Mais de 54 mil espectadores não deram por mal empregue a decisão de trocar um solarengo domingo de praia pelo calor da chama imensa - que nos conquista e leva à palma a luz intensa - das bancadas da Luz. Estádio cheio e alguns pedaços de futebol à boa maneira 'Eusébiana', a memória do melhor futebolista português de sempre não merecia menos na Eusébio Cup. Foi como se, naqueles diabólicos primeiros 45 minutos, a alma do King pairasse sobre o nosso estádio. Os atarantados neerlandeses nem sabiam de 'onde eles vinham'. Foram quatro como podiam ser seis ou mais (mais um penalti que ficou na conta aberta dos árbitros) mas o mais importante nem foram os golos, a cegueira selectiva do Godinho ou sequer o gordo resultado. Foi o bloco da equipa que funcionou como um harmónico.
E quando os colectivos são altos podem disfarçar grandes e pequenos flops. É verdade que, sem Otamendi, a defesa do Benfica tem andado à deriva - culpa de Rui Costa que não tem mão no argentino - mas, dos novos candidatos a fiascos, os 175 cm de Niklas Beste talvez nem sejam os mais insignificantes de todos. É óbvio que o pequeno alemão não é nenhum Zaidu ou um (Rúben) Vinagre, mas disfarçou tão bem que chegou a dar água pela barba ao Feyenoord. Outro minorca, Leandro Barreiro - que raio terá visto Roger Schmidt num luxemburguês de palmo e meio! - lá se desenrascou tentando passar despercebido mas, e que me desculpe o Pavlidis, quem continua a não jogar mesmo nadinha é o João Mário. Apesar do carinho com que trata redondinha (que nos seus pés se sente como uma musa idolatrada) nota-se a cada tomada de decisão, no ligamento do jogo ou no encurtamento dos espaços, a enorme inutilidade do João. O comendador Mário leva as pantufas para o relvado e nem sequer sua a camisola. Roger Schmidt não percebe mesmo nada disto.
Prestianni - desde Janeiro a levar com os ressabiados da crítica reles - apesar dos poucos centímetros de altura já fez muita gentinha (gentalha se assim preferirem) engolir paquidermes do tamanho do seboso Bernardete. Tirando isso, que não é pouco, são mais uns milhões deitados ao lixo, palavra de especialista e verdadeiro verdadeiro. 166 cm? Isso lá é altura que se apresente, Roger Schmidt?
A noite não terminaria sem o excelente golo de Arthur Cabral mas o que encheu a alma dos 54 317 espectadores foi a bonita festa marcada para o minuto 87 pela CMTV - a quem daqui endereço os meus sentidos pêsames - de João Neves, que continua a um pequeno passo, mero detalhe, fugaz atraso, minúsculo pormenor, de sair para o PSG. Esta semana, vejam na CMTV, é que vai ser.
A resolução do BES e a capitalização do Novo Banco - 'herdeiro' do BES, chamado ‘banco bom’ - já custou oito mil milhões de euros aos portugueses e ainda faltam os milhões - ou serão biliões? - dos milhares de lesados do processo. Cantando e rindo, que é como quem diz, estamo-nos a cagar para os problemas dos outros, os sapos herdeiros (sem aspas) do Novo Banco, anunciaram o pagamento de mais 3 milhões de euros pelo melhor Gyokeres que há no mundo, elevando o custo da contratação para perto dos 30 milhões (20+4+3), sem contar os dez por cento das mais valias de uma futura e putativa venda que continuam na posse do Coventry. Vida de rico é assim.
Curiosidades. Na Luz, não faltou o clássico penalti gigantesco por assinalar a favor do SL Benfica e, najantas, não deixou de aparecer o clássico golo obtido no final da primeira parte (45'+4) fruto do penálti do costume pró foculporto. Alvíssaras merecidas para os homenageados (Alex Teles e Otavio cuspieira) de Contumil que, sozinhos, construíram brilhantemente o terceiro golo do clube da fruta.









