Por José Albuquerque
Parece-me inegável que este ano que agora finda se
vem juntar a uma já longa série que fica na memória dos mais atentos pelos
inúmeros mitos que se vão desvanecendo aos mesmos ritmos avassaladores, quer do
desenvolvimento cientifico, quer dos mais miseráveis sinais que escorrem
daquilo a que chamamos civilização e, no plano mais estrito do “des porto”
nacional e do “futeluso”, o panorama também não poderia ser diferente.
Ora como sucede que Nós amamos o Maior Clube do
Mundo, que, também por isso, constitui o pináculo em torno do qual gravitam
dezenas de milhar de agentes desportivos e/ou simples interessados a ele
conectados através de uma mérdia indigente, não Nos podemos surpreender ao
verificarmos que uma boa dose desses mitos como que se pegam ao glorioso nome
do Benfica.
Nesta série de textos, vou tentar abrir um espaço
para que, aqui no GUACHOS, possamos todos Benficar sobre aqueles que julgo
serem os mitos recentes mais relevantes, começando por sugerir aos Leitores que
completem esta minha lista inicial com outros temas dos quais eu me possa ter
esquecido.
Na (minha preferencial) área económica, ao mais
velho mito do “Passivo”, veio agora juntar-se o novo mito “Promovalor”, havendo
gente que insiste na tecla que tenta atacar o Presidente por via de alegados
problemas nos seus negócios pessoais e pretendendo que esses poderiam estar na
base de inventadas dificuldades de financiamento do Grupo Benfica. Ainda nesta
área, surgiu o mito do “all in” que anda de braço dado com um sonhado abismo
financeiro dos andruptos.
Na área institucional, acumulam-se vários mitos
fresquinhos, desde a tal “santa aliança” ao desejado definhamento do que resta
da “olivedosporcos”, passando pelo caso da “reestruturação financeira” da
osgalhada que, na minha humilde opinião, constitui a mais gritante deturpação
actual da Verdade Desportiva e, por isso mesmo, tem de ser desmascarada como
tal.
Finalmente e na esfera desportiva, aos já estafados
mitos dos “4 milhões” e da “alergia chamada Champions”, recentemente agravados
pela precoce eliminação das provas da UEFA, tem assumido um papel quase
monopolista o novo mito “made in Benfica”.
Ou seja e assim de uma penada, quase uma dezena de
temas que saltaram para o centro das polémicas este ano, ou, para os que vinham
de antes, assumiram novas facetas determinantes recentemente. Mas que não se
assustem os Leitores, que eu proponho-me abrir estes debates em suaves
prestações …
O mito do “Passivo”.
Herdeiro natural do velho mito da “falência”, todo
esbardalhado por anos e mais anos anunciada e nunca verificada, o mito do
“Passivo” mistura menos ignorância e compensa com ainda mais má fé, uma vez que
há que reconhecer que compreender as inúmeras fontes de subavaliação dos Nossos
Activos não podia estar ao alcance de todos.
Mas se a mais desbragada ignorância já deixou de
fazer escola, o mesmo não se passa com a vergonhosa desonestidade intelectual
dos que alegam que deveria ter sido possível sair de um colossal abismo
económico e financeiro e concretizar todos os investimentos deste milénio sem
recorrer a capitais alheios: é aquilo que eu chamo de “sol na eira e chuva no
nabal”, desejo normal naqueles que se consideram muito exigentes, mas, nunca,
nunca, foram capazes de colocar alternativas no papel e, se possível,
traduzidas em números.
Que nenhum Companheiro se iluda a este propósito: se
queremos permanecer os donos do Nosso Clube, do seu Grupo Económico e dos
Activos que o representam a longo prazo (não me refiro, portanto, a
futebolistas), então há uma só forma de reduzir a parte do Passivo que Nos
custa mais de 20ME anuais e essa passa pela acumulação de LUCROS e/ou outras
vias para aumentarmos os Nossos Capitais Próprios.
Trata-se, pois, de uma verdade “lapalisseana” da
qual é completamente impossível fugir, pelo que até um alcoólatra como o ‘osga
roc’ sabe que reduzir rápida e fortemente o Passivo remunerado só não seria
incompatível com resultados desportivos internos se fosse essa a opção dos
andruptos (e eles estão longe disso).
O mito “Promovalor”.
Não deixa de ser espantoso como todos os anti,
depois de passarem anos a acusar o Presidente de “comichões” e outros mimos que
demonstravam que ele só tinha chegado onde chegou, do ponto de vista da sua
fortuna pessoal, por ter sido eleito Nosso Presidente, agora, assim como quem
não quer a coisa, querem idealizar um cenário em que uma alegada (e mais que
ridícula) ruína pessoal do Companheiro LFV, estaria a ser um travão ao
desenvolvimento e crescimento do Benfica.
