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terça-feira, 9 de setembro de 2014

“BENFICA investe quase 30ME na recompra do BSF”

Por José Albuquerque

Foi com este tipo de títulos que os ignaros da mérdia nacional e alguns blogues anti, entenderam “cumentar” a noticia do Comunicado da Nossa SAD para a CMVM sobre a aquisição dos 85% das Unidades de Participação (UP’s) do Benfica Stars Fundo (BSF), por cerca de 29ME, em mais uma confissão do absoluto zero de conhecimentos económicos e do absoluto infinito de vontade de confundir os Benfiquistas, não recuando, nem sequer, perante a discordância que um tal investimento (verdadeiramente absurdo) implicaria quando confrontado com a imensa série de “noticias” sobre as “dificuldades financeiras” do Glorioso.

Os já habituais Companheiros, entre os quais os meus dois Filhos, enviaram-me dezenas de cópias das mais absurdas barbaridades escritas e publicadas a este propósito, cada uma maior que a outra, numa aparente competição para apurar o mais ignorante, o mais burro e/ou o mais anti Benfica do universo: hoje, já não é sério pensar que lemos o pináculo da bacorada, porque os jornaleiros e os Taliban não largam as pás e não se cansam de “cavar” mais fundo no buraco da sua falta de dignidade.

O Enormérrimo Guachos que me perdoe, porque eu não consigo deixar de indicar o execrável exemplo do blogue nacional sobre desporto mais lido – o “Visão de Mercado”, um blogue alegadamente “independente dos clubes” no qual só não são censurados Companheiros que demonstrem um claro preconceito anti Vieira (eu próprio fui censurado duas vezes), com a excepção do Enorme Manuel, um Leitor e Comentador assíduo aqui do GUACHOS, que ontem lá conseguiu mais um dia Glorioso: tratem de ir comprovar com os vossos olhos e vão assistir a uma “noticia” vergonhosa, seguida de quase uma centena de comentários nojentos, uma espécie de frenesim anti Benfica e, finalmente, ahahahahah, um comentário (como é que te publicaram aquela verdadeira bomba?) do Companheiro Manuel, muito simples e directo, que funcionou como um verdadeiro banho de gelo naquela corja e … foi a debandada geral dos ignorantes,

Cabe aqui abrir um parêntesis para agradecer ao Benfica Eagle e ao NGB por terem publicado, muito rapidamente, um pequeno texto, também ele muito simples mas suficientemente rigoroso, que deve ter contribuído fortemente para cortar cerce as intenções de alguns Taliban no sentido de aproveitarem a noticia para mais uma campanha de demagogia e acusações cobardes contra a Nossa SAD. Eu não ficaria de bem para com os Nossos Valores, se não registasse, aplaudisse e agradecesse esse contributo, mesmo quando ele não disfarça algum preconceito anti Vieira, nomeadamente quando se escrevem parvoeiras do tipo “o maior beneficiado com o BSF foi o BES, pelo que com ele ganhou enquanto Gestor e Depositante do Fundo” (as palavras podem ter sido outras, mas foi esta a afirmação).
De facto, quem mais ganhou com o BSF foi o Benfica (através da Nossa SAD), acumulando seguramente bem mais de 10ME ao longo dos seus 5 anos de vigência. Reparem que só em juros e numa estimativa muito por baixo, admitindo uma média anual de 20ME de recursos financeiros captados (“empréstimos”) ao longo do quinquénio, só em juros “poupados” teríamos um mínimo de 7,5ME.

Afinal, que “negócio” foi este e o que é que ele significa?

Aproximando-se a data em que os investidores do BSF teriam de decidir por um seu eventual prolongamento no tempo, confrontados com a muito provável ilegalização deste tipo de instrumentos por parte da FIFA/UEFA e condicionados pela sua não rentabilidade (ou rentabilidade negativa) e, talvez, pela recente crise do antigo Banco Depositário (o antigo BES, hoje Novo Banco), a Nossa SAD deve ter recebido uma proposta para adquirir as UP’s (85%) nas mãos dos investidores externos e, após uma negociação que deve ter sido bem simples, ela entendeu fazer esse “negócio”, certamente como primeiro passo para extinguir o BSF no final do corrente mês.

Conforme podem ler no Comunicado, a Nossa SAD adquiriu por quase 29ME as partes (UP’s) do BSF detidas por terceiros (85%, uma vez que Nós tínhamos 15% do Fundo).
Sabemos que o BSF começou por ser, quando foi criado, há 5 anos, um bolo de 40ME e o quadro seguinte descreve o que ele era no final de julho passado:


Fonte: CMVM

Simplificando com números arredondados, ao vender/comprar 85% do BSF por 29ME, valorizou-se o instrumento em cerca de 34ME (29/0.85), ou seja, os titulares do BSF aceitaram um “prejuízo” de 6ME (=34-40), 15% dos quais (900K) da Nossa SAD e 85% (5,1M) dos outros investidores.
Por outro lado, o BSF (100%) tinha um “valor contabilístico” de 27ME, pelo que 85% deveriam corresponder a 23ME, o que vale por dizer que a Nossa SAD aceitou comprar o Fundo por um valor que é próximo da média aritmética entre os tais 34ME (100% do valor actual) e os 23ME (85% do valor contabilístico), uma espécie de “valor salomónico”.

Ainda em números redondos, vejamos os detalhes do que a SAD comprou:

BSF – Balanço sintético (ME)










Resumindo e considerando os 29ME pagos por 22,8ME de “valor contabilístico”, podemos concluir que (85%) das partes detidas pelo BSF nos passes daqueles Atletas (a única componente do BSF cujo valor pode ser “discutível”) foram “sobreavaliadas” pela Nossa SAD que por elas aceitou pagar 10,5ME:
. porque pagamos mais 6,2ME (29 - 22,8) acima do “valor contabilístico”;
. porque esse “valor contabilístico” já incluía 4,3ME dos passes dos Atletas; e
. porque 6,2 + 4,3 = 10,5.

Confere?

Já só nos falta recordar quem são os Atletas cujos passes estão em causa e, já agora, quanto é que o BSF Nos tinha pago por elas (as partes):

. Airton - 40% (3M)
. Djuricic - 20% (2M)
. Jara - 10% (0,6M)
. Gaitán - 15% (2,025M)
. Maxi - 30% (1,35M)
. Nélson Oliveira - 25% (2M)
. Rúben Amorim - 50% (1,5M)
. Sulejmani - 25% (1,25M)

Ou seja, mesmo eliminando o valor relativo ao Urreta, cerca de 14M que tivemos “emprestados”, sem juros e algum tempo, agora “recomprados” por 10,5M.

Conclusão.

