Por José Albuquerque
Quando, há uns quantos dias, descrevi os motivos
pelos quais considero absurda a defesa de qualquer coisa como um “downsizing”
no Benfica, não quis antecipar aquilo que veio a acontecer, para que me não
acusassem de “dar azar” por antecipar como certos sucessos desportivos ainda
não garantidos, mas, agora que já se confirmaram (quase todas) as principais
Vitórias que mais desejámos, sinto-me completamente livre para completar os
raciocínios que, nesse texto, alinhavei e, assim, permitam que eu seja
absolutamente claro …
Não! O “Bi” e todos os outros títulos já
conquistados, ou que as Nossas Equipas ainda estão a disputar, ainda que os
vençam todos, não podem servir de argumento para defenderem o tal de
“downsizing”!
Nem esses títulos, nem que lhes somassem as mais
dramáticas previsões de falências para andruptos (já reafirmei que discordo) e
osgalhada …
Permitam que eu tente fazer um desenho para que não
sobrem dúvidas: nem que me garantissem que o Benfica ia vencer todos os títulos
nacionais do próximo triénio, eu admitiria como apropriada essa via do
“downsizing”. Espero ter sido claro.
Ainda a “Crise”
Sim, ainda estamos a (tentar) sair da mais profunda
depressão económica dos últimos quase cem anos, mas … o Grupo Benfica soube
ultrapassá-la com distinção.
Sim, os dois maiores sponsors (a PT e o BES) vão
cortar nos seus investimentos publicitários em geral e no futebol em particular,
mas … a Nossa Marca é mais apetecível a cada dia que passa e a cada nova
Vitória conquistada, como vai ser demonstrado com o novo sponsor da Emirates e
o reforço da ligação com a Adidas.
Sim, as Contas deste exercício levaram um rombo de
10ME por causa do desastre na UEFA, mas … a probabilidade de voltarmos a ter de
enfrentar três adversários “mais ricos” na fase de grupos da Champions será
cada vez menor, enquanto os respectivos prémios vão crescer cerca de 50%.
E sim, todas as informações de que disponho
(confirmaremos com o R&C do 3º trimestre) relativas ao crescimento dos
Proveitos da Nossa BTV indiciam que os seus resultados económicos já excedem,
largamente, o que Nos tinha sido oferecido pelo mamão chupista.
E sim, a recente venda do Cancelo (não consigo
entender porque raio de razão a Nossa SAD ainda não divulgou o valor dessa
alienação, uma “conta” que vai ter de prestar ao mercado mais cedo ou mais
tarde) e demais rumores sobre o interesse do mercado em outros Atletas que
temos emprestados em contratos com opção de compra, sugerem que eu tinha razão
quando previa que a Nossa “Fábrica” podia assumir um papel determinante como
suporte desportivo e/ou económico no Grupo Benfica.
Novo paradigma ou “novo modelo”?
Não pretendo gastar tempo, nem energia, em
discussões de “lana caprina”, mas não aceito que o CFO da Nossa SAD anuncie um
“novo modelo de gestão”, ainda por cima contrário ao que sempre foi reafirmado
e desde há anos, sem que tal tivesse sido previamente votado em AG de
Accionistas. E quando digo que não aceito, quero dizer que me oponho!
Ainda por cima tão pouco tempo depois de o ter
ouvido a prestar informação inexata sobre os Proveitos da BTV e, pior ainda,
revelando um ignorância preocupante sobre a “necessidade de vender Atletas”.
Pelo tanto que já o defendi, sinto-me em posição de
o poder criticar frontalmente, por isso …
Meu Caro DSO,
1.Compreenda, de uma vez por todas, que a SAD só
iria deixar de vender os seus Atletas mais valiosos se e só se o CA garantisse
poder pagar-lhes salários fiscalmente competitivos (salários líquidos de
impostos e contribuições) com os dos melhores pagadores mundiais. Ou seja … no
dia de S. Nunca!
2. Convença-se, de uma vez por todas, que não lhe
compete anunciar “novos modelos”, nem que eles já tivessem sido aprovados em AG
de Accionistas (e não foram) e a menos que tivessem feito parte do Programa
Eleitoral sufragado pelos Sócios do Accionista maioritário – o Sport Lisboa e
Benfica, nesta altura representado pelo Nosso Companheiro Luís Filipe Vieira,
Presidente do Clube e da SAD.
3. Assuma-se, de uma vez por todas, como o
verdadeiro Gestor de topo que, indubitavelmente, é … evitando novas declarações
erróneas, ilegítimas e desnecessárias.
4. Já agora e se for possível, proíba-se de
comentar, estando no relvado da Catedral e no exercício das altas funções de
CFO da Benfica SAD, emissões obrigacionistas de outros clubes/sad’s,
especialmente sugerindo que o Benfica aceita conferir a outros, seja em que
aspecto for, um papel de “liderança” ou “exemplo” que está a ponderar seguir.
Companheiros,
Escrevo com a humildade que resulta desta Paixão que
Nos une em torno do Clube: uma Paixão que, Todos Um, temos de saber
compatibilizar com uma Razão perfeitamente lúcida.
E escrevo com a moral de quem, há anos, defende o
essencial do percurso que os Nossos Corpos Sociais escolheram para visarmos o
Nosso futuro colectivo e se tem esforçado para o explicar e esclarecer junto dos
Companheiros mais afastados dos assuntos de carácter económico e/ou financeiro:
desde o inicio dos investimentos no Seixal (que eu defendi mesmo antes da
construção da nova Catedral) até aos que visaram consolidar a BTV como produto
“premium” de media, passando pelos investimentos na Equipa, pela fusão da SAD
com a Benfica Estádio, pelo Benfica Stars Fundo, pela renovação com JJ, pela
preparação para a época que agora termina, etc., etc., etc.
Recordando tudo isso, fica-me o prazer de verificar
que tive razão muitas vezes e foi assim que ganhei o direito a ser rotulado de
“Vieirista” pelos que a não tiveram em todos esses casos e momentos.
Tal como me fica a responsabilidade acrescida para
criticar, frontal e construtivamente, sempre que discordo e não compreendo,
opções tomadas e/ou (mal) anunciadas.
Tal como usei os meus conhecimentos para demonstrar
a necessidade de priorizar a reconstrução parcial (até próximo da metade) dos
Nossos Capitais Próprios a médio prazo (5/6 anos), mesmo que com “prejuízos”
desportivos, quero reafirmar, uma vez mais, que considero um absurdo
ultrapassar essa reconstituição (mais de 50%) e em metade do prazo (2/3 anos), mesmo
que viéssemos a conquistar todos os títulos internos nesse processo.
O Benfica “armou” o seu Grupo Empresarial para
vencer a frente económica da “Guerra contra o POLVO” e não para remunerar os
seus Accionistas com Lucros (tributáveis, em sede de IRC) acima do mercado.
Dizem-me que o Companheiro Presidente apelou a que
os Benfiquistas se concentrassem nas duas finais que ainda temos pela frente (a
de Coimbra e a da renumeração dos Sócios) e eu não podia estar mais de acordo
com ele: mais uma razão para se evitarem gafes como a do DSO, naquela “closing
bell”
Mas que se desiludam os que possam pensar que eu
nunca estaria disponível para trabalhar para uma alternativa ao Companheiro
Vieira, porque eu não conheço impossíveis: nunca os vi!
Viva o Benfica!