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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Verdades cibernéticas...mas não só.

Em Agosto;
O Benfica não sabe construir um plantel...O plantel é uma manta de retalhos...O plantel é claramente desequilibrado...Não tem defesas de classe...Faltam laterais de qualidade...Os centrais são fracos...Luisão está velho...Não há portugueses no plantel...Tem demasiados médios...Tem extremos às toneladas...Tem guarda-redes em excesso...A equipa vai ficar coxa...Fejsa para quê se temos Matic...O Artur já devia estar na selecção brasileira...Oblak é apenas mais um estrangeiro a tapar um jovem português...Miguel Rosa é um craque, marca golos às toneladas e ainda o vamos ver a jogar nos corruptos, quiçá no Real Madrid! O plantel foi construído em cima do joelho!

O Benfica tem '454' jogadores sob contrato...Vendam os excedentes...A equipa B não serve para nada...O André Gomes corre menos que o Fábio Rochembak..."armada sérvia" da Luz! Tantos sérvios para quê?...Matic devia ser vendido...Matic anda sem vontade...Em Janeiro não valerá 10 milhões de euros...Mas porque é que não se vendeu Matic?...Vendam o Gaitan...Emprestem o Rodrigo......Apostem no Nelson Oliveira...Lima vale por 30 Cardozos...Porque é que não vão buscar o Siqueira? Siqueira vai para o Real Madrid - palhaços, deixaram escapar este grande lateral - destes não trazem eles para o Benfica!
O plantel foi construído em cima do joelho! 

Sílvio é um grande lateral...Mandem embora o Maxi... Maxi Pereira já deu o que tinha para dar...Mandem o Artur embora...Este Markovic é bom - esta direcção é uma palhaçada que só serve para promover os jogadores(???) do Chelsea...
O Real Madrid desiste de Siqueira - para o Benfica só vêm os restos dos espanhóis...O plantel foi construído em cima do joelho! Olhe-se para os corruptos com um plantel construído a tempo e horas! aquilo sim é uma estrutura que sabe trabalhar!
Contratar Paulo Fonseca foi um golpe de génio!...Os lagartos vão lutar para não descer...Com 'aquele' plantel vão ser enxovalhados! Vão lutar com a Académica e com o Nacional da Madeira por um lugar na Europa...
Miguel Rosa brilha no primeiro treino do Belenenses!
Fora com esta direcção, fora com este treinador...Eleições já!

Em Dezembro...
Este Benfica é um fiasco! O plantel é uma manta de retalhos! Não sabem construir um plantel ganhador! Ponham os jovens da B no lugar destes coxos! Este Rodrigo já não evolui mais! Emprestem o Rodrigo e vão buscar o Nelson Oliveira! Vendam o Lima por amor de Deus! O Cardozo é o Maior! Vale mais uma perna do Cardozo que 30 Limas! Matic anda contrariado! Este Matic já não vale 10 milhões de euros! O Gaitan não corre! Siqueira está sempre aleijado - mais um barrete enfiado ao Benfica!

O Maxi Pereira está acabado! Sílvio é um barrete! Matic é uma sombra do jogador que era! Markovic é mais um flop e fosse bom estava no Chelsea...mais um barrete de Vieira!
Ponham os olhos nos lagartos! Mas que grande plantel que eles têm! Apostem mas é nos jovens! Vejam como se constrói uma equipa boa e barata! A luta do titulo vai ser entre lagartos e corruptos! Leonardo Jardim é de top! Vai-te embora Jesus! O plantel foi construído em cima do joelho!  Olhe-se para os corruptos com um plantel construído a tempo e horas! aquilo sim é uma estrutura que sabe trabalhar!
Contratar Paulo Fonseca continua a ser um golpe de génio! Bruno de Carvalho (presidente dos lagartos) é o maior! Aquilo sim é saber defender o seu clube!
Fora com esta direcção, fora com este treinador...Eleições já!
Nem uma palavra sobre Miguel Rosa...

Em Janeiro...
(Benfica já à frente no campeonato)
O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 30 anos! Com este plantel é um crime não ser campeão! com este plantel qualquer treinador seria campeão com 15 pontos de avanço!..Fejsa para quê se Matic não foi vendido?!...Matic foi vendido ao desbarato! Estão a destruir o melhor plantel dos últimos 30 anos! Ninguém previu a saída de Matic que não tem substituto! O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 30 anos!
Tantos sérvios para quê?! Rodrigo vale pelo menos 45 milhões! Gaitan é uma classe! Siqueira é muito bom! O André Gomes é mais rápido que o Obikwelu...Markovic é uma classe - aumentem-lhe a clausula para 100 milhões de euros...Esta direcção é uma palhaçada que não sabe defender os direitos do Benfica.
O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 30 anos! O plantel dos corruptos não vale uma merda!

O Lima não joga um cu! Cardozo já não faz falta nenhuma! O plantel é muito extenso! Maxi Pereira é o Maior! Sílvio é um fiasco! Luisão é indispensável! O André Gomes é tão bom como o Cristiano Ronaldo. O Oblak é o maior...Mandem Artur embora...O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 30 anos! O plantel dos corruptos não vale uma merda!
Contratar Paulo Fonseca foi um tiro nos pés! O plantel dos lagartos é fraco! Bruno de Carvalho (presidente dos lagartos) é um palhaço! Não tarda vai enterrar o clube...
Fora com esta direcção, fora com este treinador...Eleições já!
E...nem uma palavra sobre Miguel Rosa!

