Por José Albuquerque
Bem sei que no anterior post também tinha anunciado
desenvolvimentos para os assuntos “comparação das Contas com as outras sad” e
uma análise mais detalhada do Nosso “R&C” intercalar a 31/3/2014, mas …
prefiro começar por escrever sobre este titulo, mantendo-me ao vosso dispor
para quaisquer questões que entendam colocar-me na caixa de comentários.
Sinceramente, creio que é muitíssimo mais importante
os Benfiquistas debaterem (e entenderem) estes, pelo menos, aparentes sinais de
profunda mudança no Nosso “Modelo de Gestão”, do que eu ficar aqui a escrever
coisas evidentes e que a esmagadora maioria (dos Leitores assíduos do GUACHOS)
já domina razoavelmente. Entretanto, fica a promessa de abordar aqueles
dossiers logo que não existam temas mais relevantes.
Os pressupostos.
Já lá vão muitos anos, desde que foram planeados o
“Campus” do Seixal e a Nossa TV, o primeiro considerado como uma exigência de
competitividade para a Equipa profissional de futebol (não me recordo de
existirem planos para a Equipa B) e a segunda, mais um desafio para confirmar
que o Presidente queria assentar o desenvolvimento e crescimento do Benfica no
reforço da ligação entre o Clube e os Sócios e simpatizantes.
Mas os anos passados não diminuíram a minha memória
e há testemunhas de como eu tentava mostrar aos Benfiquistas as outras facetas
daqueles dois projectos, talvez menos importantes nos curto e médio prazos, mas
seguramente fundamentais para o desenvolvimento estrutural do Benfica: ver o
campus como a “Fábrica” que haveria de produzir os “Ases” do futuro e olhar
para a BTV como o Nosso “grito do Ipiranga” perante o tentáculo do POLVO
chamado “mamão chupista”.
A imensa paixão clubista dos Benfiquistas e a
crescente competência da estrutura profissional de apoio ao Nosso futebol,
foram as garantias que me permitiram acertar essas previsões e, muito mais
importante, trazer o Grupo Benfica ao primeiro degrau de um patamar que,
inexoravelmente, Nos vai distinguir dos outros clubes portugueses, por menos
pequenos que eles sejam.
Sinteticamente, eu acredito que a “Fábrica”, além de
continuar a contribuir para o crescimento do Nosso prestigio internacional,
através da repetição de conquistas importantes e do reforço desta “invasão” ás
selecções jovens, vai começar a provar contributos concretos, económicos e
desportivos, nas Equipas profissionais, inclusive na Nossa Equipa principal.
Tal como já é incontestável que podemos considerar
definitivamente “enterrado” aquele período em que o Clube se viu privado de uma
justa compensação económica pelos seus direitos televisivos, um período negro
filho do mais negro período da Nossa História centenária, anos e anos de uma
humilhação crescente e de uma interferência sobre a Verdade Desportiva pela
parte de um Nosso Accionista que preferiu favorecer os Nossos adversários e
inimigos.
Estes foram anos em que, privados do que merecíamos,
aguçamos o engenho e, contra tudo e todos, inclusive algumas minorias internas,
tivemos a arte suficiente para reconquistar a autoestima e justificar a
hegemonia no panorama desportivo nacional.
O futuro imediato.
Por isso, porque fizemos por isso, enquanto outros
passavam da incredibilidade ao tentar parar o vento com as mãos, hoje podemos
acreditar num futuro tão ímpar como o Nosso passado Glorioso.
Porque, imediatamente, continuaremos a testemunhar o
nascimento (nem que seja por dez vezes) de alguns dos Nossos “Azes”, a
beneficiar do seu brilhantismo desportivo e das consequências económicas da
eventual partida de mais alguns.
E porque, imediatamente, vamos “fazer contas” a uma
espectacular valorização dos Nossos direitos televisivos e a mais acréscimos de
valor adicionados a uma “Marca” que já hoje não tem paralelo no horizonte da
lusofonia.
O Grupo Benfica não conseguiu passar incólume pela
mais profunda e grave crise económica mundial desde 29-33, nem pelo verdadeiro
assalto fiscal que determinou este último triénio em Portugal, mas resistiu
muito além das melhores expectativas.
Mas, alguns podem perguntar, a verificar-se uma
debandada dos Atletas mais influentes, isso não pode colocar em causa o
objectivo hegemónico para esta próxima época desportiva?
Na minha humilde opinião e no máximo, um tal
fenómeno (a verificar-se e estamos muito longe de o verificar) apenas poderia
adiar a confirmação dessa hegemonia por mais uma época, nada mais que isso.
Como sabem, eu defendo (e os números sugerem) que as
operações concretizadas em janeiro já garantem um resultado positivo da SAD
neste exercício e conferiram ao Nosso CA o maior grau de liberdade possível na
planificação da época 2014/15 e é isso que os “wishful thinkers” das várias
“subespécies anti” se esforçam por omitir.
Mas eu não! Eu conto com isso e com a competência
confirmada do CA, da Prospecção, da Equipa Técnica e de toda a estrutura
profissional de apoio ao futebol do Glorioso, para terem todas as possíveis
variáveis equacionadas.
Além de que também conto com a Nossa TV e os,
talvez, 30ME de “lucro” que ela nos vai propiciar no próximo exercício!
Por isso, Companheiros, se eles quiserem levar o
Garay (eu só o “largava” pela cláusula e a p.p.), o Enzo (idem, idem, aspas,
aspas), o Marko (uma música diferente, mas eu mantinha a letra), o Gaitan (para
este, eu já dava “um jeito”), ou o Sálvio … eles que os levem e o JJ encarregar-se-á
de reconstruir a Equipa.
