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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ver, aprender, treinar e competir.

Por José Albuquerque

Não julguem que eu fui um atleta de alta competição, ou que tenho alguma formação técnica em motricidade (nem uma nem outra), pelo que este texto não passa de um simples exercício de opinião pessoal, baseado, como em tudo, na minha própria experiência desportiva e no meu melhor bom senso.

Ao longo da juventude, inspirado pelo Benfiquismo e motivado pelos meus pais, pratiquei várias modalidades a nível federado, no seu conjunto totalizando mais de uma quinzena de anos: natação, andebol, ténis de mesa, xadrez e remo, pela ordem cronológica. Nunca tive a Suprema Honra de defender as Nossas cores, mas tive o privilégio de ser treinado por alguns grandíssimos Mestres.

Como é que se começa a gostar de uma qualquer modalidade desportiva?
Tudo começa como espectador!
Vê-se e começa-se a admirar os melhores, a transformar em ídolos alguns deles. Depois, decidimo-nos a praticar a modalidade a sério e aceitam-se as dores dos primeiros treinos: esses são os dias mágicos em que aprendemos em cada segundo, ao ponto de reaprendermos, até, a ser espectadores da modalidade que passamos a “ver com novos olhos”. Mais tarde, chega a hora de nos confrontarmos com os nossos limites atléticos e técnicos, alguns deles ultrapassáveis com muito, muito treino e determinação, outros … nem assim. Na minha humilde opinião, esta é a fase que nos define como praticantes: a forma e a determinação como enfrentamos e ultrapassamos os nossos limites técnicos e atléticos, ou seja, como evoluímos desportivamente.

Se é verdade que “não há amor como o primeiro” (a natação), também “não há saudade como a mais recente” (o remo) e eu, tendo feito parte de uma tripulação de “Shell 8” (sem timoneiro e em que o Treinador era o “voga”), devo a essa experiência a ultrapassagem do maior número de limites pessoais.
Para quem não saiba, um barco não pode navegar com um remador “a menos”. Num treino ou em competição, não se pode “fazer ronha”, sob pena de condenar o esforço de todos ao fracasso, ao ponto de poder “virar” a embarcação.
Por isso, não ê raro vermos remadores a chorar no final de uma regata e eu posso garantir que não são lágrimas de alegria, nem quando se venceu.
Por isso, caso tenham condição cardiovascular para o fazer, se quiserem aprender a vencer a dor (“hurt the pain”), experimentem praticar remo numa tripulação colectiva e eu garanto-vos que vão descobrir o que ainda conseguem, muito além do ponto em que julgavam já não poder mais.

Todo este arrazoado apenas me serviu para tentar provar que é um mito dizer que um atleta só pode evoluir em pura competição: também se evolui durante os desafios ou as provas, mas os treinos são infinitamente mais importantes em toda a evolução de um atleta.
Pensando no caso especifico do futebol e, ainda e sempre, na minha humilde opinião, é um absurdo afirmar que os jovens não podem evoluir se não forem convocados e não “tiverem minutos” na Equipa principal, tal como responsabilizar um eventual insucesso relativo com a propalada “falta de oportunidades”, é uma pobre tentativa de argumento.

Alguns dos que escrevem barbaridades que tais, talvez nem saibam quantos minutos de competição oficial, em média, jogam os Nossos sub19, nas duas épocas antes do profissionalismo sénior. Quase seguramente, nunca compararam os tempos de jogo com os de treino técnico e tático competitivo, ou seja: não fazem nenhuma ideia do que escrevem.

Escrevem as barbaridades que escrevem, apenas porque se consideram obrigados a “criticar” o Nosso Técnico e o Nosso Presidente, objectivos para o concurso dos quais não hesitam perante nada nem ninguém: mentem, deturpam ou inventam uma realidade que desconhecem em absoluto e que não são, sequer, competentes para avaliar.  
Partem de preconceitos que não são mais do que o reflexo da sua própria falta de carácter (as comichões, as invejas, as arrogâncias, os autismos, etc.) e torturam raciocínios ridículos para “inventar a roda dentada” e concluir coisas brilhantes como: “o Jejum não gosta de tugas”, “o orelhas não quer perder as habituais comichões” ou “com esta estrutura incompetente, nunca vamos conseguir ter jovens da casa na primeira Equipa”.

Balelas e nada mais!
Como se o Presidente (ou o Técnico) necessitassem de “comichões”.
Como se o Presidente e toda a estrutura profissional do Clube não tivessem investido tanto trabalho para poderem chegar ao momento de invocar para si próprios uma parte do sucesso na geração de um “novo rui costa”.
Como se o Técnico, enquanto primeiro interessado nos resultados desportivos, não colocasse em campo, sempre, aqueles em que mais acredita e confia.
E como se as dezenas de horas de treino semanal não constituíssem o essencial da competição entre os Atletas, a competição que os deve levar a superar-se e a evoluir como Atletas, para conquistarem a aposta do Técnico e, através dela, o privilégio de fazer o que mais deveriam gostar na vida: ajudar a Equipa em campo.  

