"De uma vez por todas coloquem o VAR. Uma Liga profissional tem de ter VAR". Revoltado com o trabalho do árbitro, António Oliveira, treinador do Benfica b, surge (e já não é a primeira vez) aos pés-de-microfone a pedir VAR para os jogos da segunda liga! Eu olho e não acredito! Nos últimos quatro anos em que mundo tem vivido o notável filho de Toni? Então agora defendemos o regresso do apito dourado à segunda liga? Não nos basta o que se passa na liga Palhinha? Quer António Oliveira o Hugo Miguel, Fabio Veríssimo e o Vasco Santos a engordar a conta bancária, atrás das câmaras da cidade do futebol, a decidirem na segundona os resultados do Benfica? Quando eu ainda tenho esperança (agarro-me a ela para não mandar tudo à merd@ de uma vez) que o Benfica está a fingir-se de morto, a lamber feridas, mas com uma estratégia clara do que é preciso combater para regressar aos títulos mais forte do que nunca, chego à conclusão que o desnorte que, de cima abaixo, aparenta tomar conta da estrutura é (mesmo) total! Organizem-se meus senhores, organizem-se. Lembrem-se dos sócios e dos adeptos a pontos de explodirem, fartos de verem o seu Clube alvo de chacota todos os fins de semana.
Longe de mim criticar a revolta do treinador do Benfica b. O que eu não aceito é a falta de estratégia. Gosto demais da atitude guerreira do António e penso que é o que mais falta tem feito ao Benfica. António Oliveira não gosta de se sentir roubado, dá a cara e assume-o. Não fosse por mais nada já ganhou o meu respeito por isso. Nos últimos anos quantos treinadores (e dirigentes) se podem orgulhar de defender com esta alma o Benfica? E quem vai defender o António que foi imediatamente atacado pela diretora executiva da liga?
Sónia Carneiro, com via aberta no pasquim da fruta, demorou apenas umas horas a responder ao António. Dirigindo-se a Oliveira, de quem diz ter ficado "melindrado" com a decisão do árbitro (anulou um golo porque lhe apeteceu) no jogo contra o Mafra, esta filha da Carolina, ferrenha do clube da fruta e responsável da área jurídica da liga quando foram divulgados publicamente os contratos de Castillo e Ferreyra, foi ainda mais longe no seu ataque. «As equipas querem o VAR na II Liga? É preciso pagá-lo. Organizem-se e façam disso uma decisão do coletivo associativo, que o VAR não cai do céu». Assim, para não deixar duvidas. Se querem divertir-se à grande com o Hugo Miguel, Fábio Veríssimo e Vasco Santos também na segunda liga, o Benfica que lhes pague as mordomias que do céu, para além do Taremi, só caem dióspiros maduros e os tachos sucessivos que a morcona Carneiro (famosa pelas publicações nas redes sociais onde gozava à grande com as derrotas do Benfica) disfruta na liga. Noutros clubes, não tenho duvidas que o António Oliveira seria defendido com unhas e dentes pelas entidades patronais. No Benfica já ficarei surpreendido se a Newsletter dedicar à morcona uma critica fofinha.
Tem sido gritante a falta paixão no Benfica. E a culpa não é apenas das pessoas que por lá passam, normalmente, sem deixar saudades. É do Clube, aburguesado e convencido que as camisolas por si só ganham jogos, que antes de ensinar os seus profissionais a lutarem pelos direitos de quem lhes paga os obriga a defender o produto futebol! Palavra de honra que já me enoja ouvir falar em produto quando se percebe que toda a gente se está positivamente a cag@r para defender o futebol. O que todos querem é deitar a luva aos proveitos dos direitos televisivos (o Benfica vai ser comido de cebolada e parece que ninguém se rala com isso) e ao controle da arbitragem! Bem podem dar as voltas que quiserem que gira tudo à volta disto. Controlar os árbitros e os direitos televisivos.
A paixão do António. Olhemos para Bruno Lage. Vi-o ontem em Inglaterra, de punhos cerrados, a festejar a vitória da sua equipa com um arreganho que nunca lhe vi no Benfica, onde nem um esgar de dor ou um sorriso de satisfação se lhe viu. Nunca o vi festejar uma vitória ou um golo quando ganhava sem parar. E quando começou a perder sucessivamente o mais que se lhe ouviu foi que ia passear a ver mar com o Presidente. No Benfica, não sabia o nome do Xistra e do Fabio Veríssimo e a pastelaria do Artur Soares Dias dizia-lhe o mesmo que o talho do Manuel Mota ou as nomeações do Fontelas. Zero. Mas adormecia a ver o canal Panda, conhecendo de cor e salteado o Super Wings, a Ovelha choné, a Porquinha Peppa, o Noddy, a Heidi, o Rato Renato e o Bob, o Construtor. Em Inglaterra, num país onde quase ninguém fala dos árbitros, sempre que se sente prejudicado não há estrutura que lhe lhe corte a palavra ou lhe reprima a indignação!
Olhemos para Nélson Veríssimo. Se tiver jeito para jogar poker acho que deve investir a sério (juro que não é piada) nessa carreira. Desde que o anterior treinador foi escorraçado do Benfica nunca se lhe viu um sorriso de satisfação quando ganha ou um esgar de enfado quando os seus comandados são trucidados em campo pelas arbitragens. Ganhar ou perder parece que é o mesmo. Nunca percebi se está feliz ou chateado, se também assiste ao Canal Panda ou se vai ver o mar com o Presidente! Sei que reflete (porque o diz) muito a seguir às derrotas e sei que as reflexões resultam iguais ao seu rosto de esfinge. Nunca refletem nada de novo na equipa, sequer um pingo dessa paixão arredia do Benfica. Se eu penso que o Bruno Lage e o Nélson Veríssimo (para além da questão da personalidade e da competência) são insensíveis e que não querem saber das derrotas do Benfica? Não, não penso. Mas que defendem/defenderam com a galhardia possível o triste fado que a administração lhes confiou, disso não tenho duvidas. Não queremos desordeiros na administração nem arruaceiros no banco de suplentes do SLB. Mas exigimos paixão e a defesa intransigente do Benfica.
A paixão que Rui Costa tem, seguramente, e a defesa intransigente que, também não tenho dúvidas, exigirá a todos quantos recebem chorudos salários no Benfica. É só isso que queremos. E nem precisa de entrar em reflexão tendo em vista (a boa educação tem limites que a chacota não define) o próximo xi-coração mediático. Pelas minhas contas, o injinheiro macaco preenche, com idêntica relevância, todos os requisitos e o trabalho feito a bem do produto, tal e qual o fugitivo de Vigo e o diligente Proença. Fica a dica.