Hoje, amanhã - sempre...
O Benfica contrata jogadores; para quê se já existem '454' jogadores no plantel? vendam ou despachem esses coxos! De onde vem dinheiro para tanta contratação? Estão a destruir o Benfica!
O Benfica vende e ou empresta jogadores; Saem Mitrovic, Uros Matic e Matic, mais Mika...
Dispensar jogadores agora para quê? Mas estes gajos estão burros? estão a destruir o plantel!
E repetem «O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 30 anos!»
Fora com esta direcção, fora com este treinador...Eleições já!

O Benfica forma dezenas, centenas de jogadores, nas suas escolas, em instalações maravilhosas que há dez anos atrás simplesmente não existiam!
Todos os anos chegam à idade sénior dezenas de jogadores...
Uns passam para a equipa B, um ou outro passa para o plantel principal, outros são emprestados e vários outros terão de ser dispensados. Nuns casos acerta-se e noutros nem por isso.
Algo aparentemente pacífico - comum a todas as equipas que têm formação, e por extenso - a todos os seres pensantes!

Mas não, isso não serve para o Benfica; se são dispensados definitivamente é porque não são bem aproveitados e ainda acabam a jogar nos corruptos, se ficam na equipa B deviam ser emprestados e se forem dispensados, mantendo o vinculo ao clube, é porque aumentam a carga salarial.
Se sobem à primeira equipa; deviam ser titulares de imediato!!
E repetem «O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 30 anos!»

Mika, guarda-redes suplente na equipa B, fazia parte daqueles '454' jogadores que «era preciso despachar» para equilibrar as contas. O Benfica resolve dispensá-lo mantendo metade do passe....
Mika foi despachado ao desbarato! Mika passou a ser um do melhores guarda-redes do Mundo. Bastou sair do Benfica e pumba, já é melhor que o Courtois do Athletc de Madrid!

E, pasme-se; era tão fenomenal que até foi jogar para Atlético...da tapadinha!
Provavelmente, JJ deveria tê-lo posto a jogar, juntamente com Oblak - os dois ao mesmo tempo! Afinal, há que apostar nos jovens!
Por tudo isso e obviamente - fora com esta direcção e fora com este treinador...
Eleições já!
E repetem sempre «O Benfica tem o melhor plantel dos últimos 30 anos» até começar a nova época...
E...nem uma palavra sobre Miguel Rosa!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Matic, um exemplo a não esquecer.

Por José Albuquerque

Por uma questão de coerência, começo por recordar que já muitas vezes me manifestei contra vendas a meio da época desportiva, que, embora compreendendo os motivos, fui contra a decisão da SAD de recusar todas as ofertas recebidas antes do inicio de agosto último  e, finalmente, que apoio o CA da SAD em todas as medidas de gestão que tenham por objectivo central assegurar um resultado equilibrado contabilístico positivo para a exploração anual.

Posto isto, formulo a minha opinião sobre as seguintes eventualidades que passo a considerar como se de factos se tratem:
1 Qua a SAD recebeu, em maio, uma proposta de compra do Matic que podia chegar aos 40ME;
2 Que essa proposta foi rejeitada com o acordo do interessado (na presença do seu agente FIFA), no quadro de um “gentlemen agreement” que previa a contratação do Uros e a obrigatoriedade de aceitação de propostas de igual valor que fossem apresentadas a partir de junho de 2014;
3 Que, já em agosto, o Presidente foi obrigado a recordar ao referido agente esse mesmo acordo;
4 Que, no passado dia 3, o Matic e o seu agente apresentaram uma “exigência de saída imediata”, acompanhada desta proposta do Chelsea; e, finalmente
5 Que o Matic chegou a condicionar a sua presença no “clássico” a uma aceitação da proposta do Chelsea.

Considerando estes elementos, espero que o Presidente nunca mais se esqueça de que não pode, nem deve, fazer “gentlemen agreement”, em nome do Clube e/ou da SAD.
Esta não foi a primeira vez que lhe “roeram a corda”, com prejuízos objectivos e quantificáveis para o Benfica. Espero que tenha sido a última!
Felicito-o por tudo o que tentou fazer, incluindo correr para Londres, no sentido de defender os interesses do Glorioso desta verdadeira traição: os que o reelegemos esperamos que ele assim proceda, sempre.

Espero que o CA da SAD reporte, com o máximo de detalhes, todo este processo para a UEFA!  

Não é a primeira vez que o Sr. José Mourinho e o Chelsea são pública e comprovadamente envolvidos neste tipo de situação (aliciamento “ilegal” de um atleta): numa das anteriores ocorrências e porque estava envolvido um outro clube inglês, quer o técnico, quer o clube foram penalizados pela federação inglesa.

Não tenho a menor dúvida de que dessa reclamação do Benfica não vai resultar nada em termos práticos, mas, ainda assim, creio que será importante o seu registo oficial.

Espero que o Presidente convide o proprietário do Chelsea para um encontro a realizar o mais tardar no dia da final da Champions, para lhe explicar, pessoalmente, os detalhes lamentáveis deste “negócio”!

Eu, enquanto Benfiquista, nunca mais me esquecerei do papel assumido neste processo pelas seguintes partes: Nemanja Matic, José Mourinho e Chelsea.