Os Leitores do GUACHOS sabem que eu sempre fui um acérrimo defensor do BSF e do seu contributo para o crescimento e desenvolvimento da Nossa SAD, que o promoveu em mais um momento de inovação exemplar: oxalá estas “contas” finais do BSF sejam consideradas pela UEFA/FIFA quando vierem a regular este assunto.
Hoje, mais de 5 anos depois dele ter sido idealizado, os factos demonstram que eu não tinha (e tenho) “só” razão: eu tenho muita, ou toda, a razão!

O BSF e a Nossa SAD concretizaram uma excelente parceria, constantemente regida por uma solidariedade bem patenteada na participação inicial de 15% e nesta forma nada especulativa que determina o passo prévio necessário para a extinção do BSF.

Este projecto foi fortemente benéfico para a Nossa SAD, que beneficiou do financiamento e da partilha de riscos e só não o foi para os restantes investidores do BSF porque, algures no seu segundo ano, os “especialistas” contratados pela Entidade Gestora para a assessorar em termos técnico-futebolísticos desataram a dar alguns pareceres que eu, humildemente, considero quase ridículos.
De uma fonte credível externa ao Benfica, eu obtive algumas informações que comprovam o que acabei de escrever, como, por exemplo:
. o BSF recusou investir 3ME em 20% do passe do Matic (queriam esses 20% por 2ME);
. o BSF recusou investir 5ME em 25% do passe do Witsel (aceitavam 15% por 1,75ME);
. o BSF recusou investir 1,5ME em 10% do passe do Marcovic; e
. o BSF fez 3 apostas ridículas em 3 jovens Atletas da Nossa Formação, só não perdendo dinheiro no caso do Yartey.
  
Viva o Benfica! 

sábado, 6 de setembro de 2014

Os “Fundos” e o “Fair Play Financeiro” III.

Nas duas anteriores partes deste texto, tratamos dos detalhes das componentes económicas e contabilísticas das operações com passes de Atletas e do seu impacto sobre o “equilíbrio das contas” que o FPF recomenda e, depois, discutimos as vantagens evidentes do BSF, especialmente quando comparado com outros fundos existentes, chegando a uma conclusão muito clara: não há nada que a UEFA possa alegar contra um eventual fundo, do tipo do Nosso BSF, que fosse criado com capitais “de dentro do futebol e visando o exclusivo beneficio do futebol”.

Avaliação, Valorização e pagamento pela Formação de jovens Atletas – a Nossa “Fábrica”.

Todos os números demonstram que o Glorioso tem investido muitos recursos no desenvolvimento, crescimento e aperfeiçoamento da Nossa “Fábrica”, investimento esse que já produz, sustentadamente, excelentes resultados desportivos e, mais recentemente, resultados económicos bastante interessantes.  
Mas persistem dúvidas e criticas sobre o real interesse e viabilidade económica desse enorme conjunto de investimentos e compromissos, uma vez que ainda não temos nem um só jovem produto do Seixal como titular indiscutível da Nossa Equipa de Honra, além de nos colocarmos naturais perguntas sempre que vemos os Nossos jovens ídolos a ser “emprestados” a outros clubes, enquanto a SAD adquire alguns jovens Atletas, por mais promissores que eles sejam e por vários milhões de euros.

Este texto não pretende discutir a questão dos critérios de técnica futebolística que levam a SAD a este tipo de Gestão, tema que prefiro deixar para núpcias posteriores, pelo que solicito aos Leitores que tomemos como axioma que a SAD tem aplicado o melhor possível (melhores práticas) os melhores critérios possíveis.
Mas, mesmo nesse quadro, eu pergunto-me se não há nada que os Sócios possam fazer para participar de uma forma activa neste extraordinário projecto que é a Nossa “Fábrica”, convencido que estou que sim, que muitos de Nós acreditamos profundamente nela e que, humildemente, estamos disponíveis para com ela colaborar.

Proveitos económicos da “Fábrica”.

Deixemos de lado os resultados desportivos que ambicionamos ver construídos com a ajuda dos Nossos jovens ídolos e concentremo-Nos nos Proveitos económicos que já resultam dos talentos “produzidos” no Seixal …

Em caso de “venda” de um passe de um jovem Atleta formado pelo Clube (12 aos 23 anos), ao longo de toda a sua carreira de futebolista profissional, a SAD beneficiará sempre da sua quota parte no chamado “Mecanismo de Solidariedade” (Artigo 21 do Regulamento de Transferências), que distribui 5% (dos 12 aos 15 anos, 0,25% por cada ano; dos 16 aos 23 anos, 0,5% por ano) do valor dessa transferência pelo(s) clube(s) Formador(es).

Quando da assinatura do primeiro contrato como profissional, caso o futebolista o assine com um clube diferente daquele em que está  a ser formado, e/ou qualquer outro contrato profissional que envolva uma transferência internacional antes do fim da temporada do 23º aniversário, há lugar ao pagamento de uma “Training Compensation” (Artigo 22 do RT) ao clube onde o jovem estava inscrito antes da profissionalização.

Reparem que sempre que um jovem Atleta recusou a proposta da Nossa SAD e “partiu” para outros clubes, como nos casos do Danilo Pereira e do “Ronny” Lopes, os clubes de destino pagaram essa compensação e ela não pode ser confundida com o resultado de qualquer negociação acertada com a SAD, uma vez que se tratou, isso sim, da mera aplicação dos regulamentos. Concretamente e considerando que a Nossa SAD se encontra na chamada “Classe 1” (solicitei confirmação na FPF, ainda sem resposta), esse valor é de 900 mil euros, que resulta dos 90 mil definidos pela UEFA, multiplicados pelo chamado “factor jogador” que foi definido em “10” pela FPF, nos termos do que vem escrito no respectivo regulamento de transferências especifico.

Notem que o RT da FIFA explicitamente obriga a FIFA a publicar anualmente a lista dos valores base (para cada uma das 4 “classes” de clubes formadores e para cada uma das “confederações associadas”), mas eu não consegui encontrar essa publicação a não ser numa nota de pé de página do próprio RT e, por isso, também lhes escrevi a pedir esclarecimento, ainda sem resposta.
Todos estes potenciais proveitos juntam-se aos que decorrem da venda concreta dos “passes” por parte da própria SAD, que, mesmo quando se não tratam de grandes “estrelas”, podem chegar a valores significativos, como foi o exemplo do Yartey (2ME) e das vendas parciais realizadas ao BSF (Roderick e Nelson Oliveira), isto já para não referir o exemplo mais recente do André Gomes.

Conclusão.

Independentemente do prestigio internacional que a Nossa “Fábrica” começa a conseguir com os brilhantes resultados desportivos alcançados, o Benfica deve ter como objectivo aumentar a competitividade da formação de futebolistas profissionais e, também, ter uma estratégia clara para transformar essa acrescida competitividade em proveitos económicos.

