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quarta-feira, 12 de junho de 2013

A “Estrutura”, os “poderes’ do Técnico e … o “Maestro”

Por José Albuquerque

Há quase duas décadas que o “Maestro” é tema recorrente das conversas e escritos dos Benfiquistas e ainda bem. Para ser absolutamente claro, considero de uma irracionalidade gritante todos os que tentam atacar o Presidente através do “Maestro” e não deixa de ser quase hilariante verificar que esses que o fazem são, exactamente, os que, recorrentemente, acusam o Presidente de usar em proveito próprio (eleitoral e não só) a quase unanimidade que o Rui constitui entre Nós.

Já se chegou ao descaramento de sugerir ao Rui a demissão, como se ele não fosse um vértice fundamental em todos os recentes sucessos quantitativos e qualitativos do Nosso futebol.  Acontece que, quando, assim, “atacam” o Rui, mesmo que o verdadeiro visado seja outro, eu considero que cometem um erro quase imperdoável.

Um outro “verbo de encher” nos maus momentos do Glorioso é a famigerada “Estrutura”. Ainda por cima, muitos Companheiros não hesitam em a criticar por oposição com a alegada “estrutura perfeita e vencedora” do crac, numa comparação que eu me recuso a qualificar, para não desatar a Sinceramente, eu não consigo entender como alguns Companheiros se satisfazem quando ‘culpam a estrutura’, sugerem a substituição de uma das suas figuras (talvez por não conhecerem os nomes das muitas dezenas de outras), admitem como solução algo que seria uma real despromoção do “Maestro” e terminam a dizer … “Eureka”!

Permitam-me uma só pergunta: como é que alguém que não trabalha com uma certa organização, se sente capacitado para fazer avaliações individuais e/ou colectivas dos seus desempenhos individuais?
Mesmo não sendo um especialista em avaliação de competências (recursos humanos, para os mais ‘antigos’), a única resposta que me parece possível seria … por não terem melhor que fazer.  

Finalmente, o terceiro vértice deste ‘problema’ (aquele que define uma espécie de “triângulo das Bermudas” no qual pretendem que desapareça o Carraça) e como ‘subproduto’ de serem confrontados não tanto com a renovação do Técnico, mas sobretudo com a não diminuição (?) do seu salário, nasceu a ‘critica’ ao “aumento dos seus poderes”.

Mas, que raio, como é que se aumentam os “poderes” de um Técnico, alguém sabe dizer-me?

Pior ainda e caso alguém soubesse explicar-me essa impossibilidade, ainda não descobriram que esse “aumento de poderes” estaria a tornar o respectivo salário mais ‘baixo’ (fazer mais pelo mesmo dinheiro), tal como tão veementemente defenderam?
Ora “digam la se pode, ou não, falar-se o Fado” … …   

Companheiros,

Eu não sou de endeusar ninguém (nem sequer Deus), mas creio que temos, todos Nós, profundas razões para “protegermos” o “Maestro”, sem o imiscuir em tricas e sem o envolver em “desabafos” …

O Rui é um de Nós, um dos Melhores, é um símbolo do Glorioso! Ele tem um passado, como Atleta, como Benfiquista e como Homem, que lhe confere um lugar ímpar na História do Glorioso, que o qualifica como um dos mais valiosos “activos” do Clube e lhe auguram um papel importante no Nosso Futuro.
O “Maestro” ainda é, hoje, o mais brilhante de quantos Atletas saíram da “Fábrica” (tendo recusado convites para ir para alcoshit), ele também foi colocado “a rodar” para amadurecer como futebolista, regressou para nos encantar e para ser Campeão (com salários em atraso), condicionou a sua carreira em prol do Clube (recusando o Barcelona e a “fortuna” que lhe ofereciam), foi estrela do “cálcio” por 11 épocas (7 na Florentina e 4 no Milão, sem nunca ter sido apanhado pelos paparazzi), chorou quando fez golo contra a Nossa Equipa, assinou “em branco” para regressar e terminar a sua carreira como Atleta e, finalmente, aceitou o convite do Presidente, recusando pelo menos uma (que eu saiba) alternativa muito melhor remunerada.
O Rui é Sócio de quatro dígitos, é Sócio Fundador e é Accionista da SAD (dez mil títulos, só em nome próprio). O Rui é Benfiquista e é Pai de Benfiquistas.  

Que se “levante” quem tenha dado metade (ou melhores) das provas de Benfiquismo nestas duas últimas décadas!