Vamos perder competitividade imediata e ter de
adaptar os objectivos desportivos imediatos?
Mais faltaria que não, se recebêssemos uns 150ME
(que representariam uns “meros” quase 100ME de mais valias)! Claro que uma tal
sangria iria corresponder a um recuo imediato, mas com consequências positivas
suficientes em termos económicos, que a SAD deveria conseguir transformar nas
condições para um reforço ainda maior da competitividade mediata da Equipa.
Ou seja, um “prejuízo” imediato, com um imenso
potencial futuro e não só para o Nosso futebol.
O futuro mediato
Sabemos que é imparável o processo jurídico e legal
que há de “libertar” completamente os futebolistas profissionais da “canga” que
ainda sobrou depois do Acórdão Bosman, um processo que já podemos “ler” no mais
recente Regulamento de Transferências (que já permite aos atletas a rescisão
unilateral, fora do denominado período de protecção dos contratos, com uma
eventual indemnização a ser arbitrada pelo TAS e sem qualquer inibição
profissional) e que melhor podemos prever a partir do Acórdão Dahmane. E para
os que me disserem que eu não deveria usar o verbo libertar para estes casos,
eu recordo que a osgalhada paga, hoje, menos de 60 mil euro ao ano (ou 30, ou
ainda menos) a jovens de 20, 21, ou mesmo 22 anos, atletas internacionais,
pedras angulares da sua equipa principal e para cujos contratos “exige” sempre
cláusulas de rescisão de 45ME. Ainda por cima, sujeita-os á humilhação de os
fazer partilhar o balneário com autênticos cepos a ganhar 30 (ou 50, ou mais)
vezes o que lhes pagam!
Tal como sabemos que esse futuro mais longínquo
projecta uma BTV poderosíssima, quem sabe grande demais para continuar a “viver
em casa” …. Tal como aos Filhos, admito a hipótese de a ver atingir a
maioridade, desde que se mantenha … Nossa.
Passa por aqui, talvez, a fórmula ideal de
restruturação financeira do Grupo Benfica, capacitando-O para um patamar
absolutamente impensável (eu sei, eu sei que nunca deixarei de sonhar) …
Num horizonte em que assistiremos a um tendência
de queda, progressiva mas sustentada, dos valores das transferências dos
futebolistas, paralelamente ao aumento (sim, ainda mais e para os melhores) dos
seus salários, a uma “troca” entre os famigerados prémios de assinatura e os
salários, a uma nova definição das obrigações do “Fundo de Solidariedade” da FIFA, que passará a ser uma
permilagem dos salários, em vez dos actuais 5% sobre as transferências. Num
horizonte em que o Glorioso vai poder pagar aos seus melhores profissionais (de
facto, essa já é a realidade Actual, mas ainda se vai alargar a diferença) muito
mais que os seus adversários internos e apenas terá de recear a concorrência
externa (fora os mais ricos dos mais podres de ricos) caso a fiscalidade se
mantenha desigual e em Nosso prejuízo.
Um horizonte em que o CA vai ter de “lutar” para que
o Passivo não “desapareça” e em que vai ter de investir na preparação, por
antecipação, de estratégias defensivas contra … uma (ou mais) OPA!
Anti Benfica, “tadinhos dos cãocrodilos”.
Há uma dúzia de anos, viveram a ilusão de ver morrer
o Nosso Clube. Ano após ano, permaneceram nas ilusões da “falência técnica”, da
“saída do JJ”, do “fracasso da BTV” e continuam a fugir da realidade: já não
sabem viver sem ser numa permanente negação e estão obrigados a festejar as
“betotas” e os boches ladrões.
Se eu tenho pena deles, ou dos Taliban?
Ahahahah, tanta que nem sei onde a guardar, ahahah.
Concluindo e para que fique registado (eternizado)
aqui no GUACHOS, para que no futuro possamos reviver o passado, tomem nota de
como eu antecipo “o tempo que o tempo tem” antes de 5 anos:
1 Um Benfica absolutamente hegemónico em Portugal e
entre os 10 clubes mais competitivos (também em termos económicos) do futebol
europeu;
2 Um Benfica com mais de 200ME de Proveitos sem
somar as eventuais “vendas de Atletas” (mas contando com os ROPA rotineiros) e
perto de 100ME de custos salariais (incluindo o futebol);
3 Um Clube com perto de 20.000 Atletas e com ainda
bastantes mais “Modalidades” do que hoje (pelo menos com muitas modalidades X,
com ciclismo e muitas mais Equipas Femininas);
4 Um Clube com um Parque Desportivo substancialmente
mais rico e diversificado (pista de Atletismo, mais piscinas e um grande,
grande pavilhão coberto e multiuso, capaz de suportar uma pista de Atletismo e
outra de ciclismo e outra para X Games);
5 Um Clube com projectos de “filiais” em alguns
países europeus (Irlanda, Bélgica, Suíça e França, seriam excelentes),
africanos (Angola, Moçambique e, acima de tudo, Cabo Verde) e (porque não?) na
América latina;
6 Uma BTV “fundadora” de uma rede europeia de TV’s
de clube, com diversos canais e conteúdos competitivos numa escala planetária.
O Presidente confessou que necessita de projectos
ambiciosos para que os Benfiquistas queiram dar o seu melhor e … superarem-se.
Eu não podia estar mais de acordo!
“Eles não sabem nem sonham / que o sonho comanda a
vida / e que sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola
colorida / entre as mãos de uma criança”
Viva o Benfica!