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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Os mitos de 2014 (IV)

Por José Albuquerque

O mito “made in Benfica”.

Sem nenhuma dúvida, o mais belo de todos os mitos, aquele que mais mexe com todos Nós e que mais tempo Nos deu (e ainda vai dar) para darmos largas aos nossos altos conhecimentos técnicos e de gestão desportiva (assim mesmo, tudo em minúsculas, porque nenhum de nós percebe um boi destes assuntos).
Mesmo quando não temos nenhum Filho, ou Neto, a fazer formação desportiva no Clube (um péssimo sinal, excepto para os que vivem longe de Lisboa, ou não têm filhos), há sempre os filhos de alguns Companheiros, miudagem que vimos crescer nas bancadas da Catedral e/ou dos pavilhões e cujo Amor ao Clube conhecemos muito bem. Miudagem em quem depositamos a esperança de um Benfiquismo maior e melhor que o nosso próprio e que, por isso, acreditamos que honrarão sempre o Manto Sagrado. Miudagem que simboliza o futuro do Glorioso para além de Nós.

Como eu considero o Universalismo um dos Nossos Valores fundamentais, nem vou perder tempo com patrioteirismos bacocos: o que está em causa é responder a uma pergunta simples … pode ou não, deve ou não, o Benfica assentar o seu crescimento desportivo sobre um edifício que se alicerce na promoção do desporto e, depois, na formação de Atletas filiados no e pelo Clube, até que eles cheguem ao mais alto nível e incorporem as Nossas Equipas de Honra em todas as modalidades?

Trata-se de uma pergunta de fácil resposta em todas as modalidades verdadeiramente amadoras (um redondo SIM!), mas que, nas modalidades apenas aparentemente amadoras, tem uma resposta quase impossível, ou seja: o Clube deve continuar a reforçar os seus investimentos na formação dessas modalidades, mas a oportunidade de vestir o Manto Sagrado e defender o Nosso Emblema tem de continuar a ser dada aos melhores Atletas, nacionais ou não, que o queiram fazer e que os Nossos Técnicos considerem como verdadeiras mais valias nas Nossas Equipas, esperando Nós que os jovens formados no Clube possam preencher um número crescente dessas necessidades e, se possível, aumentar o nível de exigência para com esses reforços recrutados fora.

No caso especifico do futebol profissional, o caso torna-se ainda mais complexo e por mais que o voluntarista do Nosso Presidente entenda (a meu ver muito mal) lançar e insistir em bandeiras do tipo “made in Benfica”, por mais que alguns de Nós (sobretudo os mais velhos) reafirmemos que “antigamente, todos os anos tínhamos novos ex-juniores a integrar o Plantel de Honra”, o que nem sequer corresponde aos factos históricos, dado que muitos desses jovens provinham de outros clubes.
A este propósito e apenas de memória (desculpem, mas não tenho pachorra para fazer pesquisas na internet), se retirarmos futebolistas como o Eusébio, o Coluna e outros que chegaram ao Benfica quando já eram estrelas dos campeonatos de Angola e Moçambique, se retirarmos o Rui “Maestro” Costa, o Paulo “bandalho” Sousa e o estupor do “Maniche”, eu apenas me consigo recordar de alguns antigos Atletas que jogaram pelos Nossos Juniores: o Chalana, que já alinhava pelos seniores do Barreirense, o Simões, o Humberto Coelho e o Nené. Ou seja: ou eu estou ridiculamente desmemoriado, ou fica provado que o Glorioso nunca assentou o seu futebol na formação, nem naqueles tempos em que os futebolistas eram quase “escravos” do seu clube e em que o mercado internacional de futebolistas se contava pelos dedos das mãos.
Mas, mesmo que não fossem estes os factos, há que reconhecer que a actual indústria do futebol e os seus regulamentos de transferências, nada têm a ver com os de há 60, 50, 40, 30 e 20 anos, antes do chamado Acórdão Bosman: antes, o Benfica vendia Atletas quando precisava de dinheiro (embora não tivesse Passivo), enquanto hoje temos de os vender mesmo quando não queríamos, ou nem necessitávamos.

