Por José Albuquerque
Depois de rumores vários que pareciam sugerir que o
Nosso Clube iria estabelecer uma parceria estratégica com um seu já tradicional
Sponsor – a MEO/PT, hoje Altice, fomos surpreendidos (eu fui, pelo menos) com o
anúncio formal de um acordo que pode vir a ligar a Nossa BTV e a NOS,
envolvendo as transmissões dos desafios da Nossa Equipa de Honra, para o
campeonato, disputados na Catedral e que aponta para uma contrapartida de 400M€
para dez anos (a começar na época de 2016/17).
Embora se trate de uma verba impressionante e
incomparável na história da realidade nacional, creio que o desconhecimento
sobre todas as condições acordadas recomenda que se tenha muito cuidado, em
análises meramente especulativas, até ao próximo dia 10, data para a qual está
marcada uma apresentação oficial do projecto.
Mas ninguém pode, nem vai, ignorar este
acontecimento: uma vez mais, o Benfica comprova e assume por inteiro o seu
legítimo papel de liderança, qualitativa e quantitativa, em tudo o que
determina o fenómeno desportivo em Portugal!
E é por isso que eu me disponho a fazer,
imediatamente, aquilo que é possível fazer-se para melhor compreender o que
deverá ser o futuro deste projecto, não fazendo uma “avaliação” e/ou uma “crítica”
ao que desconhecemos, outrossim contribuindo para uma reflexão conjunta, aqui
no GUACHOS, sobre este tema.
E, para começar, sugiro-vos que entremos no
ambiente: recostemo-nos um pouco e recuemos 10 anos, para revisitar o que de
essencial vivemos nesta última década.
Quem diria?
Tínhamos arrancado o Clube de um abismo que, para
tantos, parecia inultrapassável, endividámo-Nos até ao tutano para aproveitar a
oportunidade de construir a nova Catedral e, para isso tudo, tínhamos vendido
um bocado da alma ao mafarrico do mamão chupista.
Caramba, quem diria?
Tantas, tantas Vitórias e nem uma só maior que o
Nosso Clube, do que a Nossa Ambição.
E esta é a primeira conclusão que eu retiro da
reflexão que fiz: ainda não conseguimos nenhuma Vitória maior do que a
herança que recebemos dos Mais Velhos, maior do que o Clube que Amamos e, por
isso, não podemos admitir nenhuma quebra na Nossa Ambição!
Fazê-lo corresponderia a darmos o pior exemplo
possível aos Mais Novos e, isso sim, seria incumprirmos o Nosso Benfiquismo.
Há 10 anos, éramos só alguns a sonhar com a BTV e
ainda menos a trabalhar no projecto.
Juntos, investimos a convicção de que poderíamos
abrir uma página determinante na Nossa Gloriosa História e, inclusive, abrir
uma brecha definitiva no lamaçal do POLVO.
Parece que foi ontem, mas já passou uma década sobre
aqueles dias em que alguns Companheiros (o Viriato de Viseu, o Captain
Redheart, o Ricardo Águia Livre, eu próprio e alguns mais aos quais peço
desculpa por não citar) defendíamos este sonho, entre as malhas da censura do
gestor do forum do rascord.
Muito investiu o Clube neste projeto: muitos
recursos, muito trabalho e, sobretudo, muito talento.
Contra tudo e todos, inclusive contra alguns
Companheiros, passo a passo, executando um plano e uma estratégia que queríamos
invencível, demos conteúdo á expressão popular segundo a qual “o caminho faz-se
... caminhando”.
Parece que foi há dez e foi só há dois anos e meio
que os Nossos Corpos Sociais decidiram não aceitar a proposta do Nosso Consócio
e accionista Joaquim “mamão chupista” Oliveira. Uma proposta, é bom recordar, de
110M€ para 5 épocas (22,2M€ em média anual), que já triplicava o que esse
“amigo” Nos pagava (?) até então e que a maioria considerou ser irrecusável.
Aqueles que elegemos para Nos liderar tiveram a
coragem suficiente para Nos lançar um desafio que estava rigorosamente estudado
e que preparado há muitos anos ... e Nós, Todos Um, construímos uma das Nossas
mais belas Vitórias colectivas.
Admitindo que a BTV possa ter custos de quase 11M€
anuais, o seu primeiro exercício em cruzeiro como “premium” permitiu um
resultado líquido de cerca de 25M€: uma tremenda Vitória quantitativa.
Tão importante como isso, a BTV confirmou-se como um
“player” incontornável no mercado interno dos conteúdos desportivos, fez
implodir o anterior monopólio da sporcos, remetendo-o a uma tendência de
atrofia progressiva e constituiu-se como o embrião da Nossa Casa Universal: uma
Vitória qualitativa que me emociona todos os dias.
Falemos do futuro.
Sabem bem que eu comecei a defender que a BTV fosse
parte estruturante do Nosso futuro ainda antes dela nascer e, mais
recentemente, depois de confirmadas aquelas Nossas Vitórias, passei a defender
que ela deveria ser o veículo essencial de uma parceria estratégica que,
inclusive, poderia envolver a reestruturação financeira de todo o Grupo
Benfica.
De facto, o valor estratégico da Nossa Marca é quase
outro quando considerado a par da BTV, especialmente para todos os que não têm
a sorte de viver próximo da Catedral.
Por isso, eu estou convicto de que seria errada
qualquer solução para os Nossos direitos televisivos que não envolvesse a BTV: pelo
que sabemos hoje, este projecto envolve ambos, o que é o primeiro sinal
positivo. Francamente positivo!
