Por José Albuquerque
Como já todos sabem, o final da última semana foi o
momento escolhido pela Nossa SAD para comunicar os resultados obtidos no
trimestre iniciado a 1 de julho e terminado em 30 de setembro, tarefa em que,
aliás, foi acompanhada pela osgasad e pela cracsad.
Como as Nossas “Contas” ainda não permitem a
retirada das conclusões que todos ambicionamos poder constatar em breve, vou
resumir este meu comentário ao essencial e “compensar-vos” com uma breve
comparação das Nossas “Contas” com as da osgalhada e as dos andruptos.
Há anos, demasiados anos, que eu vinha ansiando e
anunciando estes dias históricos, em que podemos celebrar a libertação da canga
do mamão chupista, esperando que os resultados económicos da SAD comecem a
reflectir o pleno usufruto dos Nossos direitos televisivos. Tivesse essa
libertação ocorrido por uma simples troca de operador e, naturalmente, estes
números iniciais já poderiam reflectir o valor anual do novo contrato, mas, como
o Glorioso teve de assumir directamente esse papel, vamos ter de esperar até ao
final deste exercício, para termos uma noção concreta do impacto económico do
sucesso que conseguimos com a Nossa BTV.
Ainda assim, eu continuo convicto de que estamos a
assistir à alvorada de um novo paradigma na Gestão de todo o Grupo Benfica,
justificado por um novo binómio de condicionantes: o já referido usufruto pleno
dos Nossos direitos de TV e, também, o inicio de uma nova fase em que o Plantel
passa a contar com reforços anuais saídos da “Fábrica”.
Todos os Leitores sabem que eu sou um apoiante
declarado e justificado da estratégia seguida pelo Grupo Benfica. Não foi uma
estratégia isenta de alguns riscos, mas todos os factos mais relevantes
comprovaram a correcção das grandes opções tomadas. Assim e recordando:
1 Manter um forte investimento desportivo,
generalizado a todas as modalidades que demonstrem capacidade para transformar
esses investimentos em acréscimos de competitividade e, caso os BOIS o
permitam, em mais títulos;
2 Manter um forte investimento estrutural e
operacional, cumprindo o papel histórico do Clube, enquanto maior e mais
universal instituição da sociedade civil lusófona, como a sua mais vasta e
reconhecida comunidade de Valores; e
3 Manter um forte investimento em todas as
actividades de animação desportiva, captação de jovens atletas e respectiva
formação competitiva, com particular destaque para o Futebol e uma
discriminação positiva feminina.
Sinteticamente, foi disto que se tratou, é disto que
se trata e tratará no futuro próximo!
E consegui-lo apesar da escassez de capitais
próprios, aceitando “pagar o preço” pelo recurso a capitais alheios!
Um preço que foi dramaticamente agravado pela maior
crise financeira da história do capitalismo (mais pelo crescimento exponencial
dos “spreads” bancários que por uma alta sustentada das taxas básicas de juro)
e pelas consequências económicas da mais profunda recessão nacional desde a
década de 20 do século passado. Um preço que continua a atrasar a conquista do
equilíbrio sustentado das “Contas” a nível contabilístico, mas que conseguimos
controlar e haveremos de vencer, como temos vencido todos e mesmo contra tudo.
Foram cometidos erros pontuais (alguns deles muito
graves)? Eu creio que sim.
Esta estratégia poderia ter sido melhor executada?
Claro que sim, sabendo o que sabemos hoje (ao sábado é facílimo acertar no euro
milhões).
Podemos fazer mais e melhor? Claro que sim: podemos,
temos e faremos!
Mas, ainda assim e repetindo-me, basta uma simples
olhadela para as “Contas” para entender que estamos perante uma “crise
perfeitamente controlada”, enquanto todos assistimos a uma generalizada
afirmação da pujança desportiva e associativa do Nosso Clube.
Sem especiais novidades, regressemos aos números
para identificar os sinais deste novo paradigma de Gestão, ou seja, tentemos
responder a uma questão óbvia: onde é que vamos poder ler os novos sinais?