Na sua sanha persecutória, nos pináculos da demagogia, chegam ao ponto de dar a osgalhada como exemplo, quando não faltariam os enxovalhos, a tudo e a todos, caso a Equipa estivesse carregada de tantos jovens talentos da “Fábrica”, especialmente se isso decorresse de uma necessidade extrema e sob pena de “fechar a porta”, como é o caso actual do CHportAng. 

Em resumo, a tese que pretendo defender com este texto e baseado na minha própria experiência, é a seguinte: todo o Atleta integrado no Plantel, seja o principal, seja o da Equipa B, mesmo que não seja titular e mesmo que nem sempre seja convocado, ainda assim tem todas as condições para competir e evoluir como Atleta, ultrapassando as suas limitações.
E toda a demagogia desenvolvida “em defesa dos pobres jovens Atletas da casa sem oportunidades” resume-se, apenas, a uma imensa confusão entre “competição” e “ritmo de competição”, ou seja: a menos que os treinos sejam compostos por “jogo treino” de igual duração, eles não conseguem que os Atletas adquiram a “melhor forma técnico tácita” para participar em provas.

Naturalmente, não pretendo ignorar que existem atletas que, por se sentirem “tapados”, perdem a motivação necessária para prosseguirem a sua melhor evolução desportiva. Essa parece-me ser uma realidade indesmentível e inultrapassável!
Mas talvez fosse bom interrogarmo-nos sobre o “carácter competitivo”, ou a sua falta, sempre que enfrentamos um desses exemplos, ou quando vemos atletas que “desperdiçam” carreiras que poderiam ser assombrosas, apenas por não terem a ambição necessária.

Viva o Benfica!

P.S.: Glória ao Cristiano Ronaldo (e ao Heinkes) que viu, muito justamente, premiado o melhor ano desportivo da sua carreira e Honra ao Lionel Messi que, mesmo vestindo-se mal, continua a ser o mais fabuloso futebolista desta geração.

P.P.S.: Também me apetece muito escrever sobre esta “janela de janeiro”, mas prefiro evitar especulações, pelo que guardo as minhas opiniões para dia 31 … o mais tardar.   

domingo, 11 de agosto de 2013

A “Gestão de Atletas” alguns casos

Por José Albuquerque

Na sequência de outros escritos e, sobretudo, to texto precedente, venho abordar alguns exemplos da “Gestão de Atletas” da Nossa SAD, escolhendo os que me parecem mais típicos e eloquentes, para que os possamos debater e com eles aprender. Faço-o mantendo sempre presentes os princípios já enunciados e, naturalmente, o bom senso de que sou capaz …

Os “Oblak” desta vida.

Uma das dificuldades que eu teria, seguramente, para “Gerir Atletas” decorre do facto de não conseguir compreender, confesso, a razão/motivação de alguns jovens milionários (há dezenas de exemplos, além dos Messi e Ronaldo) para continuarem a privar-se de muita coisa da qual eu abusei na idade deles, a continuar a treinar “como animais”, suportando a dor física, as lesões e, tantas vezes, a perda total da privacidade.
Eu gosto muito da liberdade que resulta de ter dinheiro, sempre gostei, ahahah, mas esses casos …

Quando sou confrontado com um exemplo como o do Oblak, não consigo deixar de me embasbacar com o exemplo de um garoto que, tendo os talentos suficientes para cumprir aos 35 anos o sonho que eu consegui cumprir aos 53 (depois de muito, muito, muitíssimo trabalho), aceita correr o risco de “mandar tudo pró ar” e sem razão aparente.

Falamos de um jovem que o Benfica contratou aos 17 anos (ainda não tínhamos Equipa B, recordo) e para o qual desenhou um excelente programa de formação, colocando-o em clubes onde teve oportunidade de começar a actuar, na primeira divisão, num campeonato reconhecido por ter um bom nível técnico e tácito.
Como previsto, este jovem Atleta (sim, ainda é do Benfica) correspondeu ao potencial que se lhe adivinhava e cresceu ao ponto de ser uma quase unanimidade a certeza de que vai ser um dos melhores do mundo naquela difícil posição do campo.

Então, um ‘bacano’ destes, permite-se um “chelique” que lhe pode inviabilizar uma carreira decente?
E já não seria o primeiro, poderão dizer-me alguns!

Muito bem … mas esqueçamos o ponto de vista do Atleta e coloquemo-nos na pele do “Gestor”. Ora porra, que só há uma forma de nos protegermos destes “Oblak”: é ter dois, pelo menos, esperando que um deles não seja abstruso!

