E é tão fácil insultar quem não se pode defender. Rui Vitória para a rua. Consequências? Nenhumas. Vem o Leonardo Jardim - treinador conhecido pelo futebol espectacular praticado pelas suas equipas - que deixou o Mónaco à beira de um ataque de nervos. Vem o Paulo Fonseca (passaram uma época inteira a escarnecer do rapaz quando passou pelo clube da fruta) que aparece nas conferências de imprensa vestido de Zorro! Ou vem a ultima coca cola do deserto, jorge lagarto - que apesar das muitas ajudas e do futebol espectacular que o levou a perder dois campeonatos seguidos para Rui Vitória - também detém esse recorde, resultado fantástico a preencher-lhe o curriculum, de orientar os sapos na derrota de 0-3 frente ao Skenderbeu da republica da Albânia. E depois o Ajax de Amesterdão é que é uma equipa banal que tinha de ser trucidada pelo Benfica! Ora toma. Coerência acima de tudo!
Sobre o jogo, o que eu vi? Vi um Benfica, apesar da enorme pressão, determinado em ganhar, vi um adversário que demonstrou igual vontade e idêntica qualidade, vi uma arbitragem que não acompanhou a qualidade média das equipas, vi alguns momentos de bom futebol, muita luta e arreganho das duas equipas que, não raras vezes, conseguiram anular-se uma à outra. Não vi muitas oportunidades de golo mas o futebol foi sempre rápido e emotivo. Gostei muito da segunda parte de Gabriel (faltou-lhe confiança para rematar de fora da área) e os últimos minutos demonstraram à evidência o estado de espírito das equipas. Os jogadores do Benfica acusaram o peso das bancadas - só um cretino forrado a burro por dentro e por fora pode pensar que os assobios ajudam alguém a serenar e a ganhar - e os jogadores do Ajax sentiram-se recompensados por terem tanta gente a ajudá-los.
O Benfica não joga sozinho. Vi este Ajax em Munique a dar uma tal ensaboadela ao Bayern, que só não acabou em vitória folgada porque os alemães tiveram a sorte do jogo que ontem faltou ao Benfica. Sinto os benfiquistas amargurados. Tudo o que é dito na comunicação social, ampliado ao máximo por se tratar do Benfica, deixa-os causticos, sem crença e demasiado penalizadores para o comportamento da equipa. Mas depois...deparo-me com o Carlos Ribeiro, meu habitual vizinho de bancada, a esbanjar benfiquismo e sinto-me recompensado e convicto que tudo pode mudar. Gente como o Carlos Ribeiro dá-me forças para continuar. Ouvindo-o, questiono-me onde raio vão as nossas TVs recrutar os seus comentadores. É tão difícil assim encontrar gente culta e educada que saiba dar-se ao respeito?