Por José Albuquerque
Depois do fantástico conjunto de comentários com que
os Leitores do meu texto precedente o abrilhantaram, creio que é minha
obrigação tentar utilizá-los no sentido de conseguir uma conclusão final (tanto
quanto isso é possível ainda a anos de distância da sua real concretização)
sobre este tema da centralização da negociação dos direitos de TV nas
competições organizadas pela LPFP.
Não se trata de nenhuma “centralização das
receitas”.
E é este o primeiro ponto que há que concluir: que
se desiludam os anti que sonham em continuar a ganhar dinheiro que não merecem
à custa do Maior Clube do Mundo, que se desiludam os que sonham com o
desaparecimento da Nossa BTV e, finalmente, que se desiludam os que sonham que
a LPFP vai conseguir, com esta “oferta centralizada”, acrescentar mais valor às
suas competições, mantendo apintagens como as palhaçadas do pedreiros vs.
Glorioso, ou as que levaram os andruptos no andor contra os de Vila do Conde e
os de Paços de Ferreira, todos na época passada.
Na minha humilde opinião e a longo prazo, a
centralização só vai ser uma fórmula eficaz para aumentar o volume global dos
proveitos dos clubes, desde que as competições se tornem definitivamente
credíveis!
Erros de arbitragem (e alguns bem graves) acontecem
e fazem parte do modelo de Futebol que a FIFA/UEFA pretendem manter (razão pela
qual se opõem à introdução de tecnologias que, facilmente, poderiam reduzir ao
mínimo a desvirtuação de resultados por via desses erros), mas quando falamos
daqueles exemplos, todos sabemos que não foi isso – o “erro”, que aconteceu:
tratou-se de três resultados absolutamente encomendados aos BOIS e por eles
fabricados.
E quanto à partilha dos proveitos da venda
“centralmente negociada” das transmissões dos jogos, que se desiludam os
adoradores do exemplo da EPL, ou os “couceiros” desta vida que afirmam que,
considerando os dois jogos do Benfica com um qualquer clubeco, “deveria ter
maior valor aquele em que o Benfica joga fora da Catedral, porque é nesse caso
que aumenta a incerteza do resultado”.
Comparar o “futeluso” com a EPL ... só está ao
alcance dos ígnaros (ou os movidos por anti Benfiquismo) que querem comparar o
incomparável: os fenómenos desportivos em geral e o Futebol em particular, as
populações, as culturas e, sobretudo, os respectivos mercados.
Eu considero um absurdo que um qualquer clubeco no
Reino Unido possa receber quase o mesmo que os seis mais poderosos e históricos
clubes, mas não me esqueço que, por mais pequenos que sejam, esses clubecos
enchem os seus estádios (com trinta mil ou mais lugares) em todos os desafios,
mesmo quando descem a ligas inferiores.
Em países com seis, ou oito, vezes a população de
Portugal e vinte vezes mais poder de compra, é viável a multiplicação dos
chamados “clube de cidade”, um fenómeno impossível nos países mais pequenos e
pobres, portanto ... esqueçam!
Acresce que, do ponto de vista jurídico e legal, nas
competições organizadas pela “associação de clubes com equipas profissionais”
(que é isso a LPFP), cada clube participante é responsável pela organização
dos desafios na sua “casa”, dos quais é o titular dos direitos publicitários e
televisivos.
Os Nossos adversários preferiam os tempos da
partilha de sponsors e em que o “mamão chupista” roubava despudoradamente o
Glorioso, mas lá terão de viver essas memórias, com a noção de que foram tempos
que não voltam mais.
Condições para a partilha de receitas.
Parece-me óbvio garantir que, qualquer que venha a
ser o modelo de “negociação centralizada”, ela só será viável se todos os
clubes se considerarem beneficiados e justamente remunerados (além da
pequena comissão que a LPFP lhes vai cobrar pelo serviço de negociação)!
E, se houver algum clube que não se sinta
justamente remunerado, é óbvio que ele não vai querer participar nesse
processo, retirando dele os seus desafios “em casa”, especialmente se tiver uma
alternativa que lhe seja favorável.
Isto é tão simples e evidente que me custa
compreender como é que ainda podem subsistir dúvidas, sobretudo no caso do
Glorioso que já tem uma alternativa, testada e comprovada, para comercializar
os seus direitos de TV e publicidade!