Companheiros,  

Por tudo isto, já perceberam quais eram as alternativas que se colocavam ao Presidente: ou aceitava a “oferta” que lhe foi feita, ou entrava em litígio declarado com o Matic, com todas as consequências decorrentes.
E se o Presidente quisesse “descer” ao nível dos interlocutores, o melhor que poderia era desdizer-se na segunda-feira e mandá-los bardamerda, coisa que eu nunca aprovaria.

Se querem a minha opinião pessoal (coisa que não vale rigorosamente nada), eu não hesito: o Matic ia ficar um ano e meio (até aos 28 anos) a dar voltas ao relvado do campo de treinos da Nossa Equipa B, findos os quais, se quisesse regressar a um clube sérvio, poderia rescindir o contrato mediante o pagamento dos salários vincendos até maio de 2018, a menos que, antes disso, pagasse a cláusula de rescisão inscrita no seu contrato.  

Porque é que eu faria tremenda anormalidade?
Para que servisse de exemplo a todos os Atletas e a todos os clubes, por mais poderosos que possam ser!
E tomaria essa decisão plenamente consciente do enorme prejuízo económico imediato que dela decorria para o Benfica, porque a Visão que eu tenho do Nosso Clube assim o determina e porque, a prazo, evitaria casos similares.

Não foi essa a decisão tomada pelo CA da SAD e eu, naturalmente, solidarizo-me imediatamente com ela: o Benfica foi alvo de uma malfeitoria, de um ataque soez e calculista, pelo que não é hora para lamurias, muito pelo contrário.

Mais ainda, exorto o CA da Nossa SAD a que reaja a este golpe com autoestima e não permita que o sucedido influencie as suas eventuais decisões, caso os próximos dias lhe tragam propostas objectivamente irrecusáveis por quaisquer outros Atletas.
O resultado da Gestão deste CA é um Plantel perfeitamente capaz de “encaixar” a saída de mais alguns Atletas, desde que com significativa compensação económica e com consequências desportivas ultrapassáveis pela Equipa.

Insubstituível, nem o King, quanto mais um tal … Matic.

Viva o Benfica!    

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Valorizar Atletas e crescer em competitividade

Por José Albuquerque

A partir do momento em que o CA da Nossa SAD reconhece a sua incapacidade, estrutural e a longo prazo, para competir salarialmente com os mais fortes clubes europeus, só tem dois caminhos a seguir: (1) continuar a lutar por uma crescente competitividade económica e (2) construir uma politica desportiva capaz de minimizar os impactos de uma sangria regular dos Atletas mais valorizados. Caso fosse possível (e é, de facto), essa politica desportiva deve promover uma maximização dos proveitos ‘extraordinários’ da rubrica de “Operações com passes de Atletas”.   

Todos somos testemunhas daquilo que a SAD tem feito com este exacto objectivo, quer concordemos ou não, mas existem Companheiros que entendem que o caminho deveria ser outro: a uma politica que passa por aumentar a ‘base de selecção’ dos Atletas, eles preferiam uma concentração dos recursos em valores mais confirmados e/ou seguros.

Partindo do principio que, uns e outros, visam o mesmo objectivo, um objectivo que eu vou definir como “aumentar-lhes o número de alvos possíveis”, teríamos, assim, dois caminhos alternativos:

1 Ou apostar maioritariamente em jovens Atletas, alguns mesmo ainda em idade júnior, consequentemente mais baratos e aumentando a quantidade de Atletas sob contrato;
2 Ou apostar maioritariamente em Atletas ainda suficientemente jovens para preservarem potencial de valorização, mas de valor já confirmado, diminuindo a quantidade de Atletas sob contrato.  

Num e noutro dos casos, admito que possam ser idênticas quer a determinação em não desperdiçar eventuais oportunidades de mercado, relativas a Atletas completamente confirmados (os Nolito, Sulejmani, Enzo, Matic, Mora etc.), quer o investimento decisivo na “Fábrica”, garantindo que as aquisições externas, por maior que seja o seu número, não inibam a SAD de manter contrato com todos os seus “produtos” aos quais os Técnicos reconheçam um significativo potencial, pelo menos até aos 23 anos de idade.

Se já se torna difícil definir estas duas alternativas, menos fácil se tornará executar uma em detrimento da outra, excepto numa consequência bem especifica: aceitar como quase ilimitado o número de Atletas sob contrato, o que implica a consolidação de uma estrutura mais pesada de “gestão destes activos’, ou, em alternativa, tem inerente o risco de algum ‘mau acompanhamento’ de Atletas que, sendo muito jovens, talvez necessitassem de se manter menos longe da Catedral.

Sem cair no logro de me perder na análise de casos particulares (não deixemos que “a árvore esconda a floresta”), eu considero que as opções estratégicas da Nossa SAD têm sido corretas e bem adaptadas ao período que vimos vivendo desde que, há meia dúzia de anos, ficaram completados os mais importantes investimentos estruturais, resultando num processo que, na minha humilde opinião, confirma um progressivo aumento do nível médio dos Atletas no Plantel e, também, o tal “aumento do número de alvos possíveis” para os chamados “tubarões do mercado”.
Concomitantemente, vemos crescer o número de atletas que, mesmo sem conseguirem cumprir as melhores promessas de evolução, já atingem níveis de competência que os tornam atractivos para clubes importantes (Rosa, Vítor, Yartey, David Simão, etc.) e, consequentemente, contribuem para o crescimento da Nossa “marca”.