Depois vieram os anos de que nos devemos envergonhar (já depois do Acórdão Bosman) e que terminaram com a verdadeira aniquilação de toda a formação no Nosso futebol.

Hoje, finalmente, todos os imensos investimentos realizados pela Nossa SAD, quer em infraestruturas desportivas, quer em recursos humanos dedicados, quer pelos projectos Geração Benfica e Escolas, começam a frutificar numa hegemonia cada vez mais expressiva do Clube no futebol jovem, expresso no acumular de títulos internos e na frequência com que essas Nossas Equipas participam, vitoriosamente, em torneios internacionais, defrontando as suas congéneres dos melhores clubes do mundo. Por isso, agora sim, o Glorioso pode e deve considerar a sua “Fábrica” como um pilar do seu crescimento desportivo e económico, tal como eu venho defendendo num plano teórico.

Quer isto dizer que podemos esperar ter a Nossa Equipa de Honra composta essencialmente por Atletas “made in Benfica”?
Não creio! Ou melhor … só se tivermos muita sorte, ou, se preferirem, por felizes coincidências.
Sempre que do Seixal saírem Atletas de topo, vai acontecer-lhes o mesmo que aconteceu aos “manueis” tipo Di, Luiz, Fábio, ou Rodrigo, que vimos chegar de outras paragens ainda garotos, que vimos crescer e … acabaram por partir em troca de muitos milhões. Sempre que do Seixal saírem Atletas de “quase topo” como um Luisão, Maxi ou André Almeida, talvez os consigamos manter na Equipa por muitos anos. E sempre que do Seixal saírem Atletas como os Miguel Vítor e Rosa, eles vão ter espaço na Equipa B ou através de empréstimos, para demonstrar que, pelo menos, chegam ao nível de “quase topo” que lhes pode abrir as portas do Nosso Plantel principal, a menos que algum tubarão acredite mais no seu potencial (como no exemplo do André Gomes) e arrisque um valor irrecusável, ou, caso não tenham sucesso, acabem por fazer carreiras profissionalmente honestas e suficientemente rentáveis, mas fora do Benfica.
E, notem bem, apesar de todo o investimento de que o Seixal e a Equipa B são as bandeiras, eu considero que o Nosso “scouting” deve continuar a perseguir e recrutar outros potenciais “manueis”, nacionais e estrangeiros, de todas as idades abaixo dos 22 anos e que não impliquem investimentos exagerados, como fonte alternativa de alargamento da Nossa base de selecção de futebolistas seniores.

Tudo o que implique estabelecer quotas reservadas num Plantel para Atletas promovidos dos juniores, parece-me um absurdo, nem que fosse apenas por mero objectivo de Gestão, quanto mais como uma real restrição aos que tiverem a responsabilidade de assumir os resultados desportivos.
Companheiro Presidente, por favor … deixe-se disso.
E outra coisa de capital importância passa pelas idades dos Atletas que formam o Nosso Plantel principal e que não podem ser jovens em número exagerado, sob pena de verificarmos uma significativa perda de maturidade competitiva, mesmo quando se trate de jovens cujo percurso de formação foi o melhor possível, como é o caso dos Nossos juniores.
A idade, tal como a compleição atlética, não deve estar sujeita a limites, mas há que reconhecer que nenhuma Equipa pode ter muitos “teenagers” e/ou “meia lecas”: dois ou, no máximo, três de cada e … chega!

Conclusão.

