Por José Albuquerque
Entre tudo – e foi muito, o que o Presidente disse
nesta entrevista, esta foi a frase mais impressionante e eu confesso-me
surpreendido por ainda a não ter visto completamente escalpelizada nos
principais blogues “do contra” (que eu não visito, mas cujos ecos me chegam muito
rapidamente). De facto, trata-se de uma afirmação que exige ser interpretada,
sob pena de poder vir a ser utilizada como se de “mais uma promessa demagógica”
se tratasse.
Talvez eu seja conhecido entre os frequentadores de
blogues Benfiquistas como “o vieirista que escreve que o Benfica não tem de
vender Atletas”, de tanto insistir em que o Benfica deve vender Atletas,
o que é uma coisa muito diferente.
Felizmente, tenho contado com o apoio do Enorme B
Cool, um reconhecido não vieirista, para explicar que a SAD não necessita de
“vender” para “fazer encaixes” que lhe permitam cumprir os seus compromissos
(cumprir com os seus pagamentos).
Com os mais recentes níveis de Proveitos e Custos
Operacionais e Financeiros, a SAD mantém-se solvente, mesmo no médio prazo, sem
“vender” Atletas, mas, por outro lado, veria deteriorar-se a relação entre o
seu Activo e o seu Passivo (por decréscimo do valor liquido do primeiro), além
de acumular resultados económicos negativos e ver muito reduzida a sua capacidade
de investimento.
Por isto, a SAD não tem de “vender”, mas
deve fazê-lo. Por isto, creio que o sentido das palavras do Presidente
(“ter de”) significa o que eu quero comunicar quando escrevo “deve”.
De uma coisa me parece que nenhum Benfiquista tem
dúvidas: o actual modelo de crescimento da SAD (e de todo o Grupo Benfica),
implica a valorização de Atletas e a realização de Proveitos “extraordinários”
(mais valias) com algumas vendas.
Tal como creio que, considerando a Lei Bosman (e a
Lei Webster, para Atletas brasileiros) e a imensa desproporção de rendimentos
entre o Glorioso e os mais fortes clubes dos países europeus economicamente
mais poderosos, agravada pela falta de competividade fiscal nacional, nenhum
Benfiquista de bom senso pode admitir que a SAD consiga impedir a saída de
alguns dos seus Atletas mais valiosos, sob pena de Nos terem de ensinar como é
que se “convence” um Atleta a ficar na Equipa, ganhando apenas 25% do que
poderia receber num dos chamados “tubarões”.
Então, que raio quis o Presidente dizer com aquela
afirmação?
Escrevo este texto numa tentativa de esclarecer isto
mesmo, embora fique a aguardar, impacientemente, pelos próximos “R&C” (e
pelas AG’s de Accionistas), para me esclarecer em definitivo.
Antes de mais e sem surpresa, creio que o Presidente
estava a considerar o que eu tantas vezes repeti ao longo dos anos recentes:
livre da sanguessuga económica do “mamão chupista” e consolidado o ainda
relativo sucesso da Nossa Benfica TV, vamos assistir ao inevitável salto qualitativo
da estrutura dos Proveitos da SAD, que aumentarão, só por esta via, entre 10 e
20 milhões de euro, já líquidos de custos.
Depois, creio que o Presidente considerou os sinais
evidentes de saída (lenta, mas sustentável) do pais da crise que tem condicionado
o crescimento de várias importantes componentes dos Proveitos da SAD, talvez
mesmo alguma promessa de alivio em sede de IVA, que Nos poderia proporcionar
mais uma dezena de milhão de euro adicional.
Em terceiro lugar e tal como eu sugeri no “post”
anterior, creio que o Companheiro Vieira acredita seriamente que esta “nova
linha de negócio” criada pelo Rui Costa, com a rentabilização de investimentos
em Atletas que podem nunca chegar a envergar o Manto Sagrado, vai permitir mais
um impulso nos Proveitos da SAD.
Finalmente, “last but not least”, creio que o
Presidente já dá como garantido um nível mínimo de receitas com prémios da UEFA
da ordem dos 20 milhões de euro anuais, correspondentes ou a uma presença nos
oitavos de final da Champions, ou a uma presença nas meias finais da Euro Liga,
hipótese perfeitamente consistente, na minha humilde opinião, com o valor
futebolístico já atingido pela Nossa Equipa principal
Se repararem bem e com estes raciocínios, resultam
perfeitamente razoáveis previsões de crescimento “estrutural” dos Proveitos da
SAD superiores a 3 dezenas de milhões de euro (por simpatia, um número que eu
escrevi, há mais de um ano, num debate com o Companheiro B Cool), ou seja, um
valor muito próximo do que temos visto ser o “objectivo” anual da SAD para a
realização de mais valias com vendas de Atletas.
Creio que era isto que o Presidente queria comunicar
e que sintetizou naquela frase. Ou seja, não me parece que se possa extrair
daquelas suas palavras nenhum anúncio de uma alteração do modelo de crescimento
da SAD, pelo menos no horizonte de uns 5 anos.
Viva o Benfica!