Para isso e considerando o importante impulso dado pela criação da UEFA Youth League (da qual já temos a responsabilidade de sermos vice campeões), que veio completar com uma vertente internacional a formação dos Nossos sub19, o Glorioso deve apostar seriamente neste projecto da Internacional Premier League, destinada a equipas sub21, o que pode implicar um reforço do Nosso Plantel B, uma vez que o campeonato nacional que a Equipa B disputa já tem demasiadas jornadas.

Sinceramente, parece-me que estou muito longe de “descobrir a pólvora” porque tenho estado atento a uma evidente proliferação de torneios internacionais de sub19 e sub21, promovidos pelos clubes mais representativos e mais empenhados na formação de futebolistas, nos quais as Nossas Equipas jovens participam frequentemente. Aquilo que pretendo sublinhar, é que o Glorioso deve investir seriamente nesta vertente, especialmente ao nível sub21, talvez e por exemplo, tentando juntar-se a outros clubes que partilhem esta estratégia e criando uma série de grandes torneios, rotativamente organizados pelos clubes participantes.

Paralelamente e sem pretender que a SAD baixe o nível de exigência pelo qual se tem pautado quando oferece contratos profissionais aos seus jovens mais promissores, creio que o Benfica deve consultar a UEFA/FIFA sobre uma alternativa de financiamento deste esforço adicional de investimento, que passe pela criação de … um fundo de investimento nos passes dos seus jovens profissionais de futebol!

Já sabemos que todos os custos relacionados com a formação de jovens Atletas são “dedutíveis” em sede de Fair Play Financeiro, mas parece-me que essa garantia pode e deve ser alargada “pelo lado” dos proveitos, como forma da FIFA/UEFA demonstrarem o seu continuado apoio aos clubes que investem na formação. E eu não vejo nenhuma forma mais eficaz do que atribuir um “coeficiente de majoração” aos proveitos resultantes dos ROPA obtidos com Atletas formados no próprio Clube.
Finalmente e se o que a UEFA/FIFA pretendem é “manter no futebol o dinheiro gerado pelo futebol”, então não podem recusar a um Clube como o Glorioso que, com o apoio dos seus Sócios, crie um Fundo de Investimento que permita a Nossa SAD antecipar uma parte, mesmo pequena, dos seus proveitos espectáveis a titulo de “Training Compensation”.

O Benfica Young Stars Fundo.

Há cerca de um ano e meio tive a informação de que mais de 30 mil Companheiros pagavam regularmente a chamada “quota modalidades” e já se faziam sentir pesadamente os efeitos desta tremenda crise, que levaram muitos Sócios a dificuldades extremas para manterem as suas quotas em dia. Não sei quantos seremos que estaremos disponíveis e interessados a participar num tal investimento, mas já estou habituado a confirmar que os Benfiquistas dizem sempre presente, quando se trata de engrandecer o Glorioso Clube que Amam. Mas de pouco adianta discutir a ideia sem a testar junto dos Sócios e, por isso, é esse o meu apelo: que se formule o projecto e se garanta que ele seria bem acolhido pela UEFA.

Quando essas “barreiras” estiverem ultrapassadas, lance-se a ideia da “quota formação”, se possível com um valor mínimo e opções para os que tiverem maior disponibilidade, tudo pago pela mesma transferência bancária habitual, transformável em “unidades de participação” do BYSF e com capacidade de conferir aos seus titulares incentivos e/ou benefícios similares aos dos títulos “Fundador”, por exemplo.

Invistam-se esses fundos na “aquisição”, pelo Sport Lisboa e Benfica, de percentagens minoritárias (até 10%) dos passes dos Nossos jovens ídolos (exclusivo para futuros contratados), como forma de antecipar uma parte dos proveitos que a SAD projecta vir a obter desses “Activos” e, quando o BYSF tiver “lucros” para distribuir pelos seus participantes, que eles apareçam sob a forma de “vouchers” para compras na Nossa loja, ou de bilhetes para a Catedral e Pavilhões, ou Red Pass.

Há “milhentas” alternativas possíveis para o regulamento e detalhes de gestão de um tal fundo, mas nem me vou preocupar a discorrer sobre eles, uma vez que estou certo que os Leitores já entenderam a ideia perfeitamente: um fundo de Benfiquistas, representados pelo seu Clube e gerido por ele e pela Nossa SAD, destinado a valorizar os Nossos jovens Atletas. Assim de simples, rápido, curto e rasteiro.

Os anglófonos usam uma expressão da qual eu gosto bastante: “put your wallet where your mouth is”!
É mais que tempo de deixarmos de apenas falar sobre a Nossa “Fábrica” e de passarmos em frente, como sempre, fazendo á Benfica.                                  

Viva o Benfica!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Os “Fundos” e o “Fair Play Financeiro” II

(No Domingo passado, dia de praia e...de clássico na Luz, este post do José Albuquerque passou (quase) despercebido.
Demasiado bom para não ser debatido, volto hoje a publicá-lo...e logo depois apagarei o antigo.)
(Para melhor compreensão - ler «Os “Fundos” e o “Fair Play Financeiro”I» (aqui))

Por José Albuquerque

Agora que já conhecemos o mais importante sobre os impactos das “compras e vendas” sobre as rubricas do Balanço e ao nível dos Proveitos e Custos (reportados nos ROPA), vejamos quais são os resultados do recurso aos “Fundos” nestas operações de Gestão, por exemplo, da Nossa SAD. Para esse efeito, temos de começar por ver se todos os Fundos são do mesmo tipo ou se podem haver diferenças fundamentais, como … parece ser o caso.

De facto, há um mundo de diferença entre o BSF e aqueles que, como a Doyen, se comportam como os verdadeiros donos dos passes dos futebolistas, servindo de “muleta financeira” a clubes que selecionam como “barrigas de aluguer” para valorizar os atletas nos quais apostam.

O Benfica Stars Fundo (BSF).

Como creio que sabem, eu fui um defensor do conceito do BSF e desde antes do seu nascimento, pelo que nunca me cansarei de advogar em favor das vantagens da sua criação e, se possível, manutenção por mais tempo.
O BSF, além de ser um fundo regulado e supervisionado pelo Mercado de Capitais (sem evasão fiscal, nem dinheiros de proveniências duvidosas envolvendo “off shore”), só intervém se e quando a Nossa SAD lhe propõe negócios com Atletas com os quais já tem contrato (e mesmo estes com restrições de idade e prazo de contrato), se e depois de as duas partes chegarem a um acordo de verbas/avaliação do Atleta, pelo que ele age como “financiador” e “segurador” da Nossa SAD.

Financiador, na medida em que colocou ao dispor da SAD os seus fundos, sem juros, para adquirir partes dos passes de alguns Atletas e Segurador, na medida em que essa “partilha de interessas económicos” é concomitante com a partilha dos riscos decorrentes de eventuais desvalorizações dos passes adquiridos
Também no momento das “vendas” o BSF não tem qualquer interferência relevante (apenas obriga a SAD a que, quando um Atleta fica a menos de 18 meses do final do contrato, passe a considerá-lo “no mercado”, havendo lugar a informação sempre que surjam propostas de aquisição) e nunca foram visíveis sinais de qualquer divergência e/ou tentativa do BSF de condicionamento sobre a liberdade da SAD para conduzir a Gestão dos seus Activos.