O futebol ainda é um jogo, mas é muito mais um Desporto e do mais alto rendimento que há, além de ter um impacto económico transcendental, pelo que não me parece ser compatível com voluntarismos, ou demagogia.
O Benfica, pelo menos aos olhos ignorantes deste apaixonado que eu sou, tem feito quase tudo muito bem no que toca ao conceito da formação de futebolistas e tem, hoje, um edifício formidável (ao qual só falta uma Equipa de sub21, talvez a disputar o campeonato de Chipre, ou a Liga Adelante) que pode e vai potenciar muito bons profissionais até aos 23 anos.
Essa “Fábrica de manueis” pode e deve vir a alimentar a Nossa Equipa de Honra com muitos e bons Atletas … a longo prazo. Tal como pode e deve ser uma fonte de Proveitos suficientemente significativa a ponto de reduzir o número de titulares que saem todos os anos, por via de um acréscimo salarial sustentado e sustentável.

Tal como a Nossa BTV, a Nossa “Fábrica” também é demasiado estruturalmente importante para o Benfica, para que seja objecto de mitos e/ou discursos demagógicos.       

Bom Ano Novo Benfiquista!


Viva o Benfica!

Leia também a parte I , parte II e parte III deste magnifico trabalho de reflexão!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Os mitos de 2014 (III)

Por José Albuquerque

Numa breve introdução e agora que entramos nos mitos que implicam a forma como vemos o Nosso futebol, cumpre-me, de novo, implorar aos Leitores do GUACHOS que me não levem muito a sério, porque eu continuo a perceber pouquíssimo disto, embora nunca vá deixar de tentar compreender o fenómeno.

O  mito dos “4 milhões”.

Se há defeito que eu não tenho, felizmente, é ser invejoso: nunca fui, não sou e já não vou a tempo de vir a ser.
Se há qualidade humana que eu valorizo, é a capacidade de trabalho e quando ela vem associada a outras como a fidelidade, a honestidade, a coragem e, se possível, ao talento, creio que estão criadas as condições para termos uma “superpessoa”, qualquer que seja o seu sexo ou profissão.
Enquanto trabalhei por conta de outros, nunca perdi nem um segundo a pensar nos salários dos Colegas e, depois de optar por uma vida empresarial, sempre deixei claro aos meus Colaboradores que, com a excepção da responsável pela Gestão das competências (assim se chama, agora, aos antigos DRH), seria péssimo preocuparem-se com os rendimentos dos outros.
Desgraçadamente, o Benfica deste milénio sofre os horrores da inveja em relação a, primeiro, um Homem – o Presidente, e, depois, a dois, desde que se soube que o Nosso Técnico é dos mais bem pagos do mundo. Ainda por cima, tratando-se de dois Homens de origens extremamente humildes e que devem a si próprios tudo o que ganham.

Quem me conhece, ou acompanha o que escrevo, sabe que eu não teria escolhido nem um, nem outro e isto apesar de ter reconhecido os imensos méritos do Companheiro Vieira ainda na fase de preparação da candidatura do Manuel Vilarinho. Por isso, ainda mais confortável me sinto para lhes reconhecer todos os imensos méritos que patenteiam e colocam ao serviço do Glorioso. Todos sabemos que “de insubstituíveis estão os cemitérios cheios”, mas … faço votos para que não tenhamos de substituir nenhum dos dois pelo mais longo prazo possível.

O Nosso Técnico tem defeitos? Comete erros? Podia ser ainda melhor? Podia produzir o mesmo sem tantos incentivos financeiros?
Talvez sejam afirmativas todas as respostas a estas perguntas, mas, ainda assim, nada disso justifica a miserável inveja dos seus detractores e, acima de tudo, nada disso justificaria o risco de uma substituição, com a consequente quebra da estabilidade técnica conseguida e a negação de uma fórmula comprovadamente ganhadora.