É que os clubecos, desde o mais pequeno ao mais
ridículo, se se considerarem “mal pagos” têm sempre uma única alternativa, que
passa por contratarem com a sporcos, ... ou com a BTV, caso dela recebam alguma
oferta, enquanto o Benfica conhece todos os dados do negócio (custos e
proveitos), pelo que só não “compra” e
transmite os seus desafios (quer na Catedral, quer fora), se achar que eles estão
a ser competitivamente pagos por outros operadores.
Mais simples e evidente do que isto, não me parece
fácil!
Fórmulas para a negociação centralizada.
Seja qual for o mercado (interno ou externo), todos
sabemos que os desafios da Liga NOS têm audiências potenciais decrescentes na
seguinte ordem:
1 Os desafios do Glorioso com osgalhada e andruptos
na Catedral;
2 Idem para os que jogamos no wc e no ladrão;
3 Os desafios entre osgalhada e andruptos;
4 Todos os outros desafios do Glorioso na Catedral;
5 Idem para os que jogamos fora;
6 Todos os outros desafios de osgalhada e andruptos;
e, finalmente,
7 Os desafios entre os restantes clubecos.
Quanto aos desafios da segunda liga, que têm um
valor muito mais baixo, sinceramente creio que a sporcos só terá concorrência
nos desafios em que participem equipas B, especialmente nos casos do Glorioso e
de clubecos que tenham canais próprios de TV, além de, eventualmente, outros
canais por cabo como a “bolha” e a “cm”.
Para a segunda liga, creio que a grande vantagem da
centralização pode decorrer da eventualidade da sua venda (em pacote) para
mercados externos, com destaque para os PALOP e os países com maiores colónias
de emigrantes. Assim apareça(m) algum(ns) comprador(es) interessado(s).
Ainda quanto aos mercados externos, creio que o
posicionamento da Nossa BTV pode vir a definir muita coisa, dependendo dos seus
planos de expansão em alguns desses mercados e, sobretudo, da sua eventual
política de alianças (que eu não duvido que se vão generalizar ... essas
alianças entre operadores).
Sinceramente e quanto ao mercado nacional, muito me
surpreenderia se as melhores ofertas pelos jogos dos três primeiros grupos não chegassem das TV’s que transmitem em canal
aberto, uma vez que são elas que têm as melhores condições para acrescentar
valor a esse tipo de conteúdos, mas eu espero que a BTV possa assegurar a
partilha das transmissões dos Nossos jogos, na Catedral e fora.
Quanto aos outros encontros do Glorioso na Catedral
(grupo 4), eu não acredito que eles deixem de ser, todos, transmitidos pela BTV,
embora admita que, no quadro de eventuais alianças, esses conteúdos possam vir
a ser partilhados com outros operadores.
Finalmente, ainda quanto ao mercado nacional,
parece-me que o grupo (5) dos Nossos outros jogos fora da Catedral vai ser o
principal palco de concorrência entre os operadores (BTV incluída) e a
principal fonte do previsível aumento de receitas dos clubes mais pequenos.
Tudo vai depender de como é que cada um desses
pequenos clubes vai obter melhores propostas: se vendendo todos os seus
direitos em conjunto, ou se vendendo separadamente cada um desses (jogos)
conteúdos.
Conclusão.
Como vêem, Companheiros, tal como eu escrevi antes,
um simples exercício de bom senso permite alimentar a espetativa de vermos
ainda mais jogos das Nossas duas Equipas na BTV (quer de cá, quer do
estrangeiro, quer jogados em casa, quer fora), eventualmente com o “sacrifício”
daqueles disputados na Catedral com osgalhada e andruptos, um sacrifício que, a
acontecer, terá de significar um grande aumento dos Nossos Proveitos.
Que ninguém se esqueça (ou finja que se esqueceu)
que a BTV não pode “perder direitos”, pela simples razão que os direitos não se
“perdem”: podem ser cedidos, total ou parcialmente, (vendidos, alugados,
trocados, etc.), se e só se tal for considerado vantajoso pela parte que
aceita cedê-los.
Que ninguém se esqueça (ou finja que se esqueceu)
que a BTV, enquanto operador devidamente licenciado, pode concorrer em pé de
igualdade com todos os outros operadores e para a transmissão de todos os
jogos que considere interessantes para os seus subscritores e anunciantes.