Internamente no Plantel, há mais um factor que pode contribuir de forma determinante para a redução dos “riscos desportivos” decorrentes da valorização e saída dos Atletas mais cobiçados: a existência do maior número possível de “polivalentes”.
Eu pertenço ao grupo dos que acreditam que os melhores futebolistas têm de ter, por ordem de prioridade, “técnica” (quanto mais melhor, se possível com os 2 pés), inteligência e capacidade atlética (velocidade e resistência): um Atleta que seja excelente nestes 3 itens, com a adequada integração tácita, é capaz de fazer qualquer posição de campo, depois de devidamente rotinado e integrado na Equipa.
Isto é outra forma de explicar porque me faz tanta ‘espécie’ quando leio pedidos de “um trinco de raiz”, por exemplo (ou qualquer outro “de raiz”), porque tenho uma particular preferência por Atletas que sabem “ler o jogo” e que são ‘polivalentes’, mesmo ocupando a mesma posição de campo.
Uma Equipa com muitos elementos capazes de se integrarem em diferentes posições, fica muito menos exposta a eventuais ‘baixas’ sejam elas pontuais (em caso de lesões) ou definitivas (em caso de “saídas”).
Uma mais perfeita integração técnica entre as diversas Equipas do Clube (A, B, e escalões jovens), promove a polivalência dos Atletas mais jovens e, assim, defende e prepara a Equipa principal para melhor resistir, com menor oscilação de rendimento, ás naturais saídas de alguns Atletas. 

Eu sou um grande adepto da célebre frase “o Benfica tem tudo, só não tem comparação”. Ainda assim e num esforço pedagógico, vou permitir-me a liberdade de usar, como exemplo, uma imagem um pouco disparatada: vejam a Equipa como se fosse uma “galeria de arte” que, em cada momento, pode e deve apresentar exposições (conjuntos específicos de peças) diferentes e que, de quando em vez, sabe que vai vender partes do seu espólio, como forma de manter o crescimento do valor das obras que mantem e ainda poder adquirir mais algumas. 
Se vos não agradar esta imagem, vejam o Plantel como se fosse o “Cirque du Solei”, mantendo em permanência “artistas” que não cabem nas suas actuações, que continuam a treinar e/ou inventar novas “performances” que possam vir, eventualmente, a integrar futuros espectáculos. Pontualmente, uma e outra das principais “estrelas da companhia” abandonam o conjunto em busca de outros desafios, competindo ao conjunto dos que continuam a tarefa de refazer o guião dos novos espectáculos, de forma a manter (e melhorar, se possível) o nível qualitativo dos mesmos.

Este processo não tem nada nem de simples nem de fácil, mas constitui um desafio que temos conseguido vencer e, até pela experiência já adquirida, temos todas as condições para continuar a superar, sem comprometer a desejada evolução geral da qualidade da Equipa e dos seus resultados desportivos (e económicos claro).

Viva o Benfica!         

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Equipa 2013/14: o meu optimismo

Por José Albuquerque

Bem sei que ainda é cedo (para optimismos ou pessimismos), mas não tenho receio de interpretar estes sinais que, apesar de cheirarem a fresco, já constituem evidencias.

Comecemos por alguns pontos prévios, que me obrigo a adiantar para não iludir nenhum leitor:

1 Apesar de concordar com a politica de aquisições da SAD, centrada em “jovens promessas” e completada com o aproveitamento de “oportunidades de mercado”, eu sou dos que consideram que a formação de um futebolista só termina por volta dos 23 anos, pelo que, antes de atingida a maturidade, um Atleta pode ter muito talento, pode ter muito boa “escola táctica”, pode, até, ser genial, mas não lhe podemos exigir a consistência necessária;

2 Se é verdade que o futebol é um “jogo”, cada vez mais ele é um desporto e o pináculo dos desportos de alta competição, o que implica que, por mais artistas que eles sejam (e eu acredito que a primeira coisa que os distingue é a sua técnica, seja qual for a posição em que actuam), os “jogadores” terão de ser atletas de eleição e capazes de interagir (“funcionar”) colectivamente; especialmente por isso e porque eu tenho imensas provas da alta competência e “know-how” detidos pelo Nosso LORD (laboratório de optimização do rendimento desportivo), espero que todos os Atletas que vão ser integrados nas Equipas A e B, venham a registar um importante ‘crescimento atlético’ no próximo futuro;

3 Também sou dos que esperava que o Benfica já tivesse superado o nível em que uma Equipa ainda recorre a Atletas “emprestados”, mas compreendo e apoio as 2 excepções com que fomos confrontados; o Sílvio pode permitir ao João Cancelo uma época inteira na Equipa B (na última época ainda fez muitos desafios pelos sub-19) e o Bruno tem de ser encarado como se fosse um Atleta de 20 anos, … com 26;

4 Eu considero que as únicas fontes seguras de informação sobre os Nossos Atletas e Equipas são o Nosso ‘Grupo de Média’ e os “R&C” que a SAD publica, pelo que eu não participo nessas especulações sobre alegados “detentores dos direitos económicos” de Atletas Nossos, como nos casos do Ola John e do Lazar Markovic;