Os “Carlos Martins” desta vida.

Sempre tive uma enorme admiração por este Atleta, mesmo antes dele o ser: pela “garra”, pela valia técnica e tácita, pela visível ambição e algumas outras características. Por isso, gostei que o “Maestro” o fosse buscar a Espanha, tal como gostei do papel que desempenhou no titulo de há 4 anos.
Sabendo das dificuldades que poderiam surgir em resultado da sua infeliz tendência para as lesões musculares, nunca considerei o CM um “titular indiscutível”, mas, confesso, sempre considerei que, com a maturidade dos anos, ele fosse um elemento muito importante na Equipa. Na época passada, por exemplo, escrevi dezenas de vezes que o seu contributo, a par do de D10S, iria ser determinante a partir de fevereiro e assim que ele recuperasse daquela insistente lesão.

Ver um Atleta maduro e conhecedor das preferências dos BOIS apintadores nacionais, num desafio de importância capital e depois de levar um primeiro amarelo, fazer o que o CM fez … fosse eu o Técnico e não o queria ver mais na minha frente: tratou-se de uma irresponsabilidade sem tamanho nem perdão!

Ah, mas a SAD tinha-lhe renovado o contrato uns meses antes … e, pergunto eu?
E pergunto porque, antes daquele erro crasso e tremendamente oneroso, eu teria feito o mesmo, que isto de acertar nos números do Euro milhões depois de terminado o sorteio …

Depois disso, que fique a treinar com a Equipa B (desde que se comporte como deve), ou que vá, emprestado ou oferecido, para onde lhe paguem o ordenado e … assunto encerrado! 

Os “Djaló e Jardel” desta vida.

Sem nada por onde comparar os dois Atletas, eu considero-os exemplos de um mesmo tipo: oportunidades de negócio, talvez capazes de suprir uma insuficiência na Equipa (e o Jardel foi muito útil), mas condenados a ser ultrapassados perante um desejável acréscimo de exigência.
Trata-se de dois excelentes Atletas, ambos bastante “económicos”, aos quais vai acontecer o mesmo que a tantos dos mais jovens: sendo “eliminados” no processo de selecção natural dos melhores, acabarão por sair do Plantel, seja por empréstimos sucessivos ou por uma cedência da maioria dos seus “direitos económicos”. Um deles (Jardel) deixou um contributo desportivo interessante, o outro, talvez deixe um contributo económico interessante.

Os “Urreta” desta vida.

Eis outro caso de um Atleta que me parece comprovar a extrema dificuldade em “garantir” que um jovem muito (muitíssimo) promissor venha a cumprir essas promessas, consolidando-se como um futebolista de eleição.
O Urretaviscaya (internacional A pelo seu pais), tal como tantos jovens produtos da “Fábrica”, sonhava com voos quase estratosféricos, mas já não parece ser competente para mais que aquilo que lhe conhecemos: trata-se de outro excelente Atleta a ser ultrapassado pelo nível de exigência na Equipa A e que, se houver “vaga”, poderá ter a sua derradeira temporada de afirmação na Equipa B, finda a qual ou conseguiu afirmar-se um não precoce, ou acabara por sair do Benfica, como tantos outros, preferencialmente, com algum retorno económico.

Óscar “Tacuara” Cardozo.

Excelente Atleta, com uma atitude pouco inteligente e um “empresário” incompetente e não confiável (mas cuja incompetência, compensa largamente a infiabilidade, ahahah).
Excelente rendimento desportivo e muito provável excelente rentabilidade económica: quem me dera que a SAD “descubra” outros com igual rentabilidade potencial.

Enzo “Ferrari” Pérez.

Soberbo Atleta, que compensa largamente alguma instabilidade psicológica: uma das melhores aquisições desta década!
O trabalho por ele realizado com o Técnico para se adaptar a uma nova posição no terreno, vai ficar para a História.   
Todos os dias sorrio, quando confirmo que parece que a SAD ainda não recebeu nenhuma proposta por ele, pelo menos por valores que levem a mérdia a fazer eco da tentativa.

Ezequiel “El Negro” Garay.

O meu modelo (quase) ideal de “central” (falta-lhe um pouco do “sal” irreverente do Luiz)!
Compreendo bem que ele ambicione um salário triplo do que a SAD lhe pode pagar e, por isso, que não queira renovar o seu contrato, com o inerente aumento da “cláusula”.
Espero que o Luiz não saia para Barcelona, ou não estou a ver o “Mou” a perder esta verdadeira “pechincha” por 20ME!
Enquanto ele for ficando na Equipa, a cada novo dia, aumenta o crédito do seu rendimento desportivo e, quando acabar por sair, o rendimento económico que deixará, não sera suficiente para apagar as Nossas saudades.