Na realidade, a prática parece ter demonstrado que, uma vez aceite a partilha dos interesses económicos de determinado Atleta, o BSF passa a confiar absolutamente na SAD e a acompanhá-la em todas as suas decisões. E se esse comportamento é muito fácil de entender quando os Atletas são vendidos com grande proveito, como foram tantos casos, não deixa de ser de sublinhar naqueles outros casos em que as vendas se fizeram com “imparidade”/prejuízo para o BSF, como o Tacuara, o Garay ou o Roderick, já para não referir aqueles Atletas que ainda não foram vendidos nem existem perspectivas de o virem a ser e que permanecem no fundo.

Em síntese, com um enquadramento legal impoluto e sem pretensão de ingerência na Gestão dos Atletas, o BSF só pode constituir um instrumento positivo para o Glorioso. Mais ainda e mesmo sem conhecer um único dos investidores que compõem 85% do seu capital (porque a Nossa SAD investiu 6ME nos restantes 15%), eu sinto que posso afirmar que eles, mesmo visando alguma rentabilidade para o seu investimento, quiseram, acima de tudo, ajudar o Benfica.
E ajudaram, significativamente, por disponibilizarem 34ME (85% dos 40ME) sem compromisso de juros, durante 5 anos.

Outros Fundos como a Doyen, por exemplo.

Bem diferente é o caso da esmagadora maioria dos outros Fundos, como a Doyen, de que temos conhecimento, desde logo por sabermos que eles não são regulados por nada nem ninguém, porque os vemos fazer negócios com todos os clubes que aceitem receber os “seus futebolistas” e “nas suas condições”.
Sem pretender colocar em causa a respectiva legitimidade, parece-me óbvio que se trata de capitais especulativos, normalmente apoiados/participados por intermediários/agentes desportivos, que se orientam com objectivos de rentabilidade e que a pretendem maximizar “controlando” a carreira dos futebolistas nos quais entendem investir.
E, reparem, eu escolhi a Doyen como exemplo, não só por ela ter intervindo no caso Ola John (embora de uma forma que me parece ser como “apenas financiador”), como porque interpreto os seus comportamentos mais recentes, nos dossiers mãogala e vermelho, como bastante interessante: ao que foi publicado, a Doyen aceitou, no negócio entre andruptos e Man. City, receber menos do que aquilo a que teria direito, tal como se disponibilizou para fazer com a osgalhada e tudo isso para facilitar a concretização dos negócios.
É verdade que, mesmo com essas cedências, a Doyen obteve (ou vai obter) uma rentabilidade tão grande que lhe permite ser “magnânima”, mas, pelo menos, nunca poderão ser acusados de intolerância negocial.

Os Leitores do GUACHOS sabem que, sem fundamentalismos, não me agrada que a Nossa SAD desenvolva muitas relações com Fundos deste tipo, aliás tal como não gosto de ver Atletas titulares que estejam “emprestados” por outros clubes, mas confesso que não entendo a pretensa perseguição que a UEFA anuncia que lhes vai fazer.
De tudo o que li, o mais forte argumento da UEFA sintetiza-se em “queremos que o dinheiro gerado pelo futebol, fique no futebol”, o que me parece uma tremenda falácia, a menos que a UEFA venha a impedir, ou limitar, que os clubes se financiem com capitais alheios, que já implicaram pagamentos de muitas, muitíssimas centenas de milhão de euros, dinheiro esse também ele gerado pelo futebol e que não ficou no futebol.
Que a UEFA deseje ver o futebol menos ligado a alguns capitais de proveniência duvidosa, ou que queira combater a tendência hiperinflacionista dos passes que os Fundos ajudaram a agravar, isso eu poderia compreender, aceitar e, até, subscrever, mas esses argumentos não se aplicam a casos como o BSF.

O BSF e o Fair Play Financeiro FPF.

Eis-me chegado ao primeiro ponto da tese que venho defender com este(s) texto(s): até para facilitar a implementação do FPF eu acredito que fundos do tipo do BSF podem ser muito úteis, uma vez que podem constituir uma fonte competitiva de financiamento para os melhores clubes, para a Gestão de Activos dos quais podem, ainda, contribuir com um impacto “regulador” dos respectivos ROPA, absorvendo parte dos “prejuízos” como contrapartida de uma parte dos “lucros”.

Recuperando aquele nosso exemplo (na primeira parte) do Atleta adquirido por 10ME, imaginemos que o BSF aceitaria adquirir 20% do seu passe por 3ME (correspondendo a uma avaliação total de 15ME) e vejamos o impacto de uma tal operação nas Nossas “Contas”:
- começamos com um “alivio” no investimento inicial de 3ME;
- continuamos com uma redução do Custo anual em amortizações contabilísticas (que era de 2ME) para 1,4ME (7/5);
- terminando numa compensação de 6ME, se e quando se verificasse a venda deste passe por 30ME.

Típica situação em que as duas partes beneficiam de alguma coisa, não vos parece?

Notem que ao vender 20% deste passe por 30% do valor inicial investido, a Nossa SAD já estaria a “garantir” um beneficio económico de 1ME, o que tem sido a prática habitual nas operações da SAD com o BSF, mas isso não corresponde a uma contabilização imediata desse Proveito, uma vez que a SAD as contabiliza ao pró rata, ou seja, dividindo esse “proveito” de 1ME pelo tempo de duração do contrato, o que, neste exemplo, corresponderia a 200 mil E anuais (ou 50 mil por trimestre). Isto é o mesmo que dizer que os negócios da Nossa SAD com o BSF nem sequer podem servir para manipular os resultados contabilísticos!

Por tudo isto eu só vejo vantagens e recomendaria o alargamento do BSF de tal modo que as suas vantagens se pudessem “eternizar”, mesmo que, para isso, tivesse de ser garantida aos investidores uma “taxa técnica de juro”, que funcionaria como um nível mínimo de rentabilidade abaixo do qual a SAD cederia ao BSF uma parte maior dos seus rendimentos regulamentares.

Loucura?
Legalmente (im)possível?

Eu sou dos que acreditam que são as Leis que se devem adaptar aos interesses, desde que legítimos, das pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas.

Na terceira e última parte deste texto vou apresentar a parte essencial desta minha “tese”, que vai ligar profundamente o BSF (este ou outros que possamos idealizar) e o FPF.

Aproveitem mais este intervalo para esclarecerem todas as dúvidas que possam ter. Combinados?