5 Apesar de (com muita tristeza minha) ser uma realidade que pode vir a extinguir-se, o Benfica Stars Fundo persiste como uma realidade inultrapassável na gestão dos Atletas dos quais ele detém uma parte do “passe”; 

6 O enquadramento económico que a SAD vai continuar a enfrentar a médio prazo, os investimentos recentemente concretizados, os já contratados e a prioridade de alguns outros, adicionados ao carácter determinante dos Nossos resultados económicos no próximo futuro, definem condições ponderosas a toda a gestão do Grupo Benfica; e 

7 Finalmente, o pouco que eu sei sobre futebol apenas resulta de muitos anos como expectador, alguns livros devorados e muita vontade de “ler e interpretar” os sinais que todos podemos testemunhar, dados por quem sabe muito de futebol, como são, por exemplo, os casos dos Nossos “Maestro” e Técnico.

As “saídas”.

Neste momento em que escrevo, dou por adquirido que do Plantel já saíram vários Atletas que fizeram parte da Equipa A nesta última época, a saber: Aimar, Miguel Vítor e Carlos Martins. Por já não terem idade para serem utilizados na Equipa B, creio que a estes se juntarão os seguintes: Michel, Djaló e Luisinho. Finalmente, o Roderick parece-me destinado a Equipa B, uma vez que a SAD continua a acreditar no seu valor.   
Em termos pragmáticos, há que reconhecer que é quase nulo o impacto desportivo destas saídas.

As “entradas”.

Neste momento em que escrevo e sem falar nas múltiplas aquisições que me parecem destinadas a reforçar a Equipa B (todos os sub-20 e os irmãos do Lazar Markovic e do Nemanja Matic), é a seguinte a lista dos Atletas que podem vir a reforçar a Equipa principal:

Ruben – do qual me recuso a falar enquanto homem e, ainda menos, como Benfiquista.
Trata-se de um Atleta muito consistente e polivalente, que pode fazer a contento as posições 2, 6, 7 e 8, que eu sempre gostei de ver jogar a 6 e a 8, que pode vir a ter uma motivação adicional esta época (caso o “dranquilo” se conseguir apurar para o Brasil). Português, internacional A, que passou pela Nossa “Fábrica” e que tem o senão de um historial consistente de lesões (não muito graves) musculares.
O que de melhor posso escrever é que estou convicto de que, com ele na Equipa, poderíamos ter vencido o Estoril e, sobretudo, não teríamos perdido no ladrão.

Sílvio – que chega por empréstimo e sem opção de compra. Português, internacional A, que passou pela Nossa “Fábrica” e que tem o senão de um historial consistente de lesões (não muito graves) musculares. Trata-se de um Atleta consistente e polivalente, que pode fazer as posições 2 e 3. Esta ‘aquisição’ tem, a meu ver, a enorme vantagem de libertar o André Almeida para a rotação da posição 6, ‘dar’ ao João Cancelo uma época inteira de crescimento na Equipa B e, ainda, poder suprir alguma urgência do lado esquerdo.

NOTA 1 – não sei se já todos repararam que o Benfica, de quem a mérdia não cessa de criticar os defesas laterais, participou na formação de todos os últimos, esquerdos e direitos, da equipa do “dranquilo” (além dos próprios sub-20, com o Martins e o Cancelo)?  

Steven Vitória – mais um Atleta português, consistente e, de algum modo, polivalente (posições 4, 5 e 6), que pode ser muito útil nas bolas paradas (defensivas e ofensivas) e que, tal como o Ruben e o Sílvio, vai ter uma época com motivação especial.

Sulejmani – um verdadeiro fora de série, em “frasco pequeno”: soberbo de técnica e enorme velocidade de execução! Trata-se de mais um polivalente (rotinado a 7 e a 11 e capaz de fazer de “9 e meio”), com queda para as transições ofensivas e forte capacidade de concretização. Ou muito me engano, ou o Sulejmani vai entrar no grupo dos “alvos dos tubarões”.

Bruno – muito complicado de avaliar, até por ser o Atleta com a integração mais ‘atrasada’. Parece-me um Atleta que tem tanto de lateral esquerdo quanto o Fábio e o Melgarejo, antes de o serem! No blogue LATERALESQUERDO definiram-no como um típico “jogador de bola”, sem noção do que é o futebol europeu. Excelente técnica e atitude (muita vontade), mas tudo por fazer do ponto de vista táctico. Tal como já escrevi antes, trata-se de um Atleta de 26 anos, que vai ter de ser ‘trabalhado’ como se tivesse 20 (exceto do ponto de vista atlético, claro). Caso venha a tornar-se num verdadeiro lateral esquerdo, pode ser uma ‘pechincha’ por 5 milhões!
NOTA 2: se e quando JJ conseguir fazer do Bruno um lateral esquerdo, poderemos assistir a uma alteração táctica muito importante nas Nossas transições ofensivas, uma vez que aumentariam de 2 (Matic e Enzo) para 3 as alternativas de condução da bola, tal como acontecia com o Fábio.   

Lisandro Lopéz – tenho de me ‘agarrar’ para não desatar a gritar que a SAD conseguiu, uma vez mais, descobrir um diamante pelo preço da chuva, mas é muito raro ver um Central promissor nesta idade. Mais um Atleta que tem todas as condições para fazer furor. Tem competição garantida na Nossa Equipa, mesmo com o Garay.

