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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Gonçalo Ramos está feito um avançado de primeira!

Mais de 56 mil espectadores - 56 413 para ser mais exacto - que Abolha simplificou (o nº 56 deve saber-lhes a fruta estragada) para "mais de 55 mil", viram ao vivo mais uma patada por trás (pitões aguçados ferrados no tendão de Aquiles de Rafa) que, ao contrário da falta de Bah, em Braga, não foi sancionada com o cartão vermelho directo. Bem podem dar as explicações cagativas que quiserem - como os intensitómetros da puta da intensidade que apenas alguns iluminados nasceram com qualidade para decifrar - que jamais conseguirão convencer-me que os tornozelos, o peito do pé e os calcanhares dos jogadores do Benfica são mais duros que as cornaduras dos anti. Não são. Mas que bom seria se o fossem! Rafa - sistematicamente caçado como um coelho - que o diga! Não pode dar um passo sem ser pisoteado, como no penalti que o Malheiro se esqueceu de assinalar, ou que não sinta nos calcanhares a pontaria certeira dos mastins adversários. E já agora, a talho de foice e antes que me esqueça: especialistas da especialidade, metam os intensitómetros na peida.

Do jogo jogado da primeira parte (aquele que os mastins de Petit permitiram que se jogasse), apesar dos prometedores fogachos iniciais, ficaram-me somente na retina o primeiro remate de Rafa ao lado da baliza e as duas flagrantes oportunidades que Gonçalo Ramos não conseguiu concretizar. E, para além da miopia selectiva do árbitro, pouco mais se viu do que a lenha distribuída pelo Boavista que os catedráticos da bola adoram catalogar como arte de bem defender. Atento, Roger Schmidt aproveitou o intervalo para trocar um trinco por uma gazua e tudo se tornou mais fluido. Neres começou logo a passar a ferro (ao contrário de Rafa raramente oferece as canelas aos adversários) a defesa contrária e o Benfica partiu então para 45 minutos de luxo a que apenas o golo do Boavista (2 remates, um golo, quarenta gritos alucinantes e 39 desmaios em toda a partida) conseguiu meter, por alguns minutos, um grão de areia na engrenagem. 

E foi só. À gazua de Neres, Schmidt juntou a bigorna de Guedes e ainda nos deu mais tusa quando resolveu meter...Musa. O domínio total e absoluto do Benfica rendeu três golos, dois penaltis (um não assinalado pelo árbitro), um sem número de oportunidades de golo e vários cartões (dois vermelhos) que ficaram na algibeira de Helder Malheiro. Uma nota especial para Gilberto, que mesmo quando as coisas não lhe corram de feição, nunca vira a cara à luta. Estava a fazer um dos piores jogos no Benfica. De repente, saca da cartola o primeiro golo do jogo e faz um passe fantástico para Gonçalo Guedes trazer um pouco de justiça ao resultado! Saiu sob o aplauso dos adeptos. 

Gonçalo Ramos está feito um avançado de primeira, Guedes tem pólvora nas botas (só tem de insistir que os golos vão aparecer com naturalidade), Grimaldo parece que tem asas nos pés e, claro, António Silva e Otamendi, são duas paredes (quase) instransponíveis. João Mário, apesar do penalti falhado, continua a encantar-me (aquele passe de assinatura para a cabeça de Musa levava selo de golo) e, Aursnes, Chiquinho e Florentino, são a argamassa que sustenta a máquina atacante do Benfica. Eu gostei. Passei, como todos, por um susto valente, mas é um consolo perceber que no relvado e no banco do Benfica ninguém entra em pânico ao sabor das contrariedades. 

Seis portugueses no onze inicial - António Silva, Florentino, Gonçalo Ramos, Chiquinho, Rafa e João Mário -, os três primeiros made in Benfica, mais Gonçalo Guedes e João Neves, que entraram no decorrer da partida, formados no Seixal! Nos sapos seria feriado nacional. 

Apesar da primeira pagina pintada de vermelho, Abolha do João mauzinho encontrou um cantinho para nos informar que há um milionário danado para levar Taremi para Inglaterra. Diz que vai a nado. A menos que o alienígena milionário descubra, entretanto, o Paulinho.

Nem que fosse à meia noite! Apesar de Abolha do João Mauzinho lhe roubar um milhar de espectadores, o Benfica-Boavista entrou no top 10 (por troca com o foculporto-Benfica) dos jogos com mais assistência (números não aldrabados) da liga. Todos disputados na Luz! E, obviamente, que não fica por aqui! Perceberam ou querem que vos faça um desenho, pantomineiros dos direitos televisivos?