Humildemente, reafirmando o pouco que percebo de futebol, eu considero o JJ um dos melhores Técnicos da actualidade e só não vou mais longe porque somos todos contemporâneos daquele que julgo que vai ficar na História do Futebol como o melhor Técnico de todos os tempo – o Senhor Josep Guardiola.
Comparar o trabalho de cinco anos e meio do Nosso Técnico com o de outros em Portugal, parece-me razão bastante para a perda total de toda a credibilidade da parte de quem o pretende fazer: com as (muitíssimas) competências que, inegavelmente, ele tem e a (certamente soberba) colaboração de toda a sua Equipa, o Senhor Jorge Jesus tem conseguido formar Equipas capazes de atingir graus de verdadeira excelência em todos os aspectos (ou momentos, se preferirem) do jogo, conjuntos que potenciam os pontos mais fortes dos seus componentes e quase fazem desaparecer algumas das suas insuficiências. Em frases curtas e para que elas possam tornar-se em axiomas, o Benfica de JJ:

- tem defendido, quer com poucos (em transição), quer com muitos (em organização) e, mesmo, em situações de inferioridade numérica, contra equipas fortíssimas muitas vezes, com uma perfeição que eu não me recordo de ter visto antes;
- tem atacado, quer em transições, quer em organização posicional, a um nível tal que só tem paralelo nas minhas (poucas) melhores memórias das décadas de 60, 70 e 80 do século passado; enquanto pode contar com um grande finalizador, atingiu níveis muito raros de concretização; e
- tem construído, contra os pareceres de todos os “especialistas”, alguns dos melhores Atletas da atualidade, algumas das melhores “duplas” de todos os tempos (Luisão e Garay, Saviola e Tacuara e, sobretudo, Enzo e Matic), oferecendo ao futebol mundial alguns Atletas que, mais ou menos promissores ‘ab initio’, atingiram inesperados níveis de eficácia e eficiência.

A tudo isto acresce que as circunstâncias económicas e financeiras envolventes ao seu trabalho, ainda que com algumas condições de excelência, obrigaram a que o Técnico tivesse de reconstruir as suas Equipas a cada nova época desportiva, uma vez que, entre outros motivos naturais, o brilhantismo antes atingido atraiu os apetites dos clubes financeiramente mais poderosos do mundo, resultando em saídas sucessivas e sempre, sempre, de Atletas considerados “insubstituíveis”.

Depois e em cima de tudo isto, pretender discutir (no sentido de regatear) o salário deste Profissional, só caracteriza e eloquentemente, a pobreza de espírito de quem não tem nada importante para fazer.
Eu tenho escrito repetidamente que considero ‘perfeito’ este casamento entre o Benfica e JJ e exorto o Presidente a considerar como absolutamente prioritária a manutenção desta Equipa Técnica e o seu provimento com as melhores condições possíveis para que ela possa maximizar a sua capacidade produtiva, mesmo que tenha de “pisar o risco” das Nossas capacidades financeiras.
Paralelamente, espero que a Nossa Equipa Técnica não ambicione um certo ‘aburguesamento’ e mantenha, ou ainda aumente, a ambição que a pode levar a conduzir o Clube ao pináculo do futebol mundial.

Difícil?
Não! Dificílimo e, por isso mesmo, um desafio ao Nosso nível!         

O mito da “alergia Chamada Champions”.

Este não é um mito: é pura má fé!
A Champions é uma prova na qual o apuramento na fase de grupos depende de dois factores fundamentais: um sorteio feliz e um bom pico de forma desde setembro!
A segunda condição é incompatível com o Nosso actual modelo de valorização e venda dos melhores Atletas e a primeira (não me refiro ao sorteio dos nomes dos adversários, outrossim das suas equipas de futebol), bem sabemos que Nos tem sido completamente madrasta.
Ainda assim e mesmo com esta “alergia”, o que é incontestável é que o Nosso Clube reconquistou um prestigio internacional que tinha perdido há mais de duas décadas.

De qualquer modo e para que não fiquem dúvidas sobre a minha posição pessoal, o objectivo anual de passagem aos quartos de final da Champions tem de permanecer como um dos principais objectivos mínimos a serem prosseguidos pela Nossa Equipa de Honra de futebol.

