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quarta-feira, 4 de março de 2015

1º semestre de 2014/15: vamos comparar as “Contas” (I)?

Por José Albuquerque

Pedem alguns Leitores do GUACHOS que eu escreva um texto que compare as realidades económicas e financeiras do Glorioso com a osgalhada e os andruptos, numa solicitação repetida que eu tenho evitado sistematicamente por uma boa série de razões, entre as quais destaco, por ser a fundamental, o meu desconhecimento (e falta de curiosidade) sobre a realidade desses clubecos.
De facto e enquanto eu me permito escrever sobre a Nossa própria realidade da forma mais elementar possível e sem recurso a rigores técnicos, porque o meu conhecimento profundo sobre o Benfica me coloca a salvo de cometer erros que colocariam em causa a confiança com que os Leitores me continuam a distinguir, a simples leitura (que acompanho há anos) dos “R&C” da osgalhada e andruptos não me permite fazer o mesmo, sob pena de pecar por erros e/ou omissões, coisa que nunca me vou permitir.
Entretanto, as recentes reestruturações desses clubecos, com alterações profundas nos seus paradigmas de gestão e reflexos determinantes nas respectivas “contas”, abre um espaço inevitável para reflexão e debate, quanto mais não seja para que os Benfiquistas possam apreciar contrapontos e/ou eventuais modelos alternativos aos que veem sendo seguidos pelos Nossos Corpos Sociais e pelo CA da Nossa SAD.

O objectivo.

Nestes termos e humildemente, eu vou tentar (re)discutir as actuais opções fundamentais de Gestão desses clubecos, comprovando-as com os principais números apresentados nas respectivas “contas”, muito mais do que proceder a uma comparação directa com as Nossas e, assim mesmo, sem perder uma perspectiva da evolução temporal (uma década), sem a qual os mais jovens poderiam não conseguir perceber quase nada do que andam, agora, a testemunhar.
Não se lamentem, portanto, do facto de eu vos ir obrigar a ler um texto particularmente longo (espero que servido em doses suportáveis) e que vai fazer apelo a muitas das Nossas memórias, algumas das quais muito desagradáveis.

Os grandes números, de agora.         

Contas do 1º semestre (1 de julho a 31 de dezembro de 2014)

QUADRO 1 - Milhões de euro
Valores negativos entre parêntesis 
(*) Inclui 5,971ME de “Resultados (negativos) relativos a investimentos em participadas”, por via da aquisição do BSF
(**) Inclui 127,9ME em VMOC’s

E, ainda nos números da actualidade, atentem ao destaque seguinte dos valores (Custos) com Salários e FST (Fornecimentos e Serviços de Terceiros)

QUADRO 2 - Milhões de euro
1 O quadro 1 já reflecte completamente a reestruturação financeira da osgalhada (aumento de 20ME do Capital Social, por transformação do antigo passivo/credito da Holdimo e novas VMOC dos 2 bancos credores) e, também, a dos andruptos (integração de 47% do estádio do ladrão, aumento do Capital Social em 37,5ME.
2 O quadro 3 reporta uma situação em que ainda nem a Nossa SAD consolidava a Benfica Estádio.
3 Esse mesmo quadro 3 reporta o exercício em que os andruptos, depois de vencerem a CL, efectuaram vendas astronómicas de passes de futebolistas; se bem me lembro, algo próximo (em valor bruto total) dos 90ME (40 pelo Deco, 20 pelo Ricardo Carvalho, 20 pelo lateral direito vendidos ao Chelsea e 10 por um lateral esquerdo vendido para o City)

E pronto, Companheiros, espero que a “digestão” cuidadosa destes números vos sugira muitas perguntas, outras tantas dúvidas e, acima de tudo, vos leve a pensar nos traços fundamentais com os quais se escreveu esta última década, como forma de introduzirmos a segunda parte deste texto, com a qual eu pretendo recordar os antecedentes destas realidades e, consequentemente, descrever os modelos de Gestão que lhes estão inerentes.
Basicamente, vou tentar caracterizar e discutir o modelo “brunalgas”, outro tanto quanto ao já chamado “all in” andrupto e, finalmente, reafirmar o Nosso modelo de Gestão, um caso que pode parecer igualmente recente (por via do fenómeno BTV), mas que eu considero que tem vindo a ser prosseguido há mais de 6 anos, sistemática e coerentemente.        

Viva o Benfica!