Leio em Abolha online que o clube das putas ganhou mais apôs o fim da ditadura. Como o pasquim do João Mauzinho, o «ladrões diário» também salienta esse dado histórico das conquistas do Calor da Noite e da W52-foculporto. Rapaz para viver uns bons anos antes do 25 de Abril também eu tenho memórias que aqui quero partilhar com vocês. Memórias do tempo em que o regime salazarista, por duas vezes no início dos anos 40, impediu, com alargamentos cirúrgicos, a descida de divisão do clube das putas. E já em democracia (Apito Dourado) o foculporto só não desceu aos regionais por causa da descredibilização mediática da principal testemunha e do impedimento das escutas validadas por um Juiz (onde se podem ouvir toda a espécie de crimes de corrupção activa) fazerem parte do processo.
Durante a ditadura dos relvados, imposta por José Águas, Eusébio, Mário Coluna, José Augusto, Simões & comp. ganhou muito mais o SL Benfica. Na ditadura dos «p», dos Pintos (Adriano, de Sousa, Lourenço, da Costa & comp) e das putas da Taverna do Infante, obviamente que quem ganhou mais foi o Calor da Noite e a W52-fouclporto. Durante o Estado Novo, Salazar - que odiava o vermelho (a imprensa foi obrigada a inventar o «encarnado» para não juntar vermelho a vencedor) quase tanto como o futebol - não só impediu o clube das putas de descer de divisão, como impossibilitou o campeão Benfica de disputar a primeira edição da Taça dos Campeões Europeus, em 1956, entregando ao Sporting dos viscondes (esse sim o clube do regime) o que era, por direito próprio, do SL Benfica.
Quem pagou o estádio dajantas foi o regime ou, e em parte, o auxilio dos caciques que o alimentavam. De tal maneira que o dia escolhido para a inauguração (foculporto 2-8 Benfica) foi o 28 de Maio, data do golpe de estado protagonizado por militares e civis antiliberais que resultou na queda da Primeira República Portuguesa. Por contraste, o antigo Estádio da Luz - maioritariamente construído pelos sócios e simpatizantes do Benfica - foi inaugurado no dia 1º Dezembro que celebra a Restauração da Independência!
Bem podem marrar que o Benfica foi o clube do regime. Podem fingir que as escutas do Apito Dourado não existem. Podem apagar a fuga apressada do velho peidoso para Vigo, as fotos a doce Carolina e da universitária Naundinha. Podem tentar passar uma borracha no Calor da Noite e na Taverna do Infante. Podem até, como já fizerem parcialmente, decretar que o Apito Dourado é uma marca de preservativos furados. Podem, a coberto de pasquins como Abolha, antigo jornal respeitado e independente, chutar para canto as defesas do Baía para lá do risco de baliza, as seringas da W52-foculporto ou os recordes mundiais do clube das putas no que às grandes penalidades forjadas diz respeito. Nunca nos impedirão de termos memória. E o que é melhor, de a usarmos sempre que nos tentarem obliterar o intelecto.