Para não abusar da vossa paciência, vou deixar o mito “made in Benfica” para o próximo texto.

Bom Ano Novo Benfiquista!

Viva o Benfica!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Os mitos de 2014 (II)

Por José Albuquerque

O mito do “all in”.

Não se discutindo que os andruptos fizeram uma aposta num novo modelo de gestão desportiva, eu não concordo com este mito que os coloca numa situação de quase “haraquíri”, a menos que vençam a Champions e todas as provas internas onde ainda estão em situação competitiva: na minha humilde opinião, os andruptos só estão a fazer o que tinham de fazer para tentar impedir a consolidação da Nossa hegemonia no futebol e atendendo a que deixaram de contar com o seu “velho e confiável” (tradução bacoca do Old Reliable) braço apintador, marco fundamental na actual fase de senilidade do POLVO, já claramente insuficiente para lhes garantir os sucessos de ainda há tão poucos anos.
Longe de mim embandeirar em arco e pretender anunciar a erradicação do mostrengo que garroteou a Verdade Desportiva em tantas modalidades e resultou naquilo que eu designei por “des porto” nacional, tal como, pela mesma honestidade intelectual, não creio ser possível escamotear que, com raras excepções (duas modalidades e, talvez, pelos resquícios regulamentares), o velho “xistrema” já não tem a capacidade para, por si só, definir todos os resultados.

Quanto a uma segunda faceta deste mito do “all in” – a que lhes anuncia o abismo económico e financeiro, eu sugiro a todos os Companheiros que não cometam o mesmo erro que andruptos e osgalhada cometeram ao sonhar com a morte definitiva do Benfica antes do tempo, como sequência das sucessivas e desastrosas equipas de gestão que elegemos na derradeira década do século passado. Convençam-se de que a Nossa Vitória não vai resultar da derrota dos andruptos e ainda menos do seu fenecimento: a Nossa Vitória vai ter de ser conquistada (nas 3 diferentes frentes de batalha que estão identificadas há muitos anos) e merecida.
Os andruptos continuam a manter múltiplos recursos patrimoniais e, sobretudo, desde que a turba anti Benfica continue a achar, como continua, que tudo vale desde que seja contra o Nosso Clube, subsistem muitas formas de ajuda externa com recursos e determinação suficiente para lhes oferecer balões de oxigénio, mesmo antes de pensarmos num qualquer outro bilhardário, seja ele de que origem for.

Concluindo e em síntese:
. a realidade tinha comprovado que os andruptos tinham de mudar de modelo de Gestão;
. e eles mudaram-no, embora ainda não sejam claros (humildemente e para mim) quais os contornos essenciais desse novo modelo; e, finalmente,
. o clube andrupto não está a fazer nenhuma aposta no curto prazo, nem vai desaparecer (ou falir) se não conquistar nenhum titulo nesta época desportiva.     

O mito da “reestruturação financeira”.

Finalmente consumou-se a parte de leão da benesse de 80ME, por 12 anos e sem juros (excepto se a osgasad tivesse lucros, ahahah), que constitui, na minha humilde opinião, a mais grave medida de discriminação positiva concedida a um dos participantes nas competições nacionais do “fute luso” e que eu não entendo como pode ser tolerada por todos os restantes clubes e/ou sad com equipas profissionais de futebol.
Particularmente, eu estou-me marimbando para o que vai acontecer na osgasad ao longo destes 12 anos, ou para quem serão os seus accionistas no final desse prazo: esses são problemas que dizem respeito a toda a osgalhada e eu desejo-lhes muita sorte nesse esforço hercúleo que lhes vai ser necessário se quiserem arrancar o antigo Sporting do abismo em que o enterraram, enquanto eu nunca escondi que prefiro que o Glorioso compita com equipas da osgalhada do que com outras de outros clubes nacionais quaisquer que eles sejam.
Mas esses meus votos de boa sorte não podem ser confundidos com uma disponibilidade para tapar este sol de vergonha com uma peneira, deixando que esta tremenda deturpação da Verdade Desportiva possa passar despercebida. Mais ainda e porque receio que, no médio prazo, talvez também os andruptos sejam candidatos a este tipo de ajudas, eu creio muito sinceramente, que o Nosso Clube (e os Nossos Corpos Sociais) não pode(m) permitir que a incompetência indigente de todas as instituições que regem o fenómeno desportivo, sejam as nacionais, sejam as continentais, deixem de registar esta absurda anormalidade.
Para justificar esta minha humilde opinião, vou recorrer ao único caso similar que conheço e recordar o exemplo mediante o qual o clube A.S.Mónaco foi obrigado a pagar uma indemnização compensatória que minimizasse as suas evidentes vantagens fiscais, para poder participar nas competições disputadas com os clubes franceses.