Eu não vou endeusá-lo, mas não aceito que o ataquem por lhe exigirem a … perfeição! Eu não aceito que pretendam dar-lhe lições de futebol, nem aceito que coloquem em causa nem a sua inteligência (foi sempre Benfiquista e, como Atleta, não se conquista o titulo de “Maestro” com demonstrações de burrice), ou a sua integridade como Profissional, como Homem e como Chefe de Família!
Há mais de 20 anos que o Rui é alvo dos holofotes da fama e nunca, ninguém, teve nada a apontar-lhe. Nem fora nem dentro dos relvados: NADA vezes NADA. NADA!
Se todos Nós merecemos respeito, o “Maestro” não pode merecer menos. Se todas as Nossas opiniões têm direito a ser ouvidas, as dele também e por maioria de razão, mesmo que ele entenda guardá-las para o CA da SAD!

Mas não é só pelo passado e pelo respeito que ele Nos merece, que atacar o Rui de forma ínvia constitui, na minha humilde opinião, um grave atentado ao Glorioso.

Pelo passado, sim, mas principalmente pelo presente e pelo futuro do Clube, quem escolhe o “Maestro” como subterfúgio para objectivos que ele não subscreve e negou repetidamente, quem o elogia e/ou desaprova por comparação (e/ou falsa oposição) ao Presidente, quem o tenta “misturar em tricas”, tem de ser obrigado a pensar mais e melhor. Quem isso faz, mais ou menos directamente, ou esquece ou finge esquecer o desafio que LFV lhe lançou há 5 anos, desconhece, ou simula desconhecer, o que representa ser Administrador de uma SAD com um Activo (conservadoramente avaliado, sobretudo pelo valor contabilístico do Plantel) de cerca de 400 milhões de euro e nela deter o pelouro do “core business” – o Futebol.

Sinceramente, estou convencido de que, pelo menos na esmagadora maioria, não têm nem ideia. Tal como nunca estiveram num balneário, nunca disputaram uma partida de futebol a sério e, ainda assim, têm sempre muitas coisas a dizer sobre as táticas, sobre os Atletas e sobre os “negócios” que deveriam ser feitos.

Somos, todos, muito lestos a identificar os problemas e os “erros” (sobretudo á segunda feira), mas muito “poupados” no que toca ás soluções e/ou alternativas. Só que uma coisa é dar largas á frustração por um lance falhado ou por um mau resultado e outra, bem diferente, é não pensar nem no pouco que se sabe, nem admitir o tanto que se desconhece no momento de “botar tese” sobre a gestão do Nosso futebol. E o anonimato da internet não pode desresponsabilizar!

O “Maestro”, que foi um Atleta de eleição, que tem um curricula exemplar de Benfiquista e que é um Senhor em tudo o que se lhe conhece, não teve o privilégio de uma formação académica em Gestão …

Quer dizer … não tinha tido esse privilégio ate há cinco anos!
Trabalhando directamente com o Presidente e com o DSO, entre outros, com o pelouro do Futebol (todo ele) e as suas responsabilidades, enquanto Administrador, relativamente a TUDO o que diz respeito á SAD e ao Grupo, o Rui já está a fazer como que um “Mestrado” em Management. Que ninguém tenha a menor dúvida!

E o que pretendo com tudo isto que aqui digo, será defender que o “Maestro” vai ficar imune ao erro?

Longe disso e a minha “tese” é bem simples e objectiva. Para a traduzir por uma só equação, permitam-me que pergunte: quanto vai “valer” o Rui daqui a dois anos? E dentro de cinco? Quanto já vale ele, hoje? Não percebem que ele tem demasiadas competências para ir substituir quem quer que seja que trabalhe com ele? Não entendem como ele está bem colocado para contribuir para as soluções de que o Benfica necessita?
Para o Glorioso, para a SAD e para todo o Grupo, o Nosso “Maestro” representa muitos milhões em “goodwill”. Ele é um “Activo intangível” (não contabilizado) de valor tão crescente quanto difícil de calcular.
Benfiquista como poucos e identificado com o Clube desde que nasceu, irmanado desde as humildes raízes aos Valores mais nobres, um Senhor do Futebol reconhecido á escala planetária e cuidadosamente preparado como Gestor o Rui poderá não ser insubstituível, mas é e será, com toda a certeza e tal como sempre foi … ÚNICO!