Como sempre e em tudo o que Nos diz respeito, a
miserável aliança entre os anti internos e externos repete furiosamente os
mesmos boatos, confunde demagogicamente conceitos (como “dividas”, por exemplo)
e especula sobre cenários absurdamente incredíveis, tudo isso na vã ilusão de
menorizar os méritos de mais um homem de origens humildes e sem os privilégios
académicos que, por isso, os esmaga sob uma inveja sem fim.
Que nenhum Companheiro se iluda e fique com pena de
uma alegada ruína do Nosso Presidente, cujos negócios seguem florescentes e
cujo património pessoal já há muito ultrapassou o limite do inatacável, ou com
receios de que uma eventual falência de algum dos seus investimentos pessoais
pudesse ter qualquer influência perniciosa sobre o Nosso Clube, uma vez que o
Benfica também já ultrapassou, há vários anos, aquela escala em que poderiam
existir receios de ‘orfandade’: a realidade económica do Grupo Benfica não
depende de nenhum homem e nenhum dos Nossos dirigentes é insubstituível. Nunca
o foram no passado e hoje muito menos.
O mito da “santa aliança”.
Tal como em todos os outros mitos que seleccionei,
também este poderia ter outra designação e, se repararem bem, muitos são os que
lhe chamam “como o Vieira deu a mão aos andruptos, oliveiredo incluído”. Nunca
a designação de Taliban lhes assentou tão bem!
Ora muito bem: o “futeluso” estava confrontado com a
iminência da interrupção de todas as competições organizadas pela LPFP (mesmo
antes do inicio da Taça da Liga) e esses visionários fundamentalistas,
alegadamente visando a “destruição da olivedosporcos/sporcostv” (ahahah, como
se tal fosse possível, atendendo aos detentores da esmagadora maioria do seu
capital), consideram que o Nosso Clube deveria ter gritado que “o Estado somos
Nós”, impondo uma solução de capitalista numa operação de “takeover” sobre a
LPFP, talvez completada com uma OPA da Nossa BTV sobre a sporcostv. E tudo o
que ficasse aquém disso … cairia no titulo “como o Vieira lhes deu a mão”.
Que nenhum Companheiro se iluda e perca a
consciência de que o maior risco que impende sobre o Nosso Clube e todos os
Nossos projetos e ambições já não é a erradicação do POLVO imundo e grosso: o
pior que Nos poderia acontecer seria uma falência das instituições e
competições profissionais de futebol.
Vou deixar os mitos seguintes (e aqueles que nos
queiram sugerir) para os próximos textos, mas não vou concluir sem alertar
todos os Companheiros para uma verdade insofismável: claro que o Nosso Clube
poderia ter feito mais e melhor nestes anos mais recentes, tal como,
consequentemente, também poderiam ter sido mais e melhores os resultados
desportivos alcançados pelas Nossas Equipas e Atletas.
Se preferirem outra forma de escrever a mesmíssima
coisa, que nenhum Benfiquista aceite contentar-se com o tanto que já
conseguimos construir e vencer nestes últimos anos, porque o Benfica (que somos
Nós) não é Nosso: ele apenas Nos foi depositado nas mãos em nome dos
Companheiros mais novos, a quem o haveremos de entregar maior e melhor do que o
recebemos.
Viva o Benfica!
P.S.: O Enormérrimo Guachos, nosso anfitrião neste
formidável blogue, manifestou, a propósito do caso da prisão de um ex-primeiro
ministro de Portugal, uma posição e opiniões que representam os antípodas
daquilo que sempre foram as minhas convicções e, por isso, eu sinto-me
moralmente obrigado a confessar-me envergonhado por ser cidadão de uma Nação
com quase 9 séculos de História e, apesar disso, que ainda não conseguiu
construir um Estado capaz de aplicar a Justiça de forma isenta, eficaz e
equilibrada, preferindo desresponsabilizar grandes bandidos e prender cidadãos sem
culpa formada e sem conseguir condenar em Juízo mais de 30%. Eu não conheço a
pessoa em causa, nem nos ligam afinidades de nenhuma ordem além do nosso
Benfiquismo, mas quero deixar bem claro que sou integralmente solidário com ele
contra todas as indecentes afrontas de que tem vindo a ser alvo, incluindo as
directamente perpetradas ou indirectamente permitidas pelo Estado Português.