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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Impossível? Não conheço! Nunca vi!

Por José Albuquerque

Quando, há uns quantos dias, descrevi os motivos pelos quais considero absurda a defesa de qualquer coisa como um “downsizing” no Benfica, não quis antecipar aquilo que veio a acontecer, para que me não acusassem de “dar azar” por antecipar como certos sucessos desportivos ainda não garantidos, mas, agora que já se confirmaram (quase todas) as principais Vitórias que mais desejámos, sinto-me completamente livre para completar os raciocínios que, nesse texto, alinhavei e, assim, permitam que eu seja absolutamente claro …

Não! O “Bi” e todos os outros títulos já conquistados, ou que as Nossas Equipas ainda estão a disputar, ainda que os vençam todos, não podem servir de argumento para defenderem o tal de “downsizing”!
Nem esses títulos, nem que lhes somassem as mais dramáticas previsões de falências para andruptos (já reafirmei que discordo) e osgalhada …
Permitam que eu tente fazer um desenho para que não sobrem dúvidas: nem que me garantissem que o Benfica ia vencer todos os títulos nacionais do próximo triénio, eu admitiria como apropriada essa via do “downsizing”. Espero ter sido claro.

Ainda a “Crise”

Sim, ainda estamos a (tentar) sair da mais profunda depressão económica dos últimos quase cem anos, mas … o Grupo Benfica soube ultrapassá-la com distinção.
Sim, os dois maiores sponsors (a PT e o BES) vão cortar nos seus investimentos publicitários em geral e no futebol em particular, mas … a Nossa Marca é mais apetecível a cada dia que passa e a cada nova Vitória conquistada, como vai ser demonstrado com o novo sponsor da Emirates e o reforço da ligação com a Adidas.
Sim, as Contas deste exercício levaram um rombo de 10ME por causa do desastre na UEFA, mas … a probabilidade de voltarmos a ter de enfrentar três adversários “mais ricos” na fase de grupos da Champions será cada vez menor, enquanto os respectivos prémios vão crescer cerca de 50%.

E sim, todas as informações de que disponho (confirmaremos com o R&C do 3º trimestre) relativas ao crescimento dos Proveitos da Nossa BTV indiciam que os seus resultados económicos já excedem, largamente, o que Nos tinha sido oferecido pelo mamão chupista.
E sim, a recente venda do Cancelo (não consigo entender porque raio de razão a Nossa SAD ainda não divulgou o valor dessa alienação, uma “conta” que vai ter de prestar ao mercado mais cedo ou mais tarde) e demais rumores sobre o interesse do mercado em outros Atletas que temos emprestados em contratos com opção de compra, sugerem que eu tinha razão quando previa que a Nossa “Fábrica” podia assumir um papel determinante como suporte desportivo e/ou económico no Grupo Benfica.

Novo paradigma ou “novo modelo”?

Não pretendo gastar tempo, nem energia, em discussões de “lana caprina”, mas não aceito que o CFO da Nossa SAD anuncie um “novo modelo de gestão”, ainda por cima contrário ao que sempre foi reafirmado e desde há anos, sem que tal tivesse sido previamente votado em AG de Accionistas. E quando digo que não aceito, quero dizer que me oponho!
Ainda por cima tão pouco tempo depois de o ter ouvido a prestar informação inexata sobre os Proveitos da BTV e, pior ainda, revelando um ignorância preocupante sobre a “necessidade de vender Atletas”.

Pelo tanto que já o defendi, sinto-me em posição de o poder criticar frontalmente, por isso …

Meu Caro DSO,

1.Compreenda, de uma vez por todas, que a SAD só iria deixar de vender os seus Atletas mais valiosos se e só se o CA garantisse poder pagar-lhes salários fiscalmente competitivos (salários líquidos de impostos e contribuições) com os dos melhores pagadores mundiais. Ou seja … no dia de S. Nunca!
2. Convença-se, de uma vez por todas, que não lhe compete anunciar “novos modelos”, nem que eles já tivessem sido aprovados em AG de Accionistas (e não foram) e a menos que tivessem feito parte do Programa Eleitoral sufragado pelos Sócios do Accionista maioritário – o Sport Lisboa e Benfica, nesta altura representado pelo Nosso Companheiro Luís Filipe Vieira, Presidente do Clube e da SAD.
3. Assuma-se, de uma vez por todas, como o verdadeiro Gestor de topo que, indubitavelmente, é … evitando novas declarações erróneas, ilegítimas e desnecessárias.
4. Já agora e se for possível, proíba-se de comentar, estando no relvado da Catedral e no exercício das altas funções de CFO da Benfica SAD, emissões obrigacionistas de outros clubes/sad’s, especialmente sugerindo que o Benfica aceita conferir a outros, seja em que aspecto for, um papel de “liderança” ou “exemplo” que está a ponderar seguir.

Companheiros,

Escrevo com a humildade que resulta desta Paixão que Nos une em torno do Clube: uma Paixão que, Todos Um, temos de saber compatibilizar com uma Razão perfeitamente lúcida.
E escrevo com a moral de quem, há anos, defende o essencial do percurso que os Nossos Corpos Sociais escolheram para visarmos o Nosso futuro colectivo e se tem esforçado para o explicar e esclarecer junto dos Companheiros mais afastados dos assuntos de carácter económico e/ou financeiro: desde o inicio dos investimentos no Seixal (que eu defendi mesmo antes da construção da nova Catedral) até aos que visaram consolidar a BTV como produto “premium” de media, passando pelos investimentos na Equipa, pela fusão da SAD com a Benfica Estádio, pelo Benfica Stars Fundo, pela renovação com JJ, pela preparação para a época que agora termina, etc., etc., etc.

Recordando tudo isso, fica-me o prazer de verificar que tive razão muitas vezes e foi assim que ganhei o direito a ser rotulado de “Vieirista” pelos que a não tiveram em todos esses casos e momentos.
Tal como me fica a responsabilidade acrescida para criticar, frontal e construtivamente, sempre que discordo e não compreendo, opções tomadas e/ou (mal) anunciadas.

Tal como usei os meus conhecimentos para demonstrar a necessidade de priorizar a reconstrução parcial (até próximo da metade) dos Nossos Capitais Próprios a médio prazo (5/6 anos), mesmo que com “prejuízos” desportivos, quero reafirmar, uma vez mais, que considero um absurdo ultrapassar essa reconstituição (mais de 50%) e em metade do prazo (2/3 anos), mesmo que viéssemos a conquistar todos os títulos internos nesse processo.

O Benfica “armou” o seu Grupo Empresarial para vencer a frente económica da “Guerra contra o POLVO” e não para remunerar os seus Accionistas com Lucros (tributáveis, em sede de IRC) acima do mercado

Dizem-me que o Companheiro Presidente apelou a que os Benfiquistas se concentrassem nas duas finais que ainda temos pela frente (a de Coimbra e a da renumeração dos Sócios) e eu não podia estar mais de acordo com ele: mais uma razão para se evitarem gafes como a do DSO, naquela “closing bell”

Mas que se desiludam os que possam pensar que eu nunca estaria disponível para trabalhar para uma alternativa ao Companheiro Vieira, porque eu não conheço impossíveis: nunca os vi!         
                     
Viva o Benfica!