Ou seja, não estando em causa a liberdade negocial (no âmbito do direito privado) entre a osgalhada e os dois Bancos que houveram por bem conceder-lhe aquelas benesses, eu considero que o Nosso Clube deve bater-se institucionalmente contra esta evidente distorção das condições competitivas, quer para que seja encontrada uma justa compensação, quer para que fique estabelecida jurisprudência no quadro da justiça desportiva a observar em todos os eventuais futuros casos similares.

Já ao nível da UEFA e das disposições especificas do Fair Play Financeiro, os regulamentos parecem-me suficientemente claros (embora eu deles discorde), nomeadamente ao preverem a eventual correcção a todos os valores, de Custos e Proveitos, comprovadamente fora dos valores de mercado, ou seja: se a UEFA já considerou inflacionados os valores indicados para alguns sponsors e para alguns clubes (o PSG e o M. City), eu não vejo como poderiam não ser igualmente corrigidos os valores relativos aos Custos Financeiros (vergonhosamente subavaliados) expressos nas contas da osgasad.
Para mais e pretendendo a UEFA alinhar num combate ao papel dos fundos de investimento nas operações dos clubes e sad, permitir contratos de empréstimo (que é isso que são as famigeradas VMOC’s) com remunerações em função de certos resultados, vai abrir (mais) uma verdadeira autoestrada para a formalização e legalização das operações de financiamento que os fundos sempre fizeram recentemente, ficando a alegada revolução limitada ao detalhe formal do impedimento de partilha dos direitos económicos sobre os atletas, facto que, por mero exemplo, não impediu a transferência do Ramires do Nosso Clube para o Chelsea.

Concluindo, a osgalhada não procedeu a nenhuma “reestruturação financeira”, tendo, apenas, sido objecto de um tremendo perdão de juros (cuja total extensão ainda não se conhece) que constitui uma vantagem competitiva indecente e completamente injustificada, uma vez que foi concedida exactamente ao clubeco campeão dos incumprimentos bancários em Portugal.    
  
Viva o Benfica!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os mitos de 2014 (I).

Por José Albuquerque

Parece-me inegável que este ano que agora finda se vem juntar a uma já longa série que fica na memória dos mais atentos pelos inúmeros mitos que se vão desvanecendo aos mesmos ritmos avassaladores, quer do desenvolvimento cientifico, quer dos mais miseráveis sinais que escorrem daquilo a que chamamos civilização e, no plano mais estrito do “des porto” nacional e do “futeluso”, o panorama também não poderia ser diferente.
Ora como sucede que Nós amamos o Maior Clube do Mundo, que, também por isso, constitui o pináculo em torno do qual gravitam dezenas de milhar de agentes desportivos e/ou simples interessados a ele conectados através de uma mérdia indigente, não Nos podemos surpreender ao verificarmos que uma boa dose desses mitos como que se pegam ao glorioso nome do Benfica.