Eduardo “Toto” Sálvio.

Quando me falam mal do Presidente e mesmo quando o fazem com alguma razão, não consigo deixar de me recordar dos tempos, ainda recentes, em que a SAD “ia ao mercado com sacos de rebuçados” e, naturalmente, só em sonhos podíamos imaginar um Atleta desta dimensão a jogar no Benfica (a menos que fosse por empréstimo, claro).

Mesmo sendo ainda muito jovem e, por isso, manter um potencial para um ainda maior crescimento, o Sálvio é o protótipo do Atleta que desmente a minha fixação pelas exigências atléticas: trata-se de um “caga tacos” capaz de fazer tudo o que fazem os de 1,90m e … ainda mais rápido.
Ainda bem que este rapaz não parece obcecado pela perspectiva de ir para um tubarão.

Nemanja Matic.

Há pouco mais de um ano, depois daquele espectáculo contra o Chelsea, o Presidente, brincando comigo, disse-me algo como isto: “não sei se fiz um bom negócio ao aceitar este pinheiro por 5 “toneladas”” e eu, armado em chico esperto, ainda lhe ia responder que estava disponível para “dividir o risco do negócio com ele”, mas a meio já ele me estava a fazer um belo manguito.
Humildemente, trata-se do melhor “6” desta década!

Para finalizar, tenho de confessar o meu espanto quando ouço Companheiros a reclamarem pela incapacidade da SAD em já ter disponibilizado “substitutos” para estes 4 últimos Atletas!

Mas, raios me partam, onde estarão esses “verdadeiros substitutos”?
E quanto custariam?
E eles aceitariam ficar no banco?

Sinceramente, mesmo entre as equipas mais caras do mundo, vejo muito poucas que tenham um conjunto de “4, 6, 8 e 7” deste enorme gabarito. Um tal conjunto e “em dobro” … não conheço!

Viva o Benfica! 

sábado, 10 de agosto de 2013

A “Gestão de Atletas”

Por José Albuquerque

Confesso-me absolutamente incompetente para criticar a actual politica de “Gestão de Atletas” da Nossa SAD, porque há muitos que mal conheço e, em termos específicos, porque não sei o suficiente sobre futebol. Ainda assim e uma vez que me parece estarmos a assistir a uma nova fase neste capitulo da vida da SAD, sinto-me no dever de contribuir com algumas opiniões pessoais.

Antes de mais, para desfazer a “óbvia conclusão” de alguns que qualificam este aparente ‘corrupio’ de entradas e saídas do Plantel como o resultado de um “saque” descarado, perpetrado pelo “orelhas”, com ou sem a conivência dos chamados “empresários”.
Porquê?
Porque sou mais um “carneiro Vieirista”?
Obviamente que não! 

Porque essa “tese” não faz sentido nenhum!
Porque o Accionista maioritário – o S. L. Benfica, tem uns Corpos Sociais compostos por Companheiros que nunca com tal coisa pactuariam!
Porque os restantes Administradores da SAD nunca com tal coisa pactuariam!
Porque o Presidente, um orgulhoso sessentão, não só não tem nenhuma necessidade disso (o seu património familiar basta para várias gerações), como já deu mais que provas insofismáveis de uma seriedade inquestionável!
Porque o Presidente, um orgulhoso Empresário, nunca arriscaria a imagem que já consolidou pela sua dádiva Benfiquista, trocando um lugar já ímpar na Nossa Gloriosa História pela vergonha de um rótulo de criminoso.

Quem defende uma tal tese, num pináculo do absurdo, denota uma quase paralisia intelectual e permite-se aderir a um simplismo comodista, em vez de dar uso aos neurónios e procurar uma explicação inteligente.

Entretanto, os factos obrigam-Nos a pensar …

Primeiro, porque estamos a ver que a SAD, aparentemente, “deixa sair” vários dos jovens produtos da “Fábrica” e alguns outros já não tão jovens. Depois, porque assistimos a contratações de Atletas sem espaço óbvio na Equipa A e, quando admitíamos que elas se destinassem a reforçar a Equipa B, vemos esses Atletas a serem emprestados. Finalmente, porque a desejável integração entre as Equipas A e B, parece sugerir uma alteração na opção tácita de base (vulgo, “plano A”) das Nossas Equipas seniores, para um 4x2x3x1, talvez relegando o 4x4x2 clássico para um estatuto de “plano B” e essa eventual alteração, pode estar a condicionar a tal “Gestão de Atletas” .

