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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Vamos a “Contas”?

Por José Albuquerque

Como já todos sabem, o final da última semana foi o momento escolhido pela Nossa SAD para comunicar os resultados obtidos no trimestre iniciado a 1 de julho e terminado em 30 de setembro, tarefa em que, aliás, foi acompanhada pela osgasad e pela cracsad.  
Como as Nossas “Contas” ainda não permitem a retirada das conclusões que todos ambicionamos poder constatar em breve, vou resumir este meu comentário ao essencial e “compensar-vos” com uma breve comparação das Nossas “Contas” com as da osgalhada e as dos andruptos.

Há anos, demasiados anos, que eu vinha ansiando e anunciando estes dias históricos, em que podemos celebrar a libertação da canga do mamão chupista, esperando que os resultados económicos da SAD comecem a reflectir o pleno usufruto dos Nossos direitos televisivos. Tivesse essa libertação ocorrido por uma simples troca de operador e, naturalmente, estes números iniciais já poderiam reflectir o valor anual do novo contrato, mas, como o Glorioso teve de assumir directamente esse papel, vamos ter de esperar até ao final deste exercício, para termos uma noção concreta do impacto económico do sucesso que conseguimos com a Nossa BTV.

Ainda assim, eu continuo convicto de que estamos a assistir à alvorada de um novo paradigma na Gestão de todo o Grupo Benfica, justificado por um novo binómio de condicionantes: o já referido usufruto pleno dos Nossos direitos de TV e, também, o inicio de uma nova fase em que o Plantel passa a contar com reforços anuais saídos da “Fábrica”.

Todos os Leitores sabem que eu sou um apoiante declarado e justificado da estratégia seguida pelo Grupo Benfica. Não foi uma estratégia isenta de alguns riscos, mas todos os factos mais relevantes comprovaram a correcção das grandes opções tomadas. Assim e recordando:

1 Manter um forte investimento desportivo, generalizado a todas as modalidades que demonstrem capacidade para transformar esses investimentos em acréscimos de competitividade e, caso os BOIS o permitam, em mais títulos;
2 Manter um forte investimento estrutural e operacional, cumprindo o papel histórico do Clube, enquanto maior e mais universal instituição da sociedade civil lusófona, como a sua mais vasta e reconhecida comunidade de Valores; e
3 Manter um forte investimento em todas as actividades de animação desportiva, captação de jovens atletas e respectiva formação competitiva, com particular destaque para o Futebol e uma discriminação positiva feminina.

Sinteticamente, foi disto que se tratou, é disto que se trata e tratará no futuro próximo!
E consegui-lo apesar da escassez de capitais próprios, aceitando “pagar o preço” pelo recurso a capitais alheios!

Um preço que foi dramaticamente agravado pela maior crise financeira da história do capitalismo (mais pelo crescimento exponencial dos “spreads” bancários que por uma alta sustentada das taxas básicas de juro) e pelas consequências económicas da mais profunda recessão nacional desde a década de 20 do século passado. Um preço que continua a atrasar a conquista do equilíbrio sustentado das “Contas” a nível contabilístico, mas que conseguimos controlar e haveremos de vencer, como temos vencido todos e mesmo contra tudo.

Foram cometidos erros pontuais (alguns deles muito graves)? Eu creio que sim.
Esta estratégia poderia ter sido melhor executada? Claro que sim, sabendo o que sabemos hoje (ao sábado é facílimo acertar no euro milhões).
Podemos fazer mais e melhor? Claro que sim: podemos, temos e faremos!

Mas, ainda assim e repetindo-me, basta uma simples olhadela para as “Contas” para entender que estamos perante uma “crise perfeitamente controlada”, enquanto todos assistimos a uma generalizada afirmação da pujança desportiva e associativa do Nosso Clube.

Sem especiais novidades, regressemos aos números para identificar os sinais deste novo paradigma de Gestão, ou seja, tentemos responder a uma questão óbvia: onde é que vamos poder ler os novos sinais?

Quanto aos frutos da “Fábrica”, os sinais contabilísticos virão bem depois daqueles que podemos ver ao nível da composição do Plantel, ou seja:

4 Começaremos por ver um número crescente de Atletas a transitar da “Fábrica” para o Plantel (a maioria passando pela Equipa B, naturalmente);
5 Haveremos de entristecer com a venda milionária de algum dos mais brilhantes entre esses; e
6 Assistiremos ao decréscimo quantitativo de novos reforços vindas “de fora”

Enquanto, em termos contabilísticos, esses sinais, já consequências, poderemos confirmá-los:

7 Ao nível do Balanço, por um relativo decréscimo do valor do Plantel (Activo Intangível) e do endividamento (Passivo);
8 Ao nível da Demonstração dos Resultados, por um relativo decréscimo de custos salariais, das amortizações de “Passes de Atletas” e, mais tarde, em caso de vendas importantes, pelo aumento dos rendimentos (mais valias e “fundo de solidariedade”) em operações com passes de Atletas.

Ainda que incipientes, tomara a maioria poder registar os benefícios que, neste campo especifico, a SAD já contabilizou, uma vez que convém não esquecer que, quer por operações parciais com o BSF, quer pela venda do Yartey, quer pelos sucessivos empréstimos do Nelson, já’ devemos ter ultrapassado os 5 milhões de euro em rendimentos.