Mitrovic – um verdadeiro ‘armário’, mas bastante rápido (veremos o que o LORD vai fazer com ele) e com aquela “genica sul americana” que nos encanta a todos e, parece-me, com uma técnica bem acima da media. Mesmo que o Garay vá multiplicar o seu salário para longe, espero que o Mitrovic progrida na Equipa B (ou, por empréstimo, em alguma equipa em que possa competir).

Duricic – pode o Técnico dizer dele o que quiser que, para mim, este Atleta genial já pode fazer de “9,9”, pelo menos! Nos sistemas tácticos preferidos pelo JJ, este “garoto” (que mais parece um Atleta maduro, quando lhe passam a bola) pode fazer o tal “9 e meio”, mas se o LORD lhe somar uns quilos de massa muscular e o Técnico lhe ensinar os posicionamentos tácticos defensivos (de recuperação da posse de bola), Duricic pode transformar-se num 8 temível.
Ou muito me engano, ou o Duricic vai entrar no grupo dos “alvos dos tubarões”.

Lazar Markovic – “last but not least”, o mais novo de todos e o que implicou maior investimento da SAD (irmão incluído, ahahah). Pelo pouco que dele pude ver, pode ser o mais genial de todos os ‘reforços’ contratados: um daqueles absolutos fora de série que pode fazer qualquer posição de campo (técnica perfeita, com ambos os pés, rapidíssimo e com excelente porte atlético), mas que seria um ‘crime’ jogar longe da baliza do adversário.

Em resumo, eu diria que a SAD tem colocado á disposição do Técnico várias “pérolas” nestas épocas mais recentes (Di, Luiz, Matic, Gaitan, Witsel, Enzo, Sálvio, etc.), mas este ano ,,, “esmerou-se”, ou “abusou”!
Por mais alto que alguns considerem ser o salário do JJ, só o seu trabalho com aquelas “pérolas” já faziam dele um Técnico ‘barato’. Veremos o que ele vai fazer com todo este manancial que acabam de lhe dar.   

Como ficou, então, a Equipa …

Sem alterações na baliza.
Uma vez que a situação do Oblack tem sido muito discutida, quero repetir que considero que seria um ‘crime’ sujeitá-lo a uma condição de ‘suplente’, uma vez que, na sua idade, ele necessita imperiosamente de competir.
Portanto, eu sou favorável a termos um GR suplente com as características do Lopes (com a vantagem da nacionalidade), ou seja: um Atleta capaz de substituir o titular nas poucas oportunidades previsíveis.
No caso de se verificar um impedimento permanente do GR titular, poderia equacionar-se um eventual recurso ao Mica, ou uma interrupção do empréstimo do Oblack.

Defesas laterais (posições 2 e 3)
Maxi e Melgarejo como primeiras opções, Sílvio e Bruno a garantirem a competitividade, Rúben e André Almeida em caso de ‘crise’, ou seja: posições claramente reforçadas e, para efeitos UEFA, com possível recurso a 3 Atletas nacionais e, todos eles, da “Fábrica”, mais um de “lista b” (o Melgarejo)

Defesas Centrais (posições 4 e 5)
Sem alteração nos titulares (pelo menos por enquanto) – Luisão e Garay, Lisandro, Jardel e Steven a garantirem a competitividade, Mitrovic eventualmente disponível em caso de ‘crise’, ou seja: posições reforçadas e, para efeitos UEFA, com um Atleta nacional.
NOTA 3: uma eventual saída do Garay já se encontra ‘solucionada’ com este conjunto de Atletas.

Médios Centro (posições 6 e 8)
Sem alterações nos titulares (idem) – Matic e Enzo, 3 portugueses para “rotação” (os 2 Andrés e o Ruben), ou seja: posições reforçadas, se optarmos pelo pragmatismo.
NOTA 4: a muito provável chegada do “Farinha” (ahahah, que não tenho til neste teclado), poderá significar mais um reforço a estas duas posições.
NOTA 5: uma eventual saída do Matic (ou do Enzo) obrigará a SAD a ‘ir ao mercado’, … se for a tempo.

Médios Ala (posições 7 e 11)
Sem alteração nos titulares (idem) – Sálvio e Gaitan, muita competitividade oferecida pelo Sulejmani e pelo (espero) Ola John e possível “rotação”, em caso de “crise”, com o Lazar Markovic e o próprio Urreta (que ‘tem’ de ser utilizado na Equipa B), ou seja: posições muito reforçadas.
NOTA 6: em termos de UEFA, Sálvio e Urreta podem incorporar a chamada “lista b”,

Segundo Avançado (de “nove e meio” a “quase 10”, ahahah) e Ponta de Lança (posição 9)
Caso se confirme o meu desejo de vermos o Tacuara continuar, poderemos dizer que mantemos os titulares (Tacuara e Lima), mas assistiremos a um aumento enorme da competitividade e, ainda mais, de soluções tácticas alternativas, já que ao Rodrigo se vieram juntar o Duricic e o Markovic, no que me parece ser um leque de opções quase ‘exagerado’, porque estes 3 ‘suplentes’ terão de competir o mais possível.
NOTA 7: em termos de UEFA, o Rodrigo já pode integrar a “lista b”

Concluindo …

8 Comparativamente com as épocas anteriores, vejo muito facilitada a ‘engenharia’ para seleccionar os 17 estrangeiros que a UEFA limita (eu vejo apenas 15 como ‘obrigatórios’, mais 2 pela “lista b”, que podem ser Sálvio, Rodrigo, Melgarejo, e/ou Urreta);

9 Saúdo o facto de a Equipa poder manter-se competitiva mesmo numa convocatória com 6 (!) Atletas portugueses;

10 Caso não se verificasse nenhuma saída neste grupo de Atletas ‘titulares’, quer-me parecer que os objectivos da Equipa poderiam ser aumentados.