Nesta série de textos, vou tentar abrir um espaço para que, aqui no GUACHOS, possamos todos Benficar sobre aqueles que julgo serem os mitos recentes mais relevantes, começando por sugerir aos Leitores que completem esta minha lista inicial com outros temas dos quais eu me possa ter esquecido.
Na (minha preferencial) área económica, ao mais velho mito do “Passivo”, veio agora juntar-se o novo mito “Promovalor”, havendo gente que insiste na tecla que tenta atacar o Presidente por via de alegados problemas nos seus negócios pessoais e pretendendo que esses poderiam estar na base de inventadas dificuldades de financiamento do Grupo Benfica. Ainda nesta área, surgiu o mito do “all in” que anda de braço dado com um sonhado abismo financeiro dos andruptos.
Na área institucional, acumulam-se vários mitos fresquinhos, desde a tal “santa aliança” ao desejado definhamento do que resta da “olivedosporcos”, passando pelo caso da “reestruturação financeira” da osgalhada que, na minha humilde opinião, constitui a mais gritante deturpação actual da Verdade Desportiva e, por isso mesmo, tem de ser desmascarada como tal.
Finalmente e na esfera desportiva, aos já estafados mitos dos “4 milhões” e da “alergia chamada Champions”, recentemente agravados pela precoce eliminação das provas da UEFA, tem assumido um papel quase monopolista o novo mito “made in Benfica”.

Ou seja e assim de uma penada, quase uma dezena de temas que saltaram para o centro das polémicas este ano, ou, para os que vinham de antes, assumiram novas facetas determinantes recentemente. Mas que não se assustem os Leitores, que eu proponho-me abrir estes debates em suaves prestações …

O mito do “Passivo”.

Herdeiro natural do velho mito da “falência”, todo esbardalhado por anos e mais anos anunciada e nunca verificada, o mito do “Passivo” mistura menos ignorância e compensa com ainda mais má fé, uma vez que há que reconhecer que compreender as inúmeras fontes de subavaliação dos Nossos Activos não podia estar ao alcance de todos.
Mas se a mais desbragada ignorância já deixou de fazer escola, o mesmo não se passa com a vergonhosa desonestidade intelectual dos que alegam que deveria ter sido possível sair de um colossal abismo económico e financeiro e concretizar todos os investimentos deste milénio sem recorrer a capitais alheios: é aquilo que eu chamo de “sol na eira e chuva no nabal”, desejo normal naqueles que se consideram muito exigentes, mas, nunca, nunca, foram capazes de colocar alternativas no papel e, se possível, traduzidas em números.
Que nenhum Companheiro se iluda a este propósito: se queremos permanecer os donos do Nosso Clube, do seu Grupo Económico e dos Activos que o representam a longo prazo (não me refiro, portanto, a futebolistas), então há uma só forma de reduzir a parte do Passivo que Nos custa mais de 20ME anuais e essa passa pela acumulação de LUCROS e/ou outras vias para aumentarmos os Nossos Capitais Próprios.
Trata-se, pois, de uma verdade “lapalisseana” da qual é completamente impossível fugir, pelo que até um alcoólatra como o ‘osga roc’ sabe que reduzir rápida e fortemente o Passivo remunerado só não seria incompatível com resultados desportivos internos se fosse essa a opção dos andruptos (e eles estão longe disso).

O mito “Promovalor”.

Não deixa de ser espantoso como todos os anti, depois de passarem anos a acusar o Presidente de “comichões” e outros mimos que demonstravam que ele só tinha chegado onde chegou, do ponto de vista da sua fortuna pessoal, por ter sido eleito Nosso Presidente, agora, assim como quem não quer a coisa, querem idealizar um cenário em que uma alegada (e mais que ridícula) ruína pessoal do Companheiro LFV, estaria a ser um travão ao desenvolvimento e crescimento do Benfica.
Como sempre e em tudo o que Nos diz respeito, a miserável aliança entre os anti internos e externos repete furiosamente os mesmos boatos, confunde demagogicamente conceitos (como “dividas”, por exemplo) e especula sobre cenários absurdamente incredíveis, tudo isso na vã ilusão de menorizar os méritos de mais um homem de origens humildes e sem os privilégios académicos que, por isso, os esmaga sob uma inveja sem fim.
Que nenhum Companheiro se iluda e fique com pena de uma alegada ruína do Nosso Presidente, cujos negócios seguem florescentes e cujo património pessoal já há muito ultrapassou o limite do inatacável, ou com receios de que uma eventual falência de algum dos seus investimentos pessoais pudesse ter qualquer influência perniciosa sobre o Nosso Clube, uma vez que o Benfica também já ultrapassou, há vários anos, aquela escala em que poderiam existir receios de ‘orfandade’: a realidade económica do Grupo Benfica não depende de nenhum homem e nenhum dos Nossos dirigentes é insubstituível. Nunca o foram no passado e hoje muito menos.