E quanto ao segundo pilar deste novo paradigma de Gestão?
Neste aspecto, ainda mais precoce e mesmo sabendo do sucesso já conseguido com a BTV, são mais incipientes os primeiros sintomas contabilísticos da nova exploração directa dos Nossos direitos, registados pela incorporação a 100% dos resultados da BTV:

9 Um aumento dos custos com Pessoal em quase 4ME (1,7ME da BTV);
10 Um aumento dos Proveitos com direitos de TV (4,9ME, + 135%), sendo 3,5ME diretos da SAD (que comparam com 1,875ME de antes) e 1,4ME da BTV; e
11 Um aumento na rubrica “Publicidade e Patrocínios”, não só por via da BTV, como pela exploração directa da publicidade estática na Catedral e nos Nossos 15 desafios para o campeonato.

Por agora (recordem que tivemos muito poucos desafios na Catedral até ao final de setembro), os valores indicados na rubrica “Direitos de TV” apenas resultaram dos valores recebidos dos operadores que distribuem os canais, não reflectindo, por enquanto, o extraordinário nível das assinaturas.
Em termos quantitativos e mesmo sem querer entrar em especulações tontas, eu mantenho a convicção de que a SAD vai conseguir, no final do exercício, um “saldo entre proveitos e custos” da ordem dos 20ME, que comparam com os 7,5ME que o mamão Nos pagava antes, e com os 22ME que chegou a oferecer para a renovação dos contratos.
Qualitativamente, a cada um fazer a sua própria avaliação do impacto actual e potencial desta Nossa “nova” BTV.

Muito satisfeito com estes resultados, não só entendi poupar os Leitores a uma análise detalhada das “Contas”, como, ainda, me dei ao desconforto de ler os comunicados da osgalhada e dos andruptos para vos poder mostrar o quadro seguinte, cuja leitura me sugere os seguintes comentários:

QUADRO

"contas" 2013/14 - Trimestre 1
(milhões de euro)
S. L. BENFICA
osgalhada
andruptos
DEMONSTRACAO DE RESULTADOS
1
PROVEITOS OPERACIONAIS
18.989
8.234
17.507
2
TV
4.878
3.750
2.511
3
PUB e PATROC.
4.346
1.568
3.381
4
Outros
9.765
2.916
11.615
5
CUSTOS OPERACIONAIS
(-) 24,182
(-) 13,748
(-) 22,528
6
FS Terc.
6.619
2.903
10.357
7
Salários
14.199
9.096
10.967
8
Amortizações
2.869
266
161
9
Outros
495
1.483
1.204
10
(= 1 - 5) Res. Op. s/ Atletas
(-) 5,193
(-) 5,514
(-) 5,021

11
(= 12 - 13) Resultados "Atletas"
1.057
13.731
(-) 4,392
12
Rendimentos
8.019
16.270
2.666
13
Amortizações
6.962
2.539
7.058
14
(= 10 + 11) Resultados Op. Totais
(-) 4,136
8.217
(-) 9,413

15
Resultados Fin. De Inv/ e Imp.
(-) 4,956
(-) 979
(-) 3,013
16
Resultado do Trimestre
(-) 9,092
7.238
(-) 12,426
BALANÇOS SINTÉTICOS
17
Activo Tangível
162.699
21.468
1.694
18
Activo Intangível (*)
136.328
27.660
80.993
19
Outros
60.175
70.012
32.514
20
(= 17+18+19) Ativo n/ Corrente
359.202
119.140
115.201
21
Clientes
29.182
27.162
64.461
22
Outros Devedores
20.332
768
0
23
Outros
16.200
9.121
36.565
24
(= 21+22+23) Ativo Corrente
65.714
37.051
101.026
25
(= 20+24) ACTIVO TOTAL
424.916
156.191
216.227
26
Passivo n/ Corrente
161.852
110.991
61.175
27
Passivo Corrente
295.143
157.371
159.837
28
PASSIVO TOTAL
456.995
268.362
221.012
29
(= 25 - 28) Capitais Próprios
(-) 32,079
(-) 122,171
(-) 4,786
30
Valor do Plantel (*)
113.462
27.654
79.268

A Recordem que a SAD passou a receber apenas 25% das quotas dos Sócios (- 68,5%), revertendo o restante para o Clube (o mesmo sucede com os “outros”);
B Na linha 4, o valor apresentado pelos andruptos reflecte a digressão que fizeram na pré época;
C Na linha 7, “Salários” os andruptos apresentam um número “disfarçado”, uma vez que pagam muitas remunerações através de subcontratação de pessoal, inflacionando o valor da linha 6 – “FS Terceiros”. Fazem isto por já estarem pressionados pelas regras do Fair Play Financeiro e porque, como sempre, gostam de ser “artistas”;
D As linhas 8 e 17 “explicam-se” mutuamente referindo que a Nossa SAD é a única que tem património real que se veja (Parque Desportivo, Seixal, etc.);
E A leitura da linha 11 reflecte o facto da osgasad ter sido a única a fazer vendas significativas de atletas;
F A leitura simultânea das linhas 13 e 30 demonstra que o prazo médio dos contratos da SAD com Atletas é superior ao da cracsad;
G A linha 15 comprova que a osgalhada já está a beneficiar das benesses, por perdão de juros, dos 2 Bancos futuros accionistas;
H Todos os outros valores demonstram que a osgalhada ainda não concretizou a chamada “reestruturação financeira” que é o nome que decidiram dar ao enterro do antigo SCP, agora substituído pelo sportAng (ou ChportAng) millennium do espírito santo.

Como sempre, fico ao dispor dos Leitores para responder a questões e comentários.

Viva o Benfica!