11 Em qualquer caso e uma vez mais, os apintadores terão de se ‘esmerar’ para impedir o Nosso sucesso nas competições internas.        
               
Viva o Benfica! 

sábado, 15 de junho de 2013

Politica de aquisições, Custos e “Lucros”

Por José Albuquerque

Tal como prometido no texto em que comentei as Nossas ‘Contas’ do 3º trimestre deste exercício (31.03.2013), eis-me a escrever para facilitar a compreensão destes assuntos a todos os que não estudaram ‘contabilidades’. Para o efeito e em vez de vos castigar com uma qualquer espécie de ‘aula’, tentarei atingir o objectivo através da exemplificação de questões muito práticas e, como estamos em plena ‘janela de mercado’ vamos começar por falar das “Operações com Passes de Atletas”, uma rubrica que, todos o sabemos, assume uma importância determinante no ‘negócio da Nossa SAD’. E se tu, Companheiro, és daqueles que dizem que “estou-me nas tintas para as contabilidades, porque o que eu quero é ter bons Atletas e que a Equipa conquiste títulos”, então fazes bem em ler este texto, a ver se compreendes, por exemplo, a razão pela qual o Glorioso não pode adquirir o passe de um atleta como o Ansaldi, ou a que permitiu que o crac Nos “roubasse” alguns atletas que a SAD já quase contratara.

Politica de aquisições
Comecemos, então, pela politica de aquisições da SAD, tal como aprovada e confirmada por sucessivas AG’s de Accionistas. Em síntese e simplificando, temos:
1 Adquirir jovens Atletas de elevado potencial; e
2 Estar activa no mercado, por forma a aproveitar oportunidades que possam constituir reforços importantes.

No 1º grupo, podemos enquadrar a esmagadora maioria das aquisições das últimas 6 épocas e, no segundo, cabem casos como os do Aimar, Saviola, Lima e o do próprio Garay, não sendo a idade dos Atletas o único factor a diferenciar estes dois grupos.
E qual é esse factor adicional a fazer a diferença?
A estrutura dos custos que cada Atleta representa para a SAD, uma vez que os primeiros, mesmo que os seus ‘passes’ custem bastante (como o Ola John ou o Sidnei, por exemplo), recebem salários relativamente baixos, enquanto no 2º  grupo encontramos Atletas que, estando ou não em fim de contrato, exigiram um investimento inicial relativamente pequeno (quando comparado com a classe confirmada dos Atletas), mas, em contrapartida, ‘furam’ o teto salarial e, eventualmente (como no caso do Saviola), exigem manobras de ‘optimização fiscal’ (ahahah) para viabilizar o acordo.

Custos
Ou seja, cada Atleta contratado pela SAD implica impactos em 2 diferentes rubricas dos ‘Custos”:
3 Por um lado, naturalmente, os seus salários contratuais (uma parte dos “Custos Operacionais”; e
4 O custo das “amortizações’ anuais do valor de aquisição do “passe”.           

