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domingo, 23 de junho de 2013

A “Reestruturação Financeira” (I).

Por José Albuquerque

Quem conhece o meu pensamento sabe que nutro um imenso respeito pelo que foi, há muitos anos, o Sporting Clube de Portugal, tal como sabe ao que é que eu me refiro quando falo da osgalhada: ao grupelho de antibenfiquistas que, infelizmente, transformou aquele antigo e histórico clube em mais um tentáculo do POLVO.
Para completar este ponto prévio, resta-me acrescentar que os primeiros sinais que vejo me indicam que, finalmente e sem saber como, a osgalhada elegeu uma Direcção com gente competente e, talvez, Sportinguista, relativamente á qual eu só desejo os maiores sucessos, especialmente se eles conseguirem o que seria um verdadeiro milagre: a refundação do verdadeiro clube que já foram.
Quem habitualmente lê os meus textos e comentários também sabe que eu considero que a osgalhada já ‘morreu’ (ainda ‘mexem’, tal como mexe uma cauda amputada de lagartixa, mas já ‘morreram’), ou seja: aquele antigo clube desportivo que controlava (recentemente através de uma sad) uma das maiores equipas de futebol nacional, esse … já não existe e eu não creio que possa voltar a existir.

Com quase 250ME de Passivo e uma Situação Liquida negativa em mais de 105ME, incapaz de recuperar os VMOC’s (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis … em Capital Social) já emitidos e reduzida a um nível quase ridículo de Proveitos Operacionais (um pouco mais de 1/3 dos da Benfica SAD), nem um milagre pode salvar a osgasad das mãos dos que a vão adquirir por contrapartida dos créditos que sobre ela têm e que ela não pode solver.

Ainda há uns dias, quando aqui escrevia sobre os resultados do 3º trimestre da Nossa SAD, eu voltava a repetir que considero indispensável equacionar uma das possíveis alternativas para promovermos a Reestruturação Financeira da Benfica SAD, por forma a reduzir drasticamente a ‘hemorragia’ dos Custos Financeiros e fiz alusão a que estava a chegar o momento oportuno para a Nossa Administração tomar uma decisão pertinente sobre o tema … assim que fosse conhecida a ‘solução’ a tomar pela osgasad.

E é esta a questão que liga este texto ao tema sugerido antes pelo Enorme “Superaguia1904” – o “Fair Play Financeiro”, não nos termos em que a UEFA o tem tentado regulamentar, outrossim em termos mais acessíveis ao senso comum: de facto, a osgasad não pode pretender obter, nem das instituições tutelares, nem dos Bancos credores, condições que lhe possam conferir uma vantagem competitiva perante as suas concorrentes diretas, tanto mais que foram as suas sucessivas Administrações a cavarem o abismo em que se lançaram. 

Vejamos, então, qual é a trave mestra da proposta de Reestruturação Financeira apresentada pela osgasad á CMVM e, para o efeito, citemos a parte relevante do comunicado oficial.  

“(v) Emissão de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis em acções da Sociedade (“VMOC”), escriturais e nominativos, no montante de Euro 80.000.000,00 (oitenta milhões de euros), com o  valor nominal de 1 Euro cada, com prazo de 12 anos, pelo preço de subscrição de 1 Euro cada, obrigatoriamente convertíveis em acções ordinárias da Sporting SAD a um preço de conversão de 1 Euro cada, com taxa de juro anual bruta condicionada de 4%, devida quando existam resultados distribuíveis pela Sporting SAD; a emissão será efectuada mediante subscrição privada com realização em espécie, consistindo na conversão de créditos detidos sobre a Sporting SAD pelo Banco Espírito Santo, SA, no montante de Euro 24.000.000,00 (vinte e quatro milhões de euros) e pelo Banco Comercial Português, S.A., no montante de Euro 56.000.000,00 (cinquenta e seis milhões de euros);” (fim de citação, sublinhados meus).

Ou seja e para que a osgasad possa concretizar esta sua proposta, pelo menos as seguintes entidades terão de ‘aceitar’ estes procedimentos, abrindo o decorrente precedente: a CMVM, o Banco de Portugal (pela transformação de créditos do BES e BCP em VMOC’s), as FPF/LFP e, eventualmente, a própria UEFA, caso o Benfica entenda consultá-la no quadro das normas de Fair Play Financeiro.  

E porquê tudo isto?
Porque, na prática, o que BES e BCP estão (estarão?) a propor fazer é, nem mais nem menos, ‘oferecer’ 80ME, sem juros e por 12 anos, mesmo admitindo que a osgasad teria os meios para, no final desses 12 anos, lhes ‘recomprar’ os 80ME em ações que transportam este ‘negócio’.  

80ME, por 12 anos, quanto valem?
Obviamente, esse cálculo depende das taxas de juro que quisermos projectar, mas o valor capitalizado na maturidade nunca poderia ser inferior a 100ME!

Nos próximos textos (creio que mais um não chegará), tratarei de analisar mais detalhes desta operação, mas, desde já e no caso em que a osgasad veja aprovada esta sua proposta, creio que qualquer outra sad que tenha empréstimos do BES e do BCP poderá, até á concorrência daqueles valores, ‘exigir’ igual tratamento, o que quer dizer que a Benfica SAD ficará com uma belíssima solução para o seu já crónico problema de debilidade dos Capitais Próprios, com a enorme vantagem de, ela sim, poder apresentar projeções económicas e financeiras que demonstrem a sua capacidade para ‘recomprar’ esses 80ME de ações no final dos 12 anos. 

Era só o que faltava, que uma osgasad completamente falida tivesse melhor tratamento da parte daquela dupla de Bancos do que a Nossa SAD, cumpridora e bem gerida.

Ainda bem que eu não sou accionista de nenhum daqueles dois Bancos, ou os seus Administradores teriam de me explicar muito bem porque razão se propõem ‘oferecer’ umas largas centenas de milhão de euro a (3?) SAD’s, quando não ‘perdoam’ nem um cêntimo de juros a tantos mutuários tornados insolventes pela actual crise que Portugal atravessa.   
            
Viva o Benfica!