Por José Albuquerque
Não julguem que eu fui um atleta de alta competição, ou que tenho alguma formação técnica em motricidade (nem uma nem outra), pelo que este texto não passa de um simples exercício de opinião pessoal, baseado, como em tudo, na minha própria experiência desportiva e no meu melhor bom senso.
Ao longo da juventude, inspirado pelo Benfiquismo e motivado pelos meus pais, pratiquei várias modalidades a nível federado, no seu conjunto totalizando mais de uma quinzena de anos: natação, andebol, ténis de mesa, xadrez e remo, pela ordem cronológica. Nunca tive a Suprema Honra de defender as Nossas cores, mas tive o privilégio de ser treinado por alguns grandíssimos Mestres.
Como é que se começa a gostar de uma qualquer modalidade desportiva?
Tudo começa como espectador!
Vê-se e começa-se a admirar os melhores, a transformar em ídolos alguns deles. Depois, decidimo-nos a praticar a modalidade a sério e aceitam-se as dores dos primeiros treinos: esses são os dias mágicos em que aprendemos em cada segundo, ao ponto de reaprendermos, até, a ser espectadores da modalidade que passamos a “ver com novos olhos”. Mais tarde, chega a hora de nos confrontarmos com os nossos limites atléticos e técnicos, alguns deles ultrapassáveis com muito, muito treino e determinação, outros … nem assim. Na minha humilde opinião, esta é a fase que nos define como praticantes: a forma e a determinação como enfrentamos e ultrapassamos os nossos limites técnicos e atléticos, ou seja, como evoluímos desportivamente.
Se é verdade que “não há amor como o primeiro” (a natação), também “não há saudade como a mais recente” (o remo) e eu, tendo feito parte de uma tripulação de “Shell 8” (sem timoneiro e em que o Treinador era o “voga”), devo a essa experiência a ultrapassagem do maior número de limites pessoais.
Para quem não saiba, um barco não pode navegar com um remador “a menos”. Num treino ou em competição, não se pode “fazer ronha”, sob pena de condenar o esforço de todos ao fracasso, ao ponto de poder “virar” a embarcação.
Por isso, não ê raro vermos remadores a chorar no final de uma regata e eu posso garantir que não são lágrimas de alegria, nem quando se venceu.
Por isso, caso tenham condição cardiovascular para o fazer, se quiserem aprender a vencer a dor (“hurt the pain”), experimentem praticar remo numa tripulação colectiva e eu garanto-vos que vão descobrir o que ainda conseguem, muito além do ponto em que julgavam já não poder mais.
Todo este arrazoado apenas me serviu para tentar provar que é um mito dizer que um atleta só pode evoluir em pura competição: também se evolui durante os desafios ou as provas, mas os treinos são infinitamente mais importantes em toda a evolução de um atleta.
Pensando no caso especifico do futebol e, ainda e sempre, na minha humilde opinião, é um absurdo afirmar que os jovens não podem evoluir se não forem convocados e não “tiverem minutos” na Equipa principal, tal como responsabilizar um eventual insucesso relativo com a propalada “falta de oportunidades”, é uma pobre tentativa de argumento.
Alguns dos que escrevem barbaridades que tais, talvez nem saibam quantos minutos de competição oficial, em média, jogam os Nossos sub19, nas duas épocas antes do profissionalismo sénior. Quase seguramente, nunca compararam os tempos de jogo com os de treino técnico e tático competitivo, ou seja: não fazem nenhuma ideia do que escrevem.
Escrevem as barbaridades que escrevem, apenas porque se consideram obrigados a “criticar” o Nosso Técnico e o Nosso Presidente, objectivos para o concurso dos quais não hesitam perante nada nem ninguém: mentem, deturpam ou inventam uma realidade que desconhecem em absoluto e que não são, sequer, competentes para avaliar.
Partem de preconceitos que não são mais do que o reflexo da sua própria falta de carácter (as comichões, as invejas, as arrogâncias, os autismos, etc.) e torturam raciocínios ridículos para “inventar a roda dentada” e concluir coisas brilhantes como: “o Jejum não gosta de tugas”, “o orelhas não quer perder as habituais comichões” ou “com esta estrutura incompetente, nunca vamos conseguir ter jovens da casa na primeira Equipa”.
Balelas e nada mais!
Como se o Presidente (ou o Técnico) necessitassem de “comichões”.
Como se o Presidente e toda a estrutura profissional do Clube não tivessem investido tanto trabalho para poderem chegar ao momento de invocar para si próprios uma parte do sucesso na geração de um “novo rui costa”.
Como se o Técnico, enquanto primeiro interessado nos resultados desportivos, não colocasse em campo, sempre, aqueles em que mais acredita e confia.
E como se as dezenas de horas de treino semanal não constituíssem o essencial da competição entre os Atletas, a competição que os deve levar a superar-se e a evoluir como Atletas, para conquistarem a aposta do Técnico e, através dela, o privilégio de fazer o que mais deveriam gostar na vida: ajudar a Equipa em campo.
Na sua sanha persecutória, nos pináculos da demagogia, chegam ao ponto de dar a osgalhada como exemplo, quando não faltariam os enxovalhos, a tudo e a todos, caso a Equipa estivesse carregada de tantos jovens talentos da “Fábrica”, especialmente se isso decorresse de uma necessidade extrema e sob pena de “fechar a porta”, como é o caso actual do CHportAng.
Em resumo, a tese que pretendo defender com este texto e baseado na minha própria experiência, é a seguinte: todo o Atleta integrado no Plantel, seja o principal, seja o da Equipa B, mesmo que não seja titular e mesmo que nem sempre seja convocado, ainda assim tem todas as condições para competir e evoluir como Atleta, ultrapassando as suas limitações.
E toda a demagogia desenvolvida “em defesa dos pobres jovens Atletas da casa sem oportunidades” resume-se, apenas, a uma imensa confusão entre “competição” e “ritmo de competição”, ou seja: a menos que os treinos sejam compostos por “jogo treino” de igual duração, eles não conseguem que os Atletas adquiram a “melhor forma técnico tácita” para participar em provas.
Naturalmente, não pretendo ignorar que existem atletas que, por se sentirem “tapados”, perdem a motivação necessária para prosseguirem a sua melhor evolução desportiva. Essa parece-me ser uma realidade indesmentível e inultrapassável!
Mas talvez fosse bom interrogarmo-nos sobre o “carácter competitivo”, ou a sua falta, sempre que enfrentamos um desses exemplos, ou quando vemos atletas que “desperdiçam” carreiras que poderiam ser assombrosas, apenas por não terem a ambição necessária.
Viva o Benfica!
P.S.: Glória ao Cristiano Ronaldo (e ao Heinkes) que
viu, muito justamente, premiado o melhor ano desportivo da sua carreira e Honra
ao Lionel Messi que, mesmo vestindo-se mal, continua a ser o mais fabuloso
futebolista desta geração.
P.P.S.: Também me apetece muito escrever sobre esta
“janela de janeiro”, mas prefiro evitar especulações, pelo que guardo as minhas
opiniões para dia 31 … o mais tardar.