Viva o Benfica!

domingo, 31 de agosto de 2014

Os “Fundos” e o “Fair Play Financeiro” II

Por José Albuquerque

Agora que já conhecemos o mais importante sobre os impactos das “compras e vendas” sobre as rubricas do Balanço e ao nível dos Proveitos e Custos (reportados nos ROPA), vejamos quais são os resultados do recurso aos “Fundos” nestas operações de Gestão, por exemplo, da Nossa SAD. Para esse efeito, temos de começar por ver se todos os Fundos são do mesmo tipo ou se podem haver diferenças fundamentais, como … parece ser o caso.

De facto, há um mundo de diferença entre o BSF e aqueles que, como a Doyen, se comportam como os verdadeiros donos dos passes dos futebolistas, servindo de “muleta financeira” a clubes que selecionam como “barrigas de aluguer” para valorizar os atletas nos quais apostam.

O Benfica Stars Fundo (BSF).

Como creio que sabem, eu fui um defensor do conceito do BSF e desde antes do seu nascimento, pelo que nunca me cansarei de advogar em favor das vantagens da sua criação e, se possível, manutenção por mais tempo.
O BSF, além de ser um fundo regulado e supervisionado pelo Mercado de Capitais (sem evasão fiscal, nem dinheiros de proveniências duvidosas envolvendo “off shore”), só intervém se e quando a Nossa SAD lhe propõe negócios com Atletas com os quais já tem contrato (e mesmo estes com restrições de idade e prazo de contrato), se e depois de as duas partes chegarem a um acordo de verbas/avaliação do Atleta, pelo que ele age como “financiador” e “segurador” da Nossa SAD.

Financiador, na medida em que colocou ao dispor da SAD os seus fundos, sem juros, para adquirir partes dos passes de alguns Atletas e Segurador, na medida em que essa “partilha de interessas económicos” é concomitante com a partilha dos riscos decorrentes de eventuais desvalorizações dos passes adquiridos
Também no momento das “vendas” o BSF não tem qualquer interferência relevante (apenas obriga a SAD a que, quando um Atleta fica a menos de 18 meses do final do contrato, passe a considerá-lo “no mercado”, havendo lugar a informação sempre que surjam propostas de aquisição) e nunca foram visíveis sinais de qualquer divergência e/ou tentativa do BSF de condicionamento sobre a liberdade da SAD para conduzir a Gestão dos seus Activos.

Na realidade, a prática parece ter demonstrado que, uma vez aceite a partilha dos interesses económicos de determinado Atleta, o BSF passa a confiar absolutamente na SAD e a acompanhá-la em todas as suas decisões. E se esse comportamento é muito fácil de entender quando os Atletas são vendidos com grande proveito, como foram tantos casos, não deixa de ser de sublinhar naqueles outros casos em que as vendas se fizeram com “imparidade”/prejuízo para o BSF, como o Tacuara, o Garay ou o Roderick, já para não referir aqueles Atletas que ainda não foram vendidos nem existem perspectivas de o virem a ser e que permanecem no fundo.

Em síntese, com um enquadramento legal impoluto e sem pretensão de ingerência na Gestão dos Atletas, o BSF só pode constituir um instrumento positivo para o Glorioso. Mais ainda e mesmo sem conhecer um único dos investidores que compõem 85% do seu capital (porque a Nossa SAD investiu 6ME nos restantes 15%), eu sinto que posso afirmar que eles, mesmo visando alguma rentabilidade para o seu investimento, quiseram, acima de tudo, ajudar o Benfica.
E ajudaram, significativamente, por disponibilizarem 34ME (85% dos 40ME) sem compromisso de juros, durante 5 anos.

Outros Fundos como a Doyen, por exemplo.

Bem diferente é o caso da esmagadora maioria dos outros Fundos, como a Doyen, de que temos conhecimento, desde logo por sabermos que eles não são regulados por nada nem ninguém, porque os vemos fazer negócios com todos os clubes que aceitem receber os “seus futebolistas” e “nas suas condições”.
Sem pretender colocar em causa a respectiva legitimidade, parece-me óbvio que se trata de capitais especulativos, normalmente apoiados/participados por intermediários/agentes desportivos, que se orientam com objectivos de rentabilidade e que a pretendem maximizar “controlando” a carreira dos futebolistas nos quais entendem investir.
E, reparem, eu escolhi a Doyen como exemplo, não só por ela ter intervindo no caso Ola John (embora de uma forma que me parece ser como “apenas financiador”), como porque interpreto os seus comportamentos mais recentes, nos dossiers mãogala e vermelho, como bastante interessante: ao que foi publicado, a Doyen aceitou, no negócio entre andruptos e Man. City, receber menos do que aquilo a que teria direito, tal como se disponibilizou para fazer com a osgalhada e tudo isso para facilitar a concretização dos negócios.
É verdade que, mesmo com essas cedências, a Doyen obteve (ou vai obter) uma rentabilidade tão grande que lhe permite ser “magnânima”, mas, pelo menos, nunca poderão ser acusados de intolerância negocial.

Os Leitores do GUACHOS sabem que, sem fundamentalismos, não me agrada que a Nossa SAD desenvolva muitas relações com Fundos deste tipo, aliás tal como não gosto de ver Atletas titulares que estejam “emprestados” por outros clubes, mas confesso que não entendo a pretensa perseguição que a UEFA anuncia que lhes vai fazer.
De tudo o que li, o mais forte argumento da UEFA sintetiza-se em “queremos que o dinheiro gerado pelo futebol, fique no futebol”, o que me parece uma tremenda falácia, a menos que a UEFA venha a impedir, ou limitar, que os clubes se financiem com capitais alheios, que já implicaram pagamentos de muitas, muitíssimas centenas de milhão de euros, dinheiro esse também ele gerado pelo futebol e que não ficou no futebol.
Que a UEFA deseje ver o futebol menos ligado a alguns capitais de proveniência duvidosa, ou que queira combater a tendência hiperinflacionista dos passes que os Fundos ajudaram a agravar, isso eu poderia compreender, aceitar e, até, subscrever, mas esses argumentos não se aplicam a casos como o BSF.

O BSF e o Fair Play Financeiro FPF.

Eis-me chegado ao primeiro ponto da tese que venho defender com este(s) texto(s): até para facilitar a implementação do FPF eu acredito que fundos do tipo do BSF podem ser muito úteis, uma vez que podem constituir uma fonte competitiva de financiamento para os melhores clubes, para a Gestão de Activos dos quais podem, ainda, contribuir com um impacto “regulador” dos respectivos ROPA, absorvendo parte dos “prejuízos” como contrapartida de uma parte dos “lucros”.

Recuperando aquele nosso exemplo (na primeira parte) do Atleta adquirido por 10ME, imaginemos que o BSF aceitaria adquirir 20% do seu passe por 3ME (correspondendo a uma avaliação total de 15ME) e vejamos o impacto de uma tal operação nas Nossas “Contas”:
- começamos com um “alivio” no investimento inicial de 3ME;
- continuamos com uma redução do Custo anual em amortizações contabilísticas (que era de 2ME) para 1,4ME (7/5);
- terminando numa compensação de 6ME, se e quando se verificasse a venda deste passe por 30ME.

