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segunda-feira, 20 de abril de 2020

José Mourinho - "Se você for a Palermo se calhar também precisa"

Foi tocante. É sempre emocionante quando "La Famiglia" se junta para recordar virtudes do passado! O Baía das defesas dentro da baliza e dos remates defendidos com as mãos fora da grande área, o bicho, carregado de histórias - como aquele golo na (própria) baliza do Marítimo que ainda hoje me emociona - o fugitivo de Vigo, cheio de caruncho e viagra, revelando (rói-te de imbeja ó Bieira) que o Mourinho (tão fofinho que ele estava) "aceitou fazer meia época no foculporto, em 2016, mas o Manchester não deixou com o argumento de que estávamos na mesma prova europeia". Do Manchester parece-me óbvio que, em ano de Tetra do Benfica, quem lhes metia medo a valer era o clube da fruta. Das motivações de José Mourinho nem é preciso pensar muito; morria de saudades das praias de Palermo!

Da camisola rasgada a Rui Jorge é que nada. A fruta em excesso tem estes efeitos retardados. Dá-lhes cabo das lembranças. E como nas recordações também se mostra selectiva...sobram os espíritos colaborantes, chatos como a potassa, que teimam em não deixar nada ao acaso. Recordemos o "Um ciclo de vitórias" onde Mourinho descreve num capítulo a transferência para o Chelsea e a final da Liga dos Campeões, o ocorrido no hotel do estágio, em Gelsenkirchen, curiosamente - segundo o então treinador do clube da fruta - "o único encontro" em que o foculporto não levou a sua segurança privada...sobre quem o ameaçou de morte, um amigo de outras batalhas que o tratava por tu e com importância dentro do foculporto ao ponto de usar o telemóvel de Reinaldo Teles "obrigando-o" a incomodar o treinador na noite de véspera da final da Liga dos Campeões! Do livro de Luís Lourenço, contado na primeira pessoa...

"Subi ao quarto por volta das 22h30. Inesperadamente, alguém toca à porta do quarto. Abro-a e vejo o dirigente Reinaldo Teles”: "Desculpa, mas tenho no meu móvel oito chamadas com urgência para ti." Era alguém que se tinha identificado e, por isso, merecedor de uma chamada, pensei. Ligámos e, do outro lado, com celeridade, a ameaça de morte após a chegada ao Porto: “- És um artista... um filho da puta... não te fazemos nada agora porque tens uma final amanhã, mas assim que tudo acabar, podes dar-te como um homem morto, porque te vamos apanhar e, assim que chegares ao Porto, tens a cama feita (Mourinho não o disse mas o tom da ameaças tem a cara de Bruno Pidá (tratarei dele noutro dia). Incrédulo, respondi: “Deves estar maluco... não sei do que é que estás a falar nem porque estás a dizer isso, mas acho que não estás bom da cabeça”... "De imediato, desligo o telefone"...

"Contei aos meus adjuntos o que se estava a passar. Também a eles lhes notei estupefacção e, ao mesmo tempo, alguma preocupação porque a 'personagem', conhecida na obscuridade da cidade e com registo criminal - algumas condenações e penas suspensas -, era, segundo a polícia entretanto contactada, merecedora de receio e de vigilância apertada, ainda para mais por liderar um grupo organizado. O facto de se adivinhar uma multidão à nossa espera no aeroporto e na cidade ainda vinha agravar mais a situação". A coisa foi levada tão a sério que, segundo relata José Mourinho, quer Reinaldo Teles quer o turista de Vigo lhe garantiram um plano da fuga, passando-lhe "uma mensagem de segurança" que jamais existiu; o tal "único encontro" em que o foculporto não levou a sua segurança privada.

"Chegámos ao Porto. De um lado está a festa e do outro a segurança organizada por mim e alguns amigos (relembrar que este foi "o único encontro" em que o foculporto não levou a sua segurança privada). Tudo estava perfeito, na pista estavam duas carrinhas que nos levaram para casa e me deixaram a ver na televisão a festa, a minha festa, para a qual contribuí e na qual não pude participar". Acontecimentos empolados pelo feitio melodramático de Mourinho, sem qualquer importância, se nos cingirmos ao alegre cumbibio no fruta canal.

Relembrar que a segurança (ilegal) privada do foculporto era feita pela SPDE, anos depois arguida na "Operação Fénix" na companhia do fugitivo de Vigo e Antero Henriques (à semelhança de André Cashball Geraldes caçado com 72 mil euros em dinheiro encontrados pela polícia em sua casa) antecessor do mastim Gonçalves no clube da fruta. Outra curiosidade é que a dupla maravilha foi absolvida e que, nas alegações finais, foi o próprio procurador do Ministério Público a pedir a absolvição de ambos!!! Esta nem ao Meirim lembraria.

E porque as memórias não são apenas papel higiénico (fofinho) usado no fruta canal, fica essa lapidar resposta de Mourinho aquando do regresso à cidade do Porto - em Fevereiro de 2007 (com o Chelsea) - questionado por um pé-de-microfone acerca dos "seguranças privados que trouxe para Portugal para defrontar o foculporto: «Se você for a Palermo se calhar também precisa». Como não amar!