A selecção joga como ele e só não é mais enfadonha porque tem vários jogadores que, por mais que lhe queiram ser prestáveis, nunca jogarão à sua imagem. Fernando Santos parece um homem das cavernas a quem ofereceram tecnologia de ponta para brincar! E não é por a resguardar com toneladas de trincos, gigantescos ferrolhos e avantajados cadeados que melhor a protege! Como é possível optar pelo futebol enfadonho de Danilo e William Carvalho tendo à disposição Pizzi e Rúben Neves que só falam a linguagem dos craques?
Portugal tem jogadores para fazer uma selecção à imagem da Espanha, que encantou o mundo com um futebol avassalador, baseado no Barcelona de Guardiola. Os nossos vizinhos optaram por treinadores descomprometidos que escolhiam, não em função dos desejos e dos amigos de uma estrela, mas olhando para o jogo colectivo que amassava os adversários sem contemplações. Souberam aproveitar uma geração única, que jogava de olhos fechados, que mandava no jogo sem receios de errar. Eram melhores, jogavam melhor e faziam questão de o provar. Em conjunto! Mais do que os muitos títulos que conquistaram entraram para a história pelo futebol de encantar! O campeão europeu de França, como a Grécia do Euro 2004, apenas será recordado pelos empates e pelo futebol enfadonho.
Mesmo com um portento como Rafa no banco, incapaz de o utilizar, ignorando o médio (Florentino) defensivo que mais brilhará na Europa nos anos mais próximos, ou mandando para as bancadas o central (Ferro) titular do campeão nacional, Fernando Santos - como qualquer outro tarefeiro no futuro - não conseguiu evitar a enxurrada de craques produzidos nas escolas do Benfica! Jogaram Nélson Semedo, Rúben Dias, Danilo, Bernardo Silva, Gonçalo Guedes, João Cancelo e João Félix! E não saíram do banco Mário Rui e Renato Sanches.
Bernardo Silva, apesar do ferrolho de Santos, mostrou um bocadinho do que pode fazer um "melhor médio da Europa" e Gonçalo Guedes precisa urgentemente de se libertar - como no golo que marcou - da obrigação de olhar para ver se tem autorização do Rónalde para arrancar e marcar. Ainda deu para matar um bocadinho as saudades do futebol e do perfume de João Félix, verificar que ninguém da merda de comunicação social desportiva que temos esteve particularmente atenta ao exemplar desempenho do árbitro, que não houve saudades do VAR e, pelo silêncio ensurdecedor dos especialistas da especialidade, aquele passe açucarado (bola perdida a meio campo no dizer dos expert) para o segundo golo da Servia deve ter sido obra do Nhaga! Ninguém consegue soletrar o nome do artista!