Em segundo lugar, não podem fazer-se planos
estratégicos a ... 3 anos, digam lá o que disserem.
Eu serei, sempre, favorável a uma parceria com um
distribuidor de conteúdos desportivos com um horizonte marcadamente estratégico
e isso pode ler-se nos prazos contratuais (quanto mais largos, melhor), ou,
preferencialmente, ao nível de um eventual cruzamento de participações sociais.
Com isto, eu quero dizer que gosto muito de saber
que este protejo em causa tem um horizonte temporal viável de uma década,
gostaria ainda mais se esse horizonte fosse mais dilatado e adoraria se a ele
estivesse associado um plano de tomada de capital da NOS no Grupo Benfica
(através da BTV ou da própria SAD) e vice versa.
Parece-me natural que, logo no início de uma
parceria, as partes envolvidas prefiram “noivar antes de casar”, deixando para
mais tarde a celebração conjunta de sucessos com o aprofundamento dessa
ligação.
Sinceramente, não conheço suficientemente nem a NOS
(e os seus planos para os diversos mercados em que actua), nem os eventuais distribuidores
alternativos que fizeram (?) ofertas pelos Nossos direitos televisivos (nem os
respectivos planos). Por isso, não posso emitir opinião quanto à qualidade
comparada deste novo Parceiro (a NOS) que o Benfica escolheu.
Mas já posso garantir que os Gestores aos quais os
Accionistas da NOS confiaram os destinos da sua Empresa, não podem pertencer
a nenhuma das subespécies de anti, Taliban incluídos, ou não Nos teriam
proposto uma parceria estratégica.
Isto é tão evidente que eu me vou escusar de argumentar
e, sinceramente, lamento saber que temos Companheiros que procuram ver neste
projecto um qualquer plano tenebroso para “prejudicar” o Glorioso: é preciso
acumular muita estupidez com ainda mais má fé!
Tal como posso garantir que este Nosso novo Parceiro
vai empenhar os seus recursos disponíveis para acrescentar o maior valor de que
for capaz, quer à BTV, quer ao conteúdo específico constituído pelos desafios
(15 e não 17, clarifiquemos) do campeonato jogados na Catedral.
Permitam-me juntar alguns comentários ao que já ouvi
por aí ...
- se a sporcos passa no MEO, então os Nossos jogos
não poderão ser transmitidos pela sporcos, ou deixariam de ser um conteúdo
exclusivo NOS; e
- o Presidente continua a ser “muito amigo” do
oliveiredo, mesmo depois de o andar a sodomizar, repetidamente e já sem
quaisquer preliminares, há quase 3 anos.
Falemos de números.
Começo por escrever que não acredito que a NOS
apenas Nos pague 400M€ em 10 anos!
Nem que o acordo não envolvesse a publicidade
estática na Catedral durante os jogos de campeonato. Nem que ele não incluísse
a publicidade que passa na BTV.
Estou convencido de que esse valor é uma base
fixa, sobre a qual estarão previstos esquemas de partilha de resultados que
ultrapassem os objectivos das partes.
Gerir não é como jogar ao monopólio, ou fazer
apostas desportivas, Companheiros!
Podem ter a certeza de que, numa parceria
estratégica, as partes vão querer mantê-la e aprofundá-la ... numa lógica de
benefício mútuo: por isso preservam a possibilidade de a terminar se e
quando uma das partes se considerar prejudicada, porque faz tanto sentido
mantê-la contra a vontade de um só, como pode ser feliz um casamento que se
mantém nessa condição.
Há cerca de um ano, eu escrevi aqui (por isso me
chamam de doido, ahahah) que considerava que o Nosso objectivo de crescimento da
BTV a longo prazo tinha de estar nos 50M€ de Proveitos anuais e eu espero poder
vir a escrever, depois de dia 10 p.f., que acredito que vamos ultrapassar esse
valor.
Este Projeto e o Passivo do Grupo Benfica.
Há anos que eu ando a escrever textos a ver se
convenço Benfiquistas que são ígnaros e anti todos aqueles que os tentaram
iludir com as “falências técnicas” e os “Passivos galopantes”, pelo que não
esperem que eu venha, agora, desdizer tudo o que já escrevi e repeti até à
exaustão.
Não! Não espero que este Projeto venha a originar
o desaparecimento do Nosso Passivo!
Isso não passa de mais um absurdo dito e escrito por
pessoas que ou são ignorantes ou tentam, com má fé, manipular quem conhece pouco
do que devem ser os equilíbrios entre as origens e aplicações de fundos numa
Empresa.
No dia em que o Grupo Benfica “não tivesse Passivo”,
isso significava que todo o Activo estaria financiado por Capitais Próprios, o
que seria sinal de uma Gestão abaixo do nível de merceeiro.
Não Companheiros!
Este projecto (esperemos até dia 10) pode e deve vir
a constituir um instrumento de operacionalização do contributo económico que eu
tenho antecipado para a Nossa BTV, como pilar do reforço sustentado dos Nossos Capitais
Próprios e, por essa via, da melhoria do “rating” da Nossa SAD, das suas
condições de acesso a financiamentos e, finalmente, à redução da merda da
fatura bancária que tivemos de suportar na última década.
Do debate que os Leitores quiserem promover na caixa
de comentários, espero que surjam tópicos que justifiquem a elaboração de um
segundo texto sobre este assunto. Conto convosco.
Viva o Benfica!