Típica situação em que as duas partes beneficiam de alguma coisa, não vos parece?

Notem que ao vender 20% deste passe por 30% do valor inicial investido, a Nossa SAD já estaria a “garantir” um beneficio económico de 1ME, o que tem sido a prática habitual nas operações da SAD com o BSF, mas isso não corresponde a uma contabilização imediata desse Proveito, uma vez que a SAD as contabiliza ao pró rata, ou seja, dividindo esse “proveito” de 1ME pelo tempo de duração do contrato, o que, neste exemplo, corresponderia a 200 mil E anuais (ou 50 mil por trimestre). Isto é o mesmo que dizer que os negócios da Nossa SAD com o BSF nem sequer podem servir para manipular os resultados contabilísticos!

Por tudo isto eu só vejo vantagens e recomendaria o alargamento do BSF de tal modo que as suas vantagens se pudessem “eternizar”, mesmo que, para isso, tivesse de ser garantida aos investidores uma “taxa técnica de juro”, que funcionaria como um nível mínimo de rentabilidade abaixo do qual a SAD cederia ao BSF uma parte maior dos seus rendimentos regulamentares.

Loucura?
Legalmente (im)possível?

Eu sou dos que acreditam que são as Leis que se devem adaptar aos interesses, desde que legítimos, das pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas.

Na terceira e última parte deste texto vou apresentar a parte essencial desta minha “tese”, que vai ligar profundamente o BSF (este ou outros que possamos idealizar) e o FPF.

Aproveitem mais este intervalo para esclarecerem todas as dúvidas que possam ter. Combinados?

Viva o Benfica!

(ver também - Os “Fundos” e o “Fair Play Financeiro” I (aqui))

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Banco Espírito Santo.

Por José Albuquerque

Em toda a minha vida, foram raras as vezes em que entendi escrever alguma coisa, que não um texto técnico, sobre Bancos ou outras Instituições Financeiras e nunca me arrependi dessa atitude de extrema cautela.

Também na minha actividade profissional e sempre que fui consultado para dar parecer sobre empresas do sector financeiro, especialmente no caso de Bancos, usei do bom hábito da maior cautela, a ponto de, frequentemente, acabar por não ser contratado para o efeito, uma vez que orçamentava muito mais horas de trabalho do que os Consultores concorrentes e os meus Clientes todos sabem que, caso me encomendem esse tipo de estudo, eu exijo poder estudar um mínimo de 10 exercícios da empresa a avaliar (Banco, Seguradora, Locadora, seja qual for o caso especifico em causa).

Infelizmente, abundam as pessoas, inclusive bastantes Colegas meus, que insistem em não entender a tremenda especificidade do sector financeiro e das instituições que o compõem, mesmo depois do desastre com o Banco bicentenário da coroa britânica (já voaram 20 anos), “enterrado” pela irresponsabilidade de um garoto de menos de 30 anos, ao qual foi dado o poder para “arriscar” ganhar o suficiente para comprar um pequeno iate.
Mesmo agora, já próximos do ocaso da maior, mais profunda e duradoura crise económica do capitalismo mundial, uma crise com epicentro na quebra da margem de solvência de um Banco norte-americano, com “filhos” um pouco em todo o planeta, nomeadamente em Portugal com o triste caso do BPP e o desastre do BPN, repercussões na divida soberana e milhões de Empresas fechadas, ainda há pessoas suficientemente inconscientes para abordar este tipo de problemas, bem na linha do nosso Alves dos Reis, pináculo da inconsciência (no caso, criminosa) do que significa induzir e/ou provocar um terramoto financeiro.

Para ilustrar o meu apelo ao rigor quando se aborda este tipo de “casos”, permitam-me que utilize o Nosso Presidente como exemplo retórico e pedagógico, para escrever que ele, pela sua fortuna e crédito pessoais, pode lançar-se em quase qualquer projecto empresarial que lhe apetecer, mas não poderia fazer e gerir nenhum Banco (ou Seguradora) em Portugal, nem em outro qualquer pais civilizado.
Se o Empresário Luís Filipe Vieira decidisse criar e administrar um Hospital (ou um Laboratório Farmacêutico), também o poderia fazer, em Portugal ou onde entendesse, desde que cumprisse as regras especificas para esse sector, mormente recrutando os técnicos exigidos por Lei para o exercício de algumas funções especiais.
Mas se o seu desejo fosse possuir e gerir um Banco, então teria de procurar algum paraíso fiscal, ou um pais muito subdesenvolvido, porque não lhe seria suficiente recrutar muitos e reconhecidamente bons técnicos, a menos que se excluísse da própria Administração. É que em todo o mundo civilizado e consciente, ainda mais depois do que aconteceu em 2007, não pode ser Administrador de uma Instituição Financeira quem quer, ou quem pode: só quem “passa o crivo” dos reguladores é que lá pode chegar e, caso cometa erros, nunca mais pode lá voltar.
O “caso BES” também é, disto mesmo, um bom exemplo, uma vez que o seu maior Accionista (a “Família Espírito Santo”) acaba de lhe ver serem recusadas 3 propostas para PCA, tendo acabado por aceitar para os cargos as pessoas exigidas pelo regulador (o Banco de Portugal).      

Esta longa, mas necessária, introdução fica a dever-se ao actual “caso BES” e, sobretudo, ao modo como alguns ignorantes e inconscientes não hesitam em escrevinhar baboseiras sobre o tema, algumas vezes com a cumplicidade de quem, sabendo da poda, fecha os olhos ao que os seus amigos faladram, sem intervir e impedir que eles se ridicularizem. Ainda mais grave, isto acontece apenas porque há quem tenha vislumbrado neste “caso BES” uma eventual fresta por onde consiga, eventualmente, atingir o Nosso Presidente, nem que seja só de raspão …

Companheiros,

Eu, um confesso e convicto materialista, faço votos muito sinceros e peço a deus que não permita que o “caso BES” venha a revelar-se um terramoto sistémico em Portugal (o que implicaria réplicas dramáticas em vários países e muito além de Angola), o que representaria um agravamento sem precedentes na nossa actual crise económica e financeira.
Uma coisa é uma baiuca como o BPP “falir”, o que pode suceder e tem acontecido com alguma frequência, mesmo em países “do centro”: algumas pessoas (que o diga o JJ) são roubadas, outras são presas, outras ficam com as suas carreiras destroçadas (mesmo que só tenham sido incompetentes), mas … não se passa quase nada.
Outra coisa, já completamente diferente, é quando se tem de fechar um “banquinho” como o BPN, que, apesar de ínfimo, já não pode “falir”, sob pena de os seus incumprimentos “ecoarem” no sistema. Nestes casos, costuma recorrer-se a nacionalizações, quase sempre como medida transitória para a Gestão dos Activos e Passivos, até que se possa “apagar” o Banco.