Quanto aos frutos da “Fábrica”, os sinais
contabilísticos virão bem depois daqueles que podemos ver ao nível da
composição do Plantel, ou seja:
4 Começaremos por ver um número crescente de Atletas
a transitar da “Fábrica” para o Plantel (a maioria passando pela Equipa B,
naturalmente);
5 Haveremos de entristecer com a venda milionária de
algum dos mais brilhantes entre esses; e
6 Assistiremos ao decréscimo quantitativo de novos reforços
vindas “de fora”
Enquanto, em termos contabilísticos, esses sinais,
já consequências, poderemos confirmá-los:
7 Ao nível do Balanço, por um relativo decréscimo do
valor do Plantel (Activo Intangível) e do endividamento (Passivo);
8 Ao nível da Demonstração dos Resultados, por um
relativo decréscimo de custos salariais, das amortizações de “Passes de
Atletas” e, mais tarde, em caso de vendas importantes, pelo aumento dos
rendimentos (mais valias e “fundo de solidariedade”) em operações com passes de
Atletas.
Ainda que incipientes, tomara a maioria poder
registar os benefícios que, neste campo especifico, a SAD já contabilizou, uma
vez que convém não esquecer que, quer por operações parciais com o BSF, quer
pela venda do Yartey, quer pelos sucessivos empréstimos do Nelson, já’ devemos
ter ultrapassado os 5 milhões de euro em rendimentos.
E quanto ao segundo pilar deste novo paradigma de
Gestão?
Neste aspecto, ainda mais precoce e mesmo sabendo do
sucesso já conseguido com a BTV, são mais incipientes os primeiros sintomas
contabilísticos da nova exploração directa dos Nossos direitos, registados pela
incorporação a 100% dos resultados da BTV:
9 Um aumento dos custos com Pessoal em quase 4ME
(1,7ME da BTV);
10 Um aumento dos Proveitos com direitos de TV
(4,9ME, + 135%), sendo 3,5ME diretos da SAD (que comparam com 1,875ME de antes)
e 1,4ME da BTV; e
11 Um aumento na rubrica “Publicidade e
Patrocínios”, não só por via da BTV, como pela exploração directa da publicidade
estática na Catedral e nos Nossos 15 desafios para o campeonato.
Por agora (recordem que tivemos muito poucos
desafios na Catedral até ao final de setembro), os valores indicados na rubrica
“Direitos de TV” apenas resultaram dos valores recebidos dos operadores que
distribuem os canais, não reflectindo, por enquanto, o extraordinário nível das
assinaturas.
Em termos quantitativos e mesmo sem querer entrar em
especulações tontas, eu mantenho a convicção de que a SAD vai conseguir, no
final do exercício, um “saldo entre proveitos e custos” da ordem dos 20ME, que
comparam com os 7,5ME que o mamão Nos pagava antes, e com os 22ME que chegou a
oferecer para a renovação dos contratos.
Qualitativamente, a cada um fazer a sua própria
avaliação do impacto actual e potencial desta Nossa “nova” BTV.
Muito satisfeito com estes resultados, não só
entendi poupar os Leitores a uma análise detalhada das “Contas”, como, ainda,
me dei ao desconforto de ler os comunicados da osgalhada e dos andruptos para
vos poder mostrar o quadro seguinte, cuja leitura me sugere os seguintes
comentários:
QUADRO
"contas" 2013/14 - Trimestre 1
(milhões de euro)
S. L. BENFICA
|
osgalhada
|
andruptos
|
||
DEMONSTRACAO DE RESULTADOS
|
||||
1
|
PROVEITOS OPERACIONAIS
|
18.989
|
8.234
|
17.507
|
2
|
TV
|
4.878
|
3.750
|
2.511
|
3
|
PUB e PATROC.
|
4.346
|
1.568
|
3.381
|
4
|
Outros
|
9.765
|
2.916
|
11.615
|
5
|
CUSTOS OPERACIONAIS
|
(-) 24,182
|
(-) 13,748
|
(-) 22,528
|
6
|
FS Terc.
