Um arrepio de indisfarçável satisfação percorreu, na noite de ontem, a espinha de grande parte dos verdadeiros 'verdadeiros', com o pito aos saltos desde que Roger Schmidt provou, na época passada, não ser capaz de ganhar os jogos todos e que, neste início de época, já teve o descaramento de ganhar a supertaça ao clube das putas sem meter a jogar os seus e os favoritos dos especialistas da especialidade, mantendo essa vontade inabalável (que me dá um gostinho especial que eu espero nunca o ver abandonar) de pensar pela própria cabeça cagando de alto para a MDCSDQT e para os catedráticos que nunca falham as previsões depois dos resultados feitos. Há por aí muito lobo com pele de cordeiro, e esses são os que me começam a provocar uma espécie de asco difícil de calar e suportar, apenas à espera (e como se nota essa vontade!) de mostrarem o (umbigo) que verdadeiramente lhes interessa. “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento.” - Stephen Hawking
Alguém me explica o que de bom resulta para o Benfica essa vontade de constantemente meter causa a capacidade de dezenas de profissionais qualificados, desde o scouting ao treinador e ao presidente (ex-futebolista de nivel mundial) ajudando a que, nas bancadas, o nervosismo se instale ao primeiro passe errado? Trubin já foi posto a arder na fogueira das vaidades. Bah - puta que pariu tanto especialista da treta - leva mais porrada dos "verdadeiros" que o foculportista Soares Dias. E torna-se penoso ouvir à nossa volta gente alienada a pedir aos gritos a entrada do Neres quando na época passada eram os primeiros a assobiar o brasileiro. Ouvir "ó Di Maria vai pró caralho" já é tão natural como escutar uma temporada antes "ó João Mário não vales um traque", ou o ''Odisseas é uma merda''. Ainda ontem, que o alemão já é uma besta, bastou João Mário ser substituído para se tornar indispensável. Então não se estava mesmo a ver (quem não se lembra do Bessa) que quem devia sair era o Di Maria? Florentino, que só sabia jogar para trás e para os lados - no Benfica basta sentar-se no banco de suplentes para se transformar num Zidane - se jogasse de início, só com os seus passes milimétricos para Musa (desde a chegada de Arthur ninguém lhes deu tanta tusa) nunca o Benfica terminaria a partida em branco.
Como eu escrevi na terça-feira passada, a chegada de Di Maria ao Benfica teve o condão de fazer de David Neres (saco de pancada dos catedráticos em toda a época passada) além de mártir, um craque à prova de especialista da especialidade! Ontem, muito pelo trabalho dos verdadeiros 'verdadeiros, que não se cansam de ajudar à integração das novas contratações, já teve o estádio quase inteiro a clamar pelo seu nome e o argentino campeão do mundo terá começado a perceber que o titulo vale zeros, no Benfica, não marcar o triplo dos golos do Gyokeres. A chegada de Arthur Cabral transformou um patinho feio (Petra Musa) num cisne. Jurásek, com 1,83 cm, fez do anão Grimaldo (ouvir gajos que o trucidaram épocas a fio a babarem-se de saudades pela sua ausência, dá-me nojo) até então a barreira gigante que durante 7 anos, além de raquítico (1,71cm) não sabia defender. Trubin transformou Odisseas no príncipe perfeito que durante 5 anos não passou de um sapinho feio. Samuel Soares, um desastre à beira de acontecer na época passada, em poucas semanas tornou-se a ultima coca cola do Seixal. A coisa está de tal maneira que o jovem ucraniano está a pontos de, mais dia menos dia, se tornar a pior e mais catastrófica contratação do Benfica! Pois aconteceu. Trubin já é, palavra de verdadeiro 'verdadeiro', a pior e mais catastrófica contratação do Benfica! Ouvir (e tantos que eu escutei ontem à noite!) os "verdadeiros" - "volta Odisseas que estás perdoado" - a gozar que nem alarves, confirma-o. Trubin, ou tem uns tomates de aço ou será trucidado pelos próprios adeptos em menos de um fósforo.
O jogo? tudo o que podia correr mal para o Benfica, correu. Duas grandes penalidades cometidas nos primeiros 15 minutos, uma expulsão (tal como os penaltis) perfeitamente evitável, um golo sofrido e uma arbitragem ao nivel do que melhor temos em Portugal. Artur Soares Dias, por exemplo, terá ficado orgulhoso ao ver um espécime da sua espécie a dar o mesmo tipo de alegrias naquele estádio. Roger Schmidt, no final, do muito que disse acertadamente ficaram-me na retina duas coisas. "Também devíamos ter tido um penalti antes do 1-0 e o número 6 devia ter sido expulso" e "Jogámos como se tivéssemos 11 para 11 até ao final". Schmidt não o disse mas eu recordo, que Halil Umut Meler (quase que aposto amigo do peito de Tiago Craveiro na UEFA) com os esqueléticos 5 minutos de desconto (só o guarda-redes gastou bem mais a repor a bola em jogo) também foi um grande amigo do Benfica. Da maneira que as coisas estavam, nem com mais 23 minutos a bola entraria na baliza do Salzburgo. Um minuto a mais que fosse só iria prolongar a minha e a agonia de Trubin!
Teve muito mais de positivo a brilhante exibição do árbitro, digna - imagino eu que, entretanto, não liguei a TV e nem faço intenção de ler qualquer tipo de jornal - dos maiores ecómios vindos de especialistas como Duarte Gomes, certamente a babarem-se com a coragem e o enorme acerto do turco. Bem estudada - assim como a performance do Salzburgo, que fez na Luz o mesmo que o clube das putas, e o Soares Dias, ano após ano excutam - pode obstar, quem sabe, a evitar os erros que na época passada quase levaram o 38 pelo cano! Jogar como se tivéssemos 11 para 11 até ao final é bonito, é a mais pura verdade, mas, a mim, leigo na matéria, e que, nas conversas de pós jogo, já me tinha parecido um verdadeiro suicídio, essa afirmação de Schmidt (que eu desconhecia por completo) por ser estratégica, confirma-o. A jogar com menos um e com 75 minutos para jogar, manda a prudência, digo eu, que não se atire a equipa para a frente, com sprints atrás de sprints, desgastando Di Maria e Rafa, que aos 45 minutos já davam sinais de intenso desgaste.
António Silva pediu desculpa pelo erro. Que todos assumam os seus, de preferência em privado, olhem para o que fez o Salzburgo e o árbitro e, sem esquecer o foculporto b do Algarve, comecem já a preparar o foculporto. Como eu acredito - mergulhos do Taremi e arruaças do boneco à parte - que o jogo será uma fotocópia, basta não cometer os mesmos erros para o resultado ser diferente. Olhar para o que aconteceu na época passada talvez dê algum jeito também. Senão, com Trubin queimado, e as restantes aquisições mais do que chamuscadas, a época do Benfica ameaça terminar bem antes do que era expectável. E isto, nem os verdadeiros "verdadeiros" esperavam tão cedo! Felizmente que, até sexta-feira, dia da assembleia geral, terão muito tempo para refazerem o caderno de encargos...
Um conselho aos verdadeiros escondidos sob a pele de cordeiros: ó seus caralhos, pelo menos disfarcem um bocadinho melhor! Com essa vontade toda de ir ao pote, torna-se complicado diferenciarem-se dos Rodolfos e dos prof, doutores Jorges do Amaral da vida airada.