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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os mitos de 2014 (I).

Por José Albuquerque

Parece-me inegável que este ano que agora finda se vem juntar a uma já longa série que fica na memória dos mais atentos pelos inúmeros mitos que se vão desvanecendo aos mesmos ritmos avassaladores, quer do desenvolvimento cientifico, quer dos mais miseráveis sinais que escorrem daquilo a que chamamos civilização e, no plano mais estrito do “des porto” nacional e do “futeluso”, o panorama também não poderia ser diferente.
Ora como sucede que Nós amamos o Maior Clube do Mundo, que, também por isso, constitui o pináculo em torno do qual gravitam dezenas de milhar de agentes desportivos e/ou simples interessados a ele conectados através de uma mérdia indigente, não Nos podemos surpreender ao verificarmos que uma boa dose desses mitos como que se pegam ao glorioso nome do Benfica.

Nesta série de textos, vou tentar abrir um espaço para que, aqui no GUACHOS, possamos todos Benficar sobre aqueles que julgo serem os mitos recentes mais relevantes, começando por sugerir aos Leitores que completem esta minha lista inicial com outros temas dos quais eu me possa ter esquecido.
Na (minha preferencial) área económica, ao mais velho mito do “Passivo”, veio agora juntar-se o novo mito “Promovalor”, havendo gente que insiste na tecla que tenta atacar o Presidente por via de alegados problemas nos seus negócios pessoais e pretendendo que esses poderiam estar na base de inventadas dificuldades de financiamento do Grupo Benfica. Ainda nesta área, surgiu o mito do “all in” que anda de braço dado com um sonhado abismo financeiro dos andruptos.
Na área institucional, acumulam-se vários mitos fresquinhos, desde a tal “santa aliança” ao desejado definhamento do que resta da “olivedosporcos”, passando pelo caso da “reestruturação financeira” da osgalhada que, na minha humilde opinião, constitui a mais gritante deturpação actual da Verdade Desportiva e, por isso mesmo, tem de ser desmascarada como tal.
Finalmente e na esfera desportiva, aos já estafados mitos dos “4 milhões” e da “alergia chamada Champions”, recentemente agravados pela precoce eliminação das provas da UEFA, tem assumido um papel quase monopolista o novo mito “made in Benfica”.

Ou seja e assim de uma penada, quase uma dezena de temas que saltaram para o centro das polémicas este ano, ou, para os que vinham de antes, assumiram novas facetas determinantes recentemente. Mas que não se assustem os Leitores, que eu proponho-me abrir estes debates em suaves prestações …

O mito do “Passivo”.

Herdeiro natural do velho mito da “falência”, todo esbardalhado por anos e mais anos anunciada e nunca verificada, o mito do “Passivo” mistura menos ignorância e compensa com ainda mais má fé, uma vez que há que reconhecer que compreender as inúmeras fontes de subavaliação dos Nossos Activos não podia estar ao alcance de todos.
Mas se a mais desbragada ignorância já deixou de fazer escola, o mesmo não se passa com a vergonhosa desonestidade intelectual dos que alegam que deveria ter sido possível sair de um colossal abismo económico e financeiro e concretizar todos os investimentos deste milénio sem recorrer a capitais alheios: é aquilo que eu chamo de “sol na eira e chuva no nabal”, desejo normal naqueles que se consideram muito exigentes, mas, nunca, nunca, foram capazes de colocar alternativas no papel e, se possível, traduzidas em números.
Que nenhum Companheiro se iluda a este propósito: se queremos permanecer os donos do Nosso Clube, do seu Grupo Económico e dos Activos que o representam a longo prazo (não me refiro, portanto, a futebolistas), então há uma só forma de reduzir a parte do Passivo que Nos custa mais de 20ME anuais e essa passa pela acumulação de LUCROS e/ou outras vias para aumentarmos os Nossos Capitais Próprios.
Trata-se, pois, de uma verdade “lapalisseana” da qual é completamente impossível fugir, pelo que até um alcoólatra como o ‘osga roc’ sabe que reduzir rápida e fortemente o Passivo remunerado só não seria incompatível com resultados desportivos internos se fosse essa a opção dos andruptos (e eles estão longe disso).

O mito “Promovalor”.

