Por José Albuquerque
Pedem alguns Leitores do GUACHOS que eu escreva um
texto que compare as realidades económicas e financeiras do Glorioso com a
osgalhada e os andruptos, numa solicitação repetida que eu tenho evitado
sistematicamente por uma boa série de razões, entre as quais destaco, por ser a
fundamental, o meu desconhecimento (e falta de curiosidade) sobre a realidade
desses clubecos.
De facto e enquanto eu me permito escrever sobre a
Nossa própria realidade da forma mais elementar possível e sem recurso a
rigores técnicos, porque o meu conhecimento profundo sobre o Benfica me coloca
a salvo de cometer erros que colocariam em causa a confiança com que os
Leitores me continuam a distinguir, a simples leitura (que acompanho há anos)
dos “R&C” da osgalhada e andruptos não me permite fazer o mesmo, sob pena
de pecar por erros e/ou omissões, coisa que nunca me vou permitir.
Entretanto, as recentes reestruturações desses
clubecos, com alterações profundas nos seus paradigmas de gestão e reflexos
determinantes nas respectivas “contas”, abre um espaço inevitável para reflexão
e debate, quanto mais não seja para que os Benfiquistas possam apreciar
contrapontos e/ou eventuais modelos alternativos aos que veem sendo seguidos pelos
Nossos Corpos Sociais e pelo CA da Nossa SAD.
O objectivo.
Nestes termos e humildemente, eu vou tentar
(re)discutir as actuais opções fundamentais de Gestão desses clubecos,
comprovando-as com os principais números apresentados nas respectivas “contas”, muito
mais do que proceder a uma comparação directa com as Nossas e, assim mesmo, sem
perder uma perspectiva da evolução temporal (uma década), sem a qual os mais
jovens poderiam não conseguir perceber quase nada do que andam, agora, a
testemunhar.
Não se lamentem, portanto, do facto de eu vos ir
obrigar a ler um texto particularmente longo (espero que servido em doses
suportáveis) e que vai fazer apelo a muitas das Nossas memórias, algumas das
quais muito desagradáveis.
Os grandes números, de agora.
Contas do 1º semestre (1 de julho a 31 de dezembro
de 2014)
QUADRO 1 - Milhões de euro
Valores negativos entre parêntesis
(*) Inclui 5,971ME de “Resultados (negativos)
relativos a investimentos em participadas”, por via da aquisição do BSF
(**) Inclui 127,9ME em VMOC’s
E, ainda nos números da actualidade, atentem ao
destaque seguinte dos valores (Custos) com Salários e FST (Fornecimentos e
Serviços de Terceiros)
QUADRO 2 - Milhões de euro
1 O quadro 1 já reflecte completamente a
reestruturação financeira da osgalhada (aumento de 20ME do Capital Social, por
transformação do antigo passivo/credito da Holdimo e novas VMOC dos 2 bancos
credores) e, também, a dos andruptos (integração de 47% do estádio do ladrão,
aumento do Capital Social em 37,5ME.
2 O quadro 3 reporta uma situação em que ainda nem a
Nossa SAD consolidava a Benfica Estádio.
3 Esse mesmo quadro 3 reporta o exercício em que os
andruptos, depois de vencerem a CL, efectuaram vendas astronómicas de passes de futebolistas;
se bem me lembro, algo próximo (em valor bruto total) dos 90ME (40 pelo Deco,
20 pelo Ricardo Carvalho, 20 pelo lateral direito vendidos ao Chelsea e 10 por
um lateral esquerdo vendido para o City)
E pronto, Companheiros, espero que a “digestão”
cuidadosa destes números vos sugira muitas perguntas, outras tantas dúvidas e,
acima de tudo, vos leve a pensar nos traços fundamentais com os quais se
escreveu esta última década, como forma de introduzirmos a segunda parte deste
texto, com a qual eu pretendo recordar os antecedentes destas realidades e,
consequentemente, descrever os modelos de Gestão que lhes estão inerentes.
Basicamente, vou tentar caracterizar e discutir o
modelo “brunalgas”, outro tanto quanto ao já chamado “all in” andrupto e, finalmente,
reafirmar o Nosso modelo de Gestão, um caso que pode parecer igualmente recente
(por via do fenómeno BTV), mas que eu considero que tem vindo a ser prosseguido
há mais de 6 anos, sistemática e coerentemente.
Viva o Benfica!