E os factos comprovam que ela tem sido capaz de vencer os seus concorrentes em
diversas ocasiões.
E tal como referiu o Enorme FranciscoB “A transmissão dos nossos jogos fora teria um retorno desportivo intangível e difícil de avaliar - a ausência dos constantes cumentários canalhas, das repetições "à la carte", das linhas amestradas e de outras pulhices do género só poderiam ser benéficos para o Benfica...”, ao qual eu acrescento que serão benéficos, também, para a Verdade Desportiva e a credibilização do Futebol nacional.
Que ninguém se esqueça (ou finja que se esqueceu), tal como recordou o Enorme Pedro, que o mercado tem um novo “player” (a Altice) que, uma vez ultrapassada uma primeira fase de “limpeza doméstica”, vai querer ter um papel neste mercado (rentabilizando a sua vertente internacional, nomeadamente em França) que pode passar por alguma(s) aliança(s).
Que ninguém se esqueça (ou finja que se esqueceu) que os Nossos dois principais sponsors têm projecção e ambições pluricontinentais, tal como o Benfica e que essa projecção Nos pode abrir portas fundamentais no mercado da distribuição de conteúdos desportivos (os Leitores do GUACHOS sabem como eu passei a considerar importante a Nossa estratégia de internacionalização).
Últimas notas.
Apesar da enormidade deste texto, não posso deixar de me referir a mais três pontos que decorrem dos vossos comentários anteriores...
A primeira para discordar do Enormérrimo Carlos Alberto (o Autor do BENFILIADO do qual eu sou um fã confesso, um Benfiquista ao qual eu reconheço uma inteligência rara e fortíssimas competências nas áreas do Marketing e da Comunicação) quando ele sugere que a Nossa política desportiva (empréstimos de Atletas) deve estar ao serviço das “batalhas contra o POLVO” e porque não me parece que o Benfica deva “comprar” apoios onde e como quer que seja: o Glorioso tem o dever (um dever que é patriótico) de lutar pela credibilização de todo o Desporto em Portugal e, nesse sentido, deve aplaudir e apoiar todos os que se lhe quiserem juntar, mas não deve “comprar apoios”, até porque pode sempre aparecer quem “pague mais caro”.
A segunda para discordar do Companheiro AACM quando ele define como objectivo fundamental da Nossa BTV a falência da sporcos, por mais que eu reconheça que se trata de um ninho de inimigos do Nosso Clube. A sporcos nunca foi o POLVO, embora o tenha financiado (quando tinha dinheiro para isso, ahahah).
Finalmente e porque eu não fui o único a admitir que possa existir alguma ligação entre os futuros desafios da BTV e o (pelo menos aparente) exagero no esforço de contenção de custos e (demasiado rápido) aumento da autonomia financeira do Grupo Benfica, quero que os Leitores saibam que, nesse caso, uma vez mais eu vou discordar dessa (eventual) opção estratégica do Presidente.
Fico doido quando vejo, oiço ou leio abestalhados a colocar em causa a capacidade de investimento do Benfica: há muita gente ignorante e outra tanta carregada de má-fé, que “interpretam” alguns sinais como se fossem negativos, quando não é disso que se trata. É como se um milionário o fosse menos por não comprar carro, casa e barco novos todos os anos.
Quando lermos o “R&C” do exercício concluído em 30 de junho, confirmaremos que o Grupo estava em situação de excesso de liquidez, mesmo depois de ter antecipado diversos pagamentos a fornecedores e, por isso mesmo, ter recusado alargar a emissão obrigacionista em mais 10M€ (quando tinha procura para mais e estava autorizada a fazê-lo).
Uma vez mais vou repetir, ainda e sempre por escrito: o Grupo Benfica não tem nenhuma necessidade de financiamento para a qual não tenha propostas concretas (algumas das quais em condições de vantagem quando comparadas com as oferecidas pelos seus actuais parceiros bancários)!
O Grupo Benfica não deve nem um cêntimo, nenhum favor, nem qualquer preferência anormal aos dois Bancos nacionais com quem tem mais financiamentos, bem pelo contrário, porque lhes tem enchido os bolsos com um impecável serviço da dívida (tomara esses Bancos terem muitos outros Clientes de igual valor).
Por agora fico-me por estas frases e guardo o resto para o próximo texto.
Viva o Benfica!