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quinta-feira, 18 de julho de 2013

A Champions Sub-19

Por José Albuquerque

É uma noticia que quase tem passado despercebida, mas que eu considero merecedora de “honras de 1ª página”: a UEFA vai passar a organizar, já nesta época, a Champions U-19 com o mesmo formato e equipas (juniores) dos clubes da competição principal.
Num momento em que, em Portugal, tantos duvidam da validade dos altos investimentos que o Benfica continua a fazer na sua “Fábrica”, esta noticia deveria, se necessário fosse, ser suficiente para esclarecer quaisquer dúvidas que ainda subsistissem e que, na minha modesta opinião, nunca tiveram argumentos reais. 

De facto, em qualquer modalidade e no futebol ainda mais (por ser a mais popular de todas as modalidades desportivas no mundo), o Nosso Clube tem de aprofundar todos os investimentos necessários para conquistar a liderança nacional (pelo menos) na respectiva “Formação”, desde a mais simples divulgação e animação desportiva, passando pela consolidação da cultura desportiva e terminando na alta competição dos escalões etários mais jovens, sem nunca esquecer uma salutar discriminação positiva pelo feminino.

Creio que um dos erros mais frequentes que podem confundir os que colocam em causa a “Formação”, prende-se com o impulso para uma sua avaliação economicista, que menoriza os êxitos desportivos nas “Modalidades” e, confrontando-os com a dificuldade de integração dos Nossos “Produtos” na Equipa principal de futebol, parece conduzir a uma adicional avaliação económica negativa desses investimentos.
Humildemente, não concordo e nem sequer vou invocar que a “produção” de um só futebolista de eleição em cada década poderia permitir a recuperação, em resultados desportivos e económicos, da quase totalidade desses investimentos.

Ao contrário, eu considero que todas as actividades inerentes á formação desportiva, seja qual for a modalidade em causa, transportam os Nossos Valores e contribuem para a divulgação e glorificação da Nossa História, razão mais que suficiente para que o Benfica não deva considerar a prática de nenhuma modalidade, sem a suportar numa estrutura própria de “Formação”, o mais ampla e vitoriosa possível.
O Benfica somos Nós, Sócios e Adeptos, todos, sem excepção ou discriminação baseada nas modalidades que preferimos. Mais ainda, o desejável conceito de “ownership”, deve motivar-Nos a uma participação mais directa na vida das modalidades que preferimos e, assim, constituir a melhor estatística de popularidade, com base na qual a Direcção deveria estabelecer as suas prioridades estratégicas.

Regressando ao futebol e á Nossa “Fábrica”, há que assinalar que esta Champions U-19 não vai só representar (num caminho há muito seguido pela SAD, ao contribuir directamente para a proliferação de torneios internacionais nos escalões mais jovens) a institucionalização da prova mais competitiva para os Nossos Juniores, como vai constituir um segundo e determinante passo no sentido da constituição da “Primeira Liga Europeia de Clubes”, um projecto estruturante que há de ‘revolucionar’ o futebol europeu e organizar o já quase inadiável Campeonato Europeu de Clubes, no tradicional formato de “todos contra todos e a duas voltas”, talvez a razão mais importante para que o Benfica (e a Nossa TV) se constitua como um dos seus principais animadores.

A terminar, gostaria de fazer mais duas menções ligadas a este tema da “Formação”, a saber: a Nossa BTV e a “saída”, inexorável, do Benfica por parte da esmagadora maioria dos jovens futebolistas formados na “Fábrica” e tomando como exemplos os casos mais actuais dos Migueis (Vítor e Rosa), ambos excelentes Atletas e profissionais dos quais já Nos podemos orgulhar.

Creio que o Vítor e o Rosa devem considerar-se privilegiados por terem completado toda a sua formação desportiva no Glorioso, tal como devem considerar-se estimulados a provar que esse investimento lhes vai permitir completar boas carreiras em equipas de outros clubes, honrando os serviços que prestaram ao Clube e, até ás selecções nacionais jovens que ambos representaram. E Nós, Sócios e Adeptos que tantas esperanças depositámos na sua evolução desportiva, devemos preferir aplaudir o “copo meio cheio” de tudo o que eles conquistaram, em vez de carpirmos o “copo meio vazio” do que eles ainda não conseguiram.
Guarde a SAD, ou não, uma parte dos seus “direitos económicos”, fonte eventual de alguns proveitos futuros, voltem, ou não, algum deles e algum dia a envergar o Manto Sagrado, o importante é que todos nos recordemos do que já conseguimos e do que podemos melhorar no futuro.
No meu caso particular e uma vez que sou dos que privilegiam a componente atlética na selecção de jovens candidatos a futebolistas profissionais, eu concluo que nenhum dos dois conseguiu ‘libertar-se’ de um claro handicap de gabarito, contrapondo-lhe uma necessária genialidade técnica e tácita.

Tal como creio que, mal consigamos garantir um retumbante sucesso da Nossa BTV, deveremos motivar uma solução que permita o relançamento do seu antigo canal “gratuito”, especialmente dedicado ás modalidades amadoras e á “Formação”.

Viva o Benfica!