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terça-feira, 27 de agosto de 2013

“Dentro de um ano, o Benfica vai deixar de ter de vender”, Presidente dixit.

Por José Albuquerque

Entre tudo – e foi muito, o que o Presidente disse nesta entrevista, esta foi a frase mais impressionante e eu confesso-me surpreendido por ainda a não ter visto completamente escalpelizada nos principais blogues “do contra” (que eu não visito, mas cujos ecos me chegam muito rapidamente). De facto, trata-se de uma afirmação que exige ser interpretada, sob pena de poder vir a ser utilizada como se de “mais uma promessa demagógica” se tratasse.

Talvez eu seja conhecido entre os frequentadores de blogues Benfiquistas como “o vieirista que escreve que o Benfica não tem de vender Atletas”, de tanto insistir em que o Benfica deve vender Atletas, o que é uma coisa muito diferente.
Felizmente, tenho contado com o apoio do Enorme B Cool, um reconhecido não vieirista, para explicar que a SAD não necessita de “vender” para “fazer encaixes” que lhe permitam cumprir os seus compromissos (cumprir com os seus pagamentos).
Com os mais recentes níveis de Proveitos e Custos Operacionais e Financeiros, a SAD mantém-se solvente, mesmo no médio prazo, sem “vender” Atletas, mas, por outro lado, veria deteriorar-se a relação entre o seu Activo e o seu Passivo (por decréscimo do valor liquido do primeiro), além de acumular resultados económicos negativos e ver muito reduzida a sua capacidade de investimento.
Por isto, a SAD não tem de “vender”, mas deve fazê-lo. Por isto, creio que o sentido das palavras do Presidente (“ter de”) significa o que eu quero comunicar quando escrevo “deve”.

De uma coisa me parece que nenhum Benfiquista tem dúvidas: o actual modelo de crescimento da SAD (e de todo o Grupo Benfica), implica a valorização de Atletas e a realização de Proveitos “extraordinários” (mais valias) com algumas vendas.
Tal como creio que, considerando a Lei Bosman (e a Lei Webster, para Atletas brasileiros) e a imensa desproporção de rendimentos entre o Glorioso e os mais fortes clubes dos países europeus economicamente mais poderosos, agravada pela falta de competividade fiscal nacional, nenhum Benfiquista de bom senso pode admitir que a SAD consiga impedir a saída de alguns dos seus Atletas mais valiosos, sob pena de Nos terem de ensinar como é que se “convence” um Atleta a ficar na Equipa, ganhando apenas 25% do que poderia receber num dos chamados “tubarões”.

Então, que raio quis o Presidente dizer com aquela afirmação?

Escrevo este texto numa tentativa de esclarecer isto mesmo, embora fique a aguardar, impacientemente, pelos próximos “R&C” (e pelas AG’s de Accionistas), para me esclarecer em definitivo. 

Antes de mais e sem surpresa, creio que o Presidente estava a considerar o que eu tantas vezes repeti ao longo dos anos recentes: livre da sanguessuga económica do “mamão chupista” e consolidado o ainda relativo sucesso da Nossa Benfica TV, vamos assistir ao inevitável salto qualitativo da estrutura dos Proveitos da SAD, que aumentarão, só por esta via, entre 10 e 20 milhões de euro, já líquidos de custos.
Depois, creio que o Presidente considerou os sinais evidentes de saída (lenta, mas sustentável) do pais da crise que tem condicionado o crescimento de várias importantes componentes dos Proveitos da SAD, talvez mesmo alguma promessa de alivio em sede de IVA, que Nos poderia proporcionar mais uma dezena de milhão de euro adicional.
Em terceiro lugar e tal como eu sugeri no “post” anterior, creio que o Companheiro Vieira acredita seriamente que esta “nova linha de negócio” criada pelo Rui Costa, com a rentabilização de investimentos em Atletas que podem nunca chegar a envergar o Manto Sagrado, vai permitir mais um impulso nos Proveitos da SAD.
Finalmente, “last but not least”, creio que o Presidente já dá como garantido um nível mínimo de receitas com prémios da UEFA da ordem dos 20 milhões de euro anuais, correspondentes ou a uma presença nos oitavos de final da Champions, ou a uma presença nas meias finais da Euro Liga, hipótese perfeitamente consistente, na minha humilde opinião, com o valor futebolístico já atingido pela Nossa Equipa principal

Se repararem bem e com estes raciocínios, resultam perfeitamente razoáveis previsões de crescimento “estrutural” dos Proveitos da SAD superiores a 3 dezenas de milhões de euro (por simpatia, um número que eu escrevi, há mais de um ano, num debate com o Companheiro B Cool), ou seja, um valor muito próximo do que temos visto ser o “objectivo” anual da SAD para a realização de mais valias com vendas de Atletas.

Creio que era isto que o Presidente queria comunicar e que sintetizou naquela frase. Ou seja, não me parece que se possa extrair daquelas suas palavras nenhum anúncio de uma alteração do modelo de crescimento da SAD, pelo menos no horizonte de uns 5 anos.

Viva o Benfica!