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quarta-feira, 21 de junho de 2023

Portugueses doentes correm a Espanha para assobiar Gavi!

«A festa espanhola, na WiZink Center, em Madrid, depois da conquista da Liga das Nações, ficou marcada por assobios a Gavi e insultos para o Barcelona no momento em que o jogador discursava». Gavi é um garoto simples que nunca cuspiu na face do guarda-redes do Real Madrid nem se conhecem notícias de ter agredido adversários pelas costas. Apesar de ninguém o ver crescer para os árbitros ou a atirar-se para o chão rebolando nos relvados tentando expulsar adversários, nem assim, na ressaca de um titulo, se livrou dos assobios de quem não gosta (aqui sim) do Barcelona, arquirrival do Real Madrid. Se, em Portugal, houvesse um pé-de-microfone a honrar a profissão de informar, esta: que tem a dizer sobre a doença dos seus conterrâneos que assobiaram Gavi e insultaram o Barcelona durante os festejos da Espanha? - seria a pergunta a fazer a Roberto Otávio Martínez, novo serviçal do Rónalde. Terá sido uma situação doente dos adeptos espanhóis ou foram os portugueses doentes que, tomando-lhe o gosto no estádio da Luz, correram a Madrid para assobiar Gavi?

Como se não bastasse a humilhante presença de João Mário (com Rúben Dias) na equipa ideal da UEFA para a Champions League, António Silva 4º e João Neves 62º integram a lista de 100 nomeados do prémio Golden Boy que distingue o jogador mais promissor a atuar na Europa com menos de 21 anos. O António, naturalmente, por ter dado nas vistas num penalti cometido em Paris, contra o PSG, destacado na MDCSDQT como uma desgraça anunciada que só por muita sorte não chegou a acontecer, mas, e sobretudo, por ter dado cabo de uma carreira que ainda mal começara num erro (escorregou no relvado) que resultou no empate do Caldas na Taça de Portugal. Atento à MDCSDQT, o mundo da bola não perdoou, castigando o futebolista campeão nacional com uma nomeação que também penaliza João Neves por, com apenas meia dúzia de jogos como titular na formação principal do Benfica, ter ido para o Marquês festejar o 38º onde, justamente com o António, foi um dos campeões mais exuberantes. Como no dia seguinte ambos faltaram às aulas, toma lá uma nomeação para o Golden Boy que é para aprenderem. Quem também não fica bem nesta estória são Rui Costa, Roger Schmidt e o Benfica. Além de mandarem às malvas a aposta na formação ainda promovem festas até altas horas da noite causadoras dos castigos!

Terá passado despercebido aos especialistas mas não me escapou de maneira nenhuma. Abner, depois de terminar o contrato com o Farense, confirmou que jogará no Vitória Guimarães na próxima época. E porque jamais me esquecerei do EstorilGate e da verdadeira comunidade que assistiu (e assistir, aqui, não é uma questão de semântica) no relvado às tropelias de Vasco Santos na segunda parte do jogo mais comprido (37 dias de intervalo) da história, não deixarei de o seguir com toda a atenção nos jogos com o foculporto. 

Dos que mais destacaram nesse verdadeiro atentado ao pentacampeonato do SLB, recordo-me de Allano que saiu no fim da época para o Bursaspor. Do Renan Ribeiro que foi emprestado aos sapos e de Mano (verdadeiro big brother) prosseguir a carreira no V. Setúbal onde continuou a fazer brilhantes exibições contra o clube da fruta. Bruno Gomes foi parar ao D. Aves, Eduardo Teixeira, depois de uma passagem meteórica pelo Braga, seguiu para o Xanthi e Charis Kyriakou foi para o Apollon Limassol. Wesley 'fugiu' de imediato para o Brasil e Abner - emprestado ao Estoril pelo Real Madrid b - um dos melhores em campo segundo os interesses do clube da fruta, despedido de imediato no Estoril (onde não voltou a calçar) seguiu-lhe as pegadas. Depois de três anos no Brasil, onde praticamente não jogou, Abner regressou a Portugal pela porta dos fundos jogando as últimas épocas na segunda liga ao serviço do Farense. 

Ivo Vieira, à altura treinador do Estoril, falou assim da sua equipa. «Quase que dava dó ver o Estoril em campo. Não ganhava uma bola. Foi um jogo muito aquém. E tenho de repensar, porque sou o responsável, mas estes atletas também têm de repensar o compromisso que é representar uma instituição como esta. A responsabilidade é minha, mas quem desfruta no campo tem de dar mais: uma coisa é perdermos sendo competentes, mas com um comportamento destes temos de refletir. O FC Porto podia ter marcado mais dois ou três golos. Podia ter sido catastrófico: não fomos intensos, não metemos o pé e não ganhámos primeiras nem segundas bolas. (...) Quase que nem disputávamos uma bola. Quando queremos almejar clubes maiores, os nossos jogadores têm de perceber que assim dificilmente chegarão a outro patamar. Se quiserem caminhar no futebol, têm de apelar à consciência e perceber se este é o caminho adequado». Repito: ardo em curiosidade para ver Abner de novo em acção nos jogos contra o clube da fruta.

PS: apesar dos muitos convites para ir ganhar milhões a escrever em blogs italianos e também em França, Inglaterra e no resto do mundo, confirmo que resisti a uma oferta na ordem de um David Carmo para ir pregar no deserto (arábico). No final, a palavra dada (se for emprestada ao Nantes não conta) e um amor assolapado pelo Otávio falou mais alto. Mantenho-me por aqui a descascar invertebrados...