O mito da “santa aliança”.

Tal como em todos os outros mitos que seleccionei, também este poderia ter outra designação e, se repararem bem, muitos são os que lhe chamam “como o Vieira deu a mão aos andruptos, oliveiredo incluído”. Nunca a designação de Taliban lhes assentou tão bem!
Ora muito bem: o “futeluso” estava confrontado com a iminência da interrupção de todas as competições organizadas pela LPFP (mesmo antes do inicio da Taça da Liga) e esses visionários fundamentalistas, alegadamente visando a “destruição da olivedosporcos/sporcostv” (ahahah, como se tal fosse possível, atendendo aos detentores da esmagadora maioria do seu capital), consideram que o Nosso Clube deveria ter gritado que “o Estado somos Nós”, impondo uma solução de capitalista numa operação de “takeover” sobre a LPFP, talvez completada com uma OPA da Nossa BTV sobre a sporcostv. E tudo o que ficasse aquém disso … cairia no titulo “como o Vieira lhes deu a mão”.
Que nenhum Companheiro se iluda e perca a consciência de que o maior risco que impende sobre o Nosso Clube e todos os Nossos projetos e ambições já não é a erradicação do POLVO imundo e grosso: o pior que Nos poderia acontecer seria uma falência das instituições e competições profissionais de futebol.

Vou deixar os mitos seguintes (e aqueles que nos queiram sugerir) para os próximos textos, mas não vou concluir sem alertar todos os Companheiros para uma verdade insofismável: claro que o Nosso Clube poderia ter feito mais e melhor nestes anos mais recentes, tal como, consequentemente, também poderiam ter sido mais e melhores os resultados desportivos alcançados pelas Nossas Equipas e Atletas.
Se preferirem outra forma de escrever a mesmíssima coisa, que nenhum Benfiquista aceite contentar-se com o tanto que já conseguimos construir e vencer nestes últimos anos, porque o Benfica (que somos Nós) não é Nosso: ele apenas Nos foi depositado nas mãos em nome dos Companheiros mais novos, a quem o haveremos de entregar maior e melhor do que o recebemos.              

Viva o Benfica!


P.S.: O Enormérrimo Guachos, nosso anfitrião neste formidável blogue, manifestou, a propósito do caso da prisão de um ex-primeiro ministro de Portugal, uma posição e opiniões que representam os antípodas daquilo que sempre foram as minhas convicções e, por isso, eu sinto-me moralmente obrigado a confessar-me envergonhado por ser cidadão de uma Nação com quase 9 séculos de História e, apesar disso, que ainda não conseguiu construir um Estado capaz de aplicar a Justiça de forma isenta, eficaz e equilibrada, preferindo desresponsabilizar grandes bandidos e prender cidadãos sem culpa formada e sem conseguir condenar em Juízo mais de 30%. Eu não conheço a pessoa em causa, nem nos ligam afinidades de nenhuma ordem além do nosso Benfiquismo, mas quero deixar bem claro que sou integralmente solidário com ele contra todas as indecentes afrontas de que tem vindo a ser alvo, incluindo as directamente perpetradas ou indirectamente permitidas pelo Estado Português.