Não deixa de ser espantoso como todos os anti, depois de passarem anos a acusar o Presidente de “comichões” e outros mimos que demonstravam que ele só tinha chegado onde chegou, do ponto de vista da sua fortuna pessoal, por ter sido eleito Nosso Presidente, agora, assim como quem não quer a coisa, querem idealizar um cenário em que uma alegada (e mais que ridícula) ruína pessoal do Companheiro LFV, estaria a ser um travão ao desenvolvimento e crescimento do Benfica.
Como sempre e em tudo o que Nos diz respeito, a miserável aliança entre os anti internos e externos repete furiosamente os mesmos boatos, confunde demagogicamente conceitos (como “dividas”, por exemplo) e especula sobre cenários absurdamente incredíveis, tudo isso na vã ilusão de menorizar os méritos de mais um homem de origens humildes e sem os privilégios académicos que, por isso, os esmaga sob uma inveja sem fim.
Que nenhum Companheiro se iluda e fique com pena de uma alegada ruína do Nosso Presidente, cujos negócios seguem florescentes e cujo património pessoal já há muito ultrapassou o limite do inatacável, ou com receios de que uma eventual falência de algum dos seus investimentos pessoais pudesse ter qualquer influência perniciosa sobre o Nosso Clube, uma vez que o Benfica também já ultrapassou, há vários anos, aquela escala em que poderiam existir receios de ‘orfandade’: a realidade económica do Grupo Benfica não depende de nenhum homem e nenhum dos Nossos dirigentes é insubstituível. Nunca o foram no passado e hoje muito menos.

O mito da “santa aliança”.

Tal como em todos os outros mitos que seleccionei, também este poderia ter outra designação e, se repararem bem, muitos são os que lhe chamam “como o Vieira deu a mão aos andruptos, oliveiredo incluído”. Nunca a designação de Taliban lhes assentou tão bem!
Ora muito bem: o “futeluso” estava confrontado com a iminência da interrupção de todas as competições organizadas pela LPFP (mesmo antes do inicio da Taça da Liga) e esses visionários fundamentalistas, alegadamente visando a “destruição da olivedosporcos/sporcostv” (ahahah, como se tal fosse possível, atendendo aos detentores da esmagadora maioria do seu capital), consideram que o Nosso Clube deveria ter gritado que “o Estado somos Nós”, impondo uma solução de capitalista numa operação de “takeover” sobre a LPFP, talvez completada com uma OPA da Nossa BTV sobre a sporcostv. E tudo o que ficasse aquém disso … cairia no titulo “como o Vieira lhes deu a mão”.
Que nenhum Companheiro se iluda e perca a consciência de que o maior risco que impende sobre o Nosso Clube e todos os Nossos projetos e ambições já não é a erradicação do POLVO imundo e grosso: o pior que Nos poderia acontecer seria uma falência das instituições e competições profissionais de futebol.

Vou deixar os mitos seguintes (e aqueles que nos queiram sugerir) para os próximos textos, mas não vou concluir sem alertar todos os Companheiros para uma verdade insofismável: claro que o Nosso Clube poderia ter feito mais e melhor nestes anos mais recentes, tal como, consequentemente, também poderiam ter sido mais e melhores os resultados desportivos alcançados pelas Nossas Equipas e Atletas.
Se preferirem outra forma de escrever a mesmíssima coisa, que nenhum Benfiquista aceite contentar-se com o tanto que já conseguimos construir e vencer nestes últimos anos, porque o Benfica (que somos Nós) não é Nosso: ele apenas Nos foi depositado nas mãos em nome dos Companheiros mais novos, a quem o haveremos de entregar maior e melhor do que o recebemos.              

Viva o Benfica!


P.S.: O Enormérrimo Guachos, nosso anfitrião neste formidável blogue, manifestou, a propósito do caso da prisão de um ex-primeiro ministro de Portugal, uma posição e opiniões que representam os antípodas daquilo que sempre foram as minhas convicções e, por isso, eu sinto-me moralmente obrigado a confessar-me envergonhado por ser cidadão de uma Nação com quase 9 séculos de História e, apesar disso, que ainda não conseguiu construir um Estado capaz de aplicar a Justiça de forma isenta, eficaz e equilibrada, preferindo desresponsabilizar grandes bandidos e prender cidadãos sem culpa formada e sem conseguir condenar em Juízo mais de 30%. Eu não conheço a pessoa em causa, nem nos ligam afinidades de nenhuma ordem além do nosso Benfiquismo, mas quero deixar bem claro que sou integralmente solidário com ele contra todas as indecentes afrontas de que tem vindo a ser alvo, incluindo as directamente perpetradas ou indirectamente permitidas pelo Estado Português.