Pegando no fio da meada, importa recordar que todas as “compras”, todas as “vendas” e todos os “empréstimos” são a manifestação de uma vontade tripartida: do Atleta e dos compradores e vendedores, ou de quem “empresta” e quem “toma o empréstimo”.
Importa recordar este principio porque é muito frequente ler e/ou ouvir que “vende o X por Y milhões”, ou que “empresta o Z a um clube europeu em que seja titular”, óbvias baboseiras de quem, talvez por excesso de horas a jogar computador, imagina ser ideal o mundo real.
Fazer uma “Gestão de Atletas”, é tudo menos fácil, é tudo menos evidente, especialmente depois da “Lei Bosman”! 

Outro dos primeiros “nós da meada” passa pelo absurdo não só da “janela de mercado”, por ela terminar após o inicio das épocas desportivas, ainda agravado pelo desfasamento no caso do emergente mercado russo, uma situação que, perante a “Lei Bosman”, impossibilita um total controlo sobre a constituição de um plantel a todo e qualquer clube que não esteja entre os dez mais financeiramente poderosos.

Num texto anterior, eu já defendera que o actual modelo de crescimento e desenvolvimento da SAD e digo “defendera”, não no sentido de uma garantia de ser o melhor, mas, apenas, nos termos em que o compreendo.
Por isso, este texto tenta ir um pouco mais longe que o anterior (que recebeu variadíssimos contributos de Companheiros Nossos) na análise ao que temos visto …

As “dispensas”.

A um ritmo surpreendente e que sugere algum relativo “corte com o passado mais recente”, assistimos a uma série de saídas do Plantel, aparentemente sem contrapartida financeira e revelador de que a SAD “deixou de apostar” em alguns ex-atletas:
1 Casos como os dos Migueis, o Vítor e o Rosa; e
2 Casos, muitos, de jovens produtos da “Fábrica”, ainda em idade de “formação” (até aos 23 anos).

Quanto aos Migueis, eu já escrevi que os considero excelentes provas ‘vivas’ de que o Glorioso deve insistir nos seus investimentos na formação: trata-se de dois excelentes profissionais e futebolistas, que já contam com muitas internacionalizações e alguns títulos individuais e colectivos, ou seja: excelentes exemplos, inclusive para os mais jovens que, sonhando tornar-se profissionais, deveriam ter consciência que a esmagadora maioria nunca será, algum dia, candidato a uma “bota de ouro”.
Quanto ao segundo grupo, no qual encontramos muitos campeões e internacionais nos escalões jovens, espero que ainda possam afirmar qualidades que lhes não apareceram precocemente.
Uns e outros, convenhamos, ainda não demonstraram poder estar ao nível que, hoje, já é exigido a um futebolista sénior do Benfica e, assim, creio que deveria ser unânime entre os Benfiquistas (atletas incluídos, se for o caso), que não há que lamentar, em absolutamente nada, as suas saídas do Clube.
Com a excepção do Vítor, que terminou o seu contrato, não sabemos se a SAD mantém alguma parte dos respectivos “direitos económicos” (ou alguma opção de recompra), mas não me repugna admitir nem que sim, nem que não: em nenhum desses exemplos me parece que a SAD deveria ter ido “contra o mercado”, exigindo o que “ele” não reconheceu.

A este propósito, uma vez mais eu insisto na minha convicção segundo a qual os jovens em formação só podem ter condições de evoluir, caso mantenham o estimulo da competição (em campo e, sobretudo, em treino) e, sendo limitado o número  de “vagas” que, nesses termos, o Plantel pode oferecer (em qualquer das duas Equipas seniores), compete aos Técnicos proceder a uma selecção, com as inevitáveis consequências.
E basta de lamechices do tipo “coitado, não teve oportunidades”!
Com tantos anos vividos no Seixal, com milhares de treinos e centenas de desafios, com anos de avaliação atlética (clínica e fisiológica), mal estaríamos se insistíssemos em duvidar dos resultados da avaliação final: podemos, claro, dela discordar, mas não podemos alegar ausência de critérios.

Recordo-lhe, Caro Leitor, que ainda que a SAD seguisse um modelo quase oposto ao actual, exclusivamente centrado nos seus “produtos da Fábrica”, mais tarde ou mais cedo as “vagas” nas Equipas ficam todas preenchidas e, concordemos ou não com os resultados, a inevitável selecção de valores obrigará a “dispensas”.

Os (múltiplos) “empréstimos”.