O Benfica somos Nós, mas o Clube não é Nosso, não me canso de o repetir. O Benfica está nas Nossas mãos “a crédito” das gerações futuras, dos que o transportarão até á eternidade e para além dela. Nas últimas décadas já desperdiçámos demasiado tempo e recursos. Demorámos demasiado a perceber que o “jogo” estava viciado e escolhemos más soluções ou “não soluções”.

Malbaratar os talentos do “Maestro” … seria um “crime de lesa Glorioso”.

Pretender que a Nossa “Estrutura” trabalhe para ‘seduzir’ técnicos, atletas e equipas que devem ser, sempre, adversários, ou pretender que ela se otimize na capacidade de intervenção junto da mérdia e dos Tribunais de Família e dos serviços de estrangeiros e fronteiras e das comissões de justiça e das de disciplina, ou, ainda, que ela invente e administre ‘aditivos’ aos Atletas, etc., etc., etc. … seria outro “crime de lesa Glorioso”. 

Manchar a Nossa Estrutura com um qualquer ‘vosé jeiga’, que desse razão a campanhas “a la capela”, isso então já não se resumiria a um “crime lesa Glorioso” e passaria a ser verdadeiramente anti Benfiquista e anti Patriótico.    

Viva o Benfica!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Estratégia ou falta dela...

Já quase toda a gente já opinou sobre os méritos e desméritos de Jorge Jesus, se deve ou não deve ficar, o grau de culpabilidade nas derrotas (nas vitórias sabemos que o mérito é dos jogadores) e se tem condições para no futuro continuar a ganhar títulos! Sim, os títulos que até agora nunca deixou de ganhar...

Quem contabiliza como títulos supertaças, jogadas num único jogo, para somar ao currículo, não pode ter o descaramento (para não lhe chamar desonestidade intelectual) de menorizar títulos em que todos os melhores clubes participam! Aqui não.

Mas vamos ao que realmente interessa...

Já o afirmei várias vezes e não tenho nenhum motivo que me leve a pensar estar errado; Jesus é, na minha opinião, o melhor treinador português e um dos melhores da Europa.

É um treinador capaz de pôr a sua equipa a jogar um futebol vibrante e encantador, acutilante, jogado a 100% à hora, que enche estádios - alegria dos adeptos...
É capaz de tirar de cada jogador o que de melhor ele tem para dar e é capaz de catapultar para a fama todos os que - com talento - queiram trabalhar no duro e seguir os seus ensinamentos...
É daqueles (raros) treinadores que valoriza a maioria dos jogadores - até os que habitualmente não jogam!

Tem defeitos?
Não vejo muitos mas vamos lá falar dos que as pessoas acham mais evidentes...

O que mais (eu) lhe apontava corrigiu-o (finalmente) ao terceiro ano de Benfica e hoje já pouco tem a aprender nesse campo - a forma desenfreada como obrigava a equipa a encarar (todos) os jogos, quando sabemos que nem todos os jogos podem jogar-se da mesma maneira e nem sempre correr muito significa correr bem ou jogar bem...

Sempre me pareceu que se corrigiria com o tempo, embora com custos  e derrotas bem dolorosas, mas a verdade é que hoje já vemos um Jesus completamente diferente, mais completo, finalmente maduro e conhecedor do meio em que está inserido - estar no Benfica significa (sempre) defrontar adversários super motivados, mesmo a nível internacional onde o nome Benfica moraliza e motiva todos os que nos defrontam!

Com o que aprendeu nos últimos anos, sem ter que refazer a equipa a cada ano que passa, o Benfica de Jesus já seria uma das melhores equipas europeias!
Muita gente acha que Jesus é teimoso. Eu também acho. E espero que nunca mude. Sempre vi na sua teimosia uma virtude e jamais um defeito. Porquê? porque se calhar também sou teimoso, luto sempre para fazer fazer o que acho estar correcto, porque prefiro, se tiver de morrer, morrer sempre pelas minhas ideias, e porque invariavelmente estou (quase) sempre de acordo com as suas opões!

Só ainda não consegui perceber que raio vê ele em Maxi Pereira para lhe dar tanta liberdade!
Quer dizer; perceber até percebo. Não acredito é que os benefícios superem prejuízos para a equipa - deve ser por isso que ele ganha o que ganha enquanto que eu ando por aqui a passar o tempo...

O discurso...
Jesus é das poucas pessoas e não apenas treinadores, que quando falam de futebol, dizem realmente coisas interessantes! (aquela palestra na faculdade foi memorável)
Aqueles discursos enlatados, comprados no supermercado no inicio da época e que duram até ao fim do ano, não fazem parte do seu cardápio. Tem ideias, defende-as, foge dos lugares comuns, é genuíno, fala de tácticas e do jogo sem qualquer constrangimento e qualquer conferência de imprensa sua tem mais conteúdo (estamos a falar de futebol não de palavras polémicas) que milhares conferências de outros treinadores!