Mas um desastre num Banco (pequeno, claro que sim) da dimensão do BES … bem, isso é melhor nem pensar!
Felizmente, todos os responsáveis se andam a “atravessar” em declarações públicas completamente tranquilizadoras, pelo que todos podemos confiar que a evidente crise na parte não financeira dos negócios da “Família Espirito Santo”, não terão consequências mais graves do que a falência de várias empresas (alguns milhares de desempregados), a ruina de alguns investidores e a competente crucificação de umas dúzias de Gestores (nomeadamente na PT) que arriscaram o dinheiro de terceiros a favor dos seus interesses pessoais.
Ora antes assim, pelo que não escrevo nem mais uma linha sobre o suposto “caso BES”.

O BES e o Grupo Benfica.

Uma vez mais vou repetir que as alterações na Gestão do BES em nada vão afectar, no curto prazo, a Gestão do Grupo Benfica: qualquer parvoeira que os Leitores tenham lido, ou venham a ler sugerindo alguma coisa diferente disto, não passa de verdadeiro lixo, escrito por pessoas que acumulam ignorância com muita má fé! E, também uma vez mais, vou recorrer, como testemunho abonatório, ao que a este propósito foi escrito e publicado pelo Companheiro Benfica Eagle, uma vez que ele afirmou exactamente o mesmo, fazendo votos que o Companheiro B Cool também aqui possa vir contribuir com opinião semelhante, para completa tranquilidade dos Benfiquistas que visitam o GUACHOS.

Para qualquer um dos Bancos que concederam crédito ao Benfica, a Nossa SAD representa um excelente Cliente, pelo que não há nenhum motivo para, como alguns dizem, “ser fechada a torneira”. Bem pelo contrário!
Sem querer usar uma linguagem técnica, nunca, nenhum Banco, alguma vez terá qualquer dificuldade para financiar Clientes com o histórico do Nosso Grupo, pela simples razão de que pode sempre financiar-se junto do Banco Central (a uma taxa muito inferior) e ganhar dinheiro ao emprestá-lo aos seus bons Clientes.
Nestes termos, sugerir que a Nossa SAD vai ter dificuldade para ver renovados os empréstimos de curto prazo que tem negociados, seja com o BES ou outro qualquer Banco, apenas demonstra uma imensa ignorância e/ou má fé, especialmente depois de termos conseguido o melhor exercício económico, financeiro e desportivo dos anos mais recentes.
Identicamente, sugerir que qualquer Banco que tenha investido em Obrigações ou papel comercial emitidos pela Nossa SAD, pode ser “obrigado” a desfazer-se desses instrumentos para fazer face a “dificuldades de liquidez”, constitui um coice na gramática financeira ainda maior, especialmente se acontecer (como é provável) que esses títulos estejam a caucionar reservas técnicas do Banco, caso em que ele teria de substituir por outras as obrigações que “desmaterializasse”.

Companheiros,

Sob Palavra de Honra vos garanto que se trata de imbecilidades sem tamanho e olhem que não são as únicas que tenho lido, por me serem remetidas em “copy paste” desses antros Taliban e de outros anti Benfica.

Outro dos “argumentos” predilectos tem sido o Benfica Stars Fundo, sobre o qual muitas alimárias escrevem sem nunca ler (ou conseguir entender) o respectivo Regulamento que está disponível no sitio cmvm.com.
Neste caso especifico já li alarvidades como “o BES exigiu o fim do BSF”, ou “o BES necessita do dinheiro que investiu no BSF”, ou “o Benfica é obrigado a recomprar o que ainda está no BSF”, ou, ainda mais grave, “o Presidente quer fazer um favor ao BES e liquidar o BSF, em troca de benefícios para as suas Empresas”.

E, depois disto, ainda aqui aparecem Companheiros a criticarem o Guachos por publicar textos “agressivos” para com os (Taliban) Autores de afirmações deste vil jaez e cobardia … (phod@-se)!

Estas bujardas são de tal calibre que eu nem sequer as vou comentar e desafio-vos a lerem o Regulamento do Fundo, para comprovarem com os vossos olhos a miséria humana a que esses bandalhos descem só para tentar ofender o Nosso Presidente e mesmo que, pelo caminho, assustem alguns Benfiquistas (os que neles confiarem), alem de prejudicarem sensivelmente a imagem do Nosso Clube.

Conclusão.
          
Como quero que fique claro que escrevi este texto com o único objectivo de esclarecer os Leitores do GUACHOS e desmascarar os bandoleiros ignorantes que insistem em recorrer ao boato reles para encenar crises no Nosso Clube, umas vezes para “provarem os erros do Presidente” e outras para “explicar a rebelião do JJ”, vou escrever a minha conclusão na forma de um alerta dirigido a todos os eventuais “Vieiristas” (confesso que não conheço nenhum) …

Que ninguém tente “desculpar” eventuais erros do CA da SAD na constituição do Plantel e das Equipas para a nova época desportiva, baseado em “dificuldades de financiamento” originadas pela “crise do BES”!

Leram bem? Perceberam bem?
Espero que sim!

Companheiros,

De tanto ridículo, estes Taliban “especialistas em assuntos financeiros” poderiam ser risíveis, caso não andassem a brincar com assuntos sérios.

Para demonstrar o ridículo a que chegam, basta citar que a margem adicional de solvência calculada pela “Troika” para o BES nos mais recentes “testes de stress” ultrapassa os 6 mil milhões de euro (6.000.000.000 euro!), enquanto o investimento que o BES (não pode ter, porque seria ilegal) alegadamente teria no BSF não chegaria a 20ME, enquanto os empréstimos de curto prazo detidos pelo BES e BCP/Millennium junto de clubes de futebol não chega a 500ME, o mais recente (ontem) aumento de Capital Social do BCP/Millennium ultrapassou os 2 mil milhões de euro (2.000.000.000 euro).

Esta cambada de bandalhos ignorantes não tem nem noção do que escreve.   

Viva o Benfica!  

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Mais barbaridades.

Por José Albuquerque

Estava para escrever um último texto a propósito da saída do Garay e na sequência de um comentário do Companheiro Maddox, mas estive a aguardar mais assunto, uma vez que este tema não era nem suficiente nem suficientemente urgente. Acontece que tive a (triste) sorte de acabar de receber mais um correio de alerta para algumas barbaridades publicadas, facto que tornou oportuno voltar a escrever.

Ainda o “caso” Garay.