E eis-nos chegados a este chavão – as amortizações, cujo entendimento é indispensável para entender as “contas”.
Não se trata de “amortizar um empréstimo”, que é coisa diferente. Trata-se de “amortizar” os valores de alguns itens do Activo, nomeadamente os respeitantes aos passes dos Atletas, no sentido de ‘distribuir’ esses custos de aquisição ao longo de toda a vida prevista para o contrato..
Vejamos o seguinte exemplo: adquiriu-se um Atleta por 10M (incluído comissões, eventuais ‘prémios de assinatura’ e demais custos de aquisição), com um salário anual de 1M e por um prazo de 5 anos. Qual será o “custo” anual deste Atleta? 11M no primeiro ano e 1M em cada um dos 4 anos seguintes?
Não! O custo de cada Atleta (fora eventuais prémios de desempenho e admitindo que o contrato não é renegociado ao longo da sua duração) é constante em cada um dos 5 anos e é igual à soma do salário (1M) com 1/5 do custo de aquisição (10/5=2), ou seja, 3M em cada ano.
Olhando para o Activo e independentemente da forma de pagamento, o passe deste Atleta “entra” com o seu Valor de aquisição (10M) e, depois, em cada ano, reduz-se pelo montante da “amortização”, passando, sucessivamente, a 8M, 6M, 4M … até ser igual a zero no final do contrato (fazendo sentido que possa sair “a custo zero”).
Quer isto dizer que, imaginando que o Atleta sai, dois anos após a compra, vendido pelos mesmos 10M que tinha custado, dessa operação resultará uma mais valia (Proveito extraordinário) de 4M, igual à diferença entre o valor da venda (10M) e o valor restante (“liquido”) do passe no Activo, após duas amortizações anuais (6M). Naturalmente e caso a forma de pagamento inicial do passe tenha implicado um recurso a financiamento (ou a simples emissão de garantias bancárias), haverá lugar à existência de “custos financeiros” (que não são amortizáveis) e que onerarão o exercício da compra.
Todo este arrazoado tem um único objectivo: o de explicar que a compra de um passe, sejam quais forem o seu montante e forma de pagamento, só pode implicar um “lucro” (mais valia), ou um “prejuízo” (imparidade), no exercício em que se verifique a venda desse Atleta. Ate lá, anualmente, o que emerge dessa compra são os ‘custos” em salários e amortizações do valor do passe (fora eventuais custos financeiros, obviamente).
Reparem que no momento da aquisição 3 tipos de movimentos contabilísticos podem acontecer: (a) Activo e Passivo não se alteram, porque “sai dinheiro da rubrica ‘caixa e bancos’ por contrapartida do ‘valor do Plantel’”, caso o pagamento se faça a p.p., ou (b) a compra faz-se 100% a crédito e Activo e Passivo aumentam ambos pelo valor de aquisição (no Activo pelo aumento do “Valor do Plantel” e no Passivo pela inscrição dessa verba na rubrica “Fornecedores”, ou, finalmente, (c) por uma qualquer combinação das anteriores alternativas.  
Toda esta embrulhada serve para que quem não estudou contabilidade, possa compreender que o conceito de “Custos” não é igual ao de “pagamento” e/ou “despesa”, tal como “Proveitos” não são todos os “recebimentos” e/ou “receitas”.
No exemplo em causa, no ano da aquisição do passe podem os pagamentos chegar a 11M (caso a compra seja liquidada “a pronto”), mas os “Custos” serão de 3M e iguais aos do segundo ano (em que os pagamentos já se resumirão ao salário de 1M). Já no exercício em que o passe é vendido (admitindo o pagamento igualmente imediato), a receita pode ser de 10M, mas o “proveito” será de apenas 4M, uma vez que, deixando o Atleta de fazer parte do “Activo”, haverá que “retirar” os 6M que restavam amortizar, indo o “saldo” contribuir para o “lucro” desse exercício.

“Lucros”
Agora que ficou claro que a aquisição de um Atleta não origina nem “lucro” nem “prejuízo” (“mais” ou “menos valias”), há sempre quem questione se estes resultados não podem, de alguma forma, ser ‘manipulados’, ao que eu respondo que sim e dou o exemplo seguinte …

Há uns anos o crac entendeu vender um seu activo ao Inter de Milão, activo esse que tinha uma “cláusula” de 40 ME, fazendo o negócio por cerca de 18 ME, valor que decidiram inflacionar, “criativamente”, avaliando em 6 ME o passe de um garoto com nome de grande futebolista (Pelé) e aceitando a respectiva devolução como parte do pagamento.
Sinceramente, não sei se o Agente desse rapaz recebeu a comissão sobre esses 6 ME (a que teria, legalmente, direito incontestável), mas duvido muito que o Inter lhe tenha pago o que quer que fosse, ainda que seja assunto que me não interessa absolutamente nada.
Já quanto ao Clube formador do miúdo, esse Nós sabemos que exigiu e muito bem, que lhe fosse pago (ainda que tarde e a más horas) o que lhe era devido por uma transacção de 6 ME: como o crac se andava a comportar como caloteiro, a Nossa SAD chegou a anunciar que não lhes enviaria os bilhetes regulamentares a que teriam direito para um desafio na Catedral, a menos que, finalmente, cumprissem com essa obrigação legal.
Contabilisticamente, o crac conseguiu, com essa “criatividade”, empolar em 6 ME os resultados desse exercício, tendo “pago” essa descarada manipulação de valores nos exercícios subsequentes em que teve de amortizar esse mesmo valor, em que teve de pagar (pagar-Nos) as inerentes responsabilidades e, finalmente, suportar a imparidade restante quando cedeu o garoto (em troca de nada, claro) a uma qualquer sucursal.

Voltando ao principio, ao caso do Ansaldi que exemplifica todos aqueles pedidos de “um lateral confirmado e que não seja uma adaptação”, atleta que estaria no mercado por cerca de 5ME, mas que tem um salário anual liquido de impostos de quase outro tanto, um contrato de 5 anos apenas custaria 1ME em “amortizações”, mas custaria uma verba insuportável em salários anuais, alem de colocar em causa a sempre necessária coesão no balneário.
Acresce que a fiscalidade em Portugal também não ‘ajuda’ nada, por não ser competitiva com a da esmagadora maioria dos outros países europeus (neste momento, creio que apenas a França segue pior), diferença essa que parece ter estado na origem das operações de “engenharia fiscal” que envolveram os empréstimos do Reyes e do Sálvio e as aquisições do Saviola (que teria um salário de 3,5ME em Madrid) e do próprio Garay (idem).

Seguramente que quase todos nos surpreendemos quando o técnico do B. Dortmund afirmou que “toda a equipa custou 38ME”, mas eu não necessito de ir pesquisar as “Contas” desse clube para garantir que aquela equipa custa muito mais do que esse valor e só em salários anuais, além de ter a certeza de que o respectivo valor de balanço também ultrapassa e muito, esse suposto custo.

Finalmente e como conclusão, a menos que queiram ver o Glorioso regressar a uma gestão de alto risco, seria bom que parassem de sugerir aquisições de alguns atletas (dos tais “confirmados e que não são adaptações”) cujos salários seriam incomportáveis para a SAD.

Viva o Benfica!