A um ritmo acrescido mas já não surpreendentemente, sugerindo a confirmação do passado mais recente, verificamos que aumenta o número de Atletas emprestados, sobretudo a clubes no estrangeiro, com contratos que, segundo a mérdia, representam proveitos muito significativos para a SAD, além de constituírem um alargamento das tais “vagas” para que jovens Atletas possam competir e continuar a evoluir.
Em alguns casos (Michel, Farina e Pizzi), os Atletas quase nem vestiram o Manto Sagrado e, quando foram contratados, não pareceram corresponder a necessidades imediatas do Plantel, mas, de uma ou outra forma, conseguimos entender ou a validade económica do negócio, ou o potencial interesse desportivo, ou ambos.
Creio que muitos sabem que, em mandarim, a grafia das palavras “crise” e “oportunidade” é a mesma e, sinceramente, creio que a SAD está, neste aspecto particular da sua gestão, a interpretar na perfeição essa virtualidade: a “crise” colocou muitos clubes numa situação de dificuldade de acesso ao crédito sem o qual ficam limitadas na sua capacidade de reforçar os seus planteis e o Benfica, por não viver esse problema, consegue “alugar-lhes” o que eles não conseguem comprar. 
Melhor ainda, o Benfica consegue atrair Atletas e contratá-los (vejam os exemplos do Farina, por menos dinheiro e do Mora, a custo zero), com base no Nosso prestigio desportivo incontestável e, depois, emprestá-los a clubes que tinham sido recusados, por mais dinheiro.

Corremos o risco de estar a “banalizar” o Nosso Glorioso Emblema, com esta estratégia?
Confesso que não creio, mas não o posso garantir, porque nunca vivi no “meio do futebol” e, por isso, nem humildemente consigo formular uma opinião sobre como pode esta gestão ser olhada pelos outros clubes e agentes desportivos. Mas uma coisa me parece incontestável: trata-se de mais uma forma, absolutamente legal e eticamente inatacável, de “acrescentar valor” e … é exactamente essa a missão (do ponto de vista empresarial, reparem bem no sublinhado) do CA da SAD.
Pudessem os “do contra” fazer o mesmo, fosse com Atletas ou qualquer coisa e … já seriam diferentes as suas “criticas”.                                           

A provar que não pretendo escapar a analisar alguns dos famigerados “casos” individuais do Nosso Plantel, solicito, desde já, a Vossa paciência para o próximo texto e escapo, isso sim, a exagerar ainda mais no comprimento do actual.

Viva o Benfica!          

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Valorizar Atletas e crescer em competitividade

Por José Albuquerque

A partir do momento em que o CA da Nossa SAD reconhece a sua incapacidade, estrutural e a longo prazo, para competir salarialmente com os mais fortes clubes europeus, só tem dois caminhos a seguir: (1) continuar a lutar por uma crescente competitividade económica e (2) construir uma politica desportiva capaz de minimizar os impactos de uma sangria regular dos Atletas mais valorizados. Caso fosse possível (e é, de facto), essa politica desportiva deve promover uma maximização dos proveitos ‘extraordinários’ da rubrica de “Operações com passes de Atletas”.   

Todos somos testemunhas daquilo que a SAD tem feito com este exacto objectivo, quer concordemos ou não, mas existem Companheiros que entendem que o caminho deveria ser outro: a uma politica que passa por aumentar a ‘base de selecção’ dos Atletas, eles preferiam uma concentração dos recursos em valores mais confirmados e/ou seguros.

Partindo do principio que, uns e outros, visam o mesmo objectivo, um objectivo que eu vou definir como “aumentar-lhes o número de alvos possíveis”, teríamos, assim, dois caminhos alternativos:

1 Ou apostar maioritariamente em jovens Atletas, alguns mesmo ainda em idade júnior, consequentemente mais baratos e aumentando a quantidade de Atletas sob contrato;
2 Ou apostar maioritariamente em Atletas ainda suficientemente jovens para preservarem potencial de valorização, mas de valor já confirmado, diminuindo a quantidade de Atletas sob contrato.  

Num e noutro dos casos, admito que possam ser idênticas quer a determinação em não desperdiçar eventuais oportunidades de mercado, relativas a Atletas completamente confirmados (os Nolito, Sulejmani, Enzo, Matic, Mora etc.), quer o investimento decisivo na “Fábrica”, garantindo que as aquisições externas, por maior que seja o seu número, não inibam a SAD de manter contrato com todos os seus “produtos” aos quais os Técnicos reconheçam um significativo potencial, pelo menos até aos 23 anos de idade.

Se já se torna difícil definir estas duas alternativas, menos fácil se tornará executar uma em detrimento da outra, excepto numa consequência bem especifica: aceitar como quase ilimitado o número de Atletas sob contrato, o que implica a consolidação de uma estrutura mais pesada de “gestão destes activos’, ou, em alternativa, tem inerente o risco de algum ‘mau acompanhamento’ de Atletas que, sendo muito jovens, talvez necessitassem de se manter menos longe da Catedral.