Não querendo repetir o tanto que já escrevi sobre este dossier, não posso, nem devo, deixar de sublinhar que, neste momento, a Nossa SAD não podia fazer nada para impedir a partida do atleta, nem para discutir o valor da indemnização a receber: notem bem que prefiro a expressão “indemnização a receber” do que escrever algo como “valor do negócio”, coerentemente com tudo o que, antes, já expressei sobre este tema.

Repetindo apenas o que é relevante e pertinente, aproveitando o que o Enorme Maddox confirmou, voluntariamente, depois de pesquisar o actual Regulamento de Transferências, ao Garay bastava escrever uma carta a denunciar, unilateralmente e sem alegar nenhuma causa, justa ou injusta, o seu contrato, para poder negociar contrato com o clube que preferisse.
Ao Benfica apenas competia aceitar e tentar negociar com esse clube uma compensação financeira, sabendo-se que, caso não houvesse acordo, seria o TAS a determinar esse valor. Acresce que, detendo apenas 40% do passe do atleta, o Benfica só poderia tentar uma tal arbitragem no caso dos detentores (Real Madrid e BSF) dos restantes 60% dos “direitos económicos” não quererem aceitar a proposta de indemnização do clube comprador, sob pena do Benfica ficar sem os direitos de inscrição desportiva, sem nenhuma indemnização e com os mesmos 40% dos direitos económicos, cujo valor só seria real no caso de o Garay vir a ser “vendido” pelo seu novo clube.

Se alguém ficou com alguma dúvida, manifeste-a na caixa de comentários.

Se me perguntarem qual a minha opinião sobre este tema e além de vos convidar a ler os dois textos já publicados, eu volto a escrever que, em síntese:

. a SAD nunca deve “negociar” com os seus Atletas o eventual adiamento de uma por eles desejada saída, nem nos casos (como o do Matic) em que o Atleta aceite renovar o contrato, mantendo-o, assim, em “período de protecção” e muitíssimo menos quando o Atleta não aceita renovar e, por isso, fica com o contrato “desprotegido”; e
. a SAD, enquanto se mantiver a actual debilidade dos Capitais Próprios do Grupo Benfica, nunca deve recusar bons “negócios” sobre passes de Atletas, por fazer prevalecer o critério dos objectivos desportivos (mesmo que o “sonho” fosse uma final da Liga dos Campeões a disputar na Nossa Catedral).

E é por isto mesmo que faz todo o sentido a SAD manter contratos com Atletas “em número excessivo”, por forma a garantir que tem sempre um “Manel” preparado para substituir quem quiser sair.

O BES e o Benfica Stars Fundo.

Eu já expliquei quais os motivos pelos quais a “crise” no BES em nada pode e/ou vai afectar a Gestão do Grupo Benfica, mas há quem insista em escrever colossais barbaridades sobre este tema, no intuito de alimentar especulações cujos objectivos conhecemos de ginjeira.

Fala-se que a UEFA pensa seguir o exemplo da Federação Inglesa, impedindo que os direitos económicos dos atletas possam ser partilhados entre clubes de futebol e outras entidades, o que, na minha humilde opinião, é mais uma “batalha contra moinhos de vento” que só vai prejudicar o Futebol, porque vai afastar os Investidores sérios (como os que estão no BSF), sem eliminar os especuladores (como os “offshoras, doyens e etecetras”, prejudicando os clubes cumpridores em detrimento dos que preferirem “ser marotos”.

Quem tiver questões sobre esta minha opinião, já sabe: caixa de comentários, ahahah.

Seja como for, uma coisa temos de saber e com 100% de certeza absoluta: nunca um novo regulamento nesta área poderia ter efeitos retroactivos!

Ora aqueles a quem me referi mais acima, tratam de omitir este ponto crucial, a ver se confundem os mais crédulos (e mais anti Vieira, ahahah) e, não contentes com isso, até garantem que o Presidente “prometeu” nesta última AG que a SAD ia recomprar as partes de passes já vendidas ao BSF, para poder “acabar com o Fundo”.

Ora bem e em primeiro lugar (eu não estive na AG, mas estiveram lá os meus dois rapazes) é falsa essa alegada “promessa” do Presidente (esta como tantas outras que o acusam de não cumprir) e ainda que ele, enlouquecido, a tivesse feito, há que compreender que tal só seria possível com o acordo dos outros investidores e compensando a Entidade Gestora do Fundo (o BES), coisa que seria um completo absurdo e completamente incoerente com o facto de a SAD continuar a fazer “negócios” com o BSF todos os anos (os mais recentes foram o Duricic e o Sulejmani).

Em segundo lugar, os inventores de tal barbaridade justificam-na com “as dificuldades do BES”, como se esse Banco fosse um participante no BSF, quando acontece que o BES não tem nem um cêntimo no BSF, nem poderia ter, pelo menos legalmente, uma vez que é a sua Entidade Gestora.

Ou seja e em síntese: (a) mentem ao anunciar a “noticia”, (b) omitem factos para justificar a sua “necessidade” (inexistente) e (c) esbardalham-se ao comprido em resultado de uma ignorância confrangedora.
Querem saber porque razão e com que objectivo?
Perguntem-lhes!

A osgalhada, as cláusulas e os prazos dos contratos.

Há muito tempo que eu ando a evitar escrever sobre a osgalhada, depois de ter afirmado que se trata de um clubeco completa e irreversivelmente falido (passei a designar o clube que herdou os activos e os passivos como o ChportAng Millennium do Espirito Santo), cuja autorização para continuar a competir com clubes “normais” constitui um insuportável atentado a tudo que tenha a ver com Verdade Desportiva e cuja eventual participação nas provas da UEFA desta próxima época seria a prova final de que o “Fair Play Financeiro” não passa de uma anedota.

Ando a evitar e vou tentar continuar a evitar, mas não posso evitar apontar o meu dedo acusador a uma nojenta mérdia nacional que, tendo obrigação de saber tudo isto (e muito mais, que eu não sei), se verga a um silêncio vergonhoso, a ver se consegue manter um líder de uma claque que lhes propicia boas parangonas. Simultaneamente, não posso deixar de perguntar por onde andam os poucos Sportinguistas que ainda existem, uma elite que pode sentir-se em extinção, mas que não pode deixar de combater a demagogia podre instalada.

Bem sei que não tem nenhuma relevância, mas acabo de ver (na rtporcos) mais um intolerável exemplo deste cenário surreal, numa “noticia” sobre a contratação de um jovem futebolista escocês de 18 anos, com o qual terão assinado um contrato de … 6 anos!

A ter acontecido, trata-se de um contrato absolutamente ilegal e, por isso, inválido perante a LPFP, a FPF e a UEFA, uma vez que os regulamentos proíbem que jovens assinem contratos de longa duração (mais de 3 anos) antes dos 20 anos. Vergonhosamente e depois do “caso bruma”, todos os Jornalistas desportivos sabem perfeitamente disto, mas … preferem validar esta escandalosa demagogia com a sua própria cumplicidade.

Viva o Benfica!