Se lhe quiserem pegar pelo português mal amanhado, peguem-lhe. Mas não é disso que estou a falar...

Este ano apenas lhe aponto dois erros. Dois erros de estratégia, muito mais culpa da estrutura do que a dele próprio, embora não possa deixá-lo completamente de fora, pois me parece que seguiu o caminho que mais lhe interessava - o do reconhecimento internacional...

O primeiro erro, é chegar ao fim de um (qualquer) jogo onde o Benfica tenha sido claramente prejudicado e calar-se. 
Pior do que se calar é dar o flanco, ajudando a "enterrar" jogadores, permitindo que lhe apontem erros individuais publicamente - a rever rapidamente.
Um erro que noutras latitudes nunca acontece, com imediatos efeitos "terapêuticos"

O outro erro foi manter um discurso oficialmente aceite por todos e na pratica fazer (quase) tudo ao contrario...
Jesus sempre afirmou que o campeonato era a prioridade. Chegou a dizer e muito bem (foi por aí que o começaram a queimar) que quem primeiro saísse das competições europeias teria mais chances de vencer o campeonato!

Todos se lembram dos ataques que foi alvo e o homem apenas dissera o óbvio!!!
Todos, benfiquistas, anti-benfiquistas, bloguistas, redes sociais, comentadores, cumentadeiros, fazedores de opinião e todos os que de alguma maneira têm acesso à palavra, escrita ou falada, todos foram unânimes em o contradizer! Muitos (benfiquistas) usando palavras humilhantes para com ele!
Que não, que o Benfica tinha obrigação e equipa para ganhar tudo!
Não tinha. Como - dolorosamente - "todos" percebemos agora!

Sempre aqui o afirmei; os jogos do campeonato são por demais afectados pelos compromissos uefeiros.
Os jogos do campeonato, antes ou após os das competições europeias, principalmente os jogados nos meses de Março, Abril e Maio, seja qual for o adversário, são sempre complicadíssimos e de resultados incertos!

Os corruptos foram eliminados da Champions, após os melhores e muito corridos (talvez demasiado corridos) jogos do campeonato!
Foram eliminados por uma equipa (Málaga) que lhes era inferior e onde cometeram praticamente os mesmos erros que o Benfica viria a cometer com o Estoril... 

Apresentaram-se mal fisicamente (tal como o Benfica com o Estoril) com Defour estupidamente a fazer-se expulsar (tal como Carlos Martins) e com Moutinho estourado fisicamente (Enzo Perez e Matic também deram o berro físico)...
No fim do jogo percebia-se melhor o estouro físico e a coça que levaram do Málaga - tinha havido controle anti-doping...
Consta-se que os Malaguenhos - avisados - não tinham facilitado e arranjaram maneira de meter o controle anti-doping!
Na ressaca ainda perderam dois pontos no Maritimo, mas foi só. De resto, apenas vitórias e o campeonato no bolso.

O Benfica gastou pouco em Istambul, com reflexos positivos na Madeira, mas depois gastou tudo o que ainda tinha (mesmo o que já não tinha) em Lisboa contra o Fenerbahçe, num dos melhores jogos da época, mas que deixou a equipa vazia de energias para o jogo com o Estoril, que ao contrário, foi muito bem "preparado" e "incentivado" para a Luz como facilmente se verifica ao olharmos para estes últimos e rápidos negócios realizados...

Há muitas maneiras de se pagar um favor e nestes últimos negócios do Estoril e do Paços de Ferreira, há muito de agradecimento pelos "serviços" prestados...
Mais um aspecto descurado pelo Benfica e onde me parece que continua a ser comido  - ano após ano!

Bastava Jesus fazer o que sempre tinha afirmado; O CAMPEONATO É A PRIORIDADE, poupar a equipa (se perdêssemos tanto pior) contra o Fenerbahçe, e jamais teríamos perdido pontos contra o Estoril, por muito "preparados" que eles se apresentassem...
Um erro estratégico imperdoável e é bom que todos os membros da direcção o percebam...
Desta vez, mesmo com a merda do Xistra, do Artur Soares Dias e do Hugo Miguel, só não ganhamos o campeonato por culpa própria. 
Por uma questão de estratégia ou por falta dela!