|
6.619
|
2.903
|
10.357
|
7
|
Salários
|
14.199
|
9.096
|
10.967
|
8
|
Amortizações
|
2.869
|
266
|
161
|
9
|
Outros
|
495
|
1.483
|
1.204
|
10
|
(= 1 - 5) Res. Op. s/ Atletas
|
(-) 5,193
|
(-) 5,514
|
(-) 5,021
|
11
|
(= 12 - 13) Resultados "Atletas"
|
1.057
|
13.731
|
(-) 4,392
|
12
|
Rendimentos
|
8.019
|
16.270
|
2.666
|
13
|
Amortizações
|
6.962
|
2.539
|
7.058
|
14
|
(= 10 + 11) Resultados Op. Totais
|
(-) 4,136
|
8.217
|
(-) 9,413
|
15
|
Resultados Fin. De Inv/ e Imp.
|
(-) 4,956
|
(-) 979
|
(-) 3,013
|
16
|
Resultado do Trimestre
|
(-) 9,092
|
7.238
|
(-) 12,426
|
BALANÇOS SINTÉTICOS
|
||||
17
|
Activo Tangível
|
162.699
|
21.468
|
1.694
|
18
|
Activo Intangível (*)
|
136.328
|
27.660
|
80.993
|
19
|
Outros
|
60.175
|
70.012
|
32.514
|
20
|
(= 17+18+19) Ativo n/ Corrente
|
359.202
|
119.140
|
115.201
|
21
|
Clientes
|
29.182
|
27.162
|
64.461
|
22
|
Outros Devedores
|
20.332
|
768
|
0
|
23
|
Outros
|
16.200
|
9.121
|
36.565
|
24
|
(= 21+22+23) Ativo Corrente
|
65.714
|
37.051
|
101.026
|
25
|
(= 20+24) ACTIVO TOTAL
|
424.916
|
156.191
|
216.227
|
26
|
Passivo n/ Corrente
|
161.852
|
110.991
|
61.175
|
27
|
Passivo Corrente
|
295.143
|
157.371
|
159.837
|
28
|
PASSIVO TOTAL
|
456.995
|
268.362
|
221.012
|
29
|
(= 25 - 28) Capitais Próprios
|
(-) 32,079
|
(-) 122,171
|
(-) 4,786
|
30
|
Valor do Plantel (*)
|
113.462
|
27.654
|
79.268
|
A Recordem que a SAD passou a receber apenas 25% das quotas dos Sócios (- 68,5%), revertendo o restante para o Clube (o mesmo sucede com os “outros”);
B Na linha 4, o valor apresentado pelos andruptos reflecte a digressão que fizeram na pré época;
C Na linha 7, “Salários” os andruptos apresentam um número “disfarçado”, uma vez que pagam muitas remunerações através de subcontratação de pessoal, inflacionando o valor da linha 6 – “FS Terceiros”. Fazem isto por já estarem pressionados pelas regras do Fair Play Financeiro e porque, como sempre, gostam de ser “artistas”;
D As linhas 8 e 17 “explicam-se” mutuamente referindo que a Nossa SAD é a única que tem património real que se veja (Parque Desportivo, Seixal, etc.);
E A leitura da linha 11 reflecte o facto da osgasad ter sido a única a fazer vendas significativas de atletas;
F A leitura simultânea das linhas 13 e 30 demonstra que o prazo médio dos contratos da SAD com Atletas é superior ao da cracsad;
G A linha 15 comprova que a osgalhada já está a beneficiar das benesses, por perdão de juros, dos 2 Bancos futuros accionistas;
H Todos os outros valores demonstram que a osgalhada ainda não concretizou a chamada “reestruturação financeira” que é o nome que decidiram dar ao enterro do antigo SCP, agora substituído pelo sportAng (ou ChportAng) millennium do espírito santo.
Como sempre, fico ao dispor dos Leitores para responder a questões e comentários.
Viva o Benfica!