Ficaram enraivecidos com o empate do Benfica-Rangers. Mostraram-se furiosos com o 2-1 sobre o Toulouse e, ontem, saíram do estádio como as comadres tupperware exasperadas com a vitória escassa sobre o Olympique de Marselha! Estão tão habituados a chacinar os adversários (é conhecido o percurso goleador do Benfica, 100% vitorioso nas competições europeias antes de Roger Schmidt destruir recordes míticos) que já não há vitória pela margem mínima que lhes sirva. E mesmo uma goleada retumbante, se não vier acompanhada de um banho tático como só o mestre Rúben Amorim sabe aplicar, não tem chances de satisfazer a sanha enfurecida turba justiceira.
Pobre Jürgen Klopp (uma Premier League em 9 anos) se fosse treinador do Benfica! Com duas derrotas na Liga Europa (Union St. Gilloise e...Toulouse) este alemão incompetente (será da raça?) foi amassado (0-3) em casa pela Atalanta a quem Rúben Amorim, como se sabe, trucidou taticamente na eliminatória anterior! Deve ter sido épico o enxovalho sofrido às mãos dos verdadeiros exigentes de Anfield.
Insultos, assobios, tochas, petardos, lenços brancos...é patológico. Venha quem vier, mais cedo ou mais tarde, acaba a levar com eles. Todos aqueles 'cabelos brancos' vitoriados ao intervalo, de igual modo foram achincalhados no relvado do anterior estádio. Roger Schmidt, surpreendido, diz que isso parece fazer parte do Benfica. Os franco atiradores dirão que o Benfica é (deles) isso. Eu digo que o Benfica é tudo isso e muito mais mas que não pode ser este circo. Nada há nada a fazer quando o melhor jogador em campo perde uma bola e é automaticamente assobiado. Não há nada a fazer quando nos quartos de final de uma eliminatória europeia, com a equipa a ganhar, se assobia os jogadores por tentarem controlar o resultado, evitando pontapés à toa para a frente. Há gente que vai à bola, que paga o ingresso ou Redpass mas não gosta de futebol. Eu ainda não consegui perceber de que é que gostam mas de futebol não é com certeza.
Comparado com o tributo do Benfica a Sven Eriksson é tudo tão minúsculo que só me apetece recordar que o grande homenageado (sim, eu fui daqueles que não conseguiu conter a emoção nem uma lágrima marota) da noite, na segunda passagem pelo Benfica, em três épocas venceu um campeonato e uma supertaça não saindo nada a bem do Benfica. Sabem quem veio substituir Sven-Göran Eriksson? Tomislav Ivić, 1 Taça intercontinental, 1 supertaça europeia, 1 Europa League, 3 ligas da Jugoslávia, 1 liga holandesa, 1 liga francesa, 1 copa do Rey, 1 liga belga, 1 supertaça portuguesa, 2 Taças de Portugal e 1 liga portuguesa no currículo! Aguentou 11 jogos até ser escorraçado, substituído pelo seu adjunto, Toni, anterior adjunto de Eriksson. Toni (ele próprio enxovalhado pelo Benfica e por muitos dos verdadeiros que agora o idolatram) campeão em 1993/94 foi imediatamente trocado por Artur Jorge. Seguiram-se 5 campeonatos de enfiada para o clube da fruta e o resto é um festival de entra e sai de treinadores - 11 anos esteve o Benfica a pão e agua - até Trapattoni ganhar o campeonato, sendo imediatamente escorraçado (mais um tetra para o museu da fruta) por não ser benquisto nas bancadas!
Respondendo a mais uma crónica🤮repleta de imbecilidades de Vitor Serpa, em abolha, eu não chorei com saudades do futebol de Eriksson, como não choro por ex-treinadores nem ex-jogadores do Benfica. Eles vão embora e o SL Benfica continua! Choro pelo Benfica, de alegria mas também de tristeza, e choro junto com os nossos, de grandeza de alma extraordinária como Toni ou Sven-Göran Eriksson.