Sem cair no logro de me perder na análise de casos particulares (não deixemos que “a árvore esconda a floresta”), eu considero que as opções estratégicas da Nossa SAD têm sido corretas e bem adaptadas ao período que vimos vivendo desde que, há meia dúzia de anos, ficaram completados os mais importantes investimentos estruturais, resultando num processo que, na minha humilde opinião, confirma um progressivo aumento do nível médio dos Atletas no Plantel e, também, o tal “aumento do número de alvos possíveis” para os chamados “tubarões do mercado”.
Concomitantemente, vemos crescer o número de atletas que, mesmo sem conseguirem cumprir as melhores promessas de evolução, já atingem níveis de competência que os tornam atractivos para clubes importantes (Rosa, Vítor, Yartey, David Simão, etc.) e, consequentemente, contribuem para o crescimento da Nossa “marca”.

Internamente no Plantel, há mais um factor que pode contribuir de forma determinante para a redução dos “riscos desportivos” decorrentes da valorização e saída dos Atletas mais cobiçados: a existência do maior número possível de “polivalentes”.
Eu pertenço ao grupo dos que acreditam que os melhores futebolistas têm de ter, por ordem de prioridade, “técnica” (quanto mais melhor, se possível com os 2 pés), inteligência e capacidade atlética (velocidade e resistência): um Atleta que seja excelente nestes 3 itens, com a adequada integração tácita, é capaz de fazer qualquer posição de campo, depois de devidamente rotinado e integrado na Equipa.
Isto é outra forma de explicar porque me faz tanta ‘espécie’ quando leio pedidos de “um trinco de raiz”, por exemplo (ou qualquer outro “de raiz”), porque tenho uma particular preferência por Atletas que sabem “ler o jogo” e que são ‘polivalentes’, mesmo ocupando a mesma posição de campo.
Uma Equipa com muitos elementos capazes de se integrarem em diferentes posições, fica muito menos exposta a eventuais ‘baixas’ sejam elas pontuais (em caso de lesões) ou definitivas (em caso de “saídas”).
Uma mais perfeita integração técnica entre as diversas Equipas do Clube (A, B, e escalões jovens), promove a polivalência dos Atletas mais jovens e, assim, defende e prepara a Equipa principal para melhor resistir, com menor oscilação de rendimento, ás naturais saídas de alguns Atletas. 

Eu sou um grande adepto da célebre frase “o Benfica tem tudo, só não tem comparação”. Ainda assim e num esforço pedagógico, vou permitir-me a liberdade de usar, como exemplo, uma imagem um pouco disparatada: vejam a Equipa como se fosse uma “galeria de arte” que, em cada momento, pode e deve apresentar exposições (conjuntos específicos de peças) diferentes e que, de quando em vez, sabe que vai vender partes do seu espólio, como forma de manter o crescimento do valor das obras que mantem e ainda poder adquirir mais algumas. 
Se vos não agradar esta imagem, vejam o Plantel como se fosse o “Cirque du Solei”, mantendo em permanência “artistas” que não cabem nas suas actuações, que continuam a treinar e/ou inventar novas “performances” que possam vir, eventualmente, a integrar futuros espectáculos. Pontualmente, uma e outra das principais “estrelas da companhia” abandonam o conjunto em busca de outros desafios, competindo ao conjunto dos que continuam a tarefa de refazer o guião dos novos espectáculos, de forma a manter (e melhorar, se possível) o nível qualitativo dos mesmos.

Este processo não tem nada nem de simples nem de fácil, mas constitui um desafio que temos conseguido vencer e, até pela experiência já adquirida, temos todas as condições para continuar a superar, sem comprometer a desejada evolução geral da qualidade da Equipa e dos seus resultados desportivos (e económicos claro).

Viva o Benfica!         

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Valorizar Atletas, parte do modelo de crescimento

Por José Albuquerque

Por mais que Nos habituemos, eu sinto que muitos Companheiros ainda não entenderam, verdadeiramente, que a Nossa SAD tenha um modelo de gestão que envolve a “valorização” e consequente venda de Atletas. Muitos não entenderam nem aceitam, chegando a culpar o Presidente por essa opção, considerando que ela explica a falta de melhores resultados desportivos. 

Deixando de lado os inconscientes que dizem “quero que se lixe a SAD, porque o que eu quero é títulos”, porque com malta dessa não há hipótese de discutir seriamente o Clube, este texto visa explicar, de uma forma clara e acessível aos que não tenham formação em economia, quais são as condições que determinam essa escolha da SAD. 
Para o efeito, o Leitor tem de me fazer dois favores: em primeiro lugar, tem de aceitar que quanto melhor for a situação económica e financeira da SAD (que gere o principal “negócio” do Benfica), melhores condições o Benfica terá para cumprir os sucessos desportivos que ambicionamos e, depois, uma vez aceite esse principio, o Leitor tem de ‘esquecer’ esses resultados (os desportivos) e concentrar-se nos aspectos económicos.

