISÃO, com contas auditadas e lucros demonstrados!
O Benfica e os que o representam não têm só as
estatísticas das audiências como argumentos: têm dois exercícios económicos
(até agora) de crescentes receitas em subscrições e proveitos de publicidade
(quer a estática na Catedral, quer a que passa na BTV)!
Quem quiser admitir que os Gestores de uma SAD
cotada em bolsa, armados com estes argumentos, se vão permitir “vender barato”
o que tanto Nos custou a consolidar, que vão “facilitar” o que quer que seja e
a quem quer que seja, pois que cometa (mais) esse erro crasso, que Nós cá
estamos para o aproveitar, como sempre que Nos subestimaram.
E quem pensar que o Benfica vai ser condicionado
“pelo voto da maioria dos clubecos” e, assim, voltar a ser “mamado e mal pago”,
pois que questionem qualquer jurista, mesmo de vão de escada, sobre o que são
Direitos Reais (costuma ser uma das cadeiras que mais chumbos provoca na
faculdades de Direito), ou Direitos Constitucionais, até perceberem que nem
o Estado, nem qualquer “maioria”, nem qualquer “democracia”, terão essa
capacidade!
E parem! Parem, de uma vez por todas, de fazer
demagogia com aquela que foi a Nossa Maior Vitória deste milénio: a Nossa BTV!
Parem, de uma vez por todas, de tentar explorar a
Paixão dos Benfiquistas menos preparados para criticar a vertente económica e
financeira da vida do Grupo Benfica, fazendo-os imaginar “espantalhos e
papões”, com o único intuito de os desestabilizar e mesmo que isso seja
conseguido à custa da imagem de inegável solidez económica e financeira que,
Todos Um, conseguimos construir para o Nosso futuro colectivo.
Já chega de tanta bandalheira!
Viva o Benfica!
P.S.: como estou impossibilitado de aceder a muitos
dos eventuais comentários, responder-lhes-ei num próximo texto, deixando já o
meu agradecimento por todos os que quiserem apoiar e incentivar estes textos de
esclarecimento que eu considero serem, antes de tudo, um dever que assumo por
ser Benfiquista.