Falemos, então, do “negócio” do Benfica e comecemos por tentar defini-lo …

Afinal, o que é que o Benfica “vende”?
Kits Sócio? Camisolas? Quotas mensais? Bilhetes para a Catedral e os pavilhões? Publicidade? Conteúdos audiovisuais? Todos os anteriores juntos?
Fazendo uma síntese compreensiva de tudo isto, espero que aceitem a seguinte definição: enquanto Empresa, o Benfica “vende” Espectáculos Desportivos.

E vende esses espectáculos a quem? 
Aos patrocinadores, aos anunciantes, aos espectadores (os Sócios, os Adeptos e outros), ás empresas que distribuem conteúdos audiovisuais e ás entidades que organizam competições (oficiais, ou não) nomeadamente a UEFA.

Estando todos de acordo nestes pontos, passemos á análise da Nossa “concorrência”, até porque, por definição de Desporto, estamos a falar do único negócio que não permite o monopólio. 

Quem são, então, os Nossos “concorrentes”?
De entre a miríade de entidades que organizam e/ou participam em espectáculos desportivos, desde o Comité Olímpico Internacional, até ao ‘cascalheira berlinde clube’, fiquemo-nos pelos maiores clubes de futebol europeus, com os quais competimos directamente.
Ao nível nacional, competimos com o crac dos andruptos, A nível internacional, competimos com os mais fortes clubes, dos 9 ou 10 países europeus com campeonatos mais fortes e nos quais o futebol tem maior penetração.

Estamos todos de acordo?

Partindo do principio que sim, entremos no detalhe …

O Nosso concorrente a nível interno é um crac que na última década vendeu mais de 400ME em atletas e que, só neste exercício económico que terminou em 30 de junho p.p., vendeu 120ME com 4 atletas.
Com os proveitos extraordinários que resultaram dessas vendas, adicionados aos mais de 300ME de benefícios directos obtidos pela construção do estádio do ladrão (segundo o relatório do Tribunal de Contas) e ao usufruto quase gratuito do centro do olival, o crac tem conseguido manter-se competitivo em algumas modalidades e muito competitivo no que respeita ao futebol.
Mais ainda e apesar de ser um clubeco com muito menor capacidade para gerar proveitos operacionais, o crac há anos que consegue receber mais do que o Maior Clube do Mundo pelos seus direitos televisivos, fruto de uma ligação verdadeiramente mafiosa com o operador que, há mais de 20 anos, conseguiu atingir um controlo monopolista sobre o mercado português.

A nível europeu e mesmo sem contar com aqueles casos de clubes que se ‘vendem’ a milionários, temos uma boa dúzia de clubes que recebem, quer no chamado “match day”, quer, sobretudo, pelos seus direitos televisivos, entre 6 a 10 vezes mais do que o Glorioso tem recebido enquanto outra dúzia consegue entre 2 e 4 vezes mais. 
Sendo assim, em números redondos, temos mais de 2 dúzias de clubes que, por terem proveitos operacionais muito superiores aos Nossos, podem pagar salários (além da vantagem fiscal) que seriam proibitivos para a SAD.

Reparemos, por exemplo, no caso do Javi Garcia e digam-me como é que, depois de 3 épocas de exemplar profissionalismo, lhe poderíamos dizer que o não deixávamos ir ganhar mais do triplo do salário, porque achávamos pouco vendê-lo só pelo triplo do que tínhamos investido no seu “passe”.

Por maior que venha a ser o sucesso da Nossa TV (e eu espero que ele seja imenso), por mais rápido que passe a crise económica nacional que tem ‘comprimido’ parte dos Nossos proveitos, por mais rigorosa e inovadora que seja a gestão do Clube/Grupo, por melhores que fossem os resultados potenciais que, eventualmente, podemos esperar concretizar em alguns mercados externos, o Benfica não tem qualquer hipótese de competir, salarialmente, com as duas dezenas de clubes mais poderosos de Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França.

Perante esta realidade, não temos alternativa a optar por um modelo de crescimento que inclua a valorização de Atletas como uma fonte importante de proveitos e o que temos de fazer, em vez de ‘combater’ essa evidência, e tentar uma adaptação que minimize as consequências desportivas de ir ‘perdendo’, regularmente, alguns dos Nossos melhores Atletas. Sobre a estratégia que Nos permita essa minimização dos ‘prejuízos desportivos’, falarei no meu próximo texto.

A terminar, quero sublinhar que esta ‘deformação da concorrência’ que resulta do estreito mercado nacional, não pode ser ultrapassada até que a UEFA consiga impor a organização de um verdadeiro Campeonato Europeu de Clubes, com “duas voltas e jogando todos contra todos”. Com a eventual implementação de um modelo competitivo desse tipo, então sim, o Glorioso poderia ambicionar um salto qualitativo que, em alguns anos, esbateria as enormes desvantagens económicas